sábado, 16 de maio de 2015

1786-Reflexos Espirituais da Escravidão


Os traficantes de escravos

O comércio e tráfico de escravos passou a ter rotas intercontinentais a partir do momento em que os europeus começaram a colonizar outros continentes, o que coincidiu com o incremento das navegações graças à descoberta de métodos de orientação para a navegação em mar aberto.

No século XVI e, por exemplo, no caso das Américas, em alguns territórios o índio chegou a ser mais fundamental que o negro por ser a opção mais barata, os povos locais ou não se prestarem para a escravidão (adoeciam e morriam) ou se revoltaram e não se deixaram subjugar. Logo foi mudada a opção: teriam os escravagistas de importar mão-de-obra de outros pontos e a busca se deu na África.

Nessa altura, muitos reinos africanos e árabes passaram a capturar escravos para vender aos europeus.

Eles estabeleceram postos avançados na costa africana onde os clientes adquiriam escravos de líderes africanos locais. As estimativas atuais são de que aproximadamente 12 milhões de africanos foram enviados através do Atlântico, embora o número de pessoas compradas pelos comerciantes e traficantes de escravos seja consideravelmente maior. Só para o Brasil vieram mais de 3 milhões.

Os escravos saíram inicialmente de Guiné (século XVI), com levas dotadas de gente pacífica e espiritualizada, como se estivesse a oferecer-se para o sacrifício. Depois (século XVII) vieram os bacongos, os ambundos, os benguelas e os ovambos, capturados em Angola. Eram guerreiros. Desses saíram alguns que fundaram os quilombos rebeldes. Os últimos a chegar vieram de Costa da Mina (século XVIII) inclusive muitos levados pelo Brasil a Montevidéu, onde fundaram uma comunidade hoje chamada de Mina. Foram os construtores do porto, eis nesse tempo Portugal tinha o domínio sobre a costa sul do que viria a ser mais tarde o país chamado Uruguai. Da Costa da Mina vieram os iorubas, jejes, minas, haucás, tapas e bornus. Esse ciclo acabou em 1815 quando a Inglaterra proibiu e passou a reprimir o tráfico em alto mar.

Principais centros de origem do comércio, depois tráfico, de escravos: Portugal, Ilhas Britânicas, França, Espanha, Holanda, Estados Unidos (sul).

No período proibido os traficantes de escravos, para fugir à fiscalização dos navios ingleses, passaram a buscar rotas alternativas ao tráfico tradicional do litoral ocidental africano até Moçambique.

Nos Estados Unidos, em 1861/65, houve uma guerra civil entre norte-americanos, tendo a escravidão como um dos principais temas, com o norte repudiando e o sul apoiando. O norte venceu. Mas, nem por isso o assunto ficou resolvido.

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