sexta-feira, 15 de maio de 2015

1785-Reflexos Espirituais da Escravidão


Quem escravizou e quem se tornou escravo

No que tange a história da escravidão, há diversas ocorrências de escravatura sob diferentes formas ao longo da história praticada por civilizações distintas. No geral, os vencedores das guerras escravizaram os derrotados. A história mais conhecida é a dos hebreus em seus vários cativeiros, desmentindo a máxima bíblica de que os descendentes de Sem seriam senhores, enquanto os descendentes de Cam seriam os escravos.

Antes da Idade Média a escravidão marcou época na Mesopotâmia, na Índia (mesmo ainda na atualidade), na China, no Egito Antigo, na Grécia, no Império Romano.

Mas, no geral, desde a Idade Média, a escravidão se abateu sobre negros e índios. Algumas culturas com um forte senso patriarcal reservavam à mulher uma hierarquia social semelhante ao do escravo, negando-lhe direitos básicos que constituiriam a noção de cidadão.

O trabalho escravo acontecia na mais variada sorte de funções: os escravos podiam ser domésticos, podiam trabalhar no campo, nas minas, na força policial de arqueiros da cidade, podiam ser ourives, remadores de barco, artesãos, etc. Mais tarde atuaram em lavouras de cacau, café, cana-de-açúcar, tabaco e nas minas de ouro, prata e pedras preciosas. Para os gregos, tanto as mulheres como os escravos não possuíam direito de voto.

Nas civilizações pré-colombianas (astecas, maias e incas) os escravos eram empregados na agricultura e no exército. Entre os incas, os escravos recebiam uma propriedade rural, na qual plantava para o sustento de sua família, reservando ao imperador uma parcela maior da produção em relação aos cidadãos livres.

Não se pode apenas apontar o dedo para o escravagista branco acusando-o de vilão nessa vergonhosa ação humana. À época governos africanos, quer fossem de religião muçulmana (onde a escravidão ainda hoje é admitida) ou de outras religiões nativas, já praticavam a escravatura muito antes de os europeus se iniciarem no tráfico. Diversas nações africanas tinham as suas economias dependentes do tráfico de escravos e viam o comércio de escravos com os europeus como mais uma oportunidade de negócio.

Por alvará de 29 de março de 1559, dona Catarina de Áustria, regente de Portugal, autorizou cada senhor de engenho do Brasil, mediante certidão passada pelo governador-geral, a importar até 120 escravos. Tudo legal, na forma da lei.


No Brasil a escravidão começou com os índios, mas como eles não se adaptavam ao serviço de trabalho, os colonizadores ("um pouco adiante") recorrem aos negros africanos, que foram utilizados nas minas e nas plantações: de dia faziam tarefas costumeiras, a noite carregavam cana e lenha, transportavam fôrmas, purificavam, trituravam e encaixotavam o açúcar.

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