sábado, 26 de setembro de 2015

1813-História Humana


A Conexão Misteriosa com a Estrela Sirius

Introdução

Desde os tempos antigos e em várias civilizações, Sirius, a estrela do cão, foi cercada com uma sabedoria misteriosa. Os ensinamentos esotéricos de todas as idades têm invariavelmente atribuído a Sirius um estatuto especial; a importância da estrela no simbolismo oculto é a comprovação desse fato. O que faz Sirius tão especial? É simplesmente devido ao fato de que ela é a estrela mais brilhante no céu (visto da Terra)? Ou é também porque a humanidade tem uma ligação antiga e misteriosa com ela? Este artigo analisa a importância de Sirius em todas as sociedades secretas e a História. E irá descrever o simbolismo que os rodeiam.

Já tem quem questione por que a Síria se chama Síria e por que aquela região tem uma importância descomunal nos significados da civilização do Oriente Próximo – Oriente Médio – com reflexos no Ocidente.

Uma coisa é certa: como os arbustos que dirigem suas hastes para a luz, também os homens buscam uma luz, que nem sempre sabem definir. O sol e as estrelas surgem, enquanto isso, como símbolos dessa luz.

O fato de pertencer à constelação do Cão Maior faz do cão o melhor amigo do homem ou o cão se fez melhor amigo porque a estrela lhe envia emanações nesse sentido?

Desde os primórdios da civilização até os tempos modernos, das tribos remotas da África para grandes capitais do mundo moderno, Sirius era - e ainda é - vista como uma doadora de vida. Apesar da disparidade entre as culturas e épocas, os mesmos atributos misteriosos são dados para a estrela do cão, o que pode levar-nos a perguntar: como pode sincronizar todas as definições de teses tão perfeitamente? Existe uma fonte comum para esses mitos sobre Sirius?

A estrela do cão é invariavelmente associada com a divindade e é considerada como uma fonte de conhecimento e poder. Essas conexões são particularmente evidentes quando se examina os ensinamentos e o simbolismo das sociedades secretas, que sempre ensinaram sobre uma ligação mística com este corpo celeste particular.

Existe uma ligação secreta entre a evolução humana e Sirius?

Libertar este segredo significaria desbloquear um dos maiores mistérios da humanidade.

O Que é Sirius?

Sirius está localizada na constelação do Cão Maior - também conhecida como o "Big Dog" - e por isso é conhecida como a "estrela do cão". É mais de vinte vezes mais brilhante que o nosso Sol e é duas vezes mais massiva. À noite, Sirius é a estrela mais brilhante no céu (visto da Terra) e seu brilho azul-branco nunca deixou de surpreender contempladores de estrelas desde a aurora dos tempos. Não admira que Sirius tem sido reverenciado por praticamente todas as civilizações. Mas há mais sobre Sirius do que o nu olho humano não pode ver? Há. E como há.

Artefatos de civilizações antigas (que na verdade eram informações desse tempo) revelaram que Sirius foi de grande importância na mitologia, astronomia e ocultismo. Escolas de Mistério a consideram como "o sol por trás do sol" e, portanto, a verdadeira fonte de potência do nosso sol. Se o calor do nosso sol continua vivo no mundo físico, Sirius é considerada a causa para manter o mundo espiritual vivo. É a "verdadeira luz" que brilha no Oriente, a luz espiritual, como o sol ilumina o mundo físico, que é considerada uma grande ilusão.

Lembremo-nos que o Sol já foi centro da fé, ocupando o lugar do deus maior. Popularmente se olhava para ele como fonte de vida. Mas, esotericamente, Sirius estava mais além e mais forte. Se pode fazer uma ilação: se Jesus foi transformado em Deus pelos católicos, esse seria o sol. Mas os católicos também sabem que Deus é maior que Jesus. Esse seria Sirius para os místicos da antiguidade.

Associando Sirius com o divino e até mesmo considerá-lo como a casa da humanidade de "grandes mestres" não é apenas incorporado na mitologia de algumas civilizações primitivas: é uma crença generalizada que sobreviveu (e foi intensificada) para os tempos atuais. Vamos olhar para a importância de Sirius nos tempos antigos, analisar a sua importância nas sociedades secretas e vamos examinar esses conceitos esotéricos como eles são traduzidos na cultura popular.

Nas Civilizações Antigas

No antigo Egito, Sirius era considerada a estrela mais importante no céu. Na verdade, era astronomicamente a fundação dos egípcios em todo o sistema religioso. Foi reverenciada como Sothis e foi associada com Ísis, a deusa mãe da mitologia egípcia. Isis é o aspecto feminino da trindade formada por ela, Mãe, Osíris (pai) e Horus, o filho. Os antigos egípcios colocavam Sirius em tão alta posição, que a maioria de suas divindades estavam associadas, de alguma forma ou de outra, com a estrela. Anubis, o cabeça de cão, deus da morte, tinha uma óbvia conexão com a Estrela do Cão, e Toth-Hermes Trismegistus, o grande mestre da humanidade, foi também esotericamente relacionado com a estrela Sirius.

O sistema de calendário egípcio era baseado no nascer helíaco de Sirius, que ocorreu pouco antes da inundação anual do Nilo durante o verão. O movimento celeste do astro também foi observado e reverenciado pelos antigos gregos, sumérios, babilônios e inúmeras outras civilizações.

A estrela foi, portanto, considerada sagrada, e sua aparição no céu foi acompanhada com festas e comemorações. A Estrela do Cão anunciava a vinda dos dias quentes e secos de julho e agosto (hemisfério Norte – entendendo-se no Sul o oposto: frio e seco), daí o termo popular "calor do cão", usado no verão como uma expressão corriqueira que ninguém por aqui sabia a origem.

Vários investigadores ocultistas têm alegado que a Grande Pirâmide de Gizé foi construída em perfeito alinhamento com as estrelas, em especial Sirius. A luz dessas estrelas, foi dito, ser usada em cerimônias de Mistérios Egípcios.

"Este povo antigo (egípcios) sabia que uma vez por ano o Sol pai estava em linha com a estrela do cão. Portanto, a Grande Pirâmide foi construída de modo que, neste momento sagrado, à luz da Estrela do Cão caiu sobre a praça "Pedra de Deus", na extremidade superior da Grande Galeria, descendo sobre a cabeça do sumo sacerdote, que recebeu a Supra Solar Força e buscou através de seu próprio Corpo Solar aperfeiçoado, transmitir aos outros Iniciados esse estímulo adicional para a evolução da sua humanidade na direção da divindade. Este então era o objetivo da 'Pedra de Deus', enquanto no Ritual, Osíris sentava-se a outorgar a ele (a iluminar) a coroa Atf ou luz celestial. "Norte e Sul da coroa é o amor", proclama um hino egípcio. "E assim todo o ensino do Egito era a luz visível, mas a sombra da luz invisível, e na sabedoria do antigo país as medidas de verdade foram os anos do Altíssimo. 

Uma riqueza de detalhes nesse sentido é encontrada no livro “The Book of the Master” – O livro do Mestre, de Marshall Adams, ainda não traduzido para o português.

Agora temos olhos nos céus  

Sim, o envio de telescópios embarcados em naves e satélites artificiais fez o céu ficar mais próximo dos olhos humanos. Em paralelo, dedicamos mais verbas e temos mais gente investigando nosso passado, não deslumbrados turistas curiosos, mas como profissionais da informação que envolve nossas relações com Deus.

As recentes descobertas científicas relacionadas com a Grande Pirâmide e os misteriosos "poços de ar", levaram os pesquisadores a confirmar ainda mais a importância de Sirius dentro da pirâmide e, por extensão, na vida da humanidade terrestre.

Assim se definiu o alinhamento da estrela com a Grande Pirâmide de Gizé. Orion (associado ao deus Osíris) está alinhado com a Câmara do Rei, enquanto Sirius (associada à deusa Isis) está alinhada com a Câmara da Rainha.

Um aspecto fascinante do Sirius é a consistência do simbolismo e significados associados a ela. Várias das grandes civilizações de fato associadas a Sirius com uma figura de cão e vista a estrela como origem ou o destino de uma força misteriosa. Na astronomia chinesa e japonesa, Sirius é conhecida como a "estrela do lobo celestial". Várias tribos indígenas da América do Norte se referem à estrela com significação canina: os Seri e tribos Tohono O'odham, no Sudoeste dos EUA, descrevem Sirius como um "cão que segue ovelhas na montanha", enquanto os Blackfoot a chamam de "cão-face". Os Cherokee, emparelhada com Sirius, vinha Antares como uma estrela guardiã do cão do "Caminho das Almas". Como um Lobo, era o símbolo da tribo Skidi, de Nebraska, conhecida como o "Star Wolf", enquanto outros ramos do xamanismo nominavam-na como o "Coyote Star". Mais ao norte, os Inuit, do Alasca do Estreito de Bering, chamavam-na de "Moon Dog". 

A Tribo Dogon e a Atlântida

Em 1971, o autor norte-americano, Robert Temple, publicou um polêmico livro intitulado "O Mistério de Sirius”, onde ele afirmou que os Dogons (uma antiga tribo africana, do Mali), sabiam detalhes sobre Sirius, que seria impossível de serem conhecidos sem o uso de telescópios. Segundo ele, os Dogon compreendiam a natureza binária do Sirius, que é, na verdade, composto de duas estrelas chamadas Sirius A e Sirius B. Isso levou Robert Temple a acreditar que os Dogons tinham "diretas" conexões com seres de Sirius. Embora alguns possam dizer "você não pode saber sobre Sirius" (desculpe), um grande número de sociedades secretas (que historicamente têm mantido em suas fileiras algumas das pessoas mais influentes do mundo) e alguns sistemas de crenças ensinam sobre uma conexão mística entre Sirius e humanidade.

Na mitologia Dogon, a humanidade é dita ter nascido a partir do Nommo, uma raça de anfíbios que eram os habitantes de um planeta circulando em torno de Sirius. Eles dizem ter "descido do céu em um navio acompanhado de fogo e trovão" e dava aos seres humanos o conhecimento profundo retirado daí. Isso levou Robert Temple a teorizar que os Nommos eram os habitantes extraterrestres de Sirius que viajaram para a Terra em algum ponto no passado distante para ensinar às civilizações antigas (como os egípcios e os Dogons) sobre o sistema da estrela Sirius, assim como nosso próprio sistema solar. Essas civilizações, então, registraram os ensinamentos dos Nommos em suas religiões, o que tornou um foco central de seus mistérios.

O sistema da mitologia Dogon é muito semelhante aos de outras civilizações como os sumérios, egípcios, israelitas e babilônios já que inclui o mito arquetípico de um "grande professor do alto". Dependendo da civilização, esse grande mestre é conhecido como Enoque eith, Thoth ou Hermes Trismegistus e diz ter ensinado ciências da humanidade teúrgica. Nas tradições ocultistas, acredita-se que Thoth-Hermes havia ensinado o povo da Atlântida, que, segundo a lenda, se tornou a civilização mais avançada do mundo antes de todo o continente ser submerso pelo Grande Dilúvio (evidências de uma inundação podem ser encontradas nas mitologias de civilizações incontáveis). Sobreviventes da Atlântida viajaram de barco para vários países, incluindo Egito, Brasil e outros, onde transmitiram seus conhecimentos avançados. Os ocultistas creem que as semelhanças inexplicáveis ​​entre civilizações distantes (como os maias e os egípcios) podem ser explicadas pelo seu contato comum com os atlantes.

Espantosamente semelhantes

Por enquanto, muito do que se lê e resume está no terreno das canalizações espirituais, mas a civilização das Araras Vermelhas, os Arari, são dados como herdeiros de um outro Noé navegante que escapou de Atlântida pilotando um barco onde abrigava seu clã para vir aportar nas costas do Espírito Santo. Os goiases seriam os últimos descendentes dessa civilização. Um dos filhos desse clã teria vindo fundar a comunidade que ficou conhecida como Carijós, no Litoral de Santa Catarina.

"Foi um conhecimento religioso, filosófico, científico guardado pelas artimanhas sacerdotais da antiguidade vinda da Atlântida, cujo dilúvio fez submergir e obliterar todo vestígio de seu desenvolvimento. Mas, como sempre sobra algo de toda catástrofe, parte desse saber no drama do progresso do mundo viera aportar no Egito e Oriente Médio, dando origem aos hebreus; parte teria ido parar no México, dando origem aos maias; parte teria aportado no Brasil, dando origem, entre outros descendentes, aos carijós.

A adoração do sol de Atlântida tem sido perpetuada no ritualismo e cerimonialismo dos egípcios e mais tarde romanos e ainda no cristianismo; era também dos incas e os carijós que adoravam Kwaray, o deus sol.

Tanto a cruz e a serpente eram emblemas da Atlântida relativos à sabedoria divina. O divino (Atlante) progenitores dos Maias e quiches da América Central coexistiam dentro do esplendor verde e azul do Gucumatz, a serpente "emplumada". Misteriosamente a serpente aparece lá no Oriente com a mesma veneração.

As tradições sapiensais dessas civilizações ressaltavam os seis sábios nascidos do céu – vindos das estrelas e dentre elas a maior, Sirius – de onde sabiam ter vindo as manifestações sagradas a ideia de erguer totens símbolos dos centros de luz ligados entre si, à espera do sétimo sábio nascido do céu - e principal – (que pode ser Jesus) de sua ordem, onde entram as "penas" e a cobra.

Em quantos lugares do planeta "asas" ou "plumas" são dadas à serpente, como se fazia em Quetzalcoatl, ou Kukulcan, na América Central e ainda se faz no Oriente? A tradição das pipas, muito forte no Brasil, também, é uma redução da serpente empenada que voa.

O centro da Sabedoria Atlântida – principalmente pela religião - era presumivelmente o templo piramidal, na Atlântida sobre o cume de um planalto, em ascensão no meio da Cidade dos Portões Dourados. As pirâmides surgiram ao redor do mundo. Até os carijós ergueram a sua, que está perdida nos sertões da Serra do Mar. A partir daqui o Iniciado-Sacerdote do Sagrado Pena foi chamado a andar pelo tempo levando as chaves da Sabedoria Universal até os confins da terra. Esses pioneiros estavam nos barcos de Noé, de Arari, dos demais. Os descendentes de Arari escolheram a ave colorida que se chama arara por esta razão. Os carijós escolheram o pato silvestre, que lhes deu o apelido de índios-pato e batizou Desterro (hoje Florianópolis) de Ilha dos Patos e também a grande lagoa que está no caminho de Porto Alegre. Mas, os carijós tinham também o puma e a baleia. E foi a morte das baleias que os fez abandonarem a região em torno de 1800.

As heranças e o desperdício

Quando os atlantes aportaram nas diversas regiões do mundo levavam consigo não somente o patrimônio de artes e ofícios, filosofias e ciências, a ética e as religiões, mas também a herança de ódio, contenda e perversão. Ironicamente foram eles que ensinaram os povos nativos a fazer guerra por razões ideológicas. Os atlantes instigaram a primeira guerra, que foi chamada de santa e atrás da primeira vieram milhares de guerras santas. Haverá outras, uma das quais do islã contra as demais crenças.

E foi dito que todas as guerras subsequentes foram disputadas em um esforço infrutífero para justificar a primeira e corrigir o erro que lhe causou. Antes de Atlântida afundar, seus Iniciados espiritualmente iluminados, que perceberam que sua terra estava condenada porque tinha partido do Caminho da Luz e da Paz, retiraram-se do continente malfadado, levando com eles a doutrina sagrada e secreta.

Esses atlantes se estabeleceram em vários pontos, mas a do Egito é destaque. Ali se tornaram os seus primeiros governantes "divinos". Quase todos os grandes mitos cosmológicos formando a base dos vários livros sagrados do mundo baseiam-se nos rituais de Mistérios Atlante.

“The Secret Teachings of All Ages” escrito por Manly P. Hall, refere-se que Thoth-Hermes Trismegistus, o equivalente a Nommos para os Dogon que, como dissemos, acredita-se que são originários de Sirius, era descrito como um professor de mistérios, que "veio das estrelas". Além disso, Thoth-Hermes estava diretamente ligado com o Sirius na mitologia egípcia.

"O cão-estrela: a estrela adorada no Egito e reverenciada pelos ocultistas; pela primeira vez o seu nascer helíaco com o Sol era um sinal da inundação beneficente do Nilo, e por último porque ela é misteriosamente associada a Toth- Hermes, deus da sabedoria, e Mercúrio, de outra forma. Assim Sothis-Sirius tinha, e ainda tem, uma influência mística e direta sobre os céus de todo mundo, e está conectada com quase todos os deuses e deusas. Era "Ísis no céu" e apelou a Ísis-Sothis, pois Isis estava "na constelação do cão", como é declarado em seus monumentos. Estar conectado com a pirâmide, Sirius estava, portanto, relacionado com as iniciações que ali tiveram lugar, inclusive de Pitágoras, o sábio grego que nos ensinou sobre a reencarnação.

Helena Blavatsky escreveu “Theosophical Glossary” e afirma: "O tratado Trismegistico 'A Virgem do Mundo' do Egito se refere ao" Rito Negro ", ligado à "negra" Osíris, como o mais alto grau de iniciação secreta possível, a antiga religião egípcia - é o último segredo de mistérios de Ísis. Este tratado diz que Hermes veio à Terra para ensinar aos homens a civilização e, em seguida, novamente 'montado voltou para as estrelas', para sua casa e deixando para trás a religião de mistérios do Egito com os seus segredos celestes que iriam algum dia ser decodificado". Mas, como era uma sabedoria imensamente avançada para as mentes da época – do mesmo modo que os ensinamentos de Jesus apenas prosperam entre os homens do século XXI – são os homens deste tempo que decifrarão os segredos, descobrirão estrelas e planetas, outras civilizações espaciais e tudo mais.

Robert Temple, em “The Sirius Mystery” diz que interpretando a mitologia de antigas culturas as conexões são inerentemente difíceis de provar. No entanto, a ligação simbólica entre Sirius e conhecimento do ocultismo tem aparecido constantemente ao longo da História, tem viajado continuamente através dos tempos. Na verdade, ele é tão reverenciado hoje como era há milênios. As modernas sociedades secretas como os maçons, os rosacruzes e a Golden Dawn (que são consideradas as ordens herméticas devido ao fato de seus ensinamentos são baseados naqueles de Hermes Trismegistus), todos atribuem a Sirius extrema importância. Um olhar educado em seu simbolismo fornece um vislumbre na profunda ligação entre Sirius e filosofia oculta.

Sirius, o simbolismo oculto e as sociedades secretas

A alegação de que Sirius é "importante" para as ordens herméticas seria uma subestimação grosseira. A estrela do cão não é nada menos do que o foco central dos ensinamentos e simbolismo de sociedades secretas. A maior prova deste fato: muitas sociedades secretas são realmente o nome da estrela.

No Tarô

O décimo sétimo trunfo numerado principal é chamado Les Étoiles (em francês: Estrela), e retrata uma jovem ajoelhada com um pé na água e seu corpo um pouco sugerindo a suástica. Ela tem duas urnas, o conteúdo que ela derrama sobre a terra e o mar. Acima da cabeça da menina há oito estrelas, uma das quais é excepcionalmente grande e brilhante. Contagem de Gébelin considera a grande estrela a Sothis ou Sirius, os outros sete, são planetas sagrados dos antigos. Ele acredita que significa a figura feminina, a Isis no ato de causar as inundações do Nilo, as quais acompanharam a ascensão da estrela do cão. A figura despida de Ísis pode significar que a natureza não recebe suas vestes de verdura, até a subida das águas do Nilo liberarem o germe de vida de plantas e flores. (Manly P. Hall, The Secret Teachings of All Ages) 

Na Maçonaria

Em lojas maçônicas, Sirius é conhecida como a "Estrela Ardente" e um simples olhar para sua proeminência no simbolismo maçônico revela a sua importância. O autor maçom William Hutchinson escreveu sobre Sirius ". É o objeto primeiro e mais exaltado que exige a nossa atenção na Loja" Da mesma forma que a luz de Sirius fez o seu caminho para a Grande Pirâmide durante as iniciações, está simbolicamente presente em Lojas Maçônicas.

"Os antigos astrônomos viram todos os grandes símbolos da Maçonaria nas Estrelas. Sirius brilha em nossas lojas como a Estrela Flamejante". (Albert Pike, Morals and Dogma) 

"(A Estrela Flamejante), representando inicialmente SIRIUS, ou a estrela-cão, o precursor da inundação do Nilo, o deus Anúbis, companheiro de ISIS em sua busca pelo corpo de Osíris, seu irmão e marido. Então tornou-se a imagem de Hórus, o filho de Osíris, ele próprio também simbolizado pelo Sol, o autor das estações, o Deus do Tempo, filho de Ísis, que era a natureza universal, próprio da matéria primitiva, fonte inesgotável de Vida, faíscas de fogo incriado, semente universal de todos os seres. Foi Hermes, também, o Mestre do Aprendizado, cujo nome em grego é a do deus Mercúrio". (Albert Pike, Morals and Dogma) 

Na Maçonaria, é ensinado que a Estrela Flamejante é o símbolo da divindade, da onipresença (o Criador está presente em toda parte) e da onisciência (o Criador vê e sabe de tudo). Sirius, portanto, o "lugar sagrado" todos os maçons devem ascender. É a fonte do poder divino e do destino das pessoas divinas. Este conceito é muitas vezes representado na arte maçônica.

Para atingir a perfeição, para ter sucesso deve entender e internalizar a natureza dupla do mundo (o bem e o mal, masculino e feminino, preto e branco, etc) através de metamorfose alquímica. Este conceito é simbolicamente representado pela união de Osíris e Ísis (os princípios masculino e feminino) para dar à luz Hórus, o Menino da Estrela, a figura de Cristo como, o homem perfeito da Maçonaria - que é equiparado com a Estrela Flamejante.

"O sol e a lua ... representam os dois grandes princípios ... o masculino e o feminino ... tanto a sua luz sobre os seus descendentes, a estrela ardente, ou Horus". (Pike, op. cit.)

O hieróglifo representando Sirius contém três elementos: um obelisco "fálico" (representando Osíris), um "útero" em cúpula (que representa Ísis) e uma estrela (representando Hórus).

Este conceito é tão crucial para os maçons, que foi incluído em algumas das estruturas mais importantes do mundo.

O Monumento de Washington, um obelisco egípcio que representa o princípio masculino, está diretamente ligado com a cúpula do Capitólio, que representa o princípio feminino. Juntos, eles produzem uma energia invisível, Hórus representado por Sirius. Como afirmado por Albert Pike acima, o deus egípcio Horus e da estrela Sírius são frequentemente associados. No simbolismo maçônico, o olho de Horus (ou o Olho Que Tudo Vê) é frequentemente retratado cercado pelo brilho da luz de Sirius.

Uma alegoria maçônica traçada representando o sol acima da coluna esquerda (representando o masculino), a lua sobre o pilar direito (representando feminino) e Sirius acima do pilar do meio, representando o "homem perfeito" ou Hórus, o filho de Ísis e Osíris, resume o objetivo da Maçonaria para com seus iniciados. Observe o "olho de Horus" em Sirius.

Dada a correlação simbólica entre o Olho Que Tudo Vê e Sirius, a próxima imagem se torna auto-explicativa.

A luz atrás do Olho Que Tudo Vê na nota de dólar americano não é do sol, mas de Sirius. A Grande Pirâmide de Gizé foi construída em alinhamento com Sirius e por isso é mostrado brilhando acima da pirâmide. Uma homenagem à brilhante Sirius, portanto, nos bolsos de milhões de cidadãos.

Ordem da Estrela do Oriente

O símbolo da OES é uma estrela invertida, semelhante à Estrela Flamejante da Maçonaria.

Considerada a "versão feminina" da Maçonaria (embora os homens possam participar), a Ordem da Estrela do Oriente (OES) é diretamente o nome de Sirius, a estrela em ascensão do Oriente ". A explicação pública das origens do nome da Ordem alega que se originou dos Três Reis Magos e Jesus Cristo. Um olhar sobre o significado oculto do simbolismo da Ordem, porém deixa claro que o OES é uma referência a Sirius, a estrela mais importante da Maçonaria, a organização-mãe. OES - arte retratando Sirius acima da Grande Pirâmide.

Madame Blavatsky, Alice Bailey e Teosofia

Helena Blavatsky e Alice Bailey, as duas principais figuras associadas com a Teosofia, têm em Sirius uma fonte de energia esotérica. Blavatsky afirma que a estrela Sirius exerce uma influência mística e direta sobre o céu inteiro e está relacionada com todas as grandes religiões da antiguidade.

Alice Bailey vê a estrela do cão como a verdadeira "Grande Loja Branca" e acredita ser a casa da "Hierarquia Espiritual". Por esta razão, ela considera Sirius como a "estrela de início".

"Esta é a grande estrela do início, porque a nossa Hierarquia (uma expressão do segundo aspecto da divindade) é sob a supervisão ou controle magnético espiritual da Hierarquia de Sirius. Estas são as principais influências do controle pelo qual as obras do Cristo Cósmico trabalham no princípio de Cristo no sistema solar, no planeta, no homem e nas formas menores de expressão da vida. É esotericamente chamada de "estrela brilhante da sensibilidade". (Alice Bailey, Esoteric Astrology) 

Não diferente de muitos escritores mais esotéricos, Bailey considera Sirius ter um grande impacto na vida humana.

"Tudo o que pode ser feito aqui em lidar com este assunto profundo é enumerar brevemente algumas das influências cósmicas que certamente afetarão a nossa terra e produzirão resultados na consciência dos homens em todos os lugares.

Primeiro e mais importante é a energia ou força que emana do Sirius dom. Se ele pode ser expresso como energia do pensamento ou a força mental, em sua totalidade, atinge o sistema solar a partir de um centro cósmico distante através de Sirius. Sirius atua como transmissor, ou o centro focalizador, de onde emanam essas influências que produzem a consciência de si no homem". (Aleister Crowley, o A.A. e Kenneth Grant)

Em 1907, Crowley iniciou a sua própria ordem ocultista chamado de AA - Abreviação de Argentium Astrum, que pode ser traduzido para "A Ordem da Estrela de Prata". A "Estrela de Prata" foi, naturalmente, uma referência para Sirius. Mesmo se Crowley ainda referisse a estrela do cão em termos velados, a totalidade de sua filosofia mágica, a partir de seu desenvolvimento como um maçom jovens através de seus últimos anos como chefe da OTO, está em total conformidade com a influência de Sírius, que foi identificada e expressa por outros escritores de sua época. Seu contato com a sua alegada Santo Anjo da Guarda que mais tarde levou para a canalização do “Liber AL - O Livro da Lei” é acreditado ter originado de Sirius.

"Set é o iniciador, o abridor de consciência do homem" para os raios de Deus Imortal caracterizado por Sirius - o Sol do Sul". (Kenneth Grant, The Magical Revival) 

"Sirius, ou Set, era o original" um sem cabeça"- a luz da parte inferior da região (sul), que era conhecido (no Egito), como (o cão), daí Set-An (Satanás), Senhor das regiões do inferno, o lugar de calor, mais tarde interpretado em sentido moral, como "inferno". (Kenneth Grant, The Magical Revival) 

Embora cada filosofia oculta descreva Sirius em uma questão um pouco diferente, ainda é constantemente considerada como o "sol por trás do sol", a verdadeira fonte de poder oculto. Percebe-se como o berço do conhecimento humano e na crença da existência de uma forte ligação entre a estrela e o planeta Terra nunca parece tornar-se desatualizado. Existe uma verdadeira ligação entre Sirius e a Terra. É a estrela do cão um símbolo esotérico que representa algo que acontece no mundo espiritual. O culto de Sirius não é uma "coisa do passado" e é muito vivo hoje. Um olhar em profundidade a nossa cultura popular, que é fortemente influenciada pelo simbolismo oculto, revela inúmeras referências a Sirius.

Sirius na Cultura Popular

As referências diretas a Sirius na cultura popular são muitas para enumerar (por exemplo, veja o nome e o logotipo da rádio por satélite mais importante do mundo). Um dos aspectos mais interessantes da cultura popular para analisar são as referências codificadas para Sirius. Importante filmes fizeram ainda marcas profundas para a estrela do cão (aparentemente destinados aos "saber"), onde o astro interpreta o papel que sempre foi dada pelos Mistérios: como um iniciador e um mestre divino. Aqui estão alguns exemplos.

No Pinóquio da Disney, baseado em uma história escrita por Carlo Collodii, um maçom, Gepetto olha para a estrela mais brilhante no céu para ter um "menino de verdade". A Fada Azul (a cor é uma referência ao brilho de luz azul-Sirius), em seguida, desce do céu para dar vida a Pinóquio. Durante a busca da marionete de se tornar um menino (uma alegoria para a iniciação esotérica), a Fada Azul de Pinóquio guia para o "caminho certo". Sirius é, portanto, representada como uma fonte de vida, um guia e um professor.

Quando você desejar por uma estrela, não faz diferença quem você é. Tudo o que seu coração deseja virá para você. Se seu coração está em seus sonhos, nenhum pedido é demasiado extremo. Quando você desejar por uma estrela como sonhadores fazem (o destino é amável), ela traz para aqueles que amam. O doce cumprimento de suas secretas saudades. Como um parafuso fora do azul, o destino vem e bate o pé. Quando você desejar por uma estrela, seus sonhos se tornarão realidade.

Em Harry Potter, o personagem chamado Sirius Black é mais provável uma referência a Sirius B. (a mais "tenebrosa" estrela do sistema binário de Sirius). Ela é madrinha de Harry Potter, o que torna Sirius, mais uma vez, um professor e um guia. O assistente pode se transformar em um grande cão preto, uma outra ligação com a "estrela do cão".

No Show de Truman, um holofote - usado para imitar a luz de uma estrela no mundo fake de Truman - cai do céu e quase bate nele. O rótulo em destaque a identifica como Sirius. O encontro de Truman com Sirius lhe dá um vislumbre do "conhecimento verdadeiro" e pede sua busca pela verdade. Sirius é, portanto, a "estrela da iniciação". Fez Truman perceber as limitações do mundo estudado de seu (nosso mundo material) e levá-lo à liberdade (emancipação espiritual).


Fonte: Secret Arcana

sábado, 19 de setembro de 2015

1812-Os expulsos de sua terra natal


 
“Amor à Pátria que me exclui”

Introdução

No Brasil, existem três regiões que muito exportaram seus habitantes desde o início da urbanização por conta do êxodo rural. Do Nordeste saíram milhares de pessoas basicamente para São Paulo; de Minas Gerais saíram milhares de pessoas basicamente para Brasília; do Rio Grande do Sul saíram milhares de pessoas para vários pontos do País e exterior.

O Brasil dos tempos atuais deve ter quase um milhão de brasileiros no exterior.

Esta postagem vem à página depois de muito incentivo nascido das análises entre amigos e é dedicada muito mais aos rio-grandenses e mais ainda nesta semana em que pelo Brasil e no Exterior existem rio-grandenses comemorando a “Semana Farroupilha” que, na verdade, celebra um período de cerca de 10 anos em que o Rio Grande do Sul foi uma república separada do Brasil e movendo uma guerra contra o Império sediado no Rio de Janeiro.

Há uma possibilidade de as outras duas regiões também merecerem aqui uma abordagem especial, futuramente, incluindo-se o Lula, presidente que, como sabemos, é um retirante nordestino que se radicou em São Paulo.

Os chamados gaúchos – que não é um gentílico apropriado, eis que existem gaúchos nascidos e radicados no Uruguai e na Argentina – são membros de uma cultura especial – refaço o termo: os sulriograndenses expulsos de suas querências mantêm um irresistível amor por suas querências, comumente chamadas de pátrias.

Como explicar isso?

Convocamos o pesquisador Mano Terra, na condição de mais um retirante e este sim, gaúcho de origem, para emprestar-nos seus dados destinados a enriquecer este artigo.

Quem é o retirante que leva o RS na alma?  

Preliminarmente, um conceito para gaúcho: homem rural, campeiro, lidador em espaços amplos, vaqueiro, cavaleiro, marginalizado pelo mundo oficial, de hábitos muitos especiais quanto à natureza, habitante do Extremo Sul da América Meridional, de nacionalidade brasileira, uruguaia, argentina e um pouquinho paraguaia. Falo da Pampa, uma região especialmente campeira, de pastos, sem muitas florestas, onde prosperou o gado vacum e chamou à obra os cavaleiros. Seria um deserto verde não fossem as vacas e os bois trazidos da Europa no início do século XVII.

Ainda sobre o nome “gaúcho”. Muito recentemente o substantivo gaúcho, como foi dito superficialmente nas linhas precedentes, foi transformado em adjetivo e utilizado como gentílico de todos os habitantes do Rio Grande do Sul, o que conflita com a existência de numerosos substantivos entre a população nascida e fixada no Uruguai e na Argentina.

Este ensaio dedicar-se-á à interpretação, à análise e à manifestação de um entendimento sobre o fenômeno da Cultura Gaúcha dentro e fora da região de sua origem.

Em qualquer lugar do mundo em que haja um gaúcho (e aí, sim, referindo-se às pessoas nascidas no Estado do Rio Grande do Sul), ali se encontra alguém com fortes ligações emocionais com sua querência (termo usado no Rio Grande do Sul para definir a terra natal). Mais do que qualquer outro brasileiro, os sulriograndenses chegam a ser exagerados na sua paixão por alguma coisa que se confunde com o território geográfico, mas vai além, como se verá.

Veremos que o espírito do gaúcho original, um mestiço índio, seu amor pela terra, acabou assimilado até mesmo pelos europeus que vieram para o RS depois de 1750.

Certa vez o jornalista João Fábio Caminoto escreveu na revista Veja a respeito dos gaúchos desterrados e habitantes de outros espaços no Brasil e fora: “É como se levassem o Rio Grande do Sul nas costas”. E não é nas costas que se leva o Rio Grande do Sul, como veremos.

Porém, esse levar nas costas, não está nas costas, pois não inclui a terra, não uma mochila, não tem peso. Eles não querem voltar, não voltarão para o território geográfico que chamam de “Rio Grande”. Há uma outra explicação para isso. O Rio Grande vai na alma.

Do ponto de vista comunitário, nos lugares onde se fixam, além de uma cooperativa (também herdada, mas principalmente herança europeia), eles se organizam culturalmente em centros de tradição gaúcha, sob cujo teto revivem, rememoram e mantêm vivas a linguagem, o vestuário, a literatura, as comidas, a principal bebida, o mate, as danças, as músicas, as poesias e vários outros usos e costumes. Ali existe um “Rio Grande” subjetivo, que vai, adiante, merecer nossa atenção.

A Diáspora

Normalmente, por diáspora, devemos entender um movimento forçado de saída de um povo de onde está para escapar de perseguição, escravidão ou outra ameaça à sua existência. Mas, o êxodo de gaúchos sulriograndenses para muitos lugares acabou por ter componentes de uma diáspora: essa parcela de brasileiros foi perseguida pelo modelo econômico excludente e estava ameaçada de fome e miséria. Logo, o que houve ali foi, sim, uma diáspora. Não foi organizada, não teve um líder, mas foi uma diáspora.

Sua saída daquele Estado para ocupar inúmeros espaços pelo Brasil a fora e fora do Brasil, tem componentes dramáticos: deixa(va)m, muitas vezes, seus pais e parte de sua família para conquistar espaços de superação. São, de longe, no Brasil, os mais numerosos retirantes saídos de uma mesma unidade, federativa: cerca de dois milhões atualmente. E podem ser apontados como a mais exuberante experiência de sucesso empreendedor; são raros os casos (lá fora) que não deram certo.

Amor pela Pátria que me expulsa

A nota marcante desses aventureiros venturosos é o amor pelo que chamam de Rio Grande e que, de certa forma, choca as demais pessoas dos destinos que os recebem. Antes, porém, de tentar explicar esse fenômeno sob a ótica do “Amor à Pátria que me expulsa”, objetivo deste Ensaio, cabe um dado formidável: os retirantes são, na sua quase totalidade, descendentes de imigrantes chegados ao Rio Grande do Sul a partir de 1824, expatriados oriundos da Europa, que encontraram no Brasil pequenas propriedades onde prosperaram e geraram muitos filhos.

Já nas décadas iniciais da República, o Brasil oligarca e latifundiário deveria ter implementado uma Reforma Agrária, pela qual talvez a maioria desses gaúchos tivesse permanecido sobre os latifúndios tupiniquins regionais, transformados. Não foi assim. Os primeiros governos republicanos estavam empapuçados de um ideal capitalista da grande propriedade e fez questão de desconhecer a função social da pequena e média propriedade.

Naquele mesmo período, os imigrantes foram alcançados por duas grandes guerras envolvendo seus países de origem, que repercutiram a guerra aqui no Brasil e eles nem mesmo podiam se dizer brasileiros, pois por conta do abandono governamental em que foram mantidos, nem mesmo a língua nacional haviam podido aprender.

Nesse tempo surge o CTG (centro de tradição gaúcha) com cultivos que lhes eram agradáveis e foi assim que, misturando-se aos peões campeiros de ofício, os agricultores imigrantes se fizeram gaúchos culturais.

O CTG nasceu rural, teve sede urbana, mas jeito e feitio rural. Urbanizou-se depois de 1970, quando o êxodo rural fez incharem as cidades e os ex-rurais, urbanizados, continuaram agregados aos centros de arte e cultura tradicionais do gaúcho ancestral e campeiro.

Muito antes de 1970, ao escassear a terra para produzir e sem outra alternativa para sobreviver, imensas levas rurais deixaram para trás o Rio Grande do Sul nos rumos dos espaços disponíveis desde Santa Catarina até Roraima e países vizinhos. Coincidiu que por estes tempos os latifúndios, aos poucos, também, iam se transformando em lavouras mecanizadas e tornando mais profunda a chaga: colocavam-se máquinas no lugar de trabalhadores braçais.

Os excluídos ou iam para as cidades, diga comumente para as favelas ou se metiam nas serranias e savanas inexploradas da América.

Esses “gaúchos” não de ofício e sim de cultura, demonstram seu “gauchismo” de uma maneira inequívoca aonde quer que estejam. Já temos visto fanatismo religioso ou ideológico, mas aqui não se trata disso, apesar de incluir crenças e ideologias; trata-se de algo mais suave, romântico, e muito forte, quase inexplicável.

O que é o CTG?

Fundado por jovens idealistas, filhos do interior rural, num tempo (1947) em que o Brasil estava sendo invadido pela cultura norte-americana, o CTG tinha duplo objetivo: (1) preservar as ricas tradições rurais a partir de um ícone humano pobre e excluído, chamado gaúcho – como se descreverá adiante – e (2) com isso contribuir para que o nosso país não viesse substituir seus valores culturais por algo alienígena.

No âmago dessa sociedade disposta à resistência, aparece a hierarquia da estância, o patrão, o sota-capataz, os peões, a mulher, a prenda, as crianças e a proposta: o galpão é um espaço para os iguais. Veladamente estava o desejo de valorização dos mais fracos e nenhuma chance ao invasor, num magistral resgate ao legendário grito “esta terra tem dono”, gritado como inconformidade do cacique guarani, Sepé Tiaruju, contra a ideia de entregar as tabas e igrejas missioneiras ao governo estrangeiro, no caso, português. Como se deduz, o gaúcho ancestral nasceu falando guarani, depois espanhol e por último português.

Portanto, estas somas de índio, gaúcho, pobreza, honradez, autonomia, amor à terra, já estavam delineadas não pelo CTG, mas pelo homem na sombra cultural de quem o CTG foi buscar inspiração; o CTG era, é, o espelho das querências humanas.

Territorialidade

Tem-se que a natureza é a fonte única dos recursos e subentende-se que fora da natureza o homem estaria derrotado em sua pretensão de sobreviver. Pois foi exatamente a minguada existência de recursos naturais que provocou a diáspora de cerca de 2 milhões de gaúchos sulriograndenses desde os anos 1930. Com algumas exceções, todos viveram, vivem, são felizes longe do Rio Grande do Sul, mas uma coisa intriga qualquer pesquisador: em sua maioria continuam tendo o Rio Grande do Sul em seu imaginário como a querência do amor, da saudade.

Os conceitos de território e territorialidade, no sentido de espaço ou área definida e caracterizada por relações de poder, estão interligados. A noção de poder, domínio ou influência de vários agentes (políticos, econômicos e sociais) no espaço geográfico expressa a territorialidade, daí a afirmação: "entrar em território alheio" poder ser considerada uma afronta. O território é o espaço que sofre o domínio desses agentes, e à forma como eles moldam a organização desse território que é chamado territorialidade.
Na política, o território é o espaço nacional controlado por um Estado - Nação.

Antes das respostas sociológicas e antropológicas mais diretas sobre o fenômeno de “Amor à Pátria que me expulsa”, é preciso explicar o território sob outros pontos de vista. Nossos estudos concluem que o território é uma construção conceitual a partir da noção de espaço. É onde se estabelece um clã, uma população, uma nação, com um produto resultante da moldagem pela ação social; espaço físico, balizado, modificado, transformado pelas redes, circuitos e fluxos que aí se instalam, acaba se tornando propriedades, cidades, rodovias, canais, estradas ou ferrovias ou hidrovias, aeroportos, circuitos comerciais e bancários, etc. etc., por exemplo, e se constituem em um complexo jurídico-sócio-político-econômico e de fé, modelado pela multiplicidade de paisagens e atividades características. Assim, a produção de um espaço ou território nacional, contém os objetos espaciais, naturais e/ou construídos, na condição de instrumentos exossomáticos, (estão no íntimo humano sem clara percepção) para produção/reprodução de uma identidade étnico-sócio-cultural.

O modelo brasileiro de Estado e de propriedade nasceu do contexto pós-medieval europeu. Sua característica maior é a forma de propriedade territorial, que se expressa em uma soberania patrimonial excludente: “o que é meu é só meu” e não afastou a figura do vassalo e do escravo.

A afirmação nacional, a brasilidade, por exemplo, não se pauta apenas pela defesa dos limites desse recorte jurídico-político-territorial-econômico e de fé. Fronteiras políticas da individualidade estatal assinaladas na natureza determinadas pela ação do Estado teriam muito pouco valor se o ocupante desse espaço não se sentisse acolhido por ele. E quando este espaço não acolhe os indivíduos, os expulsa dali por razões econômicas ou legais e, mesmo assim, os indivíduos se mantêm vinculados ao espaço por razões afetivas, como explicar? É a proposta e é a ação deste ensaio.

Pode existir um território imaginário? 

O ocupante do espaço ecológico pode superpor o conforto proporcionado pela safra que a terra entrega, mas ele pode estar infeliz por uma série de motivos e mais ainda se não há terra e nem safra. Os experts falam do fator exossomático (já referido), que o telúrio (essência da terra que vem com os alimentos – e no caso dos gaúchos, mais ainda com o mate) poderia explicar, mas logo fica desmentido pelo fato de que, nesse caso, quem nunca esteve no Rio Grande do Sul não poderia ser alcançado por este sentimento e telúrio que se diz que a terra dá. Ademais, do outro lado da fronteira, na Argentina (outro território) e no Uruguai (outro território) temos exatamente o mesmo fenômeno. Já não se pode mais falar de território geográfico e sim de territorialidade psíquica: uma alma gaúcha, uma consciência gaúcha.

Então quando os gaúchos se referem aos seus valores de cultura, o título genérico para isso é a palavra “Rio Grande”, mas por dentro desse rótulo existe a efetiva riqueza que não é a terra (propriamente) que dá.

O componente “alma”

Existem fronteiras que dividem povos, separam nações e distanciam culturas. Esse é o entendimento dominante. Essas barreiras imaginárias já foram cenários de batalhas sangrentas, em que pessoas se digladia(va)m com o objetivo de ampliar o domínio geográfico e econômico de seus países. É isso que a história nos narra e as notícias nos dão. Daí a ideia de as fronteiras serem conhecidas como linhas vermelhas. Depende de como se entra no território alheio pode ser uma afronta.

E quando nada disso separa; pelo contrário, une.

É assim que desejo embalar a abordagem da “Alma Gaúcha”, porém não tendo o Rio Grande do Sul como matriz única desse fenômeno. Importante, sim. Única, não.

As paisagens pelo planeta a fora são diversificadas, belas, maravilhosas, ricas em ofertas minerais, vegetais, animais, humanas.

A paisagem do Extremo Sul da América Meridional não pode ser comparada a nenhum paraíso de rara beleza: não teve ouro, prata, pedras preciosas, pouquíssima madeira, pouquíssima caça, alguns rios e lagoas, mas, nada exuberante, nada cativante. Os seres humanos que aí viviam eram indomáveis índios e perigosos aventureiros, sempre prontos a receber como inimigo quem se aproximasse.

Mas, havia sobre esta terra dois clãs indígenas a destacar: os charruas e os guaranis, dos quais o mestiço filho china (no caso a índia), chamado gaúcho, herdou muitos valores que lhe modelaram a alma. Parece ter sido essa “alma” a grande diferença cinzelada na índole do peão pobre, sucessor do gaúcho ancestral, que deixou suas marcas culturais nas estâncias onde se ajustou como trabalhador. E foram os valores da mãe guarani e sua própria habilidade campeira astuta (da herança charrua) que transmitiram aos seus herdeiros o direito de também se chamarem gaúchos e gauchos, na verdade, entre eles estavam guerreiros que estiveram com Artigas na defesa da Pátria Uruguaia, também chamada patriagaucha; e que estiveram (sem farda) ao lado dos farrapos na defesa da Pátria Riograndense; estavam e estão os peões que prestaram e prestam serviços às estâncias depois que os aramados foram estendidos; milicianos da já mencionada Guerra Farroupilha; e soldados da cavalaria de Osório na Guerra do Paraguai. E em outras peleias mais que foram muitas.

A cultura gaúcha

O primitivo personagem que dá causa à cultura campeira conessulista – o  gouch provindo do idioma inglês – sempre foi pejorativamente descrito por quem o detestava. Por isso era tido como maula (má índole), ladrão, indisciplinado, valente. Em geral ninguém conseguiu passar por sobre o seu cadáver.

Muitos escritores escreveram sobre ele. Inclusive ingleses ao narrar e reclamar das dificuldades de acesso ao território para o comércio dos vendedores ambulantes, chamados mascates, com produtos da nascente indústria inglesa.

“Sentido profundo de liberdade individual como consequência da vida nômade, originalmente um rebelde, muitas vezes foragido da lei e com acentuado desapego pela autoridade constituída”, é como o interpretou Danilo Antón, escritor uruguaio.

“Nestas planuras, o gaúcho é um homem sem a menor vocação para ficar sob as ordens de terceiros”, disse, sobre ele, o escritor espanhol Félix de Azara, ao visitar a região no final do século XVIII.

Para a autoridade policial, era um ladrão, um sem-lei, um indisciplinado.

O correto é, sem absolvê-lo de todo, descrevê-lo como um solitário, um rebelde, um romântico, um ecológico, autônomo, nômade, excluído e pobre, extremamente miserável do ponto de vista dos bens materiais e instrução escolar. Possivelmente nunca tenha desejado a posse de nada além de um território, sua Pátria.

Os antropólogos com tendência humanista dizem de sua presença: “Uma vítima em caráter mais profundo que o índio, porque este último possuía identidade étnica e se organizava em tabas”. Ainda que marginalizado, o índio teve, mais tarde, seus territórios reconhecidos, demarcados e respeitados. O mestizo, que era o caso desse filho da viúva da guerra guaranítica (1756), de pai europeu ou negro, a exemplo de outros, sofreu pela crise de identidade. No caso do gaucho, o que chama a atenção é ele ter criado a sua marcante identidade pessoal e intransferível, apesar dos pesares. Esses aspectos aumentam-lhe em muito a importância e o correlaciona com o beduíno, outro marginalizado, porém com identidade, ao menos, racial.

Quase uma etnia, mais que uma etnia

É indispensável, neste tópico, falar da força da cultura gaúcha. É muito difícil encontrar um outro grupo social que se assemelhe aos gaúchos internacionais e mais ainda aos sulriograndenses no exílio. Quando estes se mudam do Estado, deixam apenas a terra, levam tudo mais: o linguajar, as vestimentas, a alimentação, as bebidas, as danças e as músicas.

Localizados em outros estados ou países, vivem dos frutos da terra e por força de outros componentes amam à terra que muito lhes dá. Estejam onde estiverem, acompanham pelas tevês a cabo os programas que tratam da cultura dos gaúchos. E mesmo nos mais distantes rincões, onde estejam reunidas algumas famílias gaúchas, sempre tem por perto um armazém que vende erva-mate, vinho de garrafão, salame, queijo, charque...

O curioso é que filhos de gaúchos, crianças e jovens nascidos em outros estados, até mesmo aqueles que nunca viajaram ao Rio Grande do Sul, dizem que se sentem inteiramente gaúchos. E é por isso que eles cultivam as tradições gaúchas com uma dedicação que supera a de muitos que vivem no próprio Rio Grande do Sul.

Eles amam o seu novo Estado, amam a terra que os recebeu, nunca querem voltar ao ponto de onde saíram, mas se dizem gaúchos.

Dizem amar profundamente sua querência. Os gaúchos amam sua nova terra por outros motivos que inclui a terra e o que ela dá, a geografia, o território, a produção, a riqueza. Isso não inclui a cultura, isto é, a alma.

Mais uma vez se pode identificar algo etéreo, onde a geografia fica de fora. Os gaúchos amam alguma coisa que chamam de Rio Grande, mas isso não existe no mapa geográfico, pois amam também a terra que os recebeu de braços abertos. Nenhum quer retornar ao Rio Grande. Claro, o que eles querem que permaneça já está com eles.

Em qualquer lugar do Brasil, os gaúchos, em geral se dedicam à agropecuária e amam sua nova terra e seu novo estado. Mas continuam guardando total dedicação aos usos e costumes gaúchos.

 

Põe, antes, um fogo de chão

Nada mais pode ser tão semelhante à alma humana quanto o fogo, a lavareda. No fundo, cópia do majestoso Sol que dá vida aos planetas que o circundam.

Poucas sociedades tiveram tanto contato com o fogo de chão quanto os chamados gaúchos: peões de campo de uma região fria recolhidos aos galpões para descanso e lazer, onde se incluem os de língua portuguesa e espanhola; peões das tropeadas e acampamentos com repercussão em dois países sul-americanos e cinco estados brasileiros; peões das roças inaugurais dos imigrantes, recolhidos aos primitivos albergues coletivos antes de existirem as casas e os fogões; peões dos cetegês em que o fogo de chão não é uma necessidade, é um imperativo cultural.

Foi ao redor dos fogos de chão que nasceu a cultura chamada gaúcha. Ela passa pelas laçadas, pelos tropéis e tropeadas, mas o fogo de chão preside a comuna, com todos igualmente iguais sob a roda de mate numa infinita transmissão de conteúdos básicos de uma tradição que renasce a toda hora.

Essa forja onde as almas são modeladas produz almas em série, cópias de séries para outras gerações nascidas em qualquer parte do mundo e no tempo.

Essa é a alma gaúcha impressa no coração e não registrada em cartório. Esse é o coletivo das almas gaúchas de todas as línguas.

Território é referência, não é endereço

Imagine um gaúcho de origem italiana bem longe da Pátria. Descobre alguém falando sua língua, fica feliz e se aproxima; descobre que são da mesma região e a descoberta se torna ainda mais excitante. Mas, em seguida, a decepção: a pessoa não é camarada, não se envolve com a cultura gaúcha e corta o papo.

Está longe do padrão esperado.

Veja o reverso.

É patriota, fala português, tem cultura gaúcha, é filho de italianos, torce pelo mesmo time, aprecia tertúlias e churrascadas e gosta de papo.

Aqui pode-se dizer tratar-se de territorialidade, não geográfica necessariamente, pois os estados de origens poderiam ser diversos. Tudo mais, não. Retira-se o endereço. Tudo mais combina.

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