sábado, 20 de junho de 2015

1799-As quatro grandes vertentes


A genética da cultura no planeta

Introdução

Houve um tempo na História da Humanidade (que se liga à cultura do Ocidente) que o mundo se dividia entre três principais vertentes: a persa (de gente morena), a chinesa (de gente dos olhinhos puxados) e a grega (de gente da pele clara). Não está, ainda, contemplado aqui o continente africano (de gente da pele negra) porque esta análise tem início 800 anos antes de Cristo (e nem estão aqui os seres humanos de pele vermelha, que é como se diz para os integrantes das populações indígenas porque esta vertente se tornou visível a partir da descoberta da América em 1492 de nossa era atual).

Nesse tempo (800 a.C.) que queremos resgatar, apesar de ser dada como berço da humanidade, a África nem era conhecida, assim como os chamados indígenas que, juntamente com os africanos, só vieram contribuir genética e culturalmente para com os europeus e de origem europeia a partir do século XIV da era cristã.

Vou iniciar pelos mais distantes. A China sempre se escondeu atrás de muitas cortinas, por vezes de fumaça e, por vezes, de pedra, por vezes ideológicas. Então, o mundo do lado de cá (que nos interessa neste estudo) foi se amoldando numa equação que ficou conhecida como formação indo-europeia. Diga-se: sangue e cultura persa irrigando a formação humana dos europeus primitivos. Era o início da etnia indo-europeia e ariana e, com certeza, membros da segunda miscigenação havida em nosso planeta. Antes desse tempo os continentes eram isolados, as navegações escassas e as populações eram puras de origem quanto à genética.

Mas, anote aí: as navegações saídas de Atlântida e aportadas em vários territórios, inclusive no território que seria o futuro Brasil, podem se inscrever como as primeiras miscigenações humanas havidas no planeta. Este não é um tema científico, não vem sendo explorado, mas o episódio bíblico sobre Noé, segundo quem se dedica ao tema, não foi isolado e nem deve ser tomado apenas como lenda ou escritura sagrada. Avisados da sucumbência de Atlântida, muitos líderes, como Noé, fizeram seus barcos, aguardaram a catástrofe chegar e foram ancorar em diversos pontos do planeta Gaia. Assim, Arari, o outro navegador, chegou à Terra das Araras Vermelhas, mais ou menos onde está a capital do Espírito Santo.

Avançamos um pouco e estamos em 800 anos antes de Cristo. Foi com a chegada dos persas que os muito louros europeus começaram a ser miscigenados com a cor morena dos persas e deram origem aos europeus (morenos) que encontramos, hoje, na Grécia, na Turquia, na Hungria, na França, na Itália, na Ibéria e um pouquinho na Alemanha. Já em Portugal e Espanha os europeus morenos têm origem na invasão moura, com história mais tardia. A invasão islâmica na península Ibérica, também referida como invasão muçulmana, conquista árabe ou expansão muçulmana, refere-se a uma série de deslocamentos militares e populacionais ocorridos a partir de 711 d.C., quando tropas islâmicas oriundas do Norte da África, sob o comando do general Tárique, cruzaram o estreito de Gibraltar, penetraram na Península Ibérica e venceram Rodrigo, o último rei dos Visigodos, da Hispânia, na batalha de Guadalete, que decretou o fim do reino visigótico. Os muçulmanos foram afastados dali 800 anos tarde.

Queremos conhecer estas particularidades da formação étnica da raça humana abrindo aprofundando um pouco mais neste blog.

Creso veio e cedeu derrotado por Ciro

Quando Creso (560-546 a.C.) último rei da Lídia (vizinho da Pérsia), da dinastia Mermnada (680-547 a.C.) invadiu a margem esquerda do Rio Halis, na hoje Turquia, começava concretizar-se o interesse oriental por aquilo que hoje se conhece por Europa (ou Ocidente), mas que à época incluía territórios gregos da Ásia e do Mediterrâneo oriental, dos povos (livres) efésios, eólios, dórios e jônios que, com a conquista de Creso, perderiam sua independência e, aos poucos, sua identidade.

Foram submetidas as principais cidades da Anatólia (salvo a cidade de Mileto, terra natal de Tales, o grande mestre que nos deu Pitágoras).

O começo de tudo foi o medo de Creso de que o inquietante avanço do rei Ciro II, o Grande, Rei da Pérsia, viesse sobre Lídia e arredores. E não deu outra coisa: Ciro veio, viu e venceu. Grande parte do que hoje chamamos de Europa, ficou sob o poder do Rei da Pérsia. Presta atenção na data: século VI antes de Cristo.

Creso era um rei muito rico e muito vaidoso, porém inseguro e medroso. Mandou ver a sua sorte no Oráculo de Delfos (grego) para decidir se atravessava o Rio Halis. Organizou também uma aliança com Nabondo, da Babilônia, Amósis II, do Egito, e com a cidade grega de Esparta e partiu para a guerra. No entanto a guerra não correu como esperado e sem esforço foi vencido logo em seguida pelas forças de Ciro na batalha às margens mesmo do próprio rio Hális, em 547 a.C. e, feito prisioneiro, foi recolhido a Sardes. Mas, acabou prestando serviços a Ciro como seu assessor para alguns temas em que podia contribuir.

Na verdade, Creso havia interpretado erradamente o vaticinado pelo oráculo: o que lhe foi anunciado era a destruição do império lídio, o seu império e não o contrário. É que diz a história.

Creso ficara famoso pela sua riqueza, a qual foi atribuída à exploração das areias auríferas do Pactolo, rio afluente do Hermo onde, segundo a lenda, se banhara o Rei Midas (que transformava em ouro tudo o que tocava). O templo de Artêmis, em Êfeso, é obra de Creso.

Mas, a história de Creso acabou com ele súdito de Ciro II, o Grande, o que lhe valeu continuar vivo, apenas. Vamos adiante.

Quem são os persas?

Seria interessante saber de onde vem parte do sangue que corre nas veias dos europeus, e nossas, como descendentes de europeus emigrados para a América?

O primeiro registro escrito sobre os persas se encontra numa inscrição assíria de 834 a.C., que menciona tanto Parsua ("persas") quanto Muddai ("medos"). Este termo utilizado pelos assírios, Parsua, era uma designação especial utilizada para se referir às tribos iranianas do Sudoeste (enquanto os assírios referiam-se a si próprios como ‘arianos’'), e vinha do persa antigo, Pârsâ.

Os gregos (que até então utilizavam nomes relacionados a Média e aos medos) começou, a partir do século V a.C., a utilizar adjetivos como Perses, Persica ou Persis para se referir ao império de Ciro, o Grande.

Nas partes da Bíblia onde este reino é mencionado, como nos livros de Ester, Daniel, Esdras e Neemias, ele é chamado de Paras (em hebraico: פרס), ou, por vezes, Paras ve Madai (פרס ומדי, "Pérsia e Média").

Depois das diversas variações do idioma e dos alfabetos utilizados para escrevê-lo durante o Império Parta e durante o Império Aquemênida, o persa foi gravado com a escrita pahlavi; já durante o Império Sassânida a mistura de persas, medos, partas e de outros povos indígenas do Irã, incluindo os elamitas, ganharam mais terreno, e uma identidade iraniana homogênea foi criada a tal ponto que todos passaram a ser chamados de iranianos/persas, a despeito de quaisquer afiliações a outros clãs ou alteridades regionais dialetais ou linguísticas.

Historiadores medievais árabes, entre os quais Ibn al-Nadim, escreveram que "as línguas iranianas são o fahlavi (pahlavi), dari, khuzi, o persa e o suryani", e Ibn Mogaffa relatou que o khuzi era o idioma não-oficial da Pérsia - Khuz sendo um nome também utilizado para Elam; a identidade elamita, no entanto, provavelmente, já não mais existia.

O termo persa continuou a se referir a diversos povos irânicos, incluindo os falantes do corásmio, do antigo tabari, azari antigo, Iaki e do curdo, estes últimos ainda encontrados no norte do Iraque.

Os persas são um povo cujas fronteiras são as montanhas Mahat e o Azerbaijão até a Armênia e Arran, e Baylegan e Darband e Ray e o Tabaristão e Mascate e Shabaran e Jorjan e Abarshar e Nixapur e Herat e Mary e outros lugares como a terra de Coração e o Sejistão e Kerman e Fars e Ahvaz. Todas estas terras foram uma vez um só reino, com um soberano e um idioma, embora o idioma tivesse algumas diferenças. A língua, no entanto, é uma só, no sentido em que as letras são todas escritas da mesma maneira e utilizadas da mesma maneira na composição. Existem, então, diversas línguas como o pahlavi, o dari, o azari, assim como outros idiomas persas.

Mais modernamente Pérsia foi o nome oficial antigo do que hoje chamamos de Irã, aquela terra onde os aiatolás detêm um enorme poder sobre o povo.

Persas podem ser encontrados no Irã, no Afeganistão, no Tajiquistão, no Uzbequistão, na província de XInjiang (China) no norte do Paquistão.

Assim como os persas do Irã (persas ocidentais), os tajiques (persas orientais) são descendentes de diversos povos iranianos, incluindo os próprios persas iranianos, além de vários povos invasores. Os tajiques e os farsiwan têm uma afinidade particular com os persas da região vizinha do Coraçone, devido às interações históricas entre os dois povos - algumas que datam do início do período islâmico (século VI da Era Cristã).

Ainda existe outros grupos menores que permaneceram nas terras conquistadas pelos persas durante o período em que os sucessivos impérios de origem persa dominaram extensas áreas do planeta.

Como as sabe, toda a Europa, a esfuziante Europa de hoje, um dia esteve dividida entre centenas de clãs (de certa forma indígenas – para usar uma expressão muito posterior). Basta voltar o olhar para os Wikings e Celtas ou Druidas, que são os mais conhecidos e entender que algumas destas nações são muitíssimo posterior ao que estamos querendo resgatar. Estas se destacaram, os primeiros pelas guerras e conquistas e os segundos por sua sabedoria sagrada. É dado que Wikings e Druidas, como os conhecemos, sejam miscigenações de nativos europeus com persas.

Então, como sugerimos no início desta postagem, cada um que descende de europeus, pode ir tentando buscar a composição de sua genética ancestral.

Império Aquemênida

Trocam os monarcas e a dominação prossegue. O Império Aquemênida (em persa antigo: Parsā; em persa moderno: هخامنشیان, Hakhāmanishiya ou دودمان هخامنشي, transliteral Dudmān Hakhâmaneshi, dinastia Aquemênida (550-330 a.C.), por vezes referido também como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado no Sudoeste da Ásia, e fundado no século VI antes de Cristo por Ciro, o Grande, que derrubou a confederação médica (dos medos). Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo (Europa/Oriente Médio); por volta do ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no Leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia - o que fazia dele o maior império a ter existido até então. O Império Aquemênida posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades construindo um complexo sistema de estradas.

Denominando-se Parsa, do nome tribal ariano Parsua, os persas fixaram-se numa terra que também denominaram Parsua, que fazia fronteira a leste com o rio Tigre, e, ao sul, com o golfo Pérsico. Este, por ser uma saída por água, tornou-se o centro nevrálgico do império durante toda a sua duração. Foi a partir desta região que Ciro, o Grande, partiu para derrotar os impérios Medo, os Lídio e Babilônico, abrindo o caminho para as conquistas posteriores do Egito e Ásia Menor.

No ápice de seu poder, após a conquista do Egito, o império abrangia aproximadamente oito milhões de km2 situados em três continentes: Ásia, África e Europa. Em sua maior extensão, fizeram parte do império os territórios atuais do Irã, Turquia, parte da Ásia Central, Paquistão, Trácia e Macedônia, boa parte dos territórios litorâneos do Mar Negro, Afeganistão, Iraque, o norte da Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, bem como todos os centros populacionais importantes do Egito Antigo até às fronteiras da Líbia.

O Império Aquemênida tornou-se célebre na história ocidental como tradicional inimigo das cidades-estados gregas que encontrou ali durante as Guerras Greco-Persas e pela emancipação dos escravos que encontrou, incluindo-se o povo judeu, libertado de seu cativeiro na Babilônia, e pela instituição de infraestruturas como os sistemas postal e viário e pela utilização de um idioma oficial por todos os seus territórios. Tinha uma administração centralizada e burocrática, sob o comando de um imperador e um enorme número de soldados profissionais e funcionários públicos, o que inspirou desenvolvimentos semelhantes em impérios posteriores, principalmente o romano, que foi muito cópia (posterior) deste.

O ponto de vista tradicional é de que as vastas extensões e extraordinária diversidade etnocultural do Império Persa acabaria por provocar a sua derrocada, à medida que a delegação de poder aos governos locais acabaria por enfraquecer a autoridade central do rei, fazendo com que muita energia e recursos tivessem de ser gastos nas tentativas de subjugar rebeliões locais, o que, de fato, historicamente tem servido para explicar porque quando Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia) invadiu a Pérsia em 334 a.C. ele deparou-se com um reino pouco unido, comandado por um monarca enfraquecido, fácil de dominar.

Este ponto de vista, no entanto, vem sendo questionado por alguns estudiosos modernos, que argumentam que o Império Aquemênida não se encontrava em crise no período de Alexandre, e que apenas as disputas internas pela sucessão monárquica dentro da própria família aquemênida é que causavam algum enfraquecimento no império. Alexandre, grande admirador de Ciro, o Grande, acabaria por provocar o colapso do império e sua subsequente fragmentação, por volta de 330 a.C., gerando o Reino Ptolemaico (de Ptolomeu), chamado Império Selêucida e diversos outros territórios de menor extensão, que à época também conquistaram sua independência. A cultura iraniana do planalto central, no entanto, continuou a florescer e voltou a conquistar o poder na região no século II a.C.

O legado histórico do Império Aquemênida, no entanto, foi muito além de suas influências territoriais e militares, e deixou marcas importantes no cenário cultural, social, tecnológico e religioso da época. Diversos atenienses adotaram costumes aquemênidas em suas vidas diárias, numa troca cultural recíproca, e muitos foram empregados ou aliados dos reis persas. O impacto do chamado Édito de Ciro, o Grande, foi mencionado nos textos judaico-cristãos, e o império foi fundamental na difusão do zoroastrismo por grande parte da Ásia, até à China. Mesmo Alexandre, o Grande, o homem que acabaria por conquistar este vasto império, respeitou seus costumes e impôs o respeito aos reis persas (incluindo Ciro), e até mesmo adotou muitos costumes reais persas, apesar da forte desaprovação de seus compatriotas macedônios.

O Império Persa também daria a tônica da política, herança e história da Pérsia moderna (atual Irã). A influência também se estendeu sobre antigos territórios da Pérsia que se tornaram conhecidos posteriormente como Grande Pérsia. Um dos feitos notáveis de engenharia do império é o sistema de gestão da água conhecido como Qanat (sistemas de irrigação), cuja seção mais antiga tem mais de três mil anos e 71 km.

Em 480 a.C., estima-se que 50 milhões de pessoas vivessem no Império Aquemênida, cerca de 44% da população mundial da época, fazendo dele o maior império de todos os tempos em termos de porcentagem populacional.

Aqui, já nos antecipando, começa a ficar suspeita a posterior perda de poder, importância e liderança dessas civilizações, a ponto de muitas delas se colocarem como colônias de outros países. Lá no fundo, a mágoa dessa gente aflora hoje nas barbaridades do Estado Islâmico.

A Grécia no centro do mundo

O primeiro grande império europeu a estender seu poder sobre outras áreas além da Europa de então, foi o Império Macedônico. Vamos a um pouco de sua história.

A Macedônia Antiga (em grego: Μακεδονία; transliteral: Makedonía) tem sua história vinculada aos povos que habitavam a região da Grécia e Anatólia na Antiguidade. Segundo estudos arqueológicos, os antepassados dos macedônios se situam no começo da Idade do Bronze (3.000 anos antes de Cristo). A partir do ano 700 a.C., o povo denominado macedônio emigrou para o leste, a partir de sua terra natal às margens do rio Haliácmon. Com Amintas I, o reino se estendeu além do rio Àxio até à península de Calcídica. A cidade de Egas foi a capital do reino até quase 400 a.C., quando o rei Arquelau I a transferiu para Pela.

A Macedônia alcançou uma posição hegemônica dentro da Grécia durante o reinado de Filipe II, o Caolho (359-336 a.C.). Alexandre III (O Grande), filho de Filipe e aluno do filósofo Aristóteles, levou os exércitos da Macedônia ao Egito, derrotou o Império Aquemênida (que vimos na postagem anterior) e chegou até a Índia.

Construído num curto período de onze anos, o Império Macedônico contribuiu com a difusão da cultura grega no Oriente. Alexandre fundou uma grande quantidade de cidades e promoveu a fusão da cultura grega com a dos povos conquistados, dando origem ao que se conhece por helenismo, uma palavra que vem do próprio grego “hellenizein” – “falar grego”.

Mas, Alexandre, o Grande, viveu apenas 32 anos e na sua sucessão desfilaram enumeráveis reis da dinastia Selêucida.

O Império Selêucida foi também um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império.

Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida.

Alexandre havia conquistado o Império Aquemênida em pouco tempo e morrera jovem, deixando sem herdeiros um extenso império de cultura parcialmente helênica. Em vista disso, seus generais (os diádocos) terminaram por lutar na tentativa de obter supremacia sobre o império deixado.

Seleuco, um de seus generais, estabeleceu-se na Babilônia em 312 a.C. - ano geralmente usado para definir a data da fundação do Império Selêucida -  e governou não somente a Babilônia, mas a gigantesca parte oriental do império de Alexandre. Após vencer a outros inimigos, Seleuco obteve controle sobre a Anatólia oriental e sobre a parte norte da Síria. Nessa última área, fundou uma nova capital em Antióquia, nome que homenageia seu pai, Antíoco.

Uma outra capital alternativa foi estabelecida em Selêucida do Tigre, ao norte da Babilônia. O império de Seleuco alcançou sua extensão máxima em 281 a.C. Ainda tinha esperanças de controlar as terras de Lisímaco na Europa - Trácia, e mesmo a própria Macedônia -, mas terminou por ser assassinado por Ptolomeu Cerauno logo ao chegar ao continente europeu. Seu filho e sucessor, Antíoco I Sóter, mostrou-se incapaz de recomeçar de onde seu pai havia parado, nunca conquistando as partes europeias do império de Alexandre. Ainda assim, possuía um reino incrivelmente vasto - consistia de basicamente todas as porções asiáticas do império.

A extensão do Império Selêucida, que cobria desde o mar Egeu até o atual Afeganistão, aproximou uma multidão de povos: gregos, persas, medos, judeus, indianos, entre outros, de onde se incrementa a miscigenação que vem examinada nesta série com replique na cultura. Sua população total foi estimada em 35 milhões de habitantes, ou 15% da população mundial na época em que era o maior e mais poderoso império do mundo. Seus governantes mantinham uma posição política cujo interesse era salvaguardar a ideia de unidade racial introduzida por Alexandre. Em 313 a.C. (note aí a época) os ideais helênicos (disseminados por filósofos, historiadores, oficiais em reserva e casais de casamento interracial provindos do vitorioso exército macedônio) haviam começado sua expansão de quase 250 anos nas culturas do Oriente Médio e da Ásia central.

O esqueleto estrutural da forma de governo do império consistia em estabelecer centenas de cidades para trocas (mercado insipiente) e ocupação territorial.

Muitas cidades começaram - ou foram induzidas - a adotar não só pensamentos filosóficos, como também sentimentos religiosos e políticas de natureza helênica. A tentativa de sintetizar o helenismo com culturas nativas e diferentes correntes intelectuais resultou em sucessos de tamanho ou naturezas diferentes - tendo como consequência paz e rebelião simultâneas em diferentes partes do império.

E através da Grécia se chega a Roma

Quando o filho de Antíoco II, Seleuco II Calínico, subiu ao trono por volta de 246 a.C. os selêucidas já estavam em declínio. Além das secessões em Pártia e Bactriana, Seleuco II foi dramaticamente derrotado por Ptolomeu III do Egito na terceira Guerra Síria, tendo, logo depois, que lutar numa guerra civil contra seu próprio irmão, Antíoco Hierax. Também na Ásia Menor a dinastia selêucida perdia o controle - gauleses já se haviam estabelecido completamente na Galícia; reinos semi-independentes e semi-helenizados haviam surgido na Bitínia, em Ponto e na Capadócia; e a cidade de Pérgamo, no ocidente, asseverava sua independência sob a Dinastia Atálida, formando o Reino de Pérgamo. Tudo indicava o poderoso império estava se acabando.

Porém, um reflorescimento teria início quando o filho mais novo de Seleuco II, Antíoco III, o Grande, tomou o trono em 223 a.C. Apesar do malogro inicial na Quarta Guerra Síria com o Egito, que levou a uma derrota vergonhosa na Batalha de Ráfia (217 a.C.), Antíoco se tornaria o maior dos governantes selêucidas após o próprio Seleuco I. Após a derrota em Ráfia, passou 10 anos em sua "anábase" através das partes orientais de seu domínio - restaurando vassalos rebeldes como Pártia e Bactriana ao menos a obediência nominal, e até procurando competir com Alexandre, montando expedição até a Índia.

Ao retornar ao ocidente em 205 a.C., Antíoco descobriu que com a morte de Ptolomeu IV a situação se mostrava propícia para nova campanha ocidental. De fato, perturbou muito seus vizinhos próximos parecendo haver, no mínimo, restaurado a glória do Reino Selêucida.

Mas, agora já está Roma no seu caminho. Além de outros, como os macedônios.

Rodes e Pérgamo enviam embaixadas a Roma denunciando pretensões expansionistas macedônias. A luta foi feroz e a Macedônia acaba esmagada na memorável batalha de Cinoscéfalos (198 a.C.).

Roma a caminho da hegemonia

Num discurso emotivo do seu governante, Roma proclama a liberdade de todos os estados gregos. Se a situação é clara para os gregos da Europa, no que diz respeito à Ásia ninguém sabe qual o seu alcance. Roma e Antíoco III entram em negociações: Roma dá a entender que estará disposta a ignorar a sorte das cidades gregas da Ásia, em contrapartida, Antíoco III deve retirar-se da Trácia. No fundo, nenhum dos lados pretende entrar em guerra, muito menos por causa dos instáveis gregos. Antíoco III recebe as propostas romanas, mas não parece dar sinais de estar disposto a recuar, ele que devotou toda a sua vida ao restauro do reino de Seleuco I. O seu objetivo é ganhar tempo.

Serão precisamente os instáveis e imprevisíveis gregos que irão precipitar e desencadear um conflito em larga escala. A Etólia, apesar de aliada de Roma contra a Macedônia, declara-se traída e humilhada pelos romanos. Aproveitando a retirada das legiões romanas, dá início a uma guerra anti-romana. Em breve, os etólios apelam a Antíoco III para que marche sobre a Grécia e a liberte da influência romana. Antíoco vê-se envolvido numa armadilha. É completamente apanhado de surpresa. Não avançar, significará o ruir de todo o seu prestígio e o rei sente-se contrariado porque tem a terrível noção de que não dispõe, no momento, de forças militares suficientes para garantir um triunfo. Roma e os Selêucidas são arrastados para a guerra contra a sua vontade.

Foi com essa luta e com outras em outros horizontes, que veio a sucumbir o antes poderoso Império Selêucida.

Roma que era muito grega, começa a se preparar para cumprir sua missão histórica qual fosse a levar a muitos recantos da Europa e de outros territórios a doutrina de um jovem que ela mesma se encarregara de condenar de executar: Jesus.

Mas, antes disso, cabe dar uma olhadela no aspecto da cultura e da religião que foram desenhados antes para vigorar depois.

Foi na Grécia Antiga, no ano de 776 a.C., na cidade de Olímpia, que surgiram os Jogos Olímpicos em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia. Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia também atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no século V (Período Clássico da Grécia). Platão e Sócrates são os filósofos mais conhecidos deste período.

A dramaturgia grega também pode ser destacada. Quase todas as cidades gregas possuíam anfiteatros, onde os atores apresentavam peças dramáticas ou comédias, usando máscaras. A poesia, a história, artes plásticas e a arquitetura foram muito importantes na cultura grega.

A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os deuses possuíam características humanas e de deuses. Os heróis gregos (semideuses) eram os filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses, comandava todos os demais do topo do monte Olimpo. Podemos destacar outros deuses gregos: Atena (deusa das artes), Apolo (deus do Sol), Ártemis (deusa da caça e protetora das cidades), Afrodite (deusa do amor, do sexo e da beleza corporal), Deméter (deusa das colheitas), Hermes (mensageiro dos deuses) entre outros. A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes ao restante do mundo.

Os gregos costumavam também consultar os deuses no oráculo de Delfos. Acreditavam que neste local sagrado, os deuses ficavam orientando sobre questões importantes da vida cotidiana e desvendando os fatos que poderiam acontecer no futuro.

Na arquitetura, os gregos ergueram palácios, templos e acrópoles de mármore no topo de montanhas. As decisões políticas, principalmente em Atenas, cidade onde surgiu a democracia grega, eram tomadas na Ágora (espaço público de debate político).

Muito de tudo isso foi parar na cultura de Roma, inclusive a mitologia, apenas alterando os nomes dos deuses e deusas. 

A China antiga

A China vem de um tempo superior a 2.200 anos antes de Cristo, mas em decorrência das invasões sofridas, foi dividida em reinos feudais independentes, no período compreendido entre os séculos III e IV já da era Cristã. Neste tipo de reino, o rei desempenhava a função de chefe religioso e aos nobres cabia a responsabilidade de defender o território contra as invasões estrangeiras. Uma fórmula bastante semelhante a do feudalismo europeu e que também foi usado no Brasil no império de Pedro II.

Após um período de luta entre os principados, quando os nobres já se encontravam mais fortes do que o rei, tiveram início as primeiras dinastias chinesas. A primeira delas foi a Sui, que no ano de 580 conseguiu unificar os reinos. No ano de 618, esta dinastia foi substituída pela Tang, que teve como ponto marcante a contribuição significativa ao desenvolvimento cultural do povo chinês. 

A dinastia Tang entra em declínio após ser derrotada pelos árabes no ano de 751, mas que já em 907 retornou ao controle chinês com o início da dinastia Sung, que elevou o crescimento econômico e estimulou o desenvolvimento da cultura. Foi durante esta dinastia que a pólvora foi inventada.   

Entre os anos de 907 e 960, a história da China foi marcada pela fragmentação política. Esta época ficou conhecida como o Período das Cinco Dinastias e Dez Reinos. Nesta fase, a China se transformou num conjunto de vários estados.

A partir da linha de pensamento do filósofo Confúcio, que defendia a ideia de que a natureza humana é boa, porém, é corrompida pelo uso indevido do poder, a política foi influenciada de tal forma que contribuiu com a unificação cultural da China. 

No período compreendido entre os anos de 1211 e 1215, os mongóis invadem a China e dão início ao seu império, que passa a ser dividido em 12 províncias; contudo, eles dão continuidade ao desenvolvimento alcançado pelo reino anterior. 

Em 1368, a dinastia mongol é derrubada pela resistência interna, e, esta, assume o poder com o nome de dinastia Ming. Durante este período, foi realizada uma política que expandiu o território chinês para a Manchúria, Indochina e Mongólia. Entretanto, este reinado começa a cair em decorrência da chegada dos europeus, em 1516, e tem seu fim definitivo no ano de 1644, após a invasão manchu, dos Qing, que durou até 1911, quando o Ocidente e o Japão passaram a controlar uma China republicana. 

Quando estudamos a China, não podemos deixar de estudar outros dois pontos importantes: O primeiro deles é o budismo, que teve forte influência nas manifestações artísticas chinesas como a literatura, a pintura e a escultura. O segundo é a Grande Muralha da China, que foi levantada antes do século III a.C., com o propósito de defender os principados contra as invasões de seus inimigos. Foi reconstruída ente os séculos XV e XVI cruzando o país de leste a oeste.

Isolada do mundo por várias razões, a China só começa a ressurgir para o Ocidente quando as navegações intercontinentais têm início. Mas, nem por isso ela se abriu para o mundo.

O papel de Roma no Ocidente

Para chegar ao papel de Roma no mundo ocidental temos de passar pela Grécia. Os gregos (ou helenos) viveram na extremidade meridional da península balcânica e sua cultura se desenvolveu a partir da mistura das diversas populações que lá se estabeleceram nos últimos 8000 anos, no entanto, as mais antigas características culturais que se pode chamar de "gregas" apareceram somente depois de 2000 a.C.

A Grécia Antiga abrangia os povos que habitavam a bacia do mar Egeu e as ilhas ao redor, e durou desde o surgimento da civilização minoana, na Idade do Bronze até a sua tomada pelos romanos, em 146 a.C.

A partir de 500 a.C. a cultura grega influenciou de tal forma o mundo mediterrâneo que, sem exagero, acabou por constituir um dos mais sólidos fundamentos de toda a Civilização Ocidental.

As primeiras populações que falavam grego ocuparam, por volta de 2000 a.C. várias regiões da península balcânica, território de topografia irregular localizado no sudeste da Europa. Posteriormente, em sucessivas fases de expansão marítima, os gregos se estabeleceram em outros locais, notadamente nas ilhas do Egeu e nas margens do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

Na Antiguidade, as mais importantes comunidades gregas se concentravam na própria península balcânica, nas ilhas do Mar Egeu, na costa ocidental da península anatólica (Ásia Menor), no sul da península italiana e nas grandes ilhas da Sicília, a oeste, e de Creta, ao sul.

Os gregos antigos constituíram a primeira civilização duradoura da Europa, que foi a base da cultura ocidental de tempos posteriores. As mais vastas experiências sociais ocorreram na Grécia, berço de filósofos, sábios e literatos famosos.

A cultura da Grécia Antiga é considerada a base da cultura da civilização ocidental. A cultura grega exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram, depois, de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na linguagem, na política, no sistema educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, no direito, na arte, na literatura, na arquitetura, na religião, no sistema de governo e na língua. Mas, foi Roma que levou adiante. E ganha os louros.

Então agora já podemos falar da civilização romana, antiga, e de sua grande contribuição para o desenvolvimento de todas as áreas da humanidade ocidental. Os romanos assimilaram muitos aspectos da cultura dos povos vencidos, principalmente dos gregos, como temos escrito.

Dotados de notável senso prático, souberam reelaborar essas influências, nas quais introduziram inovações que levaram à formação de uma cultura original. Com isso, acabaram por legar às gerações futuras várias contribuições nas mais diversas áreas.

Com a queda do Império Romano do Ocidente foi a Igreja Católica que assumiu a continuidade desse papel em toda a área, já abrangendo as Américas a partir de 1492.

As quatro vertentes na América

De passo em passo, os povos foram se miscigenando, mas nenhum caso mais profundo que o da América. Foi aqui que duas importantes correntes genéticas vieram encontrar as demais. Se até então as contribuições persas haviam moldado e se moldado ao foi chamado de civilização greco-romana, na América os indígenas foram invadidos e os africanos se deixaram invadir para formar com as raças branca e amarela, o que agora chamamos de quatro vertentes com a junção da vermelha (indígena) e da negra (africana).

Muito mais cedo do que se pensa a miscigenação estava em curso. Só para relembrar o caso brasileiro: maioria dos brancos aportados aqui viera do gênero masculino, eram aventureiros que compunham os exércitos, os serviçais, os comandantes, os administradores da colônia. As índias de muitas nações nunca negavam sexo para os seus machos e assim se comportavam também com o macho europeu e também com o negro. Centenas, milhares de brasileirinhos mestiços nasceram desses coitos inter-raciais. Não foi diferente com as negras. Toda a mulher negra que não estava confinada à senzala, prestava serviços à família do escravagista e não escapavam dos assédios dos homens. Desses outros coitos inter-raciais também nasceram centenas, milhares de brasileirinhos mestiços. São os cafuzos, caboclos e mamelucos que deram início, juntamente com os brancos e amarelos à estupenda civilização brasileira e de outros países da América.

Há nesse meio um caso a destacar por sua singularidade: em 1756 os exércitos unidos de Portugal e Espanha marcharam sobre as missões de língua espanhola que estavam à margem esquerda do Rio Uruguai, no Rio Grande do Sul, atendendo ao Tratado de Tordesilhas, que mandava entregar à Espanha a Colônia do Sacramento (no Uruguai) e a Portugal as Missões (RS). Mas, os índios guarani não queriam entregar o território, enquanto os padres jesuítas faziam olhos de mercador à espera de uma solução diplomática, que não veio. Os milhares de viúvas índias, quando terminou a guerra com a vitória ibérica, foram abandonadas a campo, sem nenhum apoio dos governos ibéricos. Ficaram a deriva e foram montar suas tolderias às costas dos piscosos rios que cortam a pampa sulamericana, mas não sem serem molestadas pelos aventureiros que percorriam a região. Desses coitos inter-raciais de negros, brancos e índias, nasceu o renegado não aceito nas tabas porque não era índio e não aceito nos serviços militar e das fazendas porque não se submetia às ordens: o gaúcho.

Inicialmente esse termo era só adjetivo porque descrevia o rebelde, o indômito. Mais tarde passou a substantivo porque designava uma espécie de gente campeira diferente. E somente de 1940 em diante passou a gentílico dos habitantes do Rio Grande do Sul. Um grande erro gramatical porque do lado da banda uruguaia e do lado da banda argentina também existem gauchos (sem acento) e jamais serão ou virão a ser cidadãos do Rio Grande do Sul.  

Fim do artigo.

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