domingo, 17 de maio de 2015

1787-Reflexos Espirituais da Escravidão


O Brasil e seus escravos

Houve tempo na história demográfica do Brasil que havia mais negros que brancos em algumas regiões, principalmente no interior rural. Mesmo assim, cidades como o Rio de Janeiro e Desterro (hoje Florianópolis), em torno de 1850, cuja população era majoritariamente negra. As famílias de 5 ou mais membros, geralmente, tinham mais que esse número entre escravos domésticos e rurais. Os trabalhos, todos, eram feitos por escravos. A palavra negócio tem origem aí. Os homens de negação ao ócio, empreendedores que cuidavam pessoalmente de seus engenhos ou vendas, eram homens de neg.ócio (abreviatura).

Em São Paulo, até o final do século XVI, quase não se encontravam negros e os documentos da época que usavam o termo "negros da terra" para se referir, na verdade, aos índios. Mas, os índios de várias regiões do Brasil eram inábeis para o trabalho e foram descartados e substituídos por negros africanos.

No Brasil foi menos sentida a revolução industrial, mas em muitos países com o surgimento do ideal liberal e da ciência econômica na Europa, a escravatura passou a ser considerada pouco produtiva e moralmente incorreta. No início da indústria os operários trabalhavam até 14 horas por dia e o rendimento era maior que o obtido através de escravos.

A escravatura em Portugal continental foi proibida a 12 de fevereiro de 1761 por iniciativa do Marquês de Pombal, então primeiro ministro do Reino de Portugal. Em 1850 foi feita, no Brasil, a Lei Eusébio de Queirós, que impunha punição aos traficantes de escravos, assim nenhum escravo mais entrava no país; em 1871 foi feita a Lei do Ventre Livre que declarava livre os filhos de escravos nascidos a partir daquele ano, e em 1885 a Lei dos Sexagenários, que concedia liberdade aos maiores de 60 anos. E mais tarde fez surgir o abolicionismo, em meados do século XIX. Em 1888, quando a escravidão foi abolida, o Brasil era o único país ocidental que ainda mantinha a escravidão legalizada. A Mauritânia foi, em 1981, o último país a abolir, na letra da lei, a escravatura. Mas, se sabe, hoje, 4% de seus habitantes ainda estão sob escravatura.

Existem muitas estórias e histórias a respeito da luta dos líderes negros pela liberdade de seus clãs. Foi assim que surgiram os quilombos. Eram, na realidade, espécies de tabas isoladas no meio do sertão inóspito para onde se recolhiam os escravos foragidos que não eram caçados pelos capitães do mato, nome dos jagunços a serviço do escravagista.

No Rio Grande do Sul, cujas fazendas de gado e indústrias do charque eram tocadas por mão-de-obra escrava, houve muitas fugas. Os foragidos se dirigiam para o Uruguai, que bem a mais tempo tinha erradicado a escravidão. A cidade de Livramento (na divisa com o Uruguai) tem esse nome como símbolo de que dali em diante o foragido estaria livre. Também em Uruguaiana, cidade fronteira com a Argentina, o passo que permite a travessia do Rio Uruguai se chama Passos de Los Libres. O problema é que o escravo sem documento e sem profissão definida que atravessava o passo dos livres era interceptado pela gendarmeria (polícia de fronteira da Argentina) e nas suas condições era tido como vadio. Vadiagem era crime naquele país. Portanto, os “livres” eram detidos e levados para a prisão.

Outra história interessante é a introdução da mula (importada da Argentina e levada para SP, RJ e MG pelos tropeiros) nas minas de ouro, prata e pedras preciosas do Brasil, principalmente de Minas Gerais e Goiás. Os escravos quando localizavam uma pepita de bom tamanho ou uma gema de bom valor, a enfiavam na boca ou no ânus e tratavam de fugir. O valor do achado resolvia seu problema longe da escravidão. Então os senhores de escravos fizeram o máximo que puderam para substituir o escravo no interior da mina, principalmente na retirada dos resíduos, a fim de se proteger do roubo que já havia se tornado comum.

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