quinta-feira, 21 de maio de 2015

1791-Reflexos Espirituais da Escravidão


Alegria e espiritualidade

Os espíritos crianças do planeta quando começaram a ser aprisionados nas savanas africanas, brincavam, sorriam, cantavam, pulavam, subiam em árvores, caçavam, comportando-se exatamente como se comportam as crianças. E não foi diferente nas senzalas.
Argumenta-se que a sobrevivência das primeiras engenhocas, o plantio de cana-de açúcar, do algodão, do café, do cacau, e do fumo, além do gado e das charqueadas no sul, foram os produtos decisivos para que Lisboa enviasse, para o Brasil tantos escravos africanos, vindos de diversas partes da África, trazendo, consigo, seus hábitos, seus costumes, sua música, sua dança, sua culinária, sua língua, seus mitos, seus ritos e a inseparável religião. Não eram ateus. Ofereceram uma extraordinária contribuição ao folclore e à religiosidade dos brasileiros. Chamava a atenção de quem quer que fosse os bailados rituais e a energia e o entusiasmo de seus cânticos sagrados. Nenhum outro povo no Brasil foi igual.

Mesmo trabalhando 14 a 16 horas por dia, com precária alimentação e muitas sem água para beber, assim mesmo cantarolavam enquanto batiam enxada, machado, foice, pá, picareta ou enquanto puxavam arado no que deveria ser papel dos bois e cavalos ou passavam o dia cortando cana ou colhendo café. As mulheres dos serviços domésticos faziam com esmero o trabalho para suas sinhás e frequentemente se tornavam conselheiras das próprias patroas e suas filhas. Quantas dessas moçoilas de pele negra foram levadas para o coito com os rapazes da família do patrão e quantas se tornaram mães de mestiços que cresciam pelo pátio das fazendas sob os olhos e o entendimento de todos tratarem-se de filhos bastardos, porém amados e incluídos nos dois grupos étnicos.

A coroa Portuguesa autorizou a escravatura com a bênção papal, documentada nas bulas de Nicolau V conhecidas pelos nomes de “Dum diversas” e “Divino Amorecommuniti”, ambas de 1452, que autorizavam os portugueses a reduzirem os africanos à condição de escravos com o intuito de os cristianizar. Não foi o que aconteceu. Foi a fé negra que impregnou a Casa Grande. O Brasil, hoje, é muito mais umbandista de carteirinha do que católico de carteirinha.

A regulamentação da escravatura era legislada nas ordenações manuelinas. A adopção da escravatura vinha, assim, tentar ultrapassar a grande falta de mão de obra, que também se verificava por toda a Europa devido à recorrência de epidemias, muitas delas provenientes da África e do Oriente, além das guerras. Até a primeira metade do século XV, a população portuguesa apresentou queda demográfica constante.

Já falamos da questão demográfica de algumas regiões e temos dados gerais de que por muitas décadas os negros ocupavam isoladamente o primeiro lugar entre as etnias que habitavam o Brasil. Possivelmente, hoje, uma maioria brasileira está entre os negros puros e mestiços.

O futebol, o carnaval, o samba, o pagode, a capoeira, a Umbanda, o Candomblé, a feijoada são marcas indeléveis da contribuição negra à cultura brasileira.

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