sábado, 29 de agosto de 2015

1809-A serenidade sob ataque


Vivemos em sobressalto

Introdução

Um quadro aproximado da vida “normal” de qualquer pessoa acima de 16 anos: antes de dormir, ao acordar, durante o café da manhã, no almoço, no lanche da tarde ou na janta, em qualquer território, língua ou religião, nos tempos atuais, é alcançada por notícias econômicas, policiais, militares, ecológicas, astronômicas, climatológicas e de outras origens, notadamente pelos meios de divulgação e também por conversas com amigos, colegas, sócios, orientadores. Onde está o foco das notícias? Coisa ruim capaz de criar sobressalto, preocupação, medo, pânico.

Basta sair pelas ruas e estradas no volante de um carro ou moto para imediatamente nos submetermos às situações de risco, adrenalina máxima.

Nas ruas de médias, grandes e muito grandes cidades, mendigos, flanelinhas, moradores de rua, assaltantes, bêbados, gente abusada, desrespeitosa a olhar-nos com algum interesse.

De uns tempos para cá, imigrantes procedentes das mais diferentes latitudes, flagelados por diferentes razões, buscando um espaço para viver ou apenas sobreviver entre nós.

Informações de que o governo não tem recursos suficientes para pagar suas contas e assim falta remédios nos hospitais, postos de saúde e farmácias de atendimento gratuito.

Apesar da elevada carga tributária, o governo não tem recursos para obras, serviços e obrigações legais.

Informações de que o dólar está 50% mais caro, o que significa que a esta altura os rendimentos dos assalariados e aposentados também já perderam 50% do seu valor de compra.

Informações de que a inflação continuará disparando e nisso o dólar acompanhará ganhando valorização, enquanto o poder de compra de todos irá sendo corroído.

Informações de que a recessão continuará tirando o emprego de milhares de pessoas principalmente naqueles setores que vendem menos porque as pessoas também estão comprando menos.

Informações de que a água será sempre mais objeto de luxo, escassa, muito cara, porque chove menos e o desmatamento, associado ao calor que produzimos na face do planeta, faz com que evaporem as águas e cessem as chuvas, num processo em que o hidrogênio e o oxigênio (que compõem a água) voltem ao seu estado natural, deixando de ser água.

Informações de que a temperatura ambiente continuará em alta, sem possibilidade de ocorrer o contrário.

Informações de que já estão a caminho manobras jurídicas e políticas para livrar a cara de quase todos os implicados na Operação Lava a Jato.

Frente a um quadro tão deprimente com tais e tais características, contrárias aos mais elementares princípios de vida com harmonia e normalidade, o que se pode esperar do futuro da humanidade e principalmente dos brasileiros?

É o objetivo deste ensaio.

O que se pode esperar?

A não reversão desses quadros fará com que a vida planetária e, especificamente, do Brasil, que teima em repetir e aprofundar seus quadros de dificuldade, é preocupante, pode se fazer um tempo de incertezas na vida pública.

Esta semana, ao conhecer mais perto as profundas razões da chegada ao Brasil de imigrantes haitianos e de outros países, fomos obrigados a parar para refletir. Isso é dito por eles: aqui vislumbramos duas condições especiais, sendo a primeira o Sistema Único de Saúde, que é gratuito para todos, não é algo excelente, mas é de graça; a segunda é a deterioração da qualidade do trabalhador brasileiro, viciado em querer ganhar, trabalhar pouco e se encostar em seus direitos sem limites.

País nenhum do mundo possui gratuidade nos serviços de saúde. E o que é pior: já estão faltando recursos para pagar a conta sem limite do Sistema Único de Saúde. Reformula ou vai à falência. O Estado não pode mais aumentar os impostos, que já estão acima do razoável e a cada segundo do tempo tem uma conta mais alta para pagar, enquanto quem gera receita (é uma minoria) tem menos mercado, menor volume de negócios e, por consequência, paga menos.

Com o dólar em disparada a opção natural de quem produz é exportar e isso pode levar o mercado brasileiro ao desabastecimento, com consequência ainda mais grave ao processo inflacionário.

Haja serenidade a qualquer pai de família, a qualquer empresário, a qualquer cidadão do bem, olhando para tantas vertentes caóticas e sentindo aumentar a ladroeira e a impunidade, a dificuldade de sair às ruas, sentindo minguar o ânimo para trabalhar, produzir, contribuir. 

O que é serenidade?

Serenidade, conforme Aurélio, é suavidade, paz, tranquilidade. Mas, a definição pode ir além.

A serenidade pode ser conquistada pela aproximação da mente humana com vibrações de planos mais elevados. Tentando interpretar o que seria esta conquista, Reinhold Niebuhr criou uma espécie de oração nos seguintes termos: “Concedei-nos Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificar aquelas que podemos modificar e a sabedoria para distinguirmos umas das outras”.

A propósito, Chico Xavier afirmou no mundo espiritual: “A serenidade é estar em paz com seus pontos de vista”. Parece dizer-nos: quando nossos pontos de vista são temerários, tumultuados, precipitados, criamos sobressalto, preocupação, medo, pânico, decepção, agitação, controvérsia, discussão, disputa. Quem sabe esta publicação esteja enquadrada num ponto de vista desses. Quero sua análise.

Pontos de vista, como se define, expressam aquilo que vemos desde um determinado ângulo, evidentemente, setorial, parcial, não conclusivo. Alguém que vê de outro ponto, pode perfeitamente discordar ao apresentar diferentemente o que vê. Logo, a serenidade é também o estágio daquele que não fala de pontos de vista e que se torna credenciado ao respeito e à credibilidade em boa parte pela serenidade emitida ao falar com autoridade sobre aquilo que fala ou escreve. A vida nos retribui na mesma moeda. Serenidade, com certeza, é uma manifestação do amor.

O planeta e, por extensão, a vida socioeconômica e política de um país como o nosso, responde na mesma moeda, na mesma moeda de como seus administradores o administram, o tratam e de como seus cidadãos percebem o que ocorre com a vida do país.

E então, podemos ir além de onde foram Xavier e Niebuhr? Podemos?

Eleger quem para governar para quem?

Só mesmo numa democracia plena se poderia responder eleger quem para governar quem. No arremedo de democracia, como temos, em que os partidos políticos dominam os poderes, nem mesmo o Poder Judiciário está isento, limpo, puro, imaculado. O político brasileiro viciou-se no poder. Acaba uma eleição ele já está pensando na próxima. As eleições se tornaram muito caras. Ele gasta para eleger-se muito mais do que ganhará como proventos do cargo.

Temos um sistema político em que o eleitor não escolhe, referenda. Referenda o vício daquilo que chamamos democracia. Na verdade, são os coronéis partidários, substitutos dos antigos coronéis do voto a cabresto, que fazem todos os acertos na clausura dos seus gabinetes e a Justiça Eleitoral recebe as comunicações dos partidos com suas listas de candidatos para serem submetidas ao referendo popular. Por mais boa-vontade que queira ter o eleitor, ele é forçado a escolher alguém das listas partidárias ou votar em branco ou nulo. Meia democracia, pseudo democracia.

Junto de um eleitorado mal informado, desinformado, catequizado pelas militâncias partidárias, nem mesmo ocorre a escolha por parte desse eleitor. O eleitor vota em quem lhe pedem para votar e o faz mediante alguma promessa de vantagem ou coação, ameaça de perder algum direito ou vantagem.

Pronto. Está desenhado o quadro. Os donos dos partidos apresentam candidatos de seu interesse, cartas marcadas, corporativismo, gangues de poder. O eleitor não escolhe, vota para atender a quem lhe assopra e pressiona. E assim elegemos QUEM para governar para QUEM?

Serenidade e elevação espiritual

O sobressalto, a preocupação, o medo, o pânico, só não são maiores nas pessoas porque as pessoas não reúnem todos os fatos numa mesma planilha de análise. Nós fomos acostumados a olhar para as notícias ruins como se elas não nos atingissem. E costumamos a esquecer as notícias de hoje ávidos por conhecer as novas notícias de amanhã. Muito mais atenciosos com os esportes, as festas, os shows, a vitrine das celebridades.

Somos um povo desmemoriado que esquece, mesmo, antes da posse, os nomes daqueles nos quais depositamos nossos votos na última eleição. Percorremos, por norma, as gôndolas do supermercado servindo-nos daquilo que queremos adquirir sem observar, com rigor, que o preço do mês passado já não é o mesmo.

Olhamos para os descalabros governamentais como se isso fosse coisa de outro planeta, como se os eleitos não passassem por dentro das urnas onde, sim, o eleitor poderia ser soberano se soubesse votar. Em qualquer eleição que tenha metade mais um dos votos nulos todo o processo será anulado, não haverá eleitos.

Correr atrás de que, mesmo?

Na corrida do dia-a-dia esquecemos de nós mesmos e nem sequer lembramos que somos seres divinos em trânsito pela matéria. Posso misturar política e economia com espiritualidade? O que, está surpreso com quê? Não vivemos numa taba onde tudo diz respeito a tudo e que no fim do dia sem não houver comida pra todos, todos ficarão com um pouquinho de fome. O cacique talvez possa diblar a seu favor, mas chegará o dia em que ele terá de passar fome lado a lado com os demais.

Aqueles que nos desrespeitam como políticos eleitos por nós ou como trabalhadores pagos por nós, mais ainda se já se esqueceram das suas obrigações espirituais frente aos cargos que ocupam e frente à responsabilidade que assumem, virá o dia em que serão chamados às contas.

Obviamente não os queremos como santos. Ninguém é, em regra, santo. Mas, não precisava ir tão longe na direção oposta, não é mesmo? 

João, no seu Evangelho, informou, em outras palavras que, de todos os Espíritos ligados à Terra, o único que “está com Deus” é Jesus, cuja missão aqui entre nós foi e ainda é transmitir aos seres terrenos a Verdade, que provém de Deus. E nessa Verdade reside a Serenidade, que nós, vinte séculos depois, podemos medir nos batimentos cardíacos, na pressão sanguínea, nos níveis de adrenalina no sangue, nas medições relativas ao sono, à digestão, à libido, à memória, com dados sempre piores e mais assustadores.

Voltemos às palavras de Xavier: Somente na condição de Espírito Puro, o Divino Pastor usufrui dessa qualificação de Médium de Deus. Os Espíritos Superiores não estão “com Deus”, no sentido que João quis dar a essa expressão, pois eles não alcançaram ainda esse nível, sendo a eles aplicável a frase de Chico Xavier: “A serenidade é estar em paz com seus pontos de vista”. Esses Espíritos e isso também vale para os encarnados usufruem a serenidade quando seus “pontos de vista” se aproximam da Verdade, o que lhes proporciona esse estado interior de paz. Fazem certo, têm atitudes certas, pensam certo, têm intenções claras.

Entenda-se que eles têm “pontos de vista”, mas não acesso direto à Verdade. Quem ainda engatinha na estrada evolutiva, já tendo despertado para a conquista do autoconhecimento, a procura do aperfeiçoamento espiritual, sofre as consequências da “dúvida”, que é o resultado da atração, para baixo, do passado primitivista, do atavismo das vivências em que prevaleciam os paradigmas da materialidade, e, para cima, do ideal de subir em compreensão do que seja a vivência de acordo com a Verdade, ou seja, conforme as Leis de Deus.

Somente com o aperfeiçoamento através dos milênios afora é que o Espírito ingressa na fase do “despertamento para a procura da Verdade”, sendo que a maioria da humanidade terrena sequer ingressou nessa fase.

Há um certo número de Espíritos terrenos, mais evoluídos, que já se propõem a essa procura interior. Eles sofrem a inquietação, a incerteza, uma vez que ainda oscilam entre o passado e o futuro. Em um grau mais elevado estão aqueles que alcançaram a “serenidade”, mencionada por Chico Xavier.

Qual Verdade traz serenidade?

Pode-se dizer que 100% das pessoas procuram a Verdade do lado de fora, do mesmo modo que procuram a riqueza e a felicidade do lado de fora. E do lado de fora e distante, buscam o incerto, o duvidoso, o impalpável. Por desvios no modo de nos relacionar com o Espírito, a cultura ocidental arranjou uma trilogia divinal em que o Espírito Santo aparece numa forma disfarçada na Santíssima Trindade, pousando de membro da família divina entre o Pai e o Filho, sem ser a Mãe. O que seria, então, o Espírito Santo? Que definição se dá a ele? Achamos que conhecemos a Deus (Pai) e achamos que conhecemos a Jesus (Filho). Mas, nada sabemos sobre a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Os ocidentais continuam sem saber quem é a mãe distante de uma realidade sagrada, enquanto ignoram a Verdade Íntima, que é, no fundo, a maior e a única Verdade a que temos acesso e que realmente interessa conhecer.

Sem saber qual a verdade a buscar, perdemos a serenidade, não conhecemos o amor, estamos distantes de Deus. Todos os descalabros de nossa sociedade podem ser debitados a este desvio: desconhecer a Verdade e não praticar o Amor.

sábado, 22 de agosto de 2015

1808-A curiosidade nos faz aprender


 
Técnicas e Modos de Adivinhação

Introdução

Quem, em algum tempo ou lugar, já não deu uma espiadinha no horóscopo? Ou já não procurou uma mãe-de-santo para jogar búzios ou para botar as cartas ou ler a mão?

Eu sei que isso pode parecer estranho pra você, que já leu muito, já está acima das torcidas esportivas, dos partidos políticos e mesmo das religiões. Depende em que meio social você cresceu, com quem você conviveu. Mas, sempre, na virada do ano, quando a tevê procura os adivinhos e apresenta matérias prevendo os acontecimentos vindouros, parece que ninguém vira as costas achando que isso não tem nada a ver com elas. Aquela espiadinha é inevitável ainda mais em ano de eleição, copa do mundo ou coisa que o valha.

No passado, os adivinhos eram figuras obrigatórias, principalmente na assessoria de reis e rainhas. Um dos assuntos mais populares na Grécia Antiga passa pelo Oráculo de Delfos, lugar onde se via sorte. Os ciganos que percorrem países de quase todo o planeta têm nas suas mulheres uma razoável arrecadação através da leitura das mãos, trabalho que elas fazem desde tenra idade e não se cansam de ofertar às pessoas pelas ruas das cidades: “Ver la suerte, compadre?! Ver La suerte, comadre?!”

E os búzios? Eles estão presentes em todas as tendas de candomblé no Brasil.

Arte ou ciência, técnica ou modo, a adivinhação se tornou famosa, principalmente, com dois de seus ícones principais: o apocalipse bíblico, de autoria (dizem) de João Evangelista e as centúrias de Nostradamus, ambos sob a mágica suspeita de serem da autoria da mesma pessoa (também dizem): Maria Madalena.

Essa mulher aparece na história de Jesus como um dos seus apóstolos e dos mais importantes colaboradores ao lado de Pedro e de Judas Iscariotes, o primeiro por sua autoridade frente ao grupo apostolar, espécie de pescador mestre entre os pescadores e o segundo por ter sido nomeado tesoureiro do grupo, responsável por guardar os recursos com os quais compravam a comida, quando não era doada. Já, Madalena, se destaca por três situações: é tida como a esposa do Mestre Jesus, é tida como de grande inteligência e eloquência espiritual e foi a ela (e não a João) que Jesus confiou sua mãe momentos antes de ser erguido no madeiro onde foi crucificado.

A questão do apocalipse passa, justamente, pela condição de que “o apóstolo que Jesus mais amava” não é João, é Madalena. E que as previsões podem ter sido de sua autoria usando o nome “João”. E as centúrias levam a assinatura de Nostradamus, algo muito igual a Notre Dame, Nossa Senhora, título que os franceses conferem a Maria e, nesse caso, a Maria Madalena, que a história teima em sugerir que ela esteve na França depois de haver fugido da Palestina, primeiro para Alexandria, onde deu a luz a uma menina e, depois, para a França, onde viveu e deu descendentes para a dinastia merovíngia.

Entretanto, não é para falar de Madalena que estamos introduzindo um novo artigo aqui no blog e sim para enfocar as técnicas e modos de adivinhação mais populares no Ocidente.

Então vamos a elas e eles.

Quiromancia

Apesar de comumente definida como arte de adivinhação pela leitura das linhas da palma da mão, a quiromancia inclui o exame de toda a mão, desde a ponta dos dedos até o pulso e, às vezes, as unhas. Ela se afirma entre as populações graças à fama de que goza a impressão digital, dada como pessoal e única, exclusiva, o que sugere que também aquelas linhas e sinais impressos pela genética na palma das mãos, são pessoais, únicas e exclusivas.

Esta, sempre popular, forma de adivinhação tem um longo passado. Lemos que os adivinhos a serviço dos reis e rainhas do remoto passado eram quiromancistas e também lidavam com outros modos de conhecer o futuro. Há citações de guerras que foram perdidas porque o rei interpretou equivocadamente o conteúdo de uma adivinhação.

Nos textos védicos da antiga Índia, de 3.000 anos antes de Cristo, existem referências à quiromancia.

No Ocidente, onde os temas orientais têm ou tiveram pouca fama, normalmente a quiromancia vem citada por Aristóteles, pioneiramente (século III a.C.) referindo-se a ela.

Em Jó, na Bíblia, existe uma citação de que “Deus sela a mão de cada homem para que todo homem conheça sua obra” e assim, os defensores da quiromancia se aproveitam disso para troar que ela é uma ciência sagrada. Vamos ver adiante que a Rabdomancia também tem citação na Bíblia e, portanto, também reivindica respaldo sagrado.

Rabdomancia

Se você já leu o Antigo Testamento bíblico terá encontrado em Êxodo 17; 6, que Moisés feriu a rocha com um pedaço de madeira e dela fez verter água para matar a sede de seu povo. O que aí aconteceu foi o emprego da técnica de rabdomancia, viva entre nós até nossos dias no interior do Brasil quando se quer cavar um poço para obter água. Os rabdomancistas são, geralmente, pessoas idosas, que aprenderam a técnica com outras pessoas idosas.

Porém, do ponto de vista técnico, não é uma atividade mencionada nos escritos da antiguidade. As primeiras referências a ela são do século XIV, na Alemanha e Hungria, associada à pesquisa mineral.

Não tem grandes segredos segundo a pesquisa: um ramo verde de árvore específica, aveleira, sorveira brava, freixo e até de pessegueiro, seguro entre as mãos do rabdomancista que caminha pelo terreno onde se pretenda cavar; não sem demora o ramo começa a inclinar-se indicando que aqui no subsolo tem um veio d’água. Os testes são muito precisos em praticamente 100% dos casos.

Assim, rabdomancia significa adivinhar onde tem água no subsolo. E não só água, como se leu, também eram prospectados ouro, cobre, ferro. Testes realizados por algumas universidades provaram que no lugar do ramo verde pode ser empregada uma haste de metal com a mesma ou ainda maior eficácia. Nas últimas décadas foram inventados detectores de metais, o mesmo que nos revista nos aeroportos, capazes de investigar o subsolo em busca de achados naturais ou artificiais com componentes metálicos. Serviram muito durante a guerra para encontrar minas enterradas, aquelas que pisando em cima explodem e matam.

Radiestesia

Radiestesia ou Radiônica e quem sabe Rabdomancia, dada a confusão que é feita sobre a técnica do Pêndulo, aquela pedra de cristal ou aquele anel de ouro suspenso sobre um disco, copo de vinho, ou livro, seguro pelo polegar e indicador do aplicador da técnica, a balançar, a girar, a indicar maior ou menor energia a interferir no seu curso e assim definir o que se quer identificar.

Na Radiestesia parece ser necessária a participação de forças externas, espíritos ou energias outras, o que faz desta técnica algo diferente da Rabdomancia, que parece trabalhar apenas com as forças da física. Também não é coisa da antiguidade, até porque a Radiônica, que está associada a ela, veio com o advento da energia elétrica e do eletromagnetismo.

A Radiestesia foi e continua sendo empregada em cura de doenças. A sua evolução se chama Radiônica, uma invenção do médico Albert Abrams, formado em Londres com atuação na Califórnia a partir de 1910. “Toda doença nada mais é que a desarmonia da oscilação eletrônica do corpo”, afirmou ele em seu livro “Novos Conceitos de Diagnose e Tratamento”, no qual apresenta suas pesquisas com a Radiônica, por sina, aplicada no Núcleo Espírita Nosso Lar, em São José, SC. Depois aferida a oscilação eletrônica do corpo, a mesma máquina imprime um cartão magnético que é deixado em contato com a pele durante vários dias.

Astrologia

Um dos modos mais antigos de prever a sorte, a índole, o caráter, as tendências, das pessoas é através da Astrologia, segundo a regência dos astros conforme a hora, o dia de seu nascimento. Mas, não vale só para pessoas, também para países, para grupos, para empresas e até, nos esportes, para prever se, segundo os astros combinados de cada atleta, em conjunto, uma ou outra equipe tem maiores chances de vencer. É, talvez, a mais antiga técnica de adivinhação, tida como “o estudo das verdadeiras ou supostas relações entre os céus e a terra”. Baseia-se em que as energias emanadas de planetas e constelações acabam influenciando o comportamento, a sorte, a aptidão das pessoas, etc. tendo por parâmetros o momento em que esta ou aquela estrela ou constelação desponta no horizonte ao amanhecer e também segundo o Zodíaco, um mapa em que os doze (ou treze) signos assumem, cada um deles, um período de 30 (ou menos) dias no ano, tempo em que imperam suas influências energéticas sobre o planeta e sobre o que nele existe. Vem daí o horóscopo, aquela coluna de revistas ou jornais que se propõe olhar por nós como será nosso dia, nossa semana, nosso mês, nosso ano.

Numerologia

A Numerologia também se baseia na energia e tem como regra o estudo das letras que compõem o nome de batismo ou nome artístico das pessoas. A técnica atribui um número a cada letra do alfabeto, segundo um estudo em que o som da letra e a métrica numérica emitem uma energia, e a soma disso compõe uma definição para a personalidade do Mário ou da Maria, do João ou da Joana. Com base nessa métrica, muitas vezes a simples mudança de uma letra num nome próprio, como um “y” no lugar do “i”, ou dois “nn” onde só caberia um, pode mudar tudo. Jorge Ben Jor, cantor brasileiro, é um exemplo típico de alteração de seu nome para atrair melhores influências energéticas. Antes era chamado apenas de Jorge Ben. Sandra de Sá, antes apenas Sandra Sá e Suzana Vieira estão entre as que alteraram seus nomes com vistas a melhores vibrações a partir das novas combinações.

É muito mais antiga que a numerologia que se difundiu no Ocidente através de Pitágoras, um dos primeiros senão o primeiro filósofo grego, ao menos o criador do nome Philo-sofia (século V a.C.).

Através dela poderíamos saber, por exemplo, qual é a destinação histórica do Brasil, cuja soma numérica de suas letras resulta 3 e sabendo-se de toda a simbologia desse número. Mas se tomar a sua grafia em inglês (Brazil), muda tudo. Assim é o caso de nomes como Izabel ou Isabel, Honório e Onório, Giovane ou Geovanne, ou Giovani e assim por diante.

Conheço o caso de um amigo, cujo sobrenome italiano leva, originalmente, dois “cc” na composição com “h” para formar a sílaba “qui” (como se pronuncia), mas que o cartório de seu registro civil comeu um dos “c” e. mais tarde, através da numerologia, ele decidiu não corrigir porque sua sorte poderia mudar radicalmente. Mas isso teve implicações em seu reconhecimento para a cidadania italiana.

Cartas e Tarô

Uma mesa, um incenso queimando, algumas figuras místicas, uma senhora (geralmente são elas que operam) e um baralho, simples ou de tarô. De agora em diante não importa que tipo de baralho é usado, a prática é sempre a mesma. Embaralha-se, pede-se para cortar em um, dois, três montinhos e começa-se a abrir as cartas que até então estavam emborcadas. De acordo com a figura revelada, número ou naipe, é a interpretação. Uma fala, uma resposta do consulente e nova revelação. As coisas evoluem e o consulente sai dali convencido de que teve seu futuro (presente e passado) revelado.

Esta técnica é bastante próxima da dos búzios e das runas (ver).

Acredita-se que o Tarô (que mais antigo que a outra técnica com o uso dos baralhos modernos) incorpora um completo sistema simbólico, uma chave para os mistérios que contém o segredo da verdadeira natureza do homem, do Universo e de Deus. Todos os tipos de influência – cabalísticas, herméticas, gnósticas, neoplatônicas, cataristas e waldensianas (doutrina mística de Peter Waldo – século XI) têm sido vistos por trás das cartas e sugerindo-se que tiveram origem na China ou na Índia e introduzidas na Europa através dos ciganos. É tão antigo que deriva de um compêndio da sabedoria arcana do antigo Egito.

A verdade é que a técnica é tão secreta quanto sua história. Se compõe de 21 cartas, cada uma representando uma situação que pode estar associada à vida do consulente. Mas, aqui reside mais um mistério, os leitores de tarô sabem que são 22 trunfos (como são chamadas as cartas) para que tenham o mesmo número das letras do alfabeto hebraico e as Vinte e Duas Vias que são traçadas na Árvore da Vida, da Qabalah, integrando os sefiroth. Bem, aqui já estamos entrando na temática de outro futuro artigo. 

Cristalomancia

Aqui nós vamos nos deparar com a Bola de Cristal, aquela que sobre a mesa é manuseada pelo adivinho e onde ele visualiza o futuro.

É muito antiga, mas nem sempre através do cristal devido à dificuldade de obtê-lo e de seu elevado custo. Usava-se espelhos, a água e até as unhas de quem fazia a interpretação.

Como algumas das outras modalidades de se ver o futuro, parece associada à mediunidade, pois o leitor da superfície espelhada necessita que apareçam ali imagens que são interpretadas como se fossem um sonho sonhado ao vivo acordado.

Não só a Cristalomancia como todas as demais técnicas e modos de adivinhação foram severamente caçadas, perseguidas e condenadas durante a Inquisição, que foi do século XII e XVII, dependendo o território. Em 1398, em plena vigência da Inquisição, a Faculdade de Teologia de Paris declarou a cristalomancia como de origem satânica.

Runas

Grupo de pedras contendo figuras e letras, um alfabeto diferente do latino, como já afirmamos, semelhante ao Tarô, porém muito especialmente associadas aos nórdicos e também aos arianos alemães que professavam a superioridade de sua raça.

Surgiu na noite dos tempos, possivelmente 1.300 anos antes de Cristo, mas ressurgiu no norte da França, nos primeiros séculos já da era cristã e se acreditava conterem poder mágico. Uma lenda conta que o deus Odin(o deus da mitologia nórdica da guerra, da sabedoria e da morte) teria ficado dependurado nove dias e nove noites na Árvore do Mundo para conquistar o domínio sobre as runas.

Os vikings possuíam uma escrita baseada nos símbolos rúnicos.

Se compõe de 24 pedras dedicadas a igual número de deuses e uma em branco, de certa forma semelhante ao Tarô.

Búzios

Quando não há literatura sobre o jogo de búzios. É compreensível. Trata-se de uma atividade nascida e levada a frente pelos negros escravos e hoje confinada aos terreiros ou tendas de candomblé.

Trata-se de um recipiente tipo peneirinha que forma uma pequena arena ou prancheta aonde o babalorixá joga um punhado de conchas de búzios e, conforme a posição em que caem, mediunicamente, pronuncia seu veredicto.  Eis que se trata de um trabalho que se vale dos orixás e da interpretação do babalorixá, também chamado de pai ou mãe de santo, espécie de sacerdote daquela corrente de fé.

Através dos búzios se prevê a sorte das pessoas, de grupos, entidades e, mesmo, de países.

Sonhos

Os sonhos estão presentes na vida de todos. Podem não lembrar, tomaram algum remédio para dormir, mas a verdade é que sonham com certeza. Trata-se de um mistério mal estudado e geralmente associado com coisas predeterminadas e não pode ser assim. Cada um sonha o seu sonho e não pode ser buscado em nenhuma lista de significados, porque o sonho do João é o sonho do João, ligado à sua individualidade, seu espírito, sua vida, sua história. O João sonhou uma bobagem que não se encaixa em nenhuma realidade sua? Bem quem sabe o João anda fazendo bobagens e sua alma está desesperada mandando este recado, mas o João prefere “ver” fora.

Cada sonho se utiliza de uma paisagem onde o autor possa fazer a leitura e descobrir que recado foi dado. Assim, o sonho tem valor como adivinhação.

Sacerdócio e Iniciação

É muito interessante notar que, segundo observações além da pesquisa propriamente dita, que os aplicadores das técnicas, operadores dos modos de adivinhação são, sempre, uma espécie de sacerdotes, pessoas com conhecimento místico, respeitáveis, veneráveis até, se pode dizer, com equilíbrio moral, alimentação comedida, ascéticas em geral.

Não começaram na atividade por acaso. Foram chamadas de um ou de outro modo. Tiveram de passar por uma iniciação e não podem revelar os segredos do que conhecem a qualquer pessoa.

Mas, como em todas as áreas de atuação do ser humano, ali também são encontrados aqueles que só querem dinheiro, aproveitando-se da ingenuidade e curiosidade alheia para, sob engodos e falsidades, embolsar dinheiro.

Para arrematar

Veja como são as coisas: nos tempos atuais em que os nascimentos podem ser programados (astrologia) e obtidos através de cesariana e que os nomes (numerologia) podem ser escolhidos com muita antecedência, sabendo-se que a criança será do sexo masculino ou feminino, se serão gêmeos ou não, etc. etc., um pai, uma mãe, podem, mesmo, definir o que querem para seus herdeiros a partir destas técnicas e modos de adivinhação.

Podemos estar lidando com novas e diferentes interpretações e conceitos, por exemplo, sobre tendências comportamentais, vocacionais e a personalidade de um ser humano desde que se leve a sério estas questões de data, hora, nome, etc. Estaríamos posicionados de modo diferente daqueles que nasceram por exclusiva iniciativa da natureza.

Mas, há um outro enfoque que deixaria para trás as influências místicas ou energéticas e propõe compreender o comportamento, a vocação e a personalidade das pessoas a partir da egrégora mental, formação de um padrão energético abraçando, oferecendo entorno a cada ser nascido a partir do que acreditam que seja as pessoas que se encarregam de formá-lo, educá-lo, conscientizá-lo. E assim passaria a ser não porque queiram ou induzam os astros, mas porque a palavra, o verbo criador assim determinou.

Todos os estudos referentes aos padrões mentais apontam para a seguinte realidade: “SOMOS O QUE PENSAMOS”. O nascido em Leão, tendo em seu nome definições não zodiacais completamente opostas ao que tenderia ser um leonino zodiacal, vai reger-se pelo zodíaco ou pela numerologia? Vai ser uma média entre os dois? Qual é a interpretação? Não há definição sobre isso.

Sinceramente, pode haver aí o que há com as religiões: este é o Deus Verdadeiro, alie-se a nós e nós te salvaremos. No fundo, ninguém está sendo salvo. Aliás, alguém está tirando vantagem disso, mas sem saber que o preço dessa vigarice é muitíssimo alto.

Quem venha se dedicando aos estudos da índole humana, como me ofereço para fazer e faço há muitos anos e sempre a partir da ótica espiritual das reencarnações, pode afirmar, como afirmo: uma índole moldada em séculos de experiências em vidas e vidas sequenciais através dos milênios de nossa história planetária, dificilmente será escorpiniana ou ariana nesta encarnação e diferente da geminiana ou aquariana da encarnação anterior e novamente diferente da libriana da outra mais antiga, mas, certamente, será a extensão de uma índole que é sua e que vem sendo burilada há séculos de experiências no corpo, melhor dizendo, nos corpos que ocupou e nas vidas que viveu. As pequenas nuances correrão por conta do tempo, da cultura, dos aprendizados, das contingências, das conjunturas de cada fase.

Se formos buscar questões relacionadas com a missão pessoal, iremos descobrir que os militares do passado tendem a reencarnar em ambiente militar no futuro, em cujo nível de procedimentos ou especialidades podem “acertar” seus “desacertos”, corrigirem rotas equivocadas operando em conhecidas oficinas da vida. Dá-se o mesmo com os educadores, médicos, gestores públicos, donas-de-casa, etc., etc.

Nesse aspecto pesa muito aquilo que falam as crianças. Quantas delas ainda lá na primeira infância, quando quase nada sabem desta ou daquela profissão, surpreendem seus pais ao dizerem: “Eu quero ser (isto ou aquilo) quando crescer”. Estamos diante do que acabamos de dizer: reencarnaram para retomar uma área em que suas experiências precisam ter prosseguimento e aprimoramento.

Quero crer que dentre todos os modos e técnicas de adivinhação a que mais próxima chega de cada um de nós, individualmente, são os sonhos. Sonhamos com aquilo que nossa alma em viagem durante o sono vai relacionar-se no outro plano e, por não estar livre do corpo (presa pelo cordão de prata) sempre viajará em companhia de um tutor angelical e, nisso, terá oportunidades e mais oportunidades de recolher indicativos de conduta para a mente que adormeceu e logo despertará. Reside aí, sem nenhuma dúvida, mais que uma necessidade de adivinhação, uma necessidade de acertar a rota de uma existência.

Ao apresentar aos seus leitores o livro “O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos”, Wilda B. Tanner escreve que “se quisermos entrar na terra prometida com a orientação do Conhecedor, precisamos nos esforçar. Essa é a técnica, até que o trabalho seja realizado e o fruto colhido. É preciso despender tempo, esforço e realizar uma experiência pessoal para descobrir o que está logo ali, além do nosso campo de visão”. Isto é, traduzindo um pouco Wilda, não é botando as cartas, jogando búzios, examinando horóscopos ou combinando letras e números – coisas que se aplicam coletivamente – que cada indivíduo irá desvendar o que está bem ali, bem próximo de si, gravado em sua alma, minha alma e, exclusivamente, inscrito como sua e minha história pessoal, suas e minhas conquistas pessoais, suas e minhas dívidas para conosco mesmos nesta sua e minha Mística, Mágica e Maravilhosa Caminhada pelas vidas.     

Até semana que vem.

sábado, 15 de agosto de 2015

1807-Nossas ignorâncias


Precisamos saber mais sobre Deus

Introdução

Desculpe a forma direta, explícita e um tanto abusada da abordagem, mas não há outro modo de definir o que queremos abordar na introdução desta postagem se não for assim: vamos ao seu primeiro orgasmo, claro, se for o caso e tiver idade para isso. Havia uma sensação futura de prazer, um trepidar ansioso, prometendo crescer e, de fato, crescendo, para desembocar numa explosão, num gozo nunca antes experimentado, que você não conhecia, não sentia, mas experenciou(?) e agora sabe(?) como é.

Isso tem nome: Êxtase. Literalmente, êxtase, quer dizer arrebatar-se, desprender-se subitamente, sair de si, elevar-se, o que corresponde ao sentimento de um grande prazer, expressão tanto utilizada para descrever o orgasmo como o transe, resultado da meditação, sendo que algumas religiões, a exemplo do yoga tântrico, em que há relação do orgasmo com o êxtase religioso, ali contido, e a ser aprendido. Êxtase: do grego ékstasis, pelo latim tardio ecstase, exstase. No mundo que se droga na contramão da espiritualidade, trata-se de um comprimidinho safado e caro.

Você entende agora porque o redator foi buscar a metáfora do orgasmo para chegar no limiar do sentimento proporcionado por êxtase? Êxtase de verdade. Êxtase espiritual.  

Destaco o seguinte: mesmo aquela pessoa que nunca havia ouvido falar de orgasmo, com esse nome, sente-o, experimenta-o, vivencia-o. Nosso corpo foi projetado para passar por esta experiência e nossa alma também pode chegar lá.

Deus é isso. Você não tem necessidade de saber seu nome para senti-lo. Foi assim com os nossos ancestrais das cavernas. Não tinham, propriamente, um nome para Ele, porém tinham certeza de sua existência. Tratava-se do que costumamos chamar de SAGRADO.

Experenciavam o sagrado com quase permanente hábito. Dedicavam especial devoção, respeito, obediência àquilo que, para eles, tinha o comando da vida, dos nascimentos, das mortes, dos raios, da existência dos rios, da troca de estações, da dádiva das colheitas... Colhiam, mesmo, sem plantar. E colhiam novamente quando plantavam.

Percepção Extra Sensorial (ESP)

A exemplo de todo o Antigo Testamento Cristão, trazido da Torá Judaica, que é quase que inteiramente uma obra mediúnica, nossos ancestrais das cavernas mediunizavam por demais. Os primórdios da prática cristã também incluíam a mediunidade, a profecia, como era conhecido o ato de canalizar frequências com informações de uma inteligência externa. Hoje a Psicologia e a Parapsicologia estudam isso com a abreviatura inglesa de ESP – Extra Sensorial Percepção.

Foi um ato materialista dos romanos reservar incialmente para o papa e para os cardeais o direito, a virtude, a prática de interpretar as vozes de Deus (diga-se, dos Espíritos a serviço de Deus, uma vez que dificilmente o Deus Principal iria se dar ao trabalho de vir conversar com os humanos). Mais tarde ninguém mais pôde interpretar voz nenhuma. Observe e lembre, leitor, leitora, que desde o século II d.C. até o surgimento do Espiritismo, no século XIX, são muito raras, quase inexistentes as publicações contendo a interpretação das vozes do além no que diz respeito a profecias. Mas, os contatos existiram, se não entre os católicos, apavorados com a hipótese de serem queimados vivos, ao menos entre os indígenas e negros (e raramente os europeus) a prática era contínua.

Elevado Estado de Consciência

E agora, ainda sob o que se conhece dos primitivos habitantes vamos prosseguir referindo-se ao "transe" religioso, que pode ser também descrito como "consciência cósmica" (ampliada), "comunhão com a natureza"; "iluminação" e ainda vocábulos de religiões específicas como nirvana que, no budismo, significa paz, estado de ausência total de sofrimento e também samadhi, do Hata Yoga, que pode ser descrito e estudado como Elevado Estado de Consciência.

Quero crer que estejamos identificados quanto ao significado de “con-sciência”, expressão que vem do latim con sciere, isto é, conhecer junto.  Literalmente aproximar-se da ciência, neste caso, de Deus.

Por se derivar de palavras gregas e latinas, tanto consciência quanto êxtase, poderiam ter-se como padrão o transe profético e visões talvez causadas por agentes externos, mas nunca sem a participação da pessoa. Conhecemos as inalações do vapor (etileno? ou dióxido de carbono de origem vulcânica?) respirado por Pítia, a Sacerdotisa de Apolo, do Oráculo de Delfos ou e as experiências de possessão do culto de Dioniso e por extensão das religiões pagãs, utilizando a classificação católica que se distingue das não cristãs com seus transes associados ao jejum, às orações, a abstinência sexual e/ou a autoflagelação e os exorcismos.

Fica decidido que o patamar para ser alcançado o êxtase demanda iniciação e esta, geralmente, impõe sofrimento, estados de fadiga, sono, fome, abandono, doença. Ou pela via do seu aborto, exige narcóticos que atuem sobre a mente presente obrigando-a a ceder espaços de vigília para que as “viagens desconhecidas” possam acontecer. No caso dos narcóticos, muitos deles causam dependência e as “viagens desconhecidas” dada a baixa vibração dos estados experimentais vão buscar as piores companhias espirituais para o diálogo. É quando o dependente se declara perseguido, passa a fugir e não raro se suicida.

Um livro clássico e esclarecedor sobre o tema foi escrito por William James, (1842–1910) Variedades da experiência religiosa (1914). Uma reflexão sobre a ampla possibilidade de definições do êxtase ou transe na realidade traduz a diversidade de religiões e crenças humanas.

A multiplicação do uso de drogas e o próspero comércio representado pelo tráfico, tem como causa a busca do êxtase, ou se você nos permitir, a busca de Deus, que as religiões nos negam e o subterfúgio é buscá-lo na clandestinidade. Posso chamar isso de contramão.

Pra que o nome se Ele está em mim?

Vou retomar o tema por outro viés: se eu não soubesse o nome dado pela ciência ao meu coração, eu o sentiria batendo em meu peito da mesma forma? A minha resposta é sim. E a sua?

Assim, parece ficar claro que para sentir Deus eu não preciso saber seu nome. E nem há necessidade de pronunciá-lo. E qual seria o nome de Deus? A palavra Deus é genérica, tanto que usada em plural serve para designar quaisquer outros deuses. O monoteísmo nos faz pensar num único Deus. E será mesmo que existe um só Deus? Nessa cultura judaico-cristã-islâmica, o Deus é masculino e solteiro, enquanto na maioria das demais culturas religiosas, o deus principal é acompanhado, no mínimo, por sua correspondente feminina. Mesmo no cristianismo católico no qual se diz Sagrada Família, a figura da fêmea é ocupada pelo Espírito Santo, como se vê, um nome masculino.

Por que Deus tem mais de 2 mil nomes? Só no Antigo Testamento, que é, na verdade, a Torá judaica, existem 72 nomes para Deus.

Podemos deduzir que os homens ao redor do mundo têm uma ânsia por conhecer Deus a partir do nome e não a partir de seus sinais. Retorno ao orgasmo e às batidas do coração para prosseguir insistindo que se sei que eles estão em mim, o importa o nome? Se Ele existe, se dá sinais em mim, não me importa seu nome, endereço, profissão. Concordo que o grande vazio na vida humana se abriu quando fomos desviados das experiências de êxtase. Aí, uma parte dos homens passou a negar Deus, em princípio porque Ele não manda sinais. Negação que tem como causa o desconhecimento, a ignorância. Outra parte foi experimentar o êxtase por via química. E outros, outros e mais outros ficam a meio do caminho, curiosos, insatisfeitos, incompletos, divididos, atrofiados. Nem lá, nem cá. Mas, infelizes.

Logo, quem não sente Deus dentro de si, de nada lhe adianta saber seu nome. Quem nunca tenha sentido o sabor da banana, de nada adianta saber-lhe o nome.

Quem inventou Deus?

A palavra "deus" vem duma língua muito antiga de origem indiana, o sânscrito. Nesta língua, Deus diz-se “dei-wo”, que significa "céu luminoso", muito mais, então, para designar o lugar onde habita a divindade.

Desde sempre que os homens pensaram que existiam forças misteriosas em ação no universo. Manifestavam-se sobretudo através dos fenómenos naturais (tempestades, tremores de terra, inundações).

Para se familiarizar com essas forças, procuraram entendê-las. De uma coisa tinham a certeza: deviam pertencer a um outro mundo de poder.

Como não conseguiam dominar essas forças, procuraram saber quem era o autor. E foi assim que apareceu o nome de Deus, aquele poderoso Autor da Vida.

Mas os homens não inventaram Deus, como se diria de um sábio que inventou um objeto. Na maior parte das religiões, Deus existe antes de todas as coisas, é o Criador do Universo.

Deus é eterno: sempre existiu e existirá. Se não for assim, desde que a Terra existe teria havido uma sucessão de comandantes.

Para adorar e respeitar a Deus, os homens estabeleceram regras, a que dão o nome de leis ou de mandamentos.

Aqueles que o estudam em profundidade já chegaram às Leis Naturais, que também chamam de Leis Divinas. Elas presidem a vida.

Assim nasceram as religiões. E se existem várias religiões é porque os diferentes povos não compreenderam Deus da mesma maneira. Em alguns casos criaram-se balcões para vender deus a quem queira pagar por ele.


por Zulmiro Sarmento.

As três grandes religiões monoteístas são o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. São monoteístas porque adoram um único Deus. As religiões que adoram vários deuses chamam-se politeístas.

Javé é o nome dado pelos judeus.

Deus é o nome dado pelos cristãos.

Alá é o nome dado pelos muçulmanos.

O que é que cada uma destas religiões diz acerca do seu Deus? Veja que Javé e Alá são os nomes dos respectivos deuses judeu e muçulmano. O único Deus que não tem nome próprio é o Deus dos cristãos. Melhor dizendo, Jesus é tido como Deus e, portanto, nesse caso, tem nome próprio. 

Vou procurar dar uma breve resposta à pergunta (Qual é o nome de Deus?) em pequenos trabalhos sucessivos, que prezam pela extrema simplicidade. É importante, por diversos motivos, conhecer tudo isto, mas sobretudo num tempo em que se fala do diálogo inter-religioso, sobretudo com as religiões que adoram um só Deus. Todos os dias nas agências noticiosas religiosas se fala deste diálogo necessário, importante, desejado, condição para a paz. Mas também alguém afirmou que enquanto houver religiões não haverá paz...

Em Atos 4.12, encontramos tudo o que foi falado e recebemos todas as bênçãos citadas. Através de Cristo temos o acesso direto a Deus.

O nome de Jesus é o nome supremo sobre tudo, através dEle a obra é completa em nossa vida!

A palavra latina Deus, em inglês God, bem como suas traduções em outras línguas, a exemplo Θεός em grego, Бог em eslavo, Ishvara em sânscrito, ou Alá em árabe, são normalmente usadas para toda e qualquer concepção. O mesmo acontece no hebraico El, mas no judaísmo, Deus também é utilizado como nome próprio, o Tetragrama YHVH, que acredita-se referir-se à origem henoteística da religião. Na Bíblia, quando a palavra "Senhor" está em todas as capitais, isto significa que a palavra representa o tetragrama específico.

Deus também pode ser reverenciado por nomes próprios que enfatizem a natureza pessoal desse em correntes monoteísticas do hinduísmo, alguns remontando a referências primitivas como Krishna-Vasudeva na Bhagavata, posteriormente Vixnu e Hari ou mesmo mais recentemente, caso do termo Shakti.

É difícil desenhar uma linha entre os nomes próprios e epitetas de Deus, como os nomes e títulos de Jesus no Novo Testamento; os nomes de Deus no Qur'an, Alcorão ou Corão; e as várias listas com milhares de nomes de Deus, a citar-se a lista de títulos e nomes de Krishna, no Vixnuísmo.

Nas religiões monoteístas atuais, a citarem-se o Cristianismo, Judaísmo, Zoroastrismo, Islamismo, Sikhismo e a Fé Bahá'í, o termo "Deus" refere-se à ideia de um ser supremo, infinito, perfeito, criador do universo, que seria a causa primária e o fim de todas as coisas. Os povos da mesopotâmia o chamavam pelo Nome, escrito em hebraico como יהוה (o Tetragrama YHVH), que quer dizer "Yahweh", que muitos pronunciam em português como "Jeová". Mas com o tempo deixaram de pronunciar o seu nome diretamente, apenas se referindo por meio de associações e abreviações, ou através de adjetivos como "O Senhor", "O Salvador", "O Todo-Poderoso", "O Deus Altíssimo", "O Criador" ou "O Supremo", "O Deus de Israel", ou títulos similares.

Um bom exemplo desse tipo de associação entre Deus e suas características ou ações, bem como da expressão do relacionamento dos homens com Deus, ainda faz-se explícito em alguns nomes e expressões hebraicas, como Rafael, "curado - (Raf) - por Deus - (El)"; e árabes, por exemplo em "Abdallah", "servo - (abd) - de Deus - (Allah)".

Muitas traduções das Bíblias cristãs grafam a palavra, opcionalmente, com a inicial em maiúscula, ou em versalete (DEUS), substituindo a transcrição referente ao tetragrama, YHVH, conjuntamente com o uso de SENHOR em versalete, para referenciar que se tratava do impronunciável nome de Deus, que na cultura judaica era substituído pela pronúncia Adonay.

As principais características deste Deus-Supremo seriam:

a Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;

a Onipresença: poder de estar presente em todo lugar;

a Onisciência: poder de saber tudo;

a Onibenevolência: poder da bondade infinita.

Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros Sagrados, quais sejam:

o Bagavadguitá, dos hinduístas;

os escritos Órficos helenistas;

o Tipitaka, dos budistas;

o Tanakh ou Torá, dos judeus;

o Avesta, dos zoroastrianos;

a Bíblia, dos cristãos;

o Livro de Mórmon, dos santos dos últimos dias;

o Alcorão, dos islâmicos;

o Guru Granth Sahib dos sikhs;

o Kitáb-i-Aqdas, dos bahá'ís.

Os intérpretes de Deus

Esses livros sagrados, citados anteriormente, relatam histórias e fatos envolvendo personagens escolhidos para testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra ao povo de seu tempo, tais como (inclusive dogmas que nem se conhece o autor):

Abraão e Moisés, na fé judaica, assumida pelos cristãos e islâmicos;

Orfeu e os cultos a Elêusis e Dionísio entre helênicos;

Zoroastro, na fé zoroastriana;

Krishna, na fé hindu;

Buda, na fé budista;

Jesus Cristo, na fé cristã e islâmica;

Maomé, na fé islâmica;

Guru Nanak, no sikhismo,

Báb e Bahá'u'lláh, na fé Bahá'í.

Poder-se ia chamá-los de intérpretes de Deus? Sim, com toda propriedade. A maioria deles se declara desprender-se do corpo, estar entre os deuses e retornar de lá com o conhecimento que escreveram. Uma exceção passa a ser Jesus, que dizia saber de per si o que ensinava, como se ali estivesse um elevado espírito das hierarquias celestes em trânsito pela dimensão humana.

Para os católicos, Ele é Deus. Para as demais correntes de fé, um profeta ou messias. Para os espíritas, um Espírito Evoluído que ocupou o corpo de um judeu palestino, ensinou, curou, deu exemplos, foi condenado, abatido, reapareceu espiritualmente aos seus colaboradores e depois retornou ao seu lugar de honra no seio da espiritualidade.

Enfim, um nome para Deus? 

Nossas pesquisas apontam a existência de mais de 2 mil nomes para Deus, tudo numa clara demonstração de que os homens não sabem quem Ele É, nem mesmo o Que Ele É. Somos aprendizes de tão precária qualidade que nem sabemos o nome de nosso professor. Ou será que deveríamos chama-lo de Pai? Melhor dizendo, segundo a cachola de cada aluno ou classe, é o apelido que Lhe Damos conforme a situação: quando é para destacar sua autoridade, o chamamos de Poderoso; quando é para puxar-lhe o saco, o chamamos de Benigno; se for para destacar sua sabedoria, o chamamos de Inteligência Superior; quando queremos que ele nos resgate em algum lodaçal ameaçador, o chamamos de Salvador. Quando o queremos destacar no planejamento da grande obra universal, o chamamos de Arquiteto. Sem contar que algumas correntes de fé, Ele é chamado de Brahma (mesmo nome de uma marca de cerveja) e de Alá, sempre distante, sempre separado, por vezes o chamamos de Rei e o confundimos com os monarcas nossos conhecidos. E por aí vai.

Tudo que se sabe é que Deus é um termo inventado pelos homens, quem sabe cópia do termo Zeus (que também era nome do deus mitológico).

E o pior é que ainda não chegamos a descobrir nem mesmo o que se poderia entender como sendo o Autor da Vida enquanto continuamos a não saber que nome dar a Ele.

Para fechar o raciocínio que preside estes textos, parece óbvio e até já foi dito isto: não importa se Ele se chama João, José, Manoel ou Pedro, o desafio lançado a todos nós é DESCOBRIR O NOSSO PAPEL NO UNIVERSO.

Hoje, somos adversários de Deus, destruidores de sua obra. Seria só isso? Vir aqui, semear, colher, destruir, sujar, poluir, enriquecer, brigar, surrar, apanhar, gozar, sofrer, encerrar as contas, ir para o cemitério é FIM.

O que você pensa? Lembre-se, somos aquilo que pensamos.

Ou sabedoria sobre Deus?

Para saber sobre Deus precisamos saber sobre nós. A primeira resposta: tudo acaba na tumba? A segunda: existimos antes da concepção uterina?

A primeira, sem resposta clara, tem sido o caos humano em termos de violência e crueldade ao autorizar o excelentíssimo exemplar natural chamado homem a proceder como bem entender sem contas a ajustar com, sem dívidas a saldar quando esta vida se acabe. E vai além, não sabe explicar para onde vão os conhecimentos adquiridos durante todos os anos em que esta mente palmilhou experiências enquanto durou a existência. Se sucumbe junto com o cérebro, se perde, acaba, é uma tremenda sacanagem que nos autorizaria a fechar todas as academias de ensino, todas as igrejas, todas as editoras, varrer da terra todos os professores, todas as mães e pais educadores de seus filhos e a queimar todas as bibliotecas. Nem mesmo a internet teria servia alguma.

Ainda sobre a primeira, se esta mente fica estacionada a espera da ressurreição no dia do juízo final, como aceitam alguns fiéis irracionais de tantas outras correntes de ensino religioso, a pergunta é óbvia: armazenada onde se o cérebro se decompõe?

Ah, não, pára um pouco, tem alguém aqui querendo defender a existência de uma coisa chamada mente, puramente energética, sem decomposição porque não é biológica. Essa coisa tem o nome de alma, ânima, princípio divino, inteligente, e esta sim, à semelhança de Deus, como querem os defensores dos escritos sagrados. Vai para onde com a morte biológica do corpo? Pode sugerir. Ela a alma, ele o espírito, que são a mesma entidade, parece aceitar qualquer destino, menos a cova onde apodrece o corpo.  

A segunda nos remete a um questionamento ainda muito vivo entre as várias correntes de fé; a posição deste blog é saltar por sobre crenças infundidas por escritos humanos anunciados como sagrados porque informam o que Deus disse, conforme dizem. Deus não fala, faz. E esta mente humana que é capaz de tocar uma sinfonia, ao piano, aos 6 anos de idade; ou pintar um quadro com uma paisagem em vários níveis de profundidade por um nascido cego, que nunca viu a luz; ou falar três idiomas que não são conhecidos por seus familiares aos 5 anos de idade (teria muitos outros exemplos); repito, esta mente existia antes da concepção uterina ou o que?

Meio sem argumentos, qualquer interlocutor iria dizer, gaguejando, “é, parece que existia antes da concepção”. 

Então, se nada sabemos sobre nós, como é que queremos saber sobre Deus.

Me dá licença, vou voltar para a escola e parar de falar bobagens.

Até semana que vem.