sábado, 22 de agosto de 2015

1808-A curiosidade nos faz aprender


 
Técnicas e Modos de Adivinhação

Introdução

Quem, em algum tempo ou lugar, já não deu uma espiadinha no horóscopo? Ou já não procurou uma mãe-de-santo para jogar búzios ou para botar as cartas ou ler a mão?

Eu sei que isso pode parecer estranho pra você, que já leu muito, já está acima das torcidas esportivas, dos partidos políticos e mesmo das religiões. Depende em que meio social você cresceu, com quem você conviveu. Mas, sempre, na virada do ano, quando a tevê procura os adivinhos e apresenta matérias prevendo os acontecimentos vindouros, parece que ninguém vira as costas achando que isso não tem nada a ver com elas. Aquela espiadinha é inevitável ainda mais em ano de eleição, copa do mundo ou coisa que o valha.

No passado, os adivinhos eram figuras obrigatórias, principalmente na assessoria de reis e rainhas. Um dos assuntos mais populares na Grécia Antiga passa pelo Oráculo de Delfos, lugar onde se via sorte. Os ciganos que percorrem países de quase todo o planeta têm nas suas mulheres uma razoável arrecadação através da leitura das mãos, trabalho que elas fazem desde tenra idade e não se cansam de ofertar às pessoas pelas ruas das cidades: “Ver la suerte, compadre?! Ver La suerte, comadre?!”

E os búzios? Eles estão presentes em todas as tendas de candomblé no Brasil.

Arte ou ciência, técnica ou modo, a adivinhação se tornou famosa, principalmente, com dois de seus ícones principais: o apocalipse bíblico, de autoria (dizem) de João Evangelista e as centúrias de Nostradamus, ambos sob a mágica suspeita de serem da autoria da mesma pessoa (também dizem): Maria Madalena.

Essa mulher aparece na história de Jesus como um dos seus apóstolos e dos mais importantes colaboradores ao lado de Pedro e de Judas Iscariotes, o primeiro por sua autoridade frente ao grupo apostolar, espécie de pescador mestre entre os pescadores e o segundo por ter sido nomeado tesoureiro do grupo, responsável por guardar os recursos com os quais compravam a comida, quando não era doada. Já, Madalena, se destaca por três situações: é tida como a esposa do Mestre Jesus, é tida como de grande inteligência e eloquência espiritual e foi a ela (e não a João) que Jesus confiou sua mãe momentos antes de ser erguido no madeiro onde foi crucificado.

A questão do apocalipse passa, justamente, pela condição de que “o apóstolo que Jesus mais amava” não é João, é Madalena. E que as previsões podem ter sido de sua autoria usando o nome “João”. E as centúrias levam a assinatura de Nostradamus, algo muito igual a Notre Dame, Nossa Senhora, título que os franceses conferem a Maria e, nesse caso, a Maria Madalena, que a história teima em sugerir que ela esteve na França depois de haver fugido da Palestina, primeiro para Alexandria, onde deu a luz a uma menina e, depois, para a França, onde viveu e deu descendentes para a dinastia merovíngia.

Entretanto, não é para falar de Madalena que estamos introduzindo um novo artigo aqui no blog e sim para enfocar as técnicas e modos de adivinhação mais populares no Ocidente.

Então vamos a elas e eles.

Quiromancia

Apesar de comumente definida como arte de adivinhação pela leitura das linhas da palma da mão, a quiromancia inclui o exame de toda a mão, desde a ponta dos dedos até o pulso e, às vezes, as unhas. Ela se afirma entre as populações graças à fama de que goza a impressão digital, dada como pessoal e única, exclusiva, o que sugere que também aquelas linhas e sinais impressos pela genética na palma das mãos, são pessoais, únicas e exclusivas.

Esta, sempre popular, forma de adivinhação tem um longo passado. Lemos que os adivinhos a serviço dos reis e rainhas do remoto passado eram quiromancistas e também lidavam com outros modos de conhecer o futuro. Há citações de guerras que foram perdidas porque o rei interpretou equivocadamente o conteúdo de uma adivinhação.

Nos textos védicos da antiga Índia, de 3.000 anos antes de Cristo, existem referências à quiromancia.

No Ocidente, onde os temas orientais têm ou tiveram pouca fama, normalmente a quiromancia vem citada por Aristóteles, pioneiramente (século III a.C.) referindo-se a ela.

Em Jó, na Bíblia, existe uma citação de que “Deus sela a mão de cada homem para que todo homem conheça sua obra” e assim, os defensores da quiromancia se aproveitam disso para troar que ela é uma ciência sagrada. Vamos ver adiante que a Rabdomancia também tem citação na Bíblia e, portanto, também reivindica respaldo sagrado.

Rabdomancia

Se você já leu o Antigo Testamento bíblico terá encontrado em Êxodo 17; 6, que Moisés feriu a rocha com um pedaço de madeira e dela fez verter água para matar a sede de seu povo. O que aí aconteceu foi o emprego da técnica de rabdomancia, viva entre nós até nossos dias no interior do Brasil quando se quer cavar um poço para obter água. Os rabdomancistas são, geralmente, pessoas idosas, que aprenderam a técnica com outras pessoas idosas.

Porém, do ponto de vista técnico, não é uma atividade mencionada nos escritos da antiguidade. As primeiras referências a ela são do século XIV, na Alemanha e Hungria, associada à pesquisa mineral.

Não tem grandes segredos segundo a pesquisa: um ramo verde de árvore específica, aveleira, sorveira brava, freixo e até de pessegueiro, seguro entre as mãos do rabdomancista que caminha pelo terreno onde se pretenda cavar; não sem demora o ramo começa a inclinar-se indicando que aqui no subsolo tem um veio d’água. Os testes são muito precisos em praticamente 100% dos casos.

Assim, rabdomancia significa adivinhar onde tem água no subsolo. E não só água, como se leu, também eram prospectados ouro, cobre, ferro. Testes realizados por algumas universidades provaram que no lugar do ramo verde pode ser empregada uma haste de metal com a mesma ou ainda maior eficácia. Nas últimas décadas foram inventados detectores de metais, o mesmo que nos revista nos aeroportos, capazes de investigar o subsolo em busca de achados naturais ou artificiais com componentes metálicos. Serviram muito durante a guerra para encontrar minas enterradas, aquelas que pisando em cima explodem e matam.

Radiestesia

Radiestesia ou Radiônica e quem sabe Rabdomancia, dada a confusão que é feita sobre a técnica do Pêndulo, aquela pedra de cristal ou aquele anel de ouro suspenso sobre um disco, copo de vinho, ou livro, seguro pelo polegar e indicador do aplicador da técnica, a balançar, a girar, a indicar maior ou menor energia a interferir no seu curso e assim definir o que se quer identificar.

Na Radiestesia parece ser necessária a participação de forças externas, espíritos ou energias outras, o que faz desta técnica algo diferente da Rabdomancia, que parece trabalhar apenas com as forças da física. Também não é coisa da antiguidade, até porque a Radiônica, que está associada a ela, veio com o advento da energia elétrica e do eletromagnetismo.

A Radiestesia foi e continua sendo empregada em cura de doenças. A sua evolução se chama Radiônica, uma invenção do médico Albert Abrams, formado em Londres com atuação na Califórnia a partir de 1910. “Toda doença nada mais é que a desarmonia da oscilação eletrônica do corpo”, afirmou ele em seu livro “Novos Conceitos de Diagnose e Tratamento”, no qual apresenta suas pesquisas com a Radiônica, por sina, aplicada no Núcleo Espírita Nosso Lar, em São José, SC. Depois aferida a oscilação eletrônica do corpo, a mesma máquina imprime um cartão magnético que é deixado em contato com a pele durante vários dias.

Astrologia

Um dos modos mais antigos de prever a sorte, a índole, o caráter, as tendências, das pessoas é através da Astrologia, segundo a regência dos astros conforme a hora, o dia de seu nascimento. Mas, não vale só para pessoas, também para países, para grupos, para empresas e até, nos esportes, para prever se, segundo os astros combinados de cada atleta, em conjunto, uma ou outra equipe tem maiores chances de vencer. É, talvez, a mais antiga técnica de adivinhação, tida como “o estudo das verdadeiras ou supostas relações entre os céus e a terra”. Baseia-se em que as energias emanadas de planetas e constelações acabam influenciando o comportamento, a sorte, a aptidão das pessoas, etc. tendo por parâmetros o momento em que esta ou aquela estrela ou constelação desponta no horizonte ao amanhecer e também segundo o Zodíaco, um mapa em que os doze (ou treze) signos assumem, cada um deles, um período de 30 (ou menos) dias no ano, tempo em que imperam suas influências energéticas sobre o planeta e sobre o que nele existe. Vem daí o horóscopo, aquela coluna de revistas ou jornais que se propõe olhar por nós como será nosso dia, nossa semana, nosso mês, nosso ano.

Numerologia

A Numerologia também se baseia na energia e tem como regra o estudo das letras que compõem o nome de batismo ou nome artístico das pessoas. A técnica atribui um número a cada letra do alfabeto, segundo um estudo em que o som da letra e a métrica numérica emitem uma energia, e a soma disso compõe uma definição para a personalidade do Mário ou da Maria, do João ou da Joana. Com base nessa métrica, muitas vezes a simples mudança de uma letra num nome próprio, como um “y” no lugar do “i”, ou dois “nn” onde só caberia um, pode mudar tudo. Jorge Ben Jor, cantor brasileiro, é um exemplo típico de alteração de seu nome para atrair melhores influências energéticas. Antes era chamado apenas de Jorge Ben. Sandra de Sá, antes apenas Sandra Sá e Suzana Vieira estão entre as que alteraram seus nomes com vistas a melhores vibrações a partir das novas combinações.

É muito mais antiga que a numerologia que se difundiu no Ocidente através de Pitágoras, um dos primeiros senão o primeiro filósofo grego, ao menos o criador do nome Philo-sofia (século V a.C.).

Através dela poderíamos saber, por exemplo, qual é a destinação histórica do Brasil, cuja soma numérica de suas letras resulta 3 e sabendo-se de toda a simbologia desse número. Mas se tomar a sua grafia em inglês (Brazil), muda tudo. Assim é o caso de nomes como Izabel ou Isabel, Honório e Onório, Giovane ou Geovanne, ou Giovani e assim por diante.

Conheço o caso de um amigo, cujo sobrenome italiano leva, originalmente, dois “cc” na composição com “h” para formar a sílaba “qui” (como se pronuncia), mas que o cartório de seu registro civil comeu um dos “c” e. mais tarde, através da numerologia, ele decidiu não corrigir porque sua sorte poderia mudar radicalmente. Mas isso teve implicações em seu reconhecimento para a cidadania italiana.

Cartas e Tarô

Uma mesa, um incenso queimando, algumas figuras místicas, uma senhora (geralmente são elas que operam) e um baralho, simples ou de tarô. De agora em diante não importa que tipo de baralho é usado, a prática é sempre a mesma. Embaralha-se, pede-se para cortar em um, dois, três montinhos e começa-se a abrir as cartas que até então estavam emborcadas. De acordo com a figura revelada, número ou naipe, é a interpretação. Uma fala, uma resposta do consulente e nova revelação. As coisas evoluem e o consulente sai dali convencido de que teve seu futuro (presente e passado) revelado.

Esta técnica é bastante próxima da dos búzios e das runas (ver).

Acredita-se que o Tarô (que mais antigo que a outra técnica com o uso dos baralhos modernos) incorpora um completo sistema simbólico, uma chave para os mistérios que contém o segredo da verdadeira natureza do homem, do Universo e de Deus. Todos os tipos de influência – cabalísticas, herméticas, gnósticas, neoplatônicas, cataristas e waldensianas (doutrina mística de Peter Waldo – século XI) têm sido vistos por trás das cartas e sugerindo-se que tiveram origem na China ou na Índia e introduzidas na Europa através dos ciganos. É tão antigo que deriva de um compêndio da sabedoria arcana do antigo Egito.

A verdade é que a técnica é tão secreta quanto sua história. Se compõe de 21 cartas, cada uma representando uma situação que pode estar associada à vida do consulente. Mas, aqui reside mais um mistério, os leitores de tarô sabem que são 22 trunfos (como são chamadas as cartas) para que tenham o mesmo número das letras do alfabeto hebraico e as Vinte e Duas Vias que são traçadas na Árvore da Vida, da Qabalah, integrando os sefiroth. Bem, aqui já estamos entrando na temática de outro futuro artigo. 

Cristalomancia

Aqui nós vamos nos deparar com a Bola de Cristal, aquela que sobre a mesa é manuseada pelo adivinho e onde ele visualiza o futuro.

É muito antiga, mas nem sempre através do cristal devido à dificuldade de obtê-lo e de seu elevado custo. Usava-se espelhos, a água e até as unhas de quem fazia a interpretação.

Como algumas das outras modalidades de se ver o futuro, parece associada à mediunidade, pois o leitor da superfície espelhada necessita que apareçam ali imagens que são interpretadas como se fossem um sonho sonhado ao vivo acordado.

Não só a Cristalomancia como todas as demais técnicas e modos de adivinhação foram severamente caçadas, perseguidas e condenadas durante a Inquisição, que foi do século XII e XVII, dependendo o território. Em 1398, em plena vigência da Inquisição, a Faculdade de Teologia de Paris declarou a cristalomancia como de origem satânica.

Runas

Grupo de pedras contendo figuras e letras, um alfabeto diferente do latino, como já afirmamos, semelhante ao Tarô, porém muito especialmente associadas aos nórdicos e também aos arianos alemães que professavam a superioridade de sua raça.

Surgiu na noite dos tempos, possivelmente 1.300 anos antes de Cristo, mas ressurgiu no norte da França, nos primeiros séculos já da era cristã e se acreditava conterem poder mágico. Uma lenda conta que o deus Odin(o deus da mitologia nórdica da guerra, da sabedoria e da morte) teria ficado dependurado nove dias e nove noites na Árvore do Mundo para conquistar o domínio sobre as runas.

Os vikings possuíam uma escrita baseada nos símbolos rúnicos.

Se compõe de 24 pedras dedicadas a igual número de deuses e uma em branco, de certa forma semelhante ao Tarô.

Búzios

Quando não há literatura sobre o jogo de búzios. É compreensível. Trata-se de uma atividade nascida e levada a frente pelos negros escravos e hoje confinada aos terreiros ou tendas de candomblé.

Trata-se de um recipiente tipo peneirinha que forma uma pequena arena ou prancheta aonde o babalorixá joga um punhado de conchas de búzios e, conforme a posição em que caem, mediunicamente, pronuncia seu veredicto.  Eis que se trata de um trabalho que se vale dos orixás e da interpretação do babalorixá, também chamado de pai ou mãe de santo, espécie de sacerdote daquela corrente de fé.

Através dos búzios se prevê a sorte das pessoas, de grupos, entidades e, mesmo, de países.

Sonhos

Os sonhos estão presentes na vida de todos. Podem não lembrar, tomaram algum remédio para dormir, mas a verdade é que sonham com certeza. Trata-se de um mistério mal estudado e geralmente associado com coisas predeterminadas e não pode ser assim. Cada um sonha o seu sonho e não pode ser buscado em nenhuma lista de significados, porque o sonho do João é o sonho do João, ligado à sua individualidade, seu espírito, sua vida, sua história. O João sonhou uma bobagem que não se encaixa em nenhuma realidade sua? Bem quem sabe o João anda fazendo bobagens e sua alma está desesperada mandando este recado, mas o João prefere “ver” fora.

Cada sonho se utiliza de uma paisagem onde o autor possa fazer a leitura e descobrir que recado foi dado. Assim, o sonho tem valor como adivinhação.

Sacerdócio e Iniciação

É muito interessante notar que, segundo observações além da pesquisa propriamente dita, que os aplicadores das técnicas, operadores dos modos de adivinhação são, sempre, uma espécie de sacerdotes, pessoas com conhecimento místico, respeitáveis, veneráveis até, se pode dizer, com equilíbrio moral, alimentação comedida, ascéticas em geral.

Não começaram na atividade por acaso. Foram chamadas de um ou de outro modo. Tiveram de passar por uma iniciação e não podem revelar os segredos do que conhecem a qualquer pessoa.

Mas, como em todas as áreas de atuação do ser humano, ali também são encontrados aqueles que só querem dinheiro, aproveitando-se da ingenuidade e curiosidade alheia para, sob engodos e falsidades, embolsar dinheiro.

Para arrematar

Veja como são as coisas: nos tempos atuais em que os nascimentos podem ser programados (astrologia) e obtidos através de cesariana e que os nomes (numerologia) podem ser escolhidos com muita antecedência, sabendo-se que a criança será do sexo masculino ou feminino, se serão gêmeos ou não, etc. etc., um pai, uma mãe, podem, mesmo, definir o que querem para seus herdeiros a partir destas técnicas e modos de adivinhação.

Podemos estar lidando com novas e diferentes interpretações e conceitos, por exemplo, sobre tendências comportamentais, vocacionais e a personalidade de um ser humano desde que se leve a sério estas questões de data, hora, nome, etc. Estaríamos posicionados de modo diferente daqueles que nasceram por exclusiva iniciativa da natureza.

Mas, há um outro enfoque que deixaria para trás as influências místicas ou energéticas e propõe compreender o comportamento, a vocação e a personalidade das pessoas a partir da egrégora mental, formação de um padrão energético abraçando, oferecendo entorno a cada ser nascido a partir do que acreditam que seja as pessoas que se encarregam de formá-lo, educá-lo, conscientizá-lo. E assim passaria a ser não porque queiram ou induzam os astros, mas porque a palavra, o verbo criador assim determinou.

Todos os estudos referentes aos padrões mentais apontam para a seguinte realidade: “SOMOS O QUE PENSAMOS”. O nascido em Leão, tendo em seu nome definições não zodiacais completamente opostas ao que tenderia ser um leonino zodiacal, vai reger-se pelo zodíaco ou pela numerologia? Vai ser uma média entre os dois? Qual é a interpretação? Não há definição sobre isso.

Sinceramente, pode haver aí o que há com as religiões: este é o Deus Verdadeiro, alie-se a nós e nós te salvaremos. No fundo, ninguém está sendo salvo. Aliás, alguém está tirando vantagem disso, mas sem saber que o preço dessa vigarice é muitíssimo alto.

Quem venha se dedicando aos estudos da índole humana, como me ofereço para fazer e faço há muitos anos e sempre a partir da ótica espiritual das reencarnações, pode afirmar, como afirmo: uma índole moldada em séculos de experiências em vidas e vidas sequenciais através dos milênios de nossa história planetária, dificilmente será escorpiniana ou ariana nesta encarnação e diferente da geminiana ou aquariana da encarnação anterior e novamente diferente da libriana da outra mais antiga, mas, certamente, será a extensão de uma índole que é sua e que vem sendo burilada há séculos de experiências no corpo, melhor dizendo, nos corpos que ocupou e nas vidas que viveu. As pequenas nuances correrão por conta do tempo, da cultura, dos aprendizados, das contingências, das conjunturas de cada fase.

Se formos buscar questões relacionadas com a missão pessoal, iremos descobrir que os militares do passado tendem a reencarnar em ambiente militar no futuro, em cujo nível de procedimentos ou especialidades podem “acertar” seus “desacertos”, corrigirem rotas equivocadas operando em conhecidas oficinas da vida. Dá-se o mesmo com os educadores, médicos, gestores públicos, donas-de-casa, etc., etc.

Nesse aspecto pesa muito aquilo que falam as crianças. Quantas delas ainda lá na primeira infância, quando quase nada sabem desta ou daquela profissão, surpreendem seus pais ao dizerem: “Eu quero ser (isto ou aquilo) quando crescer”. Estamos diante do que acabamos de dizer: reencarnaram para retomar uma área em que suas experiências precisam ter prosseguimento e aprimoramento.

Quero crer que dentre todos os modos e técnicas de adivinhação a que mais próxima chega de cada um de nós, individualmente, são os sonhos. Sonhamos com aquilo que nossa alma em viagem durante o sono vai relacionar-se no outro plano e, por não estar livre do corpo (presa pelo cordão de prata) sempre viajará em companhia de um tutor angelical e, nisso, terá oportunidades e mais oportunidades de recolher indicativos de conduta para a mente que adormeceu e logo despertará. Reside aí, sem nenhuma dúvida, mais que uma necessidade de adivinhação, uma necessidade de acertar a rota de uma existência.

Ao apresentar aos seus leitores o livro “O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos”, Wilda B. Tanner escreve que “se quisermos entrar na terra prometida com a orientação do Conhecedor, precisamos nos esforçar. Essa é a técnica, até que o trabalho seja realizado e o fruto colhido. É preciso despender tempo, esforço e realizar uma experiência pessoal para descobrir o que está logo ali, além do nosso campo de visão”. Isto é, traduzindo um pouco Wilda, não é botando as cartas, jogando búzios, examinando horóscopos ou combinando letras e números – coisas que se aplicam coletivamente – que cada indivíduo irá desvendar o que está bem ali, bem próximo de si, gravado em sua alma, minha alma e, exclusivamente, inscrito como sua e minha história pessoal, suas e minhas conquistas pessoais, suas e minhas dívidas para conosco mesmos nesta sua e minha Mística, Mágica e Maravilhosa Caminhada pelas vidas.     

Até semana que vem.

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