sábado, 12 de setembro de 2015

1811-Pode ser coisa do diabo?


Espíritos e Forças do Além

Introdução

Quem nunca viu um espírito e nunca sentiu uma força do além atuando em sua vida, realmente, não sabe do que estamos tratando e anda precisando, antes, ler um pouco mais sobre isso; em segundo lugar, deve prestar mais atenção aos acontecimentos de sua vida.

Pois, então, caros leitores, estamos dedicando espaços aqui no blog para investigar, falar, testemunhar sobre o espírito, que também é, equivocadamente, chamado de forças do além, fantasma, assombração e outros e até mesmo se diz ser coisa do diabo.

O que seria o espírito? Existe ou não forças do além? Será verdade que o diabo faz tentação? Melhorando a pergunta, o diabo existe?

Com base em que doutrina os evangélicos afirmam que espíritos são coisas do diabo?

Queremos buscar a participação de experts nesses assuntos e tentar esclarecer tudo. Vamos ao assunto.

Forças ocultas ou do além

É muito antigo o interesse humano e a crença em espíritos e seres sobrenaturais sob várias concepções, a começar por aquilo que chamamos de Deus, não sabemos se existe, não sabemos seu nome, nem onde mora e nem como é, passando depois pelos deuses mitológicos, por Jesus Cristo, pelas aparições de Nossa Senhora e por aí vamos pelo tempo acreditando em manifestações ocultas que interferem nas nossas vidas. Existem, mesmo? Existem, não. O Espírito existe como ser inteligente.

Chegamos a criar um ramo das ciências dedicado a estudar esses fenômenos. Trata-se da moderna Teoria Ocultista.

Entre as forças ocultas mais temidas e mais faladas, estão os espíritos dos mortos. Começou com o homem primitivo, um sensitivo natural, que acreditava que os mortos se faziam presentes na condução da vida das tabas e pessoas. Diz-se que eles viam espíritos. Acreditavam que a força vital vinha do sangue, por isso admitiam que os espíritos se alimentavam de sangue derramado e até mesmo bebiam o sangue de seus inimigos com o intuito de apoderar-se da sua força. Aí tem curso a antropofagia e todas as histórias que se lê nos livros e vê nos cinemas envolvendo vampiros. O sangue, pois, era associado à energia espiritual. Retirado o sangue, falecia o ente, fosse ele animal ou pessoa.

A maioria dos rituais (pagãos na ótica das igrejas, porém) sagrados para quem deles participava e participa, envolvia, envolve, a produção de fumaça (que subia, sobe aos céus) oriunda da queima de oferendas e um pouco mais raramente o derramamento de sangue, que podia ser de um animal ou pessoa e muito especialmente dos inimigos aprisionados, no caso, por sacrifícios ou em honras ao deus homenageado. Homenageado, então, dependendo da cultura em questão, podia ir de Deus ao diabo, passando por enorme lista de divindades ou entidades nem tão divinas.

O homem posterior herdou parte desse conhecimento. E a ideia de valor do sangue está viva entre nós. As Testemunhas de Jeová (religião formal), por exemplo, não autorizam e não fazem transfusão de sangue, alegando que Deus proibiu essa prática sob o entendimento que nele reside a força vital. Por esta mesma razão e com base no Antigo Testamento, não consideram a existência da alma ou espírito. De fato, Moisés não cita uma só vez a palavra alma ou o que o valha em todo o Pentateuco, a Torá dos judeus.

Então, por conta de que o sangue é a razão da vida, as estórias de vampirismo que povoam a literatura infantil e adulta caminha nesse mesmo sentido de que o vampiro vem buscar nas suas vítimas a força que lhe reanima, o sangue.

Este antigo conhecimento pode estar por trás do nome dado ao primeiro homem na Gênese, Adão, pois a sua tradução quer dizer “terra vermelha” ou na verdade, sangue coagulado, carne, talvez. Note que quando o considerado mago, rei Salomão, arrependido, expulsou os espíritos que invocara, eles fugiram para o Mar onde se afogaram e assim deram nome de Vermelho àquele mar.

Poderes sobre humanos aos animais

Este é um outro aspecto que estava presente em algumas civilizações do passado e no mundo indígena também: pássaros, animais, repteis e peixes aos quais se atribuíam poderes além do homem. A serpente, o condor, o puma, o golfinho, entre outros estavam e estão associados ao poder sobrenatural para inúmeras aplicações em que se sobressai a dificuldade, a dor, a doença, a fome, a sede.

A forma divina de Sekhet, presente em algumas produções esculturais do passado, a deusa do prazer sexual e da bebida embriagante, era a leoa, típica do calor solar em sua fase feminina que, como o leão sem juba, ela representava: uma avalanche apaixonante, luxiriante.

Também aparecem entre os ajudantes invisíveis, facilitadores da vida humana, os duendes, com destaque para gnomos (terra), silfos (ar), ondinas (água) e salamandras (fogo). Chega-se, mesmo, estudar os duendes como forças em estágio pré-espiritual. A mônada iniciaria sua marcha no mundo mineral e iria se aprimorando ao passar pelo microbial, pelo vegetal, pelo viral, pelo animal (pela ordem: réptil, quadrúpede, ave), pelo duende, até qualificar-se para habitar um corpo humano, inicialmente nas culturas mais retrógradas e então chegar ao mundo dito civilizado.

E assim chegamos ao absurdo mostrado pelo Fantástico, de um cachorro ditando textos em uma psicografia.   

E assim se chega ao Espírito

Um conceito diferente e posterior atribuiu espírito ao ar, também chamado de alento e nisso também significando força vital. Ainda na Gênese, Deus sopra nas narinas de Adão e ele passa a viver. Nisso, nos rituais, a fumaça também contribui por tornar visível o ar (espírito) e deste modo não deixar dúvida que as oferendas queimadas nas fogueiras sobem para os céus. Na China, até hoje, a fumaça do incenso é conhecida como o fragrante repasso dos espíritos. De lá também vem a tradição de queimar fogos, produzir estampidos, com o objetivo de mandar para longe os maus espíritos.

No entender de quem estuda o sagrado através das culturas não resta dúvida que as civilizações passadas replicam muito do que sabem às civilizações e gerações que lhes sucedem. Assim, ao aceitar que os espíritos dos ancestrais participavam da vida das tabas e das pessoas, o homem primitivo nos ensinou a adoração aos velhos, entregando a eles a função de adivinhar, comunicar-se com os mortos, benzer, curar, aconselhar. Esta ainda é a realidade entre os chineses, boa parte dos japoneses do interior e de muitas outras culturas.

A ida aos cemitérios, depositar flores, acender tochas e velas, veio até a civilização ocidental por este viés. Os egípcios foram para além do que se pode imaginar erigindo pirâmides para servirem de túmulos. E não só. Hoje se sabe que as pirâmides tinham também objetivos ousados para a época: servirem de sinais para habitantes do espaço. Habitantes encarnados ou espirituais? Falta apurar.

Espíritos guardiões

São incontáveis as civilizações passadas e atuais que admitem a existência dos espíritos guardiões, também chamados de anjos, arcanjos e potentados.

Dois componentes sutis do organismo humano são reconhecidos no ocultismo e representados por uma múmia prostrada e uma múmia de pé, respectivamente: a sombra astral e a inteligência espiritual. Esses mesmos componentes voltam a aparecer no antigo conceito do demônio sedutor e do anjo da guarda que acompanham cada ser humano pela vida a fora. O último é o espírito de luz e o primeiro sua sombra, o gêmeo, o espírito das trevas, porém não com a conotação de inferno, como os católicos creem. Jung também enfoca algo parecido quando nos apresenta Abraxas, o monstro que somos em lapidação para transformar-se em algo angelical, quando acabar a disputa entre o ego e a alma.

A sombra negra de algo diabólico obcecava a imaginação dos povos e engendrou as lendas do lobisomem, do vampiro e do gênio do mal. O espírito luminoso gerou as crenças em anjos, anjos da guarda, os gênios do bem que guiam a humanidade e inspiram suas mais louváveis criações.

O anjo guardião era um conceito comum a todos os grandes cultos da Antiguidade. Os egípcios referem-se a ele como Asar-Un-Nefer, O Que Se Fez Perfeito; os chineses chamam-no de a Grande Pessoa; os hindus conhecem-no como Ishvadevata, ou Deus Eleito; os cabalistas chamam-no de Jechidah, o Eu Superior; os budistas o denominam de Adi-Budha, a raiz da luz ou iluminação; os gnósticos referem-se a ele como o Augoeides, o Eu Luminoso. Mais recentemente, os teosofistas popularizaram a ideia do anjo da guarda como Vigilante Mudo ou o Grande Mestre. Também os espíritas defendem a sua existência como espíritos prestadores de serviços nas diversas hierarquias.

Formas mentais, demônios e bruxas

A supressão do instinto natural imposta pelas tendências ascéticas na Europa medieval deu origem a um lúgubre complexo de ideias sobre monstruosidades astrais, íncubos e súcubos, ou demônios sexualmente insaciáveis gerados por ejaculações involuntárias noturnas, que obcecavam os moradores de comunidades religiosas e atacavam sexualmente devotas insatisfeitas. O patrulhamento era tão severo que os casais só eram abençoados se se relacionassem apenas para procriar. Os solteiros eram proibidos de dormir de costas para evitar ejaculações. A masturbação era passível de excomunhão.

Foi num ambiente assim que muitos estudiosos da personalidade humana acabaram por cometer exageros, como fez Freud ao definir que todos os problemas humanos tinham origem no sexo.

O escritor Paracelso menciona vários grupos desses demônios, um dos quais consiste num daqueles duendes a que já nos referimos que mantinham relações sexuais com homens e mulheres. Em situação mais alarmante também se dizia que espíritos dos mortos quando invocados também faziam a mesma coisa. E que feiticeiras e bruxas podiam gerar em seus ventres, a partir da emissão noturna involuntária de esperma, íncubos e súcubos ao projetar de si suas genitálias para irem ao encontro de homens que estivessem com ereção noturna.

Para o leitor que esteja lendo pela primeira vez as palavras íncubo e súcubo, aí vai o conceito: íncubo é o demônio que fica por cima e, portanto, macho, e súcubo o que fica por baixo e, portanto, fêmea.

Pode-se imaginar a tortura que representava viver naquelas épocas sobre patrulhamento de padres, bispos e educadores, o que de alguma maneira começa iluminar por que a questão sexual se apresenta hoje tão banal e absurda, pois perdeu-se a oportunidade de significá-la nos tempos passados, encaminhá-la como estágio preliminar do êxtase.

Poltergeist e kundalini

Um dos mais curiosos tipos de força oculta é o fenômeno conhecido por poltergeist, palavra alemã que significa fantasma barulhento. São conhecidos relatos de poltergeist em que a energia faz voar móveis, faz baterem portas, quebrar vidros e louças, disparar alarmes e telefones sem nenhum propósito evidente. É como se alguém estivesse zombando dos moradores, mangando com eles, assustando-os por assustar.

Nos estudos até aqui realizados, está de volta o tema da ejaculação involuntária: em 100% dos casos estudados, nas casas em que o poltergeist se manifesta há, sempre, um adolescente masculino. Assim, os pesquisadores concluem que se trata da energia sexual absorvida pelo agressor.

E então a temática precisa ser extrapolada para alcançar a milenar sabedoria dos hindus. Entra em ação aqui a kundalini hindu, associada ao chakra fundamental, estudado como a serpente tentadora, apresentada como associada inicialmente ao poder sexual e, quando efetivamente domada, pode ser aplicada aos poderes do amor, da mente e do espírito.

Nesse caso, indomada, a poderosa energia se presta para destruir, amedrontar, zombar.

Sabá de bruxas e o Livro das Sombras

O termo um tanto impreciso quanto sua origem, parece derivar de Sabbat ou Sabbath, a mesma palavra que designa Sábado para os judeus, por sinal, seu dia sagrado semanal. No caso aqui, Sabá é empregado para referir-se a festival, conciliábulo, congresso, celebração entre bruxas. A cidade de Desterro (hoje Florianópolis), em Santa Catarina, era tida como um local de muitas bruxas. Uma formação pedregosa dentro do mar, com cerca de 13 cocurutos que se destacam para fora d’água, é apelidado de Sabá das Bruxas. Além de muito bonito é, também, farto de energia.

Como bruxa ou bruxo, iremos encontrar pessoas que benzem, abençoam, conhecem o poder das plantas, veem a sorte, são médiuns, fazem prodígios como o desaparecimento de verrugas alguns minutos depois de haverem tratado delas apenas com a energia das mãos.

Ser um bruxo era coisa comum antes da Inquisição. Muitos bruxos e bruxas foram queimados vivos e a sua atividade quase desapareceu pelo medo de ser caçado pela Igreja. Contudo, tudo que é proibido tem mais atração, a literatura sobreviveu ao fim da Inquisição e o século XIX trouxe de volta a feitiçaria, que é uma das atividades dos bruxos.

O que se retira como explicação para as feitiçarias promovidas por bruxos e bruxas, são trabalhos destinados a proteger, defender, impulsionar e nunca prejudicar alguém. Ações prejudiciais pertencem à magia negra.

Isso fica bem definido no “Livro das Sombras”, de Aleister Crowley, considerado o manual técnico básico da atividade. Na verdade, é um culto e geralmente com energias das deusas desprezadas nas religiões monoteístas.

Aparições

Uma aparição pode ser definida como uma mostra astral de um espírito, incluindo-se até mesmo os casos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Lourdes e outros locais. São também chamados de fantasmas, sem conotação negativa, como se costuma dar ao fantasma. O termo fantasma, apesar de designar também visão terrífica, medonha, apavorante, quer dizer, por outro lado, imagem ilusória, algo indeterminado.

O que se pode falar é que para se tornar visível o espírito necessita de uma energia intermediária, chamada ectoplasma, que ele precisa obter no ambiente onde vai ser visto e geralmente obtida junto das próprias pessoas que estejam no local da aparição. Nesse caso, quem o vê não tem necessidade de ser vidente. O vidente vê espíritos sem o concurso do contraste oferecido pelo ectoplasma.

As crianças antes do fechamento da moleira, que ocorre em torno dos sete anos de idade, veem espíritos, brincam com eles, se sugestionam por eles, se assustam com eles.

O que a maioria das pessoas cuja consciência vem sendo moldada pelo materialismo europeu, que alcança as Américas, tem dificuldade de aceitar e sair da defensiva, é que o mundo espiritual e o mundo das formas são a mesma coisa. Os animais nos percebem e nos tomam por alguém superior a eles, capazes de muitas coisas que eles não têm aptidão para executar. Do mesmo modo, nós humanos deveríamos perceber e tomar os espíritos por alguém superior a nós, capazes de muitas coisas que nós não sabemos e não podemos executar. Numa zona intermediária iremos encontrar animais com aptidões acima da média, como são os casos do castor, do joão de barro, do papagaio, do cachorro e outros. E numa zona intermediária espiritual iremos também encontrar espíritos sem nenhuma aptidão, verdadeiros ignorantes, aprendizes dos primeiros passos. 
Pode ser coisa do diabo? Ou tudo não passa, mesmo, de coisas de Deus!

Esses assuntos parecem inesgotáveis. Logo, merece que voltemos a eles em breve.

Até semana que vem.

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