quarta-feira, 20 de maio de 2015

1790-Reflexos Espirituais da Escravidão


As marcas espirituais da escravidão

Já se disse de tudo a respeito do aspecto espiritual da escravidão. Pura especulação, chute, palpite. Essa questão não pode ser olhada apenas a partir do homem exclusivamente terreno e nem também dos últimos 30 séculos. Temos de ser amplos, abertos, cósmicos. O fato de as maiores levas de escravos deste planeta terem sido retirados da África e mandados para outros continentes para servir principalmente o homem ariano, indo-europeu, não quer dizer nada. Não se explica aí karma, nem dharma, para usar expressões de dívida e prêmio vindas do sânscrito, cuja pátria também escravizou e escraviza não aos negros, mas aos próprios irmãos da mesma etnia e não da mesma casta. Pode explicar muito mais que isso.

Tenho conversado com os pretos velhos da velha escola anterior ao cativeiro das eras cristãs. Na serenidade das suas ponderadas informações, vamos compreendendo como e porque uma criança é colocada no seio de uma família, numa sala de aula, a espera de sua maioridade para assumir suas próprias ações, responder por seus atos. Espíritos jovenzinhos, mandados para os primeiros falquejos a caminho da civilização que os acolheria no passo seguinte. Seus ritos: a enfumaçada senzala, hoje reproduzida nas terreiras de Umbanda e Candomblé, onde orixás ainda pedem um gole de marrafa, fumam seus charutos, abatem animais, retroagem aos tempos de Abraão e Jacó, não raro com sacrifício, mesmo, de humanos. O que dizer da religiosidade haitiana que quase toda se inclina pelo vodu? E põe sofrimento e aprendizado aos haitianos se não pelas suas condições políticas e econômicas, muito pelas condições geonaturais.

No meio das divindades primitivas que conversam com os afros espalhados pelo planeta, estão os seus luminares pretos velhos de fala macia, pregando o amor e a obediência, principalmente. Obediência, sim. São os mais legítimos habitantes do Éden, retratados na narrativa do africano Moisés, transformado em líder maior dos hebreus, mas filho da África. O que significa ter sido expulso do Éden? Significa ter desobedecido uma lei maior de Deus e mandado para fora do Éden, a fim de aprender, antes de tudo, obedecer. Ter por mestre um senhor severo, capaz de usar do chicote para corrigir uns na frente de outros, como exemplo.

Eis a saga do povo escravo. Quase todos os seus membros emergiram para a liberdade como gente obediente. Uns se revoltaram e foram à luta, mas 98% aprendeu a lição. Já pode voltar se encaminhar para o Éden.

Mas, antes de mudar o ângulo da conversa, uma pergunta se impõe: os membros da cadeia escravagista são quem pela interpretação dada pelos pretos velhos? São um pouquinho mais maduros, nem tão crianças, um pouco mais que adolescentes, por enquanto sem consciência do que são chamados a fazer, por isso cometem exageros. Mas, note dentre os senhores de escravos podem ser encontrados verdadeiros pais educadores severos porém dotados de ternura, prova disso é que numerosos escravos alforriados pela Lei Áurea nem foram embora, ficaram e gostaram de ficar onde estavam dado o modo como foram tratados enquanto submissos.       

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