sábado, 27 de junho de 2015

1800-O concerto para a harmonia da vida


 
A buscada afinação entre cordas, metais e percussão

Introdução

Nós humanos, somos seres, ao mesmo tempo, completos e complexos. Somos transitórios, mutantes. Somos energéticos. Sensíveis. Evolutivos. Os seres de hoje pela manhã, serão diferentes hoje à noite. A vida é assim. O tempo modifica-nos. Também não somos completamente exatos, apesar de sermos matemáticos. Somos uma mistura de tudo um pouco: somos corpo, somos mente, somos espírito, somos emoções, somos intelecto, somos consciência. À mesa de refeições, somos corpo. Lendo um bom livro, somos mente. Dormindo, somos espírito. Diante da pessoa querida, somos emoção. Ao dormir, permitimos que nosso espírito se desprenda da “cadeia” exercida pelos nossos sentidos e “viaje”. Ele vai e retorna com impressões que, às vezes, registramos em sonhos, outros vezes não. No geral, ficamos intrigados, pois são sonhos extras, de difícil interpretação. Isso ocorre quando nosso corpo, nossa mente e nosso espírito estão fora da afinação e pior ainda quando atrapalhados por nossas convulsões atabalhoadas.

Importa, para esta postagem, analisar o ser humano a partir de afinação energética comparado a uma filarmônica. Você acha que isso seria possível?

Se sim ou se não, de qualquer forma, você é nosso(a) convidadado(a) para esta imersão num assunto que pode ser palpitante.

Cadê a filarmônica que estava aqui?

Diz o maestro dos maestros: percutimos com o corpo, trombeteamos com a mente e filarmonizamos com o espírito, afinamos e desafinamos com as emoções e com as tempestades mentais.  Nestes múltiplos campos (ou dimensões), quando corretamente integrados, temos a harmonia de nosso concerto para a vida. Contudo, os seus desvios podem nos afastar da nossa essência. É quando quebramos a naturalidade de nosso ser total. E as quebras tem sempre sabor amargo.

Quem cultua somente o corpo como um fim, apega-se a algo que não somos unicamente nós. São os corpos esculturais, só esculturais, só de fachada e prazer, nada mais que isso. E veja que no plano do prazer podem estar também os corpos deformados pelo excesso de comida e de bebida. Podem estar os corpos infectados pela prática do sexo inseguro. Pode ser por coisa ainda pior.

É claro que o corpo é o Lar da Alma e devemos cuidar bem dele, mas nunca se apegar a parte física da matéria e achar que somos só corpo. Vamos muito além disso. O Lar da Alma não fica só na aparência, só na casca.

Quem se apega demais à mente, vive exclusivamente para os intentos e as conquistas mentais. Dá valor excessivo aos diplomas e ao conhecimento, à curiosidade e nem sempre por aquilo que edifica. Não que não tenham valor, mas conhecimento sem vivência não tem sentido. “Mais vale um grama de sabedoria do que uma tonelada de conhecimento”, comenta o vice-reitor da Unipaz, Roberto Crema.

Nos dias atuais, nós corremos o risco de conhecermos muito e não sabermos praticamente nada. Somos analfabetos de nós mesmos. Fomos à lua e ainda não aterrissamos em nossos corações. A diferença básica entre conhecimento e sabedoria é a utilidade de seu conteúdo.

Para que servem as emoções?

Vamos primeiro às emoções antes de enfocar o Espírito. Quanta gente hoje fica a enaltecer o que chama de adrenalina para uma espécie de gozo emocional, uma experiência de risco, um desafio a si mesmo e não raro leva o ato ao extremo do doping: bebida, maconha, cocaína, craque, LSD, etc. Parece tão absurdo sepultar um ideal, um estado saudável, alguns sonhos, em troca de uma loucurinha de alguns minutos em companhia da velocidade, do êxtase, do desafio, da aposta, do inusitado, do aplauso efêmero...

Uma emoção pode ser comparada a uma pedra atirada sobre um pequeno lago. Ela não apenas provocará ondas que sacudirão a superfície. Ela irá depositar-se no fundo onde o lodo será remexido e fará turvar-se a estrutura da água. Poucas são as emoções que não remexem o fundo do lago de nossas vibrações emocionais. Até o amor, chamado amor cego, nos impede de ver muitas verdades sobre a pessoa que achamos amar.

Água limpa, visão ultra

Ficaremos um pouquinho mais na metáfora do lago e de seu conteúdo. Mas acrescentaremos uma segunda e uma terceira figura: o intelecto, que não vê direito quando a água está turva. E, por último, mas nem por isso por ser menos importante, vem o Ser Espiritual. Por ele e com ele estabelecemos a ligação transcendental com o universo, com um Ser Supremo, com uma Energia Natural, com Aquele que É, com uma Grande Força, chamada de Deus. Todos temos esta potencialidade de ligação dentro de nós.

Já houve o tempo em que o mais importante era quem tinha um QF (Quociente de Força) para produzir com os braços. Mais tarde um pouco passou a ser um bom QI (Quociente de Inteligência) para produzir pensando. Também já passou a época em que além do QI, também importava o QE (Quociente Emocional), pois era necessário produzir e encantar. Agora, o valor está naquele que agregou a todos os outros Quês o QS Quociente Spiritual, para produzir, pensar, encantar(-se) e ser feliz agora e sempre.

O que é normal no ser humano

É aceito entre os grandes mestres que um Ser Humano harmônico não adoece, não se cansa, não se desmotiva, não se suicida. Para isso, é necessária uma vida simples e baseada em valores que se completam sobre os quatro esteios: mente, corpo, espírito e emoção. E olha que o ser humano não nasce assim, pronto e acabado. No dizer de Gurdjief, o ser humano se forma, se cria, se transforma no decorrer de sua existência. Por isso estamos aqui, para nos transformamos em verdadeiros seres humanos.

Um ser humano verdadeiro não se droga; um ser humano não tem vícios degradantes; um ser humano não mata, nem se mata; um ser humano não faz guerra; um ser humano não é mesquinho; um ser humano possui a autoestima verdadeira e sincera, nem acima e nem abaixo do seu mérito. O verdadeiro e esperado ser humano (na concepção elevada), não mente, não inventa coisas que não serviriam a ninguém; não maquina o mal; tem de ser capaz de receber ele próprio de bom grado todas as suas criações. Aliás, só terá criação naquilo que ele próprio aproveite para sua elevação. A vida em desarmonia do quadripé “mente, corpo, emoção e espírito” além de não nos conduzir à Essência do Eu, nos afasta do verdadeiro propósito da nossa humanidade. Centrados no Corpo, somos só animais; centrados na Mente, somos só racionais; centrados nas Emoções, somos só instabilidade; centrados no Espírito, somos só divinos. A dedicação exclusiva a apenas uma dessas dimensões anulará as demais.

E o Ego é músico?

Você lembra que nós propomos comparar o ser humano a uma filarmônica? Pois, então. O ego toca alguma coisa?

O Eu não é o ego. O ego é um script implantado e/ou desenvolvido a partir do espetáculo que o viver permitiu. Eu e você temos a tendência de seguir alienadamente sem questionar o roteiro do script. O ego é mental, decorado, implantado, com perversão do instinto animal para satisfazer ene objetivos que nem sempre são nossos, pertencem às convenções. Nele vivemos pra platéia, para as palmas, repetimos o chipanzé do circo, o cavalo do padeiro, em troca verdadeiramente de bananas ou milho. Só externo, estômago e sexo. E o íntimo? Bem, você diria: o sexo entra ou não entra nos conteúdos do íntimo? Sim, dependendo do como. Um sexo com significação sagrada para deleite dos envolvidos, compromissados com o que demanda desde aquele ato, é um caminho. Existem outros que são como beber um copo d’água para aplacar uma fortuita sede.

O ego não é o Eu. É sua sombra e na maioria das vezes seu opositor. O Eu é a verdade, é a Essência da Alma. É o coração em harmonia com a razão. São os dois em harmonia com o corpo. É cada um de nós saber qual o seu propósito nesta existência.

Muitos são os caminhos do equilíbrio, todos com seus valores. Busquemos o nosso. Afinal de contas, só encontramos o que procuramos e mesmo assim somos surpreendidos por achados que não nos pertencem. Quando encontramos o que não era procurado, tendemos passar batidos sem ver. E se dedicamos mais tempo ao fútil e ao absurdo, nossas descobertas se inscreverão como futilidades absurdas. Se você e eu não buscarmos o bem, o útil e o belo, nossas descobertas estarão fadadas ao registro do mal, do inútil e do escabroso. Nunca foi tão verdadeira a frase “pedi e dar-se-vos-á”. Isto é, dar-se-vos-á aquilo que estiveres buscando. Se não estiveres buscando passarás ao lado e não verás.   

A cada um de nós, o poder divino que preside nossas vidas ofertar-nos-á régias colheitas segundo o que foi semeado. Saibamos, porém, que não será uma tarefa simples e fácil, pois no dizer da professora Lúcia D. Torres “crescer dói” e nós acrescentamos, “é mais fácil nada semear e deixar o espaço para que cresça o joio; por ser mais exuberante o viço do joio, somos levados ao comodismo divertido e irreverente das semeaduras daninhas”.

Mestre de si mesmo

Mestre ou maestro? O segundo. Iniciamos este artigo no propósito de demonstrar a riqueza humana que é quando a filarmônica está redondinha, afinada, ensaiada, levando a cabo não importa se é uma partitura ou se se trata de um improviso. Importa que metais, cordas e percussão se entendam no andor, andem em beleza.

O ser humano que cotidianamente se esforça por vencer o ego, domar o ego, domesticá-lo para que não se oponha ao Eu e sim contribua para a Vida, é aquele que ao fim de uma jornada encontra tempo para perguntar-se “como me saí?”, “como dirigi?”. E sem a deturpação do malandro que conclui “me dei bem!”, levanta as premissas do que realizou para o bem de todos e de si também, concluindo por melhorar ainda mais e não o contrário.

Com toda certeza estamos falando de uma sociedade sem polícia, sem justiça, sem cadeia, sem procon, sem fiscais e se quiser ser mais detalhista, sem cadeados, sem fechaduras, sem portarias, sem cancelas. Seria isso um sonho? Seria isso um delírio, um devaneio? Você não preferiria viver num mundo assim, do que ter de pagar duas vezes pela segurança, duas vezes pela saúde, duas vezes pela educação, pagar pelos fiscais que não fiscalizam, pagar pelos servidores que não estão nos seus postos, pagar pela justiça que não julga, pagar pelo governo que não governa?

Onde está o problema? No cidadão que quer vantagens ao eleger alguém, direitos a mais, deveres a menos, passar por baixo da cerca, pular o muro, apropriar-se do que não lhe pertence, tudo, tudo, na dimensão do ego.

Veja, já estamos indicando fiscais para fiscalizar os fiscais, juízes para corrigir juízes, policiais para supervisionar policiais, câmeras para detectar quem não faz o que deve ser feito. Aonde isso vai parar?

Estamos abrindo manchetes na imprensa para destacar quem é honesto e devolve a carteira achada, mas permitimos que mil vezes mais alguém roube a carteira que não deveria sair da mão de seu dono.

O concerto para a harmonia da vida passa pela afinação dos componentes que, na orquestra da sociedade, percutem, solam através das cordas e alardeiam através dos metais. Sem isso viveremos no caos, no barulho, na infecção.

Entretanto, falar é pouco. Ler é pouco. O que é nós estamos fazendo para buscar a afinação? A harmonia?

(Produzido em parte com apoio do educador e facilitador Maneca Mendes)

sábado, 20 de junho de 2015

1799-As quatro grandes vertentes


A genética da cultura no planeta

Introdução

Houve um tempo na História da Humanidade (que se liga à cultura do Ocidente) que o mundo se dividia entre três principais vertentes: a persa (de gente morena), a chinesa (de gente dos olhinhos puxados) e a grega (de gente da pele clara). Não está, ainda, contemplado aqui o continente africano (de gente da pele negra) porque esta análise tem início 800 anos antes de Cristo (e nem estão aqui os seres humanos de pele vermelha, que é como se diz para os integrantes das populações indígenas porque esta vertente se tornou visível a partir da descoberta da América em 1492 de nossa era atual).

Nesse tempo (800 a.C.) que queremos resgatar, apesar de ser dada como berço da humanidade, a África nem era conhecida, assim como os chamados indígenas que, juntamente com os africanos, só vieram contribuir genética e culturalmente para com os europeus e de origem europeia a partir do século XIV da era cristã.

Vou iniciar pelos mais distantes. A China sempre se escondeu atrás de muitas cortinas, por vezes de fumaça e, por vezes, de pedra, por vezes ideológicas. Então, o mundo do lado de cá (que nos interessa neste estudo) foi se amoldando numa equação que ficou conhecida como formação indo-europeia. Diga-se: sangue e cultura persa irrigando a formação humana dos europeus primitivos. Era o início da etnia indo-europeia e ariana e, com certeza, membros da segunda miscigenação havida em nosso planeta. Antes desse tempo os continentes eram isolados, as navegações escassas e as populações eram puras de origem quanto à genética.

Mas, anote aí: as navegações saídas de Atlântida e aportadas em vários territórios, inclusive no território que seria o futuro Brasil, podem se inscrever como as primeiras miscigenações humanas havidas no planeta. Este não é um tema científico, não vem sendo explorado, mas o episódio bíblico sobre Noé, segundo quem se dedica ao tema, não foi isolado e nem deve ser tomado apenas como lenda ou escritura sagrada. Avisados da sucumbência de Atlântida, muitos líderes, como Noé, fizeram seus barcos, aguardaram a catástrofe chegar e foram ancorar em diversos pontos do planeta Gaia. Assim, Arari, o outro navegador, chegou à Terra das Araras Vermelhas, mais ou menos onde está a capital do Espírito Santo.

Avançamos um pouco e estamos em 800 anos antes de Cristo. Foi com a chegada dos persas que os muito louros europeus começaram a ser miscigenados com a cor morena dos persas e deram origem aos europeus (morenos) que encontramos, hoje, na Grécia, na Turquia, na Hungria, na França, na Itália, na Ibéria e um pouquinho na Alemanha. Já em Portugal e Espanha os europeus morenos têm origem na invasão moura, com história mais tardia. A invasão islâmica na península Ibérica, também referida como invasão muçulmana, conquista árabe ou expansão muçulmana, refere-se a uma série de deslocamentos militares e populacionais ocorridos a partir de 711 d.C., quando tropas islâmicas oriundas do Norte da África, sob o comando do general Tárique, cruzaram o estreito de Gibraltar, penetraram na Península Ibérica e venceram Rodrigo, o último rei dos Visigodos, da Hispânia, na batalha de Guadalete, que decretou o fim do reino visigótico. Os muçulmanos foram afastados dali 800 anos tarde.

Queremos conhecer estas particularidades da formação étnica da raça humana abrindo aprofundando um pouco mais neste blog.

Creso veio e cedeu derrotado por Ciro

Quando Creso (560-546 a.C.) último rei da Lídia (vizinho da Pérsia), da dinastia Mermnada (680-547 a.C.) invadiu a margem esquerda do Rio Halis, na hoje Turquia, começava concretizar-se o interesse oriental por aquilo que hoje se conhece por Europa (ou Ocidente), mas que à época incluía territórios gregos da Ásia e do Mediterrâneo oriental, dos povos (livres) efésios, eólios, dórios e jônios que, com a conquista de Creso, perderiam sua independência e, aos poucos, sua identidade.

Foram submetidas as principais cidades da Anatólia (salvo a cidade de Mileto, terra natal de Tales, o grande mestre que nos deu Pitágoras).

O começo de tudo foi o medo de Creso de que o inquietante avanço do rei Ciro II, o Grande, Rei da Pérsia, viesse sobre Lídia e arredores. E não deu outra coisa: Ciro veio, viu e venceu. Grande parte do que hoje chamamos de Europa, ficou sob o poder do Rei da Pérsia. Presta atenção na data: século VI antes de Cristo.

Creso era um rei muito rico e muito vaidoso, porém inseguro e medroso. Mandou ver a sua sorte no Oráculo de Delfos (grego) para decidir se atravessava o Rio Halis. Organizou também uma aliança com Nabondo, da Babilônia, Amósis II, do Egito, e com a cidade grega de Esparta e partiu para a guerra. No entanto a guerra não correu como esperado e sem esforço foi vencido logo em seguida pelas forças de Ciro na batalha às margens mesmo do próprio rio Hális, em 547 a.C. e, feito prisioneiro, foi recolhido a Sardes. Mas, acabou prestando serviços a Ciro como seu assessor para alguns temas em que podia contribuir.

Na verdade, Creso havia interpretado erradamente o vaticinado pelo oráculo: o que lhe foi anunciado era a destruição do império lídio, o seu império e não o contrário. É que diz a história.

Creso ficara famoso pela sua riqueza, a qual foi atribuída à exploração das areias auríferas do Pactolo, rio afluente do Hermo onde, segundo a lenda, se banhara o Rei Midas (que transformava em ouro tudo o que tocava). O templo de Artêmis, em Êfeso, é obra de Creso.

Mas, a história de Creso acabou com ele súdito de Ciro II, o Grande, o que lhe valeu continuar vivo, apenas. Vamos adiante.

Quem são os persas?

Seria interessante saber de onde vem parte do sangue que corre nas veias dos europeus, e nossas, como descendentes de europeus emigrados para a América?

O primeiro registro escrito sobre os persas se encontra numa inscrição assíria de 834 a.C., que menciona tanto Parsua ("persas") quanto Muddai ("medos"). Este termo utilizado pelos assírios, Parsua, era uma designação especial utilizada para se referir às tribos iranianas do Sudoeste (enquanto os assírios referiam-se a si próprios como ‘arianos’'), e vinha do persa antigo, Pârsâ.

Os gregos (que até então utilizavam nomes relacionados a Média e aos medos) começou, a partir do século V a.C., a utilizar adjetivos como Perses, Persica ou Persis para se referir ao império de Ciro, o Grande.

Nas partes da Bíblia onde este reino é mencionado, como nos livros de Ester, Daniel, Esdras e Neemias, ele é chamado de Paras (em hebraico: פרס), ou, por vezes, Paras ve Madai (פרס ומדי, "Pérsia e Média").

Depois das diversas variações do idioma e dos alfabetos utilizados para escrevê-lo durante o Império Parta e durante o Império Aquemênida, o persa foi gravado com a escrita pahlavi; já durante o Império Sassânida a mistura de persas, medos, partas e de outros povos indígenas do Irã, incluindo os elamitas, ganharam mais terreno, e uma identidade iraniana homogênea foi criada a tal ponto que todos passaram a ser chamados de iranianos/persas, a despeito de quaisquer afiliações a outros clãs ou alteridades regionais dialetais ou linguísticas.

Historiadores medievais árabes, entre os quais Ibn al-Nadim, escreveram que "as línguas iranianas são o fahlavi (pahlavi), dari, khuzi, o persa e o suryani", e Ibn Mogaffa relatou que o khuzi era o idioma não-oficial da Pérsia - Khuz sendo um nome também utilizado para Elam; a identidade elamita, no entanto, provavelmente, já não mais existia.

O termo persa continuou a se referir a diversos povos irânicos, incluindo os falantes do corásmio, do antigo tabari, azari antigo, Iaki e do curdo, estes últimos ainda encontrados no norte do Iraque.

Os persas são um povo cujas fronteiras são as montanhas Mahat e o Azerbaijão até a Armênia e Arran, e Baylegan e Darband e Ray e o Tabaristão e Mascate e Shabaran e Jorjan e Abarshar e Nixapur e Herat e Mary e outros lugares como a terra de Coração e o Sejistão e Kerman e Fars e Ahvaz. Todas estas terras foram uma vez um só reino, com um soberano e um idioma, embora o idioma tivesse algumas diferenças. A língua, no entanto, é uma só, no sentido em que as letras são todas escritas da mesma maneira e utilizadas da mesma maneira na composição. Existem, então, diversas línguas como o pahlavi, o dari, o azari, assim como outros idiomas persas.

Mais modernamente Pérsia foi o nome oficial antigo do que hoje chamamos de Irã, aquela terra onde os aiatolás detêm um enorme poder sobre o povo.

Persas podem ser encontrados no Irã, no Afeganistão, no Tajiquistão, no Uzbequistão, na província de XInjiang (China) no norte do Paquistão.

Assim como os persas do Irã (persas ocidentais), os tajiques (persas orientais) são descendentes de diversos povos iranianos, incluindo os próprios persas iranianos, além de vários povos invasores. Os tajiques e os farsiwan têm uma afinidade particular com os persas da região vizinha do Coraçone, devido às interações históricas entre os dois povos - algumas que datam do início do período islâmico (século VI da Era Cristã).

Ainda existe outros grupos menores que permaneceram nas terras conquistadas pelos persas durante o período em que os sucessivos impérios de origem persa dominaram extensas áreas do planeta.

Como as sabe, toda a Europa, a esfuziante Europa de hoje, um dia esteve dividida entre centenas de clãs (de certa forma indígenas – para usar uma expressão muito posterior). Basta voltar o olhar para os Wikings e Celtas ou Druidas, que são os mais conhecidos e entender que algumas destas nações são muitíssimo posterior ao que estamos querendo resgatar. Estas se destacaram, os primeiros pelas guerras e conquistas e os segundos por sua sabedoria sagrada. É dado que Wikings e Druidas, como os conhecemos, sejam miscigenações de nativos europeus com persas.

Então, como sugerimos no início desta postagem, cada um que descende de europeus, pode ir tentando buscar a composição de sua genética ancestral.

Império Aquemênida

Trocam os monarcas e a dominação prossegue. O Império Aquemênida (em persa antigo: Parsā; em persa moderno: هخامنشیان, Hakhāmanishiya ou دودمان هخامنشي, transliteral Dudmān Hakhâmaneshi, dinastia Aquemênida (550-330 a.C.), por vezes referido também como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado no Sudoeste da Ásia, e fundado no século VI antes de Cristo por Ciro, o Grande, que derrubou a confederação médica (dos medos). Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo (Europa/Oriente Médio); por volta do ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no Leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia - o que fazia dele o maior império a ter existido até então. O Império Aquemênida posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades construindo um complexo sistema de estradas.

Denominando-se Parsa, do nome tribal ariano Parsua, os persas fixaram-se numa terra que também denominaram Parsua, que fazia fronteira a leste com o rio Tigre, e, ao sul, com o golfo Pérsico. Este, por ser uma saída por água, tornou-se o centro nevrálgico do império durante toda a sua duração. Foi a partir desta região que Ciro, o Grande, partiu para derrotar os impérios Medo, os Lídio e Babilônico, abrindo o caminho para as conquistas posteriores do Egito e Ásia Menor.

No ápice de seu poder, após a conquista do Egito, o império abrangia aproximadamente oito milhões de km2 situados em três continentes: Ásia, África e Europa. Em sua maior extensão, fizeram parte do império os territórios atuais do Irã, Turquia, parte da Ásia Central, Paquistão, Trácia e Macedônia, boa parte dos territórios litorâneos do Mar Negro, Afeganistão, Iraque, o norte da Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, bem como todos os centros populacionais importantes do Egito Antigo até às fronteiras da Líbia.

O Império Aquemênida tornou-se célebre na história ocidental como tradicional inimigo das cidades-estados gregas que encontrou ali durante as Guerras Greco-Persas e pela emancipação dos escravos que encontrou, incluindo-se o povo judeu, libertado de seu cativeiro na Babilônia, e pela instituição de infraestruturas como os sistemas postal e viário e pela utilização de um idioma oficial por todos os seus territórios. Tinha uma administração centralizada e burocrática, sob o comando de um imperador e um enorme número de soldados profissionais e funcionários públicos, o que inspirou desenvolvimentos semelhantes em impérios posteriores, principalmente o romano, que foi muito cópia (posterior) deste.

O ponto de vista tradicional é de que as vastas extensões e extraordinária diversidade etnocultural do Império Persa acabaria por provocar a sua derrocada, à medida que a delegação de poder aos governos locais acabaria por enfraquecer a autoridade central do rei, fazendo com que muita energia e recursos tivessem de ser gastos nas tentativas de subjugar rebeliões locais, o que, de fato, historicamente tem servido para explicar porque quando Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia) invadiu a Pérsia em 334 a.C. ele deparou-se com um reino pouco unido, comandado por um monarca enfraquecido, fácil de dominar.

Este ponto de vista, no entanto, vem sendo questionado por alguns estudiosos modernos, que argumentam que o Império Aquemênida não se encontrava em crise no período de Alexandre, e que apenas as disputas internas pela sucessão monárquica dentro da própria família aquemênida é que causavam algum enfraquecimento no império. Alexandre, grande admirador de Ciro, o Grande, acabaria por provocar o colapso do império e sua subsequente fragmentação, por volta de 330 a.C., gerando o Reino Ptolemaico (de Ptolomeu), chamado Império Selêucida e diversos outros territórios de menor extensão, que à época também conquistaram sua independência. A cultura iraniana do planalto central, no entanto, continuou a florescer e voltou a conquistar o poder na região no século II a.C.

O legado histórico do Império Aquemênida, no entanto, foi muito além de suas influências territoriais e militares, e deixou marcas importantes no cenário cultural, social, tecnológico e religioso da época. Diversos atenienses adotaram costumes aquemênidas em suas vidas diárias, numa troca cultural recíproca, e muitos foram empregados ou aliados dos reis persas. O impacto do chamado Édito de Ciro, o Grande, foi mencionado nos textos judaico-cristãos, e o império foi fundamental na difusão do zoroastrismo por grande parte da Ásia, até à China. Mesmo Alexandre, o Grande, o homem que acabaria por conquistar este vasto império, respeitou seus costumes e impôs o respeito aos reis persas (incluindo Ciro), e até mesmo adotou muitos costumes reais persas, apesar da forte desaprovação de seus compatriotas macedônios.

O Império Persa também daria a tônica da política, herança e história da Pérsia moderna (atual Irã). A influência também se estendeu sobre antigos territórios da Pérsia que se tornaram conhecidos posteriormente como Grande Pérsia. Um dos feitos notáveis de engenharia do império é o sistema de gestão da água conhecido como Qanat (sistemas de irrigação), cuja seção mais antiga tem mais de três mil anos e 71 km.

Em 480 a.C., estima-se que 50 milhões de pessoas vivessem no Império Aquemênida, cerca de 44% da população mundial da época, fazendo dele o maior império de todos os tempos em termos de porcentagem populacional.

Aqui, já nos antecipando, começa a ficar suspeita a posterior perda de poder, importância e liderança dessas civilizações, a ponto de muitas delas se colocarem como colônias de outros países. Lá no fundo, a mágoa dessa gente aflora hoje nas barbaridades do Estado Islâmico.

A Grécia no centro do mundo

O primeiro grande império europeu a estender seu poder sobre outras áreas além da Europa de então, foi o Império Macedônico. Vamos a um pouco de sua história.

A Macedônia Antiga (em grego: Μακεδονία; transliteral: Makedonía) tem sua história vinculada aos povos que habitavam a região da Grécia e Anatólia na Antiguidade. Segundo estudos arqueológicos, os antepassados dos macedônios se situam no começo da Idade do Bronze (3.000 anos antes de Cristo). A partir do ano 700 a.C., o povo denominado macedônio emigrou para o leste, a partir de sua terra natal às margens do rio Haliácmon. Com Amintas I, o reino se estendeu além do rio Àxio até à península de Calcídica. A cidade de Egas foi a capital do reino até quase 400 a.C., quando o rei Arquelau I a transferiu para Pela.

A Macedônia alcançou uma posição hegemônica dentro da Grécia durante o reinado de Filipe II, o Caolho (359-336 a.C.). Alexandre III (O Grande), filho de Filipe e aluno do filósofo Aristóteles, levou os exércitos da Macedônia ao Egito, derrotou o Império Aquemênida (que vimos na postagem anterior) e chegou até a Índia.

Construído num curto período de onze anos, o Império Macedônico contribuiu com a difusão da cultura grega no Oriente. Alexandre fundou uma grande quantidade de cidades e promoveu a fusão da cultura grega com a dos povos conquistados, dando origem ao que se conhece por helenismo, uma palavra que vem do próprio grego “hellenizein” – “falar grego”.

Mas, Alexandre, o Grande, viveu apenas 32 anos e na sua sucessão desfilaram enumeráveis reis da dinastia Selêucida.

O Império Selêucida foi também um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império.

Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida.

Alexandre havia conquistado o Império Aquemênida em pouco tempo e morrera jovem, deixando sem herdeiros um extenso império de cultura parcialmente helênica. Em vista disso, seus generais (os diádocos) terminaram por lutar na tentativa de obter supremacia sobre o império deixado.

Seleuco, um de seus generais, estabeleceu-se na Babilônia em 312 a.C. - ano geralmente usado para definir a data da fundação do Império Selêucida -  e governou não somente a Babilônia, mas a gigantesca parte oriental do império de Alexandre. Após vencer a outros inimigos, Seleuco obteve controle sobre a Anatólia oriental e sobre a parte norte da Síria. Nessa última área, fundou uma nova capital em Antióquia, nome que homenageia seu pai, Antíoco.

Uma outra capital alternativa foi estabelecida em Selêucida do Tigre, ao norte da Babilônia. O império de Seleuco alcançou sua extensão máxima em 281 a.C. Ainda tinha esperanças de controlar as terras de Lisímaco na Europa - Trácia, e mesmo a própria Macedônia -, mas terminou por ser assassinado por Ptolomeu Cerauno logo ao chegar ao continente europeu. Seu filho e sucessor, Antíoco I Sóter, mostrou-se incapaz de recomeçar de onde seu pai havia parado, nunca conquistando as partes europeias do império de Alexandre. Ainda assim, possuía um reino incrivelmente vasto - consistia de basicamente todas as porções asiáticas do império.

A extensão do Império Selêucida, que cobria desde o mar Egeu até o atual Afeganistão, aproximou uma multidão de povos: gregos, persas, medos, judeus, indianos, entre outros, de onde se incrementa a miscigenação que vem examinada nesta série com replique na cultura. Sua população total foi estimada em 35 milhões de habitantes, ou 15% da população mundial na época em que era o maior e mais poderoso império do mundo. Seus governantes mantinham uma posição política cujo interesse era salvaguardar a ideia de unidade racial introduzida por Alexandre. Em 313 a.C. (note aí a época) os ideais helênicos (disseminados por filósofos, historiadores, oficiais em reserva e casais de casamento interracial provindos do vitorioso exército macedônio) haviam começado sua expansão de quase 250 anos nas culturas do Oriente Médio e da Ásia central.

O esqueleto estrutural da forma de governo do império consistia em estabelecer centenas de cidades para trocas (mercado insipiente) e ocupação territorial.

Muitas cidades começaram - ou foram induzidas - a adotar não só pensamentos filosóficos, como também sentimentos religiosos e políticas de natureza helênica. A tentativa de sintetizar o helenismo com culturas nativas e diferentes correntes intelectuais resultou em sucessos de tamanho ou naturezas diferentes - tendo como consequência paz e rebelião simultâneas em diferentes partes do império.

E através da Grécia se chega a Roma

Quando o filho de Antíoco II, Seleuco II Calínico, subiu ao trono por volta de 246 a.C. os selêucidas já estavam em declínio. Além das secessões em Pártia e Bactriana, Seleuco II foi dramaticamente derrotado por Ptolomeu III do Egito na terceira Guerra Síria, tendo, logo depois, que lutar numa guerra civil contra seu próprio irmão, Antíoco Hierax. Também na Ásia Menor a dinastia selêucida perdia o controle - gauleses já se haviam estabelecido completamente na Galícia; reinos semi-independentes e semi-helenizados haviam surgido na Bitínia, em Ponto e na Capadócia; e a cidade de Pérgamo, no ocidente, asseverava sua independência sob a Dinastia Atálida, formando o Reino de Pérgamo. Tudo indicava o poderoso império estava se acabando.

Porém, um reflorescimento teria início quando o filho mais novo de Seleuco II, Antíoco III, o Grande, tomou o trono em 223 a.C. Apesar do malogro inicial na Quarta Guerra Síria com o Egito, que levou a uma derrota vergonhosa na Batalha de Ráfia (217 a.C.), Antíoco se tornaria o maior dos governantes selêucidas após o próprio Seleuco I. Após a derrota em Ráfia, passou 10 anos em sua "anábase" através das partes orientais de seu domínio - restaurando vassalos rebeldes como Pártia e Bactriana ao menos a obediência nominal, e até procurando competir com Alexandre, montando expedição até a Índia.

Ao retornar ao ocidente em 205 a.C., Antíoco descobriu que com a morte de Ptolomeu IV a situação se mostrava propícia para nova campanha ocidental. De fato, perturbou muito seus vizinhos próximos parecendo haver, no mínimo, restaurado a glória do Reino Selêucida.

Mas, agora já está Roma no seu caminho. Além de outros, como os macedônios.

Rodes e Pérgamo enviam embaixadas a Roma denunciando pretensões expansionistas macedônias. A luta foi feroz e a Macedônia acaba esmagada na memorável batalha de Cinoscéfalos (198 a.C.).

Roma a caminho da hegemonia

Num discurso emotivo do seu governante, Roma proclama a liberdade de todos os estados gregos. Se a situação é clara para os gregos da Europa, no que diz respeito à Ásia ninguém sabe qual o seu alcance. Roma e Antíoco III entram em negociações: Roma dá a entender que estará disposta a ignorar a sorte das cidades gregas da Ásia, em contrapartida, Antíoco III deve retirar-se da Trácia. No fundo, nenhum dos lados pretende entrar em guerra, muito menos por causa dos instáveis gregos. Antíoco III recebe as propostas romanas, mas não parece dar sinais de estar disposto a recuar, ele que devotou toda a sua vida ao restauro do reino de Seleuco I. O seu objetivo é ganhar tempo.

Serão precisamente os instáveis e imprevisíveis gregos que irão precipitar e desencadear um conflito em larga escala. A Etólia, apesar de aliada de Roma contra a Macedônia, declara-se traída e humilhada pelos romanos. Aproveitando a retirada das legiões romanas, dá início a uma guerra anti-romana. Em breve, os etólios apelam a Antíoco III para que marche sobre a Grécia e a liberte da influência romana. Antíoco vê-se envolvido numa armadilha. É completamente apanhado de surpresa. Não avançar, significará o ruir de todo o seu prestígio e o rei sente-se contrariado porque tem a terrível noção de que não dispõe, no momento, de forças militares suficientes para garantir um triunfo. Roma e os Selêucidas são arrastados para a guerra contra a sua vontade.

Foi com essa luta e com outras em outros horizontes, que veio a sucumbir o antes poderoso Império Selêucida.

Roma que era muito grega, começa a se preparar para cumprir sua missão histórica qual fosse a levar a muitos recantos da Europa e de outros territórios a doutrina de um jovem que ela mesma se encarregara de condenar de executar: Jesus.

Mas, antes disso, cabe dar uma olhadela no aspecto da cultura e da religião que foram desenhados antes para vigorar depois.

Foi na Grécia Antiga, no ano de 776 a.C., na cidade de Olímpia, que surgiram os Jogos Olímpicos em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia. Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia também atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no século V (Período Clássico da Grécia). Platão e Sócrates são os filósofos mais conhecidos deste período.

A dramaturgia grega também pode ser destacada. Quase todas as cidades gregas possuíam anfiteatros, onde os atores apresentavam peças dramáticas ou comédias, usando máscaras. A poesia, a história, artes plásticas e a arquitetura foram muito importantes na cultura grega.

A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os deuses possuíam características humanas e de deuses. Os heróis gregos (semideuses) eram os filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses, comandava todos os demais do topo do monte Olimpo. Podemos destacar outros deuses gregos: Atena (deusa das artes), Apolo (deus do Sol), Ártemis (deusa da caça e protetora das cidades), Afrodite (deusa do amor, do sexo e da beleza corporal), Deméter (deusa das colheitas), Hermes (mensageiro dos deuses) entre outros. A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes ao restante do mundo.

Os gregos costumavam também consultar os deuses no oráculo de Delfos. Acreditavam que neste local sagrado, os deuses ficavam orientando sobre questões importantes da vida cotidiana e desvendando os fatos que poderiam acontecer no futuro.

Na arquitetura, os gregos ergueram palácios, templos e acrópoles de mármore no topo de montanhas. As decisões políticas, principalmente em Atenas, cidade onde surgiu a democracia grega, eram tomadas na Ágora (espaço público de debate político).

Muito de tudo isso foi parar na cultura de Roma, inclusive a mitologia, apenas alterando os nomes dos deuses e deusas. 

A China antiga

A China vem de um tempo superior a 2.200 anos antes de Cristo, mas em decorrência das invasões sofridas, foi dividida em reinos feudais independentes, no período compreendido entre os séculos III e IV já da era Cristã. Neste tipo de reino, o rei desempenhava a função de chefe religioso e aos nobres cabia a responsabilidade de defender o território contra as invasões estrangeiras. Uma fórmula bastante semelhante a do feudalismo europeu e que também foi usado no Brasil no império de Pedro II.

Após um período de luta entre os principados, quando os nobres já se encontravam mais fortes do que o rei, tiveram início as primeiras dinastias chinesas. A primeira delas foi a Sui, que no ano de 580 conseguiu unificar os reinos. No ano de 618, esta dinastia foi substituída pela Tang, que teve como ponto marcante a contribuição significativa ao desenvolvimento cultural do povo chinês. 

A dinastia Tang entra em declínio após ser derrotada pelos árabes no ano de 751, mas que já em 907 retornou ao controle chinês com o início da dinastia Sung, que elevou o crescimento econômico e estimulou o desenvolvimento da cultura. Foi durante esta dinastia que a pólvora foi inventada.   

Entre os anos de 907 e 960, a história da China foi marcada pela fragmentação política. Esta época ficou conhecida como o Período das Cinco Dinastias e Dez Reinos. Nesta fase, a China se transformou num conjunto de vários estados.

A partir da linha de pensamento do filósofo Confúcio, que defendia a ideia de que a natureza humana é boa, porém, é corrompida pelo uso indevido do poder, a política foi influenciada de tal forma que contribuiu com a unificação cultural da China. 

No período compreendido entre os anos de 1211 e 1215, os mongóis invadem a China e dão início ao seu império, que passa a ser dividido em 12 províncias; contudo, eles dão continuidade ao desenvolvimento alcançado pelo reino anterior. 

Em 1368, a dinastia mongol é derrubada pela resistência interna, e, esta, assume o poder com o nome de dinastia Ming. Durante este período, foi realizada uma política que expandiu o território chinês para a Manchúria, Indochina e Mongólia. Entretanto, este reinado começa a cair em decorrência da chegada dos europeus, em 1516, e tem seu fim definitivo no ano de 1644, após a invasão manchu, dos Qing, que durou até 1911, quando o Ocidente e o Japão passaram a controlar uma China republicana. 

Quando estudamos a China, não podemos deixar de estudar outros dois pontos importantes: O primeiro deles é o budismo, que teve forte influência nas manifestações artísticas chinesas como a literatura, a pintura e a escultura. O segundo é a Grande Muralha da China, que foi levantada antes do século III a.C., com o propósito de defender os principados contra as invasões de seus inimigos. Foi reconstruída ente os séculos XV e XVI cruzando o país de leste a oeste.

Isolada do mundo por várias razões, a China só começa a ressurgir para o Ocidente quando as navegações intercontinentais têm início. Mas, nem por isso ela se abriu para o mundo.

O papel de Roma no Ocidente

Para chegar ao papel de Roma no mundo ocidental temos de passar pela Grécia. Os gregos (ou helenos) viveram na extremidade meridional da península balcânica e sua cultura se desenvolveu a partir da mistura das diversas populações que lá se estabeleceram nos últimos 8000 anos, no entanto, as mais antigas características culturais que se pode chamar de "gregas" apareceram somente depois de 2000 a.C.

A Grécia Antiga abrangia os povos que habitavam a bacia do mar Egeu e as ilhas ao redor, e durou desde o surgimento da civilização minoana, na Idade do Bronze até a sua tomada pelos romanos, em 146 a.C.

A partir de 500 a.C. a cultura grega influenciou de tal forma o mundo mediterrâneo que, sem exagero, acabou por constituir um dos mais sólidos fundamentos de toda a Civilização Ocidental.

As primeiras populações que falavam grego ocuparam, por volta de 2000 a.C. várias regiões da península balcânica, território de topografia irregular localizado no sudeste da Europa. Posteriormente, em sucessivas fases de expansão marítima, os gregos se estabeleceram em outros locais, notadamente nas ilhas do Egeu e nas margens do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

Na Antiguidade, as mais importantes comunidades gregas se concentravam na própria península balcânica, nas ilhas do Mar Egeu, na costa ocidental da península anatólica (Ásia Menor), no sul da península italiana e nas grandes ilhas da Sicília, a oeste, e de Creta, ao sul.

Os gregos antigos constituíram a primeira civilização duradoura da Europa, que foi a base da cultura ocidental de tempos posteriores. As mais vastas experiências sociais ocorreram na Grécia, berço de filósofos, sábios e literatos famosos.

A cultura da Grécia Antiga é considerada a base da cultura da civilização ocidental. A cultura grega exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram, depois, de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na linguagem, na política, no sistema educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, no direito, na arte, na literatura, na arquitetura, na religião, no sistema de governo e na língua. Mas, foi Roma que levou adiante. E ganha os louros.

Então agora já podemos falar da civilização romana, antiga, e de sua grande contribuição para o desenvolvimento de todas as áreas da humanidade ocidental. Os romanos assimilaram muitos aspectos da cultura dos povos vencidos, principalmente dos gregos, como temos escrito.

Dotados de notável senso prático, souberam reelaborar essas influências, nas quais introduziram inovações que levaram à formação de uma cultura original. Com isso, acabaram por legar às gerações futuras várias contribuições nas mais diversas áreas.

Com a queda do Império Romano do Ocidente foi a Igreja Católica que assumiu a continuidade desse papel em toda a área, já abrangendo as Américas a partir de 1492.

As quatro vertentes na América

De passo em passo, os povos foram se miscigenando, mas nenhum caso mais profundo que o da América. Foi aqui que duas importantes correntes genéticas vieram encontrar as demais. Se até então as contribuições persas haviam moldado e se moldado ao foi chamado de civilização greco-romana, na América os indígenas foram invadidos e os africanos se deixaram invadir para formar com as raças branca e amarela, o que agora chamamos de quatro vertentes com a junção da vermelha (indígena) e da negra (africana).

Muito mais cedo do que se pensa a miscigenação estava em curso. Só para relembrar o caso brasileiro: maioria dos brancos aportados aqui viera do gênero masculino, eram aventureiros que compunham os exércitos, os serviçais, os comandantes, os administradores da colônia. As índias de muitas nações nunca negavam sexo para os seus machos e assim se comportavam também com o macho europeu e também com o negro. Centenas, milhares de brasileirinhos mestiços nasceram desses coitos inter-raciais. Não foi diferente com as negras. Toda a mulher negra que não estava confinada à senzala, prestava serviços à família do escravagista e não escapavam dos assédios dos homens. Desses outros coitos inter-raciais também nasceram centenas, milhares de brasileirinhos mestiços. São os cafuzos, caboclos e mamelucos que deram início, juntamente com os brancos e amarelos à estupenda civilização brasileira e de outros países da América.

Há nesse meio um caso a destacar por sua singularidade: em 1756 os exércitos unidos de Portugal e Espanha marcharam sobre as missões de língua espanhola que estavam à margem esquerda do Rio Uruguai, no Rio Grande do Sul, atendendo ao Tratado de Tordesilhas, que mandava entregar à Espanha a Colônia do Sacramento (no Uruguai) e a Portugal as Missões (RS). Mas, os índios guarani não queriam entregar o território, enquanto os padres jesuítas faziam olhos de mercador à espera de uma solução diplomática, que não veio. Os milhares de viúvas índias, quando terminou a guerra com a vitória ibérica, foram abandonadas a campo, sem nenhum apoio dos governos ibéricos. Ficaram a deriva e foram montar suas tolderias às costas dos piscosos rios que cortam a pampa sulamericana, mas não sem serem molestadas pelos aventureiros que percorriam a região. Desses coitos inter-raciais de negros, brancos e índias, nasceu o renegado não aceito nas tabas porque não era índio e não aceito nos serviços militar e das fazendas porque não se submetia às ordens: o gaúcho.

Inicialmente esse termo era só adjetivo porque descrevia o rebelde, o indômito. Mais tarde passou a substantivo porque designava uma espécie de gente campeira diferente. E somente de 1940 em diante passou a gentílico dos habitantes do Rio Grande do Sul. Um grande erro gramatical porque do lado da banda uruguaia e do lado da banda argentina também existem gauchos (sem acento) e jamais serão ou virão a ser cidadãos do Rio Grande do Sul.  

Fim do artigo.

sábado, 13 de junho de 2015

1798-Quem acha que nao vai morrer?


A morte na opção de Smith e de Sachs

Introdução

O melhor dos observadores já percebeu que lidar com a vida e com a morte não nos compete olimpicamente. Podemos atalhar certos caminhos da vida evitando a concepção através de inúmeras práticas contraceptivas e podemos interromper a vida através de inúmeras práticas suicidas ou assassinas, desde o aborto até quando, mais tarde, alguém se candidate a ceifar a própria vida ou a vida de outrem. Mas, não nos é fácil determinar o momento da concepção natural e nem o momento da morte natural. Essas duas ações parecem reservadas ao Autor da Vida através de suas leis. O Autor da Vida estabelece quando conceder e quando interromper a andança das almas pelo universo biológico. Isto, para falar apenas do mergulho da alma no corpo físico, eis que preliminarmente havemos de reconhecer que a própria existência das almas é um pressuposto do mesmo Outorgador.

Mas, de uma situação não podemos fugir: morrer. Diz-se morrer para o ato de abandonar o corpo biológico em seu estado pré-deteriorado. E fomos educados para ter medo de morrer. Tivemos tantas experiências de guerras e desavenças sempre interrompendo o curso da vida, que acabamos por odiar a morte e os seus causadores, sejam pessoas ou situações, como doenças e acidentes. Em sociedades onde não se mata, morre-se com larga idade e a morte é sempre bem-vinda, entendida como a mesma naturalidade do nascimento, entendido este como a maturidade e o fim da gestação.

Mas, como não há outra alternativa a todos quantos nasceram, muitos ficam a conjecturar como gostariam de morrer. Conhecemos muitos jeitos de morrer e a morte digna será, sempre, a mais desejada. Muitos gostariam de morrer dormindo; de repente, acometidos por ataques. Mas, há três situações opostas em que a morte é colocada em cheque: (1) repentina, não nos permitiria despedir-nos dos seres que amamos; (2) prolongada, levaria à exaustão os seres amados aguardando e envolvendo-se com o momento decisivo; (3) nem repentina nem prolongada, de forma a permitir as despedidas.

Pode-se optar por como morrer?

Se você pudesse escolher como gostaria de morrer, que tipo de morte escolheria? Para facilitar sua decisão, eis quatro causas mais comuns de morte (eu espero que você não opte por morrer jovem):

1) Quedas e acidentes.

2) Demência, depois dos 80 ou 90 anos.

3) Falência de órgãos.

4) Câncer.

Mas, isso não responde à pergunta da frase inicial. Meus familiares já me disseram que a melhor morte é acordar morto, isto é, morrer dormindo.

O médico Richard Smith, ex-editor do British Journal of Medicine, criou, em janeiro, um pequeno alvoroço, na Inglaterra, ao afirmar que, dos quatro tipos (de morte) acima, o câncer é de longe a opção mais digna. “A morte por câncer é a melhor”, diz ele. “Você pode dizer adeus, refletir sobre sua vida, deixar últimas mensagens, talvez visitar lugares especiais pela última vez, ouvir suas músicas favoritas, ler poemas queridos, e preparar, de acordo com suas crenças, o encontro com seu criador, ou desfrutar esquecimento eterno”.

É a oportunidade que o escritor e neurologista Oiver Sachs está aproveitando. Num artigo comovente no New York Times, dias atrás, ele avisa a todos que deve morrer em breve, pois foi diagnosticado com câncer terminal no fígado, e agradece pela vida que teve. O texto é de chorar:

“Não posso negar que estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Eu amei e fui amado; doei muito e retribuí; li e viajei e refleti e escrevi. Eu tive uma boa relação com o mundo, a relação especial de escritores e leitores. Acima de tudo, eu fui uma criatura sensível, um animal pensante neste planeta maravilhoso, e isso já é um enorme privilégio e aventura”.

Uma despedida como essa não seria possível em outros tipos de morte daqueles relacionados no início deste texto e nem mesmo no caso da morte durante o sono. Quem é vítima de um acidente tem uma morte repentina, não pode dar adeus ou investir numa conciliação ou reconciliação há muito tempo adiada. A morte por demência costuma chegar só depois de longos anos depois da perda total de consciência e aí nem mesmo pensar direito o paciente pode fazer. A falência de órgãos causa uma morte hospitalar, rodeada de médicos, tubos, remédios horríveis, apreensão continuada, ansiedade. Qual será o dia? Já dá para encomendar os funerais? Os amigos e familiares vêm visitar e não sabem o que falar ao redor do moribundo. Uma das piores sensações do ser humano é perceber que está sendo alvo de piedade. Toda a autoestima, aquele orgulhozinho que todo formando extravasa quando recebe o diploma, vai para o espaço. Até o torcedor do mais pobre dos times da série A fica em alta quando seu preferido não é rebaixado e melhor ainda quando ganha de um dos grandes. Imagina quando se torna campeão! Mas, na segunda-feira pela manhã, time rebaixado, dia do vencimento das principais contas do mês, falta dinheiro na conta, está chovendo, o trânsito está uma lesma, o patrão não perdoa atrasos, pela janela da viatura parada no congestionamento avista a bandeira do outro time, que comemora a permanência na série A, toca o celular, é o filho comunicando que a empresa onde é estagiário o dispensou e agora ouve pelo rádio que o seu candidato a deputado acaba de ser preso na Operação Lava a Jato, envolvido em maracutaias... O que mais? Se puser mais aqui haverá infarto do miocárdio e a morte estará entre uma outra categoria que também mata muito, não incluída na lista de Smith: diagnósticos que derivam do mau funcionamento do sistema cardíaco, cerebral e pulmonar por conta da mesma causa: estresse, obesidade, ociosidade, má alimentação, tabagismo, alcoolismo...

Infarto? A dor é tanta, o estresse se multiplica e nem dá tempo de dizer tchau para as pessoas mais queridas, tamanho é o desejo que aquilo acabe logo, se não pela ação dos socorristas médicos e paramédicos, ao menos, pela perda dos sentidos. E, como se sabe, quando perdemos os sentidos, há uma grande probabilidade de que tenha sido interrompida a irrigação sanguínea no cérebro e... o resto você já sabe.

Esse sofrimento todo por conta da perda da estima. O ser humano é movido por um ou vários impulsos obra(s) do desejo, da ambição, da paixão, do sonho. Ao morrerem desejos, ambições, paixões, sonhos, entramos na linha negativa da vida e costumamos achar que não valemos nada. Isso, claro, é uma ofensa pra mamãe, pro papai, pra Deus, mas é assim que começamos morrer de forma ainda mais cruel que acidente, queda, suicídio, demência, falência dos órgãos, câncer. Perdão, na sequência de uma perda de dignidade como a relatada, cabe esperar por um diagnóstico desagradável e tão ameaçador quanto às situações relatadas.

Voltando para Smith e Sachs, sobra o câncer terminal como a doença dos sonhos. “Fique longe de oncologistas superambiciosos”, diz o médico Smith, “e vamos parar de gastar bilhões tentando curar o câncer, pois isso provavelmente nos levará a uma morte muito mais horrível”.

Quem diria: o câncer, para muita gente uma sentença, uma prova inequívoca da má sorte, talvez seja nossa melhor opção para morrer.

Mais uma vez, perdão. Isso tudo vale para quem é fatalista, vive por viver e tem medo de morrer. A morte é uma coisa tão certa quanto nascer, claro, para quem saiu do ventre materno ou mesmo acabou sua contagem ali mesmo.

Aquele ou aquela que sabe que vai morrer, aquele ou aquela que está convencido(a) de que o cemitério não será sua última morada (agora já existe também a opção da cremação e do congelamento), aquele ou aquela que pensa na eternidade, no retorno a outras vidas ou mesmo com apenas esta, são pessoas que a qualquer tempo precisam ser despertadas para pensar na próxima vida e não apenas nesta aqui. O que eu quero ser depois desta vida?

Quanto tempo você quer?

Um dos mais extraordinários mestres da dimensão menos conhecida do ser humano, o subconsciente, foi Carl Gustav Jung. Chegou a ser incompreendido entre os de sua classe porque nos últimos 15 anos de sua vida tornou-se um espiritualista, deu mostras de ser médium, lidou com coisas profundas, conversou com nazistas, entendeu o que havia no íntimo daquela fatia social e chegou, mesmo, a ser acusado de nazista.

Não era um nazista, mas compreendia como ninguém o íntimo dos nazistas. Cinquenta anos depois dos estragos nazistas, melhor dizendo, das lições deixadas por eles, os primeiros novos trabalhos (depois de Jung) começam a aparecer e trazem a clareza de compreender o que se passa no futebol, quando apenas o meu time é bom, ou na fé, quando apenas a minha é verdadeira, ou na política quando apenas o meu partido é o certo. Não vai distância considerável disso para com o Estado Islâmico e em que o nazismo de Hitler foi um episódio jamais isolado.

Temos aí um sintoma: olhando pela janela, alguém vê passarem pela rua pessoas malvestidas, de chinelo de dedo ou algo parecido, cabelo desalinhado, com alguns dentes a menos na boca e, em geral, de cor morena ou negra, e o que lhe vem à mente é que o seu mundo é outro, não é o mesmo mundo daqueles transeuntes. Esta separatividade, eu e o outro; o meu é melhor; eu sou superior; quem não está comigo, está contra mim; tudo se inscreve num princípio norteador do sentimento que nos passam os nazistas e os membros do Estado Islâmico, apenas, com a diferença: em conhecidos casos um pouquinho mais intenso, mas todo este sentimento, tem a mesma fonte, é o mesmo sentimento, um sentimento que pode, entre nós, iniciar na família, na escola, nas empresas, nos estádios, nos grupos ou classes sociais, pode ganhar vitamina, pode ser corrigido, mas ele se alimenta do sangue do monstro que Jung chamou de Abraxas.

Já é conhecida a estória dos dois lobos, o bom e o mau, que trazemos conosco. Sabemos que um deles vencerá. Àquele que você alimentar, vencerá. E quando, ao longo dos séculos, a estimulação foi para reforçar a separação entre batizados e pagãos, nobres e sem nobreza, escravos e senhores, senhores e vassalos, quem sai, saiu, sairá ganhando é, sem dúvida, o lobo mau.

Quando alguém vê um nordestino, um gaúcho, um manezinho da Ilha, um argentino, um morador de rua, um petralha, um coxinha, um viado, uma lésbica, com repugnância, com nojo, com aversão, sente-se incomodado, evita, repele, agride, é porque “aquele/aquela” está dentro do padrão detestável e vai para o círculo da separatividade. Desse estágio à ação de retaliação demonstrada pelos islâmicos degoladores, a distância é muito pequena.

Jung percebeu isso quando mergulhou no oceano que representa o subconsciente humano e voltou de lá falando num tal de Abraxas, o monstro que somos a caminho da reconciliação do mal e do bem, que é quando o ser humano derrota seu ego e descobre que o monstro pode ser monstruosamente bom. Nessa senda ele encontrou o espírito nazista.

Um teste revelador

O educador percebera num grupo de alunos uma tendência por criticar e ridicularizar certos tipos humanos como os que nos referimos atrás (petralha, coxinha, viado, lésbica, etc.), isso que mais recentemente é chamado de “bulling” e propôs a eles um laboratório comportamental. Aceita a proposta, começou por perguntar a eles se aceitavam transformar-se em neonazistas. De jeito nenhum, temos ojeriza àquela gente, foi a uníssona resposta. Então vamos antes estudar os nazistas. Depois de 50 minutos de análise, foi possível a todos eles entenderem o que era o espírito nazista. E o educador arrematou: em que vocês são diferentes deles? Resposta: faltava apenas pegar em armas e partir para a luta.

Quanto tempo você leitor, você leitora, acha que precisa para domesticar-se e declarar-se livre das monstruosidades do Abraxas pessoal? Esse é o tempo que você levará indo e vindo, vida após vida.

Então, nisso, a morte deixa de ser apavorante porque representa o tempo que ficaremos viajando no trem da vida ou na estação de passageiros a espera de novo embarque. 

Enquanto você faz seus planos (e o faça sem ajuda de ninguém) porque aqui não cabe nenhuma ajuda ou interferência externa, eu vou adiante a procura do próximo tema que contribua para a nossa maioridade espiritual.