terça-feira, 7 de julho de 2015

1801-A maravilha do milagre e seus agentes


Milagre e milagreiro não são a mesma coisa

Introdução

É muito grande, entre nós, o número de pessoas à espera de milagres. Vemos isso nos noticiários quando envolve visitas a sítios sagrados como os monumentos do Padre Cícero, santuários de Aparecida do Norte e de Santa Paulina, do túmulo de Padre Reus e mais uma infinidade de locais em que as pessoas de fé depositam esperanças de cura e superação.

Não temos objeção alguma a que acreditemos na motivação de santos, guias, protetores e outros salvadores. A questão está na esperada força vinda de fora: eu não sou nada; movei uma palha e serei salvo.

Voltamos estas mesmas intenções para os salvadores que não estão nos céus e ficamos a espera que o médico, o bisturi, o remédio (nos casos de saúde) ou nos intermediários (salvadores) quando os casos são do dia-a-dia da vida, administração pública, negócios, emprego, benefícios outros.

Não faz muito tempo, alguns empresários de Blumenau confiaram a alguns advogados (que nem eram) a solução de dívidas com o tesouro da União e acabaram enredados sem solução e devendo ainda mais, além daquilo que pagaram para os tais “salvadores”.

Bem assim é o encaminhamento de muitas questões em que o necessitado se acomoda, renega seu potencial íntimo, desacredita em si e vai buscar fora aquilo que obscurece dentro dele mesmo.

Parece ser óbvio que milagres existem, sim, mas há razões especiais para eles se realizarem. Viver de promessas diante de imagens e no interior de santuários, sem nada fazer para que o “milagre” se faça, é covardia, é comodismo, é desviar-se do sagrado poder que Deus nos outorga através do Espírito que habita em nós.

Bem, se milagres existem...  

Pois é, se milagres existem, que venha o meu. Quantas vezes o milagre vem pela ação anônima do curandeiro analfabeto que trabalha nos cafundós onde se desconhece os códigos de endereçamento postal? Vem? Vem.

E o que pensar quando um douto estudioso da maravilha dos milagres afirma que a obra que leva ao milagre é de autoria de histéricos?

Diferentemente do que muita gente pensa, a histeria não se relaciona a nenhuma reação emocional exagerada e, sim, a um distúrbio mental específico, que se manifesta fisicamente. No fundo, para a medicina, uma doença. Muito frequente entre as mulheres do século XIX, quando se tornou popular, a histeria apresenta sintomas como paralisia e anestesia, confusão mental, múltipla personalidade e apatia em relação ao mundo exterior e se caracteriza por aqueles ataques nervosos para os quais os leigos usam muitas palavras, que vão da obsessão à histeria e coisas piores como a loucura.

O nome vem do grego hystéra, que significa útero. "Acreditava-se, na antiguidade, que a energia vital desse órgão se deslocava para outras regiões do corpo, causando os ataques. Já na Idade Média, eles eram considerados manifestação de bruxaria e não foram poucas as mulheres queimadas vivas (na Inquisição) por causa disso. A psiquiatria do século XIX, por sua vez, acreditava que a raiz do problema devia estar em uma lesão orgânica, enquanto outros falavam em fingimento", diz a psicanalista Maria Teresa Lemos, da Escola de Psicanálise de Campinas/SP.

Existem vários ângulos para encarar a questão. Um é quando o estudioso dos milagres os associam à histeria do agente milagreiro e suas fontes estão estacionadas naquele tenebroso passado em que pessoas acometidas de histeria eram confundidas como bruxas e levadas à fogueira. Outro é quando aprisiona seu conhecimento aos currículos universitários que tem preguiça de sair do quadrado. O terceiro, e quem sabe até um quarto ângulo, aqui, nesta ordem, tem de ser o real. É um perigo confundir a manifestação de um espírito desequilibrado ou mal-educado com a descarga de adrenalina tóxica causando descontrole mental exclusivamente por causa de uma anomalia psíquica ou orgânica. 

O que os médicos nunca haviam percebido era que a histeria representava um grito de socorro das mulheres contra sua repressão sexual. Esse segredo começou a ser desvendado pelo francês Jean Martin Charcot (1825-1893) (já abordado neste blog), um dos pais da neurologia, que descobriu, por meio da hipnose, que tais sintomas tinham origem psíquica. O mais célebre aluno de Charcot, Sigmund Freud, demonstrou que nessa origem estava sempre um trauma sexual - ponto de partida para a criação de uma nova disciplina: a psicanálise. Bem, aqui já temos o terceiro ângulo de vista. Haveria um quarto? Avancemos.

Com as mudanças sociais e culturais do século XX, a histeria deixou de ser tão comum e seu lugar foi ocupado pela depressão, o principal distúrbio psicológico da atualidade.

É preciso interpretar-se as palavras não isoladamente, mas dentro do seu contexto e, de boa-fé, pois, em caso contrário, “coloca-se na boca” dos homens e mulheres, dentre os quais do autor deste texto, o que eles nunca afirmaram. Esse esclarecimento é importante, porque, senão, pareceria que o autor estaria tentando desmerecer Francisco de Assis e Santa Tereza, quando pretende exatamente o contrário. Vejamos sua frase, traduzida: “É interessante notar que certos taumaturgos foram atingidos pelas doenças que curavam: São Francisco de Assis, Santa Tereza, cujos santuários estão dentre aqueles mais destacados entre aqueles em que se produzem milagres eram, eles mesmos, declaradamente histéricos”. Verifiquem os prezados leitores, por favor, o que conseguem captar quanto à verdadeira intenção do autor ao fazer a afirmação que ora é analisada, para não haver nenhum mal-entendido nem agora, nem depois.

Conclui o autor sua exposição com a seguinte expressão tão conhecida: “Há mais coisas no céu e na Terra do que sonha nossa vã Filosofia”. Sua honestidade moral na procura da Verdade deve servir de referência para os que julgam ser sua pobre racionalidade a medida de todas as coisas. Fica a lição para os cientistas sem humildade.

Quem seria esse o autor de tais afirmações? Não importa. Ele já não está entre nós e, por certo, na sua nova morada já teve oportunidade de corrigir-se. Também não podemos abrir espaços aqui, como se abriu no passado, para achincalhar a pessoa que tivesse uma ideia brilhante para o futuro e chocante para o presente.

Procurar os mais necessitados de esclarecimento e amenização dos sofrimentos físicos e morais é o único caminho para a evolução espiritual de quem pretende seguir Jesus? Talvez não precisemos ser tão radicais, mas é, verdadeiramente, um senhor caminho. Existem outros. Cada um tem seu campo de trabalho.

Como espíritos ligados à área de saúde, os curadores espirituais (no corpo ou fora dele) têm de escolher alguma atividade voltada para o Bem nessa área. Corrente religiosa incompreendida pela maioria dos intelectuais, porque confundida com a Magia Negra e outros ramos da prática do Mal, a Umbanda precisa ser objeto de análise e estudo pelos que não a conhecem. Trata-se de uma opção religiosa tão válida quanto as demais, que visam o Bem. Ali se procura servir a Deus através do Amor ao próximo. E não é apenas na Umbanda que iremos encontrar atividade voltada para o bem na área da cura, cura espiritual e cura biológica. Muitos centros espíritas que evoluem no estágio de tratamento apenas de espíritos desencarnados e assumem cuidar de pessoas, ainda que através do viés espiritual, somam-se às dezenas pelo Brasil a fora.

É isso que você leu. Dentre outros centros, estão inúmeros locais onde espiritualmente se trata dos males das pessoas, muitas vezes diagnosticando o que as sofisticadas máquinas não detectam e muitas vezes curam o que os remédios não minimizam.

E então, o primeiro reconhecimento: são agentes de cura ou são milagreiros? No primeiro caso poderão ser acusados de prática ilegal da medicina; no segundo, podem ser chamados de bruxos. Gente já foi condenada e presa, denunciada e executada por uma e outra acusação.   Mas, os milhares de casos de sucesso desafiam a pesquisa. Alguém, algum dia, sob o manto da ciência irá mostrar isso que hoje empurram para baixo do tapete sob a desculpa de histeria, loucura, bruxaria, charlatanismo, ludibrio da fé.

A continuidade da antiga proposta de cura pela fé agora utilizando novas ferramentas, porque, além de atender às necessidades orgânicas dos sofredores, tenta despertá-los para eles mesmos se transformarem em servidores da humanidade, como única terapêutica para se curarem dos próprios males físicos e morais, explica em quase 100% a dedicação dos curadores a serviço da cura.

De nada adianta a cura do implemento orgânico se a alma permanece viciosa, inclinada à frieza moral, à indiferença pelas dificuldades alheias, porque, sem a reforma moral de cada um, os males retornam sempre, infelicitando quem cultiva o egoísmo, o orgulho e a vaidade.

Umbanda, Espiritismo, Logosofia, Teosofia, Cristianismo

Ao pretender contribuir para a valorização de alguns trabalhos que ocorrem nas tendas de Umbanda, nos Centros Espíritas, nas searas da Logosofia, nos ateneus da Teosofia ou nos múltiplos locais cristãos de dedicação à dor e ao sofrimento, ao afago de abandonados e à reconversão de desencaminhados, cabe enfatizar, seu crescimento no conceito dos que desprezam essas atividades por desconhecerem-lhes os propósitos idealistas, vem pegando de calças curtas as maiores e mais eloquentes figuras do mundo artístico, religioso e político. Desenganados por médicos e intoxicados por remédios ineficazes, são estonteantes os números de artistas, religiosos, políticos e outros famosos que recuperam o direito à vida ao descerem das tamancas para se tratarem espiritualmente com aqueles que desprezavam, ridicularizavam e condenavam. Bem como ocorreu com Jesus. E, por serem formadores de opinião, são os grandes arautos dessa nova medicina.

Esta postagem serve também para incentivar os agentes e adeptos da cura espiritual a servirem mais e mais aos semelhantes, ao mesmo tempo se reformando moralmente. Basta compreender que a cura é, antes de mais nada, mérito. Mérito do paciente. Nenhum milagreiro põe milagre onde não deve caber milagre. Assim se explicam os milagres.

Ao que se sabe, sem merecimento, não há milagre. O agente do milagre não é o autor do milagre. O milagre se passa no íntimo daquele que é abençoado pelo milagre. Que Deus abençoe a todos, cada um no seu caminho individual de crescimento no rumo do Alto!    

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