sexta-feira, 22 de maio de 2015

1792-Reflexos Espirituais da Escravidão


Pedidos de perdão e de desculpa

A data de 13 de maio nem mais é considerada com tanto rigor como uma efeméride notável para os negros. De acerta forma, sim, a Lei Áurea contou com o engajamento de lideranças brasileiras, entre as quais alguns negros, mas acima de tudo a luta foi ética, assim como hoje se luta para derrubar a corrupção no exercício de funções públicas. Inúmeros setores da sociedade de então tinham vergonha da escravidão, como hoje temos da excessiva onda de corrupção no serviço público.

E chegou o dia em que a Consciência Negra decidiu escolher uma data para marcar a expansão dessa consciência: 20 de novembro, data que lembra Zumbi dos Palmares, o maior ícone da luta negra por liberdade. Ainda está por ser criada uma data para a reconciliação entre brancos e negros.

Em 1998, a Unesco designou o dia 23 de agosto como o "Dia Internacional de Recordação do Tráfico de Escravos e de sua Abolição". Desde então, tem havido uma série de eventos que reconhecem os efeitos da escravidão.

Em 30 de janeiro de 2006, Jacques Chirac (o então presidente francês) disse que 10 de maio seria, a partir de então, um dia nacional em memória das vítimas da escravidão promovida pela França, marcando o dia em 2001, quando o país aprovou uma lei que reconhecia a escravidão como um crime contra a humanidade.

Em 27 de novembro de 2006, Tony Blair, então primeiro-ministro britânico, fez um pedido de desculpas parcial pelo papel do Reino Unido no comércio de escravos africanos. No entanto ativistas dos direitos africanos denunciaram o discurso como "retórica vazia" que não conseguiu resolver o problema corretamente. Blair novamente pediu desculpas no dia 14 de março de 2007.

Em 31 de maio de 2007, o governador do Alabama, Bob Biley, assinou uma resolução expressando "profundo pesar" pelo papel do seu estado na escravidão e desculpas pelos erros e os efeitos remanescentes. O Alabama é o quarto estado do sul a fazer um pedido de desculpas formal pela escravidão, após Maryland, Virgínia e Carolina do Norte. Em 30 de julho de 2008, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução pedindo desculpas pela escravidão e por leis discriminatórias posteriores. Em 18 de junho de 2009, o Senado dos Estados Unidos emitiu um comunicado pedindo desculpas condenando as "fundamentais injustiças, crueldades, brutalidades e desumanidades da escravidão". A notícia foi bem recebida pelo presidente Barack Obama.

Hoje, 137 anos depois de oficialmente cancelada a chancela legal para o exercício da escravidão, no Brasil, não deve haver mais espaço para revanche e sim para uma aproximação fraterna entre todos os brasileiros.

Com a palavra o Congresso Nacional Brasileiro.

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