domingo, 3 de maio de 2015

1773-Nosso continente antes de chamar-se América


Seriam, realmente, apenas índios?

Quem tenha tido, como eu, a oportunidade de examinar dois trabalhos relacionados com os “índios” do Sul do Brasil, como descreverei, começa a perceber que os nativos que estavam aqui neste território antes de nós, podem até ser chamados de “índios”, mas não com esta conotação de povo atrasado, homem selvático, abrutalhado, sem alma, sem preparo, como é rotulado o índio pelas maiorias “civilizadas”.

Os trabalhos referidos são: Arqueoastronomia Brasileira, em CD, de autoria do professor da UFPR, Germano B. Afonso (2002), no qual ele apresenta os resultados de suas pesquisas astronômicas, astrológicas e arqueológicas em sítios arqueológicos e locais sagrados de nossos nativos; e Ayvu Rapyta, de autoria do pesquisador León Cadogan (1953), também conhecido pelo nome guarani “Tupã Kuchuvi Veve”, contendo textos míticos dos Mbyá-Guarani de Guairá (onde hoje se localiza a área entre o Paraná, Paraguai e Mato Grosso do Sul).

Nos dois trabalhos se pode constatar que mesmo entre os nativos (como entre nós homens brancos) havia duas classes de sabedoria: os iniciados ou iluminados e os profanos ou sem acesso, por fora. O colonizador ibérico, mais uma vez fica comprovado, corria atrás dos operários, força de trabalho, mulheres para qualquer tipo de serviço, até mesmo para concubina, enquanto em determinados pontos do território escondiam-se ou se recolhiam os sábios, portadores das informações sagradas e tradicionais de sua nação.

Germano Afonso vai aos locais, inclusive de Florianópolis, SC, onde proliferam sinais rupestres e instrumentos astronômicos usados pelos nativos Carijó e fala das relações de seus sábios com planetas, estrelas, satélites, estações do ano, numa assombrosa demonstração de avançada ciência.

Já o pesquisador Cadogan, depois de muita dedicação, aprendeu a língua dos guarani e esteve durante meses, anos, em companhia dos pajés para obter deles o que seria o que ele chama de a Bíblia Guarani, seu livro. O próprio autor confessa que jamais imaginava a existência de ensinamentos secretos entre os “mburuvichás” (traduzidos por poetas, teólogos, legisladores da tribo) guarani e também acrescenta que a ele próprio também não foram revelados todos esses segredos, mas sim e apenas o modo de entender Deus e os cosmos, que é a essência do seu trabalho intitulado Ayvu Rapita.

Na tangente dos conhecimentos sagrados, que os pajés chamam de “ñe’ê porã tenonde” (palavras formosas sobre Deus), Cadogan ouviu com muita delicadeza os relatos da História Sagrada do Povo Mbyá-Guarani. Por favor, leitor(a) entenda, são duas culturas distintas (Mbyá e Guarani), mas cuja história sagrada é a mesma e também a mesma língua. E pasme: está muito próxima daquela cosmogonia que Moisés escreveu para o povo hebreu. Com o detalhe: os nativos não tomaram conhecimento da Torá. Esse seu conhecimento é anterior às anotações mediúnicas de Moisés.

O seu Deus Supremo é chamado de “Ñamandu Ru Ete tenondeguá”.

As palavras aqui grafadas com til sobre a letra “n” tem um por quê: a pronúncia do “nh” se torna extremamente labial e na fala guarani a pronúncia tem de ser gutural. O til sobre o n nos dá essa pronúncia.

Uma descoberta interessante: eles acreditam que o seu deus lhes deu uma língua-mãe original, assim como fora dali se ensina que o sânscrito, o latim, o grego clássico, o hebreu árabe, o chinês e o tâmil também sãos línguas-mães. Essa língua-mãe seria a “ñeengatu”, mãe de outras 700 línguas nativas, inclusive da Tupi, da Guarani e da Quéchua.

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