sábado, 29 de agosto de 2015

1809-A serenidade sob ataque


Vivemos em sobressalto

Introdução

Um quadro aproximado da vida “normal” de qualquer pessoa acima de 16 anos: antes de dormir, ao acordar, durante o café da manhã, no almoço, no lanche da tarde ou na janta, em qualquer território, língua ou religião, nos tempos atuais, é alcançada por notícias econômicas, policiais, militares, ecológicas, astronômicas, climatológicas e de outras origens, notadamente pelos meios de divulgação e também por conversas com amigos, colegas, sócios, orientadores. Onde está o foco das notícias? Coisa ruim capaz de criar sobressalto, preocupação, medo, pânico.

Basta sair pelas ruas e estradas no volante de um carro ou moto para imediatamente nos submetermos às situações de risco, adrenalina máxima.

Nas ruas de médias, grandes e muito grandes cidades, mendigos, flanelinhas, moradores de rua, assaltantes, bêbados, gente abusada, desrespeitosa a olhar-nos com algum interesse.

De uns tempos para cá, imigrantes procedentes das mais diferentes latitudes, flagelados por diferentes razões, buscando um espaço para viver ou apenas sobreviver entre nós.

Informações de que o governo não tem recursos suficientes para pagar suas contas e assim falta remédios nos hospitais, postos de saúde e farmácias de atendimento gratuito.

Apesar da elevada carga tributária, o governo não tem recursos para obras, serviços e obrigações legais.

Informações de que o dólar está 50% mais caro, o que significa que a esta altura os rendimentos dos assalariados e aposentados também já perderam 50% do seu valor de compra.

Informações de que a inflação continuará disparando e nisso o dólar acompanhará ganhando valorização, enquanto o poder de compra de todos irá sendo corroído.

Informações de que a recessão continuará tirando o emprego de milhares de pessoas principalmente naqueles setores que vendem menos porque as pessoas também estão comprando menos.

Informações de que a água será sempre mais objeto de luxo, escassa, muito cara, porque chove menos e o desmatamento, associado ao calor que produzimos na face do planeta, faz com que evaporem as águas e cessem as chuvas, num processo em que o hidrogênio e o oxigênio (que compõem a água) voltem ao seu estado natural, deixando de ser água.

Informações de que a temperatura ambiente continuará em alta, sem possibilidade de ocorrer o contrário.

Informações de que já estão a caminho manobras jurídicas e políticas para livrar a cara de quase todos os implicados na Operação Lava a Jato.

Frente a um quadro tão deprimente com tais e tais características, contrárias aos mais elementares princípios de vida com harmonia e normalidade, o que se pode esperar do futuro da humanidade e principalmente dos brasileiros?

É o objetivo deste ensaio.

O que se pode esperar?

A não reversão desses quadros fará com que a vida planetária e, especificamente, do Brasil, que teima em repetir e aprofundar seus quadros de dificuldade, é preocupante, pode se fazer um tempo de incertezas na vida pública.

Esta semana, ao conhecer mais perto as profundas razões da chegada ao Brasil de imigrantes haitianos e de outros países, fomos obrigados a parar para refletir. Isso é dito por eles: aqui vislumbramos duas condições especiais, sendo a primeira o Sistema Único de Saúde, que é gratuito para todos, não é algo excelente, mas é de graça; a segunda é a deterioração da qualidade do trabalhador brasileiro, viciado em querer ganhar, trabalhar pouco e se encostar em seus direitos sem limites.

País nenhum do mundo possui gratuidade nos serviços de saúde. E o que é pior: já estão faltando recursos para pagar a conta sem limite do Sistema Único de Saúde. Reformula ou vai à falência. O Estado não pode mais aumentar os impostos, que já estão acima do razoável e a cada segundo do tempo tem uma conta mais alta para pagar, enquanto quem gera receita (é uma minoria) tem menos mercado, menor volume de negócios e, por consequência, paga menos.

Com o dólar em disparada a opção natural de quem produz é exportar e isso pode levar o mercado brasileiro ao desabastecimento, com consequência ainda mais grave ao processo inflacionário.

Haja serenidade a qualquer pai de família, a qualquer empresário, a qualquer cidadão do bem, olhando para tantas vertentes caóticas e sentindo aumentar a ladroeira e a impunidade, a dificuldade de sair às ruas, sentindo minguar o ânimo para trabalhar, produzir, contribuir. 

O que é serenidade?

Serenidade, conforme Aurélio, é suavidade, paz, tranquilidade. Mas, a definição pode ir além.

A serenidade pode ser conquistada pela aproximação da mente humana com vibrações de planos mais elevados. Tentando interpretar o que seria esta conquista, Reinhold Niebuhr criou uma espécie de oração nos seguintes termos: “Concedei-nos Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificar aquelas que podemos modificar e a sabedoria para distinguirmos umas das outras”.

A propósito, Chico Xavier afirmou no mundo espiritual: “A serenidade é estar em paz com seus pontos de vista”. Parece dizer-nos: quando nossos pontos de vista são temerários, tumultuados, precipitados, criamos sobressalto, preocupação, medo, pânico, decepção, agitação, controvérsia, discussão, disputa. Quem sabe esta publicação esteja enquadrada num ponto de vista desses. Quero sua análise.

Pontos de vista, como se define, expressam aquilo que vemos desde um determinado ângulo, evidentemente, setorial, parcial, não conclusivo. Alguém que vê de outro ponto, pode perfeitamente discordar ao apresentar diferentemente o que vê. Logo, a serenidade é também o estágio daquele que não fala de pontos de vista e que se torna credenciado ao respeito e à credibilidade em boa parte pela serenidade emitida ao falar com autoridade sobre aquilo que fala ou escreve. A vida nos retribui na mesma moeda. Serenidade, com certeza, é uma manifestação do amor.

O planeta e, por extensão, a vida socioeconômica e política de um país como o nosso, responde na mesma moeda, na mesma moeda de como seus administradores o administram, o tratam e de como seus cidadãos percebem o que ocorre com a vida do país.

E então, podemos ir além de onde foram Xavier e Niebuhr? Podemos?

Eleger quem para governar para quem?

Só mesmo numa democracia plena se poderia responder eleger quem para governar quem. No arremedo de democracia, como temos, em que os partidos políticos dominam os poderes, nem mesmo o Poder Judiciário está isento, limpo, puro, imaculado. O político brasileiro viciou-se no poder. Acaba uma eleição ele já está pensando na próxima. As eleições se tornaram muito caras. Ele gasta para eleger-se muito mais do que ganhará como proventos do cargo.

Temos um sistema político em que o eleitor não escolhe, referenda. Referenda o vício daquilo que chamamos democracia. Na verdade, são os coronéis partidários, substitutos dos antigos coronéis do voto a cabresto, que fazem todos os acertos na clausura dos seus gabinetes e a Justiça Eleitoral recebe as comunicações dos partidos com suas listas de candidatos para serem submetidas ao referendo popular. Por mais boa-vontade que queira ter o eleitor, ele é forçado a escolher alguém das listas partidárias ou votar em branco ou nulo. Meia democracia, pseudo democracia.

Junto de um eleitorado mal informado, desinformado, catequizado pelas militâncias partidárias, nem mesmo ocorre a escolha por parte desse eleitor. O eleitor vota em quem lhe pedem para votar e o faz mediante alguma promessa de vantagem ou coação, ameaça de perder algum direito ou vantagem.

Pronto. Está desenhado o quadro. Os donos dos partidos apresentam candidatos de seu interesse, cartas marcadas, corporativismo, gangues de poder. O eleitor não escolhe, vota para atender a quem lhe assopra e pressiona. E assim elegemos QUEM para governar para QUEM?

Serenidade e elevação espiritual

O sobressalto, a preocupação, o medo, o pânico, só não são maiores nas pessoas porque as pessoas não reúnem todos os fatos numa mesma planilha de análise. Nós fomos acostumados a olhar para as notícias ruins como se elas não nos atingissem. E costumamos a esquecer as notícias de hoje ávidos por conhecer as novas notícias de amanhã. Muito mais atenciosos com os esportes, as festas, os shows, a vitrine das celebridades.

Somos um povo desmemoriado que esquece, mesmo, antes da posse, os nomes daqueles nos quais depositamos nossos votos na última eleição. Percorremos, por norma, as gôndolas do supermercado servindo-nos daquilo que queremos adquirir sem observar, com rigor, que o preço do mês passado já não é o mesmo.

Olhamos para os descalabros governamentais como se isso fosse coisa de outro planeta, como se os eleitos não passassem por dentro das urnas onde, sim, o eleitor poderia ser soberano se soubesse votar. Em qualquer eleição que tenha metade mais um dos votos nulos todo o processo será anulado, não haverá eleitos.

Correr atrás de que, mesmo?

Na corrida do dia-a-dia esquecemos de nós mesmos e nem sequer lembramos que somos seres divinos em trânsito pela matéria. Posso misturar política e economia com espiritualidade? O que, está surpreso com quê? Não vivemos numa taba onde tudo diz respeito a tudo e que no fim do dia sem não houver comida pra todos, todos ficarão com um pouquinho de fome. O cacique talvez possa diblar a seu favor, mas chegará o dia em que ele terá de passar fome lado a lado com os demais.

Aqueles que nos desrespeitam como políticos eleitos por nós ou como trabalhadores pagos por nós, mais ainda se já se esqueceram das suas obrigações espirituais frente aos cargos que ocupam e frente à responsabilidade que assumem, virá o dia em que serão chamados às contas.

Obviamente não os queremos como santos. Ninguém é, em regra, santo. Mas, não precisava ir tão longe na direção oposta, não é mesmo? 

João, no seu Evangelho, informou, em outras palavras que, de todos os Espíritos ligados à Terra, o único que “está com Deus” é Jesus, cuja missão aqui entre nós foi e ainda é transmitir aos seres terrenos a Verdade, que provém de Deus. E nessa Verdade reside a Serenidade, que nós, vinte séculos depois, podemos medir nos batimentos cardíacos, na pressão sanguínea, nos níveis de adrenalina no sangue, nas medições relativas ao sono, à digestão, à libido, à memória, com dados sempre piores e mais assustadores.

Voltemos às palavras de Xavier: Somente na condição de Espírito Puro, o Divino Pastor usufrui dessa qualificação de Médium de Deus. Os Espíritos Superiores não estão “com Deus”, no sentido que João quis dar a essa expressão, pois eles não alcançaram ainda esse nível, sendo a eles aplicável a frase de Chico Xavier: “A serenidade é estar em paz com seus pontos de vista”. Esses Espíritos e isso também vale para os encarnados usufruem a serenidade quando seus “pontos de vista” se aproximam da Verdade, o que lhes proporciona esse estado interior de paz. Fazem certo, têm atitudes certas, pensam certo, têm intenções claras.

Entenda-se que eles têm “pontos de vista”, mas não acesso direto à Verdade. Quem ainda engatinha na estrada evolutiva, já tendo despertado para a conquista do autoconhecimento, a procura do aperfeiçoamento espiritual, sofre as consequências da “dúvida”, que é o resultado da atração, para baixo, do passado primitivista, do atavismo das vivências em que prevaleciam os paradigmas da materialidade, e, para cima, do ideal de subir em compreensão do que seja a vivência de acordo com a Verdade, ou seja, conforme as Leis de Deus.

Somente com o aperfeiçoamento através dos milênios afora é que o Espírito ingressa na fase do “despertamento para a procura da Verdade”, sendo que a maioria da humanidade terrena sequer ingressou nessa fase.

Há um certo número de Espíritos terrenos, mais evoluídos, que já se propõem a essa procura interior. Eles sofrem a inquietação, a incerteza, uma vez que ainda oscilam entre o passado e o futuro. Em um grau mais elevado estão aqueles que alcançaram a “serenidade”, mencionada por Chico Xavier.

Qual Verdade traz serenidade?

Pode-se dizer que 100% das pessoas procuram a Verdade do lado de fora, do mesmo modo que procuram a riqueza e a felicidade do lado de fora. E do lado de fora e distante, buscam o incerto, o duvidoso, o impalpável. Por desvios no modo de nos relacionar com o Espírito, a cultura ocidental arranjou uma trilogia divinal em que o Espírito Santo aparece numa forma disfarçada na Santíssima Trindade, pousando de membro da família divina entre o Pai e o Filho, sem ser a Mãe. O que seria, então, o Espírito Santo? Que definição se dá a ele? Achamos que conhecemos a Deus (Pai) e achamos que conhecemos a Jesus (Filho). Mas, nada sabemos sobre a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Os ocidentais continuam sem saber quem é a mãe distante de uma realidade sagrada, enquanto ignoram a Verdade Íntima, que é, no fundo, a maior e a única Verdade a que temos acesso e que realmente interessa conhecer.

Sem saber qual a verdade a buscar, perdemos a serenidade, não conhecemos o amor, estamos distantes de Deus. Todos os descalabros de nossa sociedade podem ser debitados a este desvio: desconhecer a Verdade e não praticar o Amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário