quarta-feira, 13 de maio de 2015

1783-Reflexos Espirituais da Escravidão



Introdução

Não há necessidade de ser sociólogo, antropólogo, cientista político, teólogo ou economista para deduzir que a raça humana é muito perversa, foi muito perversa desde que se tem conhecimento de sua jornada através dos tempos em nosso planeta.

Uma de suas marcas registradas, danosa e imperdoável, foi a escravidão, praticamente exercida por todos os povos ao longo da história com terríveis reflexos sobre a formação da cultura humana: de um lado, aqueles que se julgavam autorizados a explorar o serviço humano na pior das indignidades que é o cativeiro, espécie de sequestro e, de outro, aqueles que se obrigaram, sob diferentes condições a prestar serviços e obediência como escravos, não excluídos nem mesmo a sevícia e o estupro.

Quando, por exemplo, foi abolida a escravidão no Brasil, muitos negros (quase todos) saíram com uma mão na frente e outra atrás, obrigados a mendigar, sem documentos, sem dinheiro, sem emprego, sem víveres de reserva. A rigor, acabaram “empregados” de outros ou dos mesmos “senhores” já não mais como escravos porque não eram propriedades do escravagista, mas prestando serviços apenas mediante o fornecimento de cama e comida.

Por esta razão, a pobreza, a miséria e o subdesenvolvimento econômico entre os negros foram inevitáveis naquela e nas épocas posteriores, pois enquanto os filhos dos escravagistas iam para as melhores escolas do planeta, os escravos permaneciam no analfabetismo e sob as mais cruéis condições de higiene e saúde.

Esta série não se propõe analisar apenas o caso brasileiro e nem apenas os reflexos socioeconômicos da escravidão mas, dentro do possível, ir além para captar a índole do escravagista e do escravo, os reflexos disso na autoestima, na cultura, na alma dos envolvidos sob os pontos de vista da espiritualidade, dos karmas, da reparação, da indenização.

Quero crer que o instituto da escravidão explica as origens da miséria no nosso mundo. Ao menos parece explicar as razões de estar entre os descendentes dos negros submetidos à escravidão os maiores bolsões de pobreza, violência, favelização e abandono social.

Você está disposto a olhar para dentro das paredes dissimuladas de nossa sociedade com o interesse de entender a discriminação, o racismo, a intolerância?

Então, vem.

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