sábado, 31 de outubro de 2015

1818-Não dá mais para esconder


Uma Igreja em crise e nascida da crise

Introdução

É isso mesmo que você lê na manchete. Uma igreja nascida da crise e em longa e desesperadora crise. Uma crise de credibilidade ancorada nos seus próprios dogmas e na sua herança maldita do poder. Estamos num mundo em crise: crise do capitalismo, crise do comunismo, crise do ser humano, crise ambiental, crise do conhecimento. Não seria diferente com a poderosa e antiga Igreja. Este artigo não objetiva denegrir a poderosa Igreja Católica Apostólica Romana, à qual o Ocidente deve muito. Trata-se de analisar o que lhe põe em xeque-mate desde mais de mil anos e, de certa forma, antever para ela uma saída honrosa.

Não se põe em dúvida um dos papéis fundamentais da Igreja Católica e Apostólica Romana (também existe a Igreja Católica Apostólica Oriental, e também a russa, até certo ponto opositoras à de Roma) em relação ao Ocidente a partir do momento em que o poderoso Império Romano ruiu.

A Igreja em crise e da crise, é fruto do Império Romano. Ocorre que 83 anos depois de adotado o cristianismo por aquele outrora poderoso Império, o Império faliu e a Igreja se virou como pôde para segurar as pontas.

Tendo por religião oficial o chamado Mitraismo, em que o deus é o Sol, durante muitos séculos o Império Romano foi imbatível e teve seu auge nos séculos I e II da Era que viria ser Cristã. Já no século III o sistema econômico e político mais avançado do planeta (para a época, até a Revolução Industrial), sofreu gradual declínio: uma administração corrupta, o enriquecimento dos governantes, a inflação, o controle de preços e a queda na arrecadação, enfraqueceram o poder e as invasões não combatidas por falta de recursos humanos e materiais, levaram o Império à ruína. Apenas na Itália, sede do poder, formaram-se meia-dúzia de reinados independentes.

Mas, antes de morrer, o Império Romano foi buscar no cristianismo o que se poderia chamar de tábua de salvação ou colete salva-vidas, como veremos adiante.

Nem assim escapou da falência. E o pior, deixou a deriva a religião por ele patrocinada. Nada mais existiu do Império que tinha domínio sobre toda a Europa e uma grande parte do Oriente. E diga-se, na parte Oriental, desde 330 d.C. formara o Império Bizantino, que durou até 1453. Diga-se, também, que este foi mais um golpe na estrutura romana.

É aí, nas ruínas imperiais, que entra o Vaticano, não para suceder, mas para complementar o império, numa época em que a religião era parte do raciocínio lógico das pessoas. Os papas passaram a fazer a animação, o controle moral, a manter a língua latina nas celebrações e a fazer a unidade dos vários países e das várias culturas como uma só fé.

Primeiro lance incoerente

O polêmico Cristo, crítico dos promotores de guerras, invasões, dominação e exploração dos povos, aparece na mente de um imperador desesperado como tábua de salvação. Teria de ser repaginado por Roma antes de ser declarado Deus dos católicos romanos.

Como hoje, haviam muitos interesses em jogo na Palestina da época, Roma também tinha suas divisões. De um lado, a cultura dos militares e juízes diante do quadro de perseguições aos cristãos originais, de outro os interessados em se manter nos cargos de poder e em terceiro lugar, os pobres, desassistidos, carentes, a espera de transformações, quem sabe, milagres. Essa foi a massa que apoiou o cristianismo recuperando a memória das esperanças do Cristo consolador.

Acontece que Roma havia matado Jesus e também a Pedro. Agora buscava Jesus para seu Deus e Pedro para o precursor dos papas.

E o Cristo foi reabilitado pelo mesmo algoz que o pregou na cruz.

Tem início aí a crise da Igreja fruto da crise do império.

Um Cristo repaginado

Então, na verdade, as causas da crise da Igreja datam de 17 séculos. A versão da Bíblia Católica que conhecemos no que diz respeito ao Novo Testamento (parte cristã) passou por um longo processo de edição até chegar ao formato atual. Coube à elite letrada, os reis, os sacerdotes e os escribas a tarefa de reescrever as narrativas a pedido do Rei de Roma. A nova religião seria a oficial para tentar reverter a crise daquele poder.

No Novo Testamento, tiveram preferência os textos que mostravam que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia e reforçavam que Ele teria vindo confirmar as profecias do Antigo Testamento.

Apesar de serem resultado de ações humanas, as Sagradas Escrituras são consideradas, em sua essência, obra divina. “A Bíblia é um livro inspirado por Deus, porque é testemunho de fé, reflexo da experiência de ação divina na criação e na história”.

Qualquer escrito que colocasse em dúvida a divindade ou a fé de Jesus, não entraria na Bíblia, como aconteceu com os evangelhos de Tomé e Tiago, confirmados hereges por grupos que se auto afirmavam intermediários da palavra de Deus onde a palavra "FÉ" era uma palavra desconhecida, grupos que a cada nova mudança de Imperador, mudavam também sua forma de pensar em relação a FÉ Cristã. Era uma tremenda reviravolta religiosa, como exemplo disso: Constâncio depois da morte do Pai (Constantino favorável a causa dos Nicenos) e dos ìrmãos, assumiu o poder e deu preferência pela causa Ariana; mas quando seu primo Juliano o substituiu houve uma nova reviravolta, instituiu o retorno do paganismo. A questão da fé era meramente uma disputa de Poder.

A escolha final dos livros da Bíblia – considerados sagrados e divinamente inspirados (?) – ocorreu em 393 no Concílio Regional de Hipona, na África do Norte e, é lógico depois de uma batalha doutrinária dentro da Igreja, brigas de grupos e de ideologias, não se chegando a um consenso e tudo foi parar na gaveta. Os textos que saíram vencedores foram promulgados oficialmente apenas em 1546 no Primeiro Período (1545-1548) do Concílio de Trento (formado por três períodos). Veja, foi preciso esperar que o tempo enterrasse muito daquilo que teria de ser recontado. Nada menos que 1.153 anos depois os textos adulterados, adaptados, foram transformados em cânone (espécie de lei) e declarados dogmas.

O que é um dogma? Um ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa e por extensão de qualquer doutrina ou sistema. Uma expressão legítima e necessária para uma fé que não se sujeita à controvérsia e, portanto, não racional. A medicina também tem seus dogmas.  

Os livros que não pertenciam ao cânon (lista dos escolhidos) ganharam a alcunha de apócrifos (que, em grego, significa “reservado, escondido”, mas acabaram cotados como falsos) e muitos foram para a fogueira por terem sido considerados heréticos, palavra que quer dizer “do contra”.

Curiosamente foi no Concílio de Trento (1545-1563) que se instituiu oficialmente também o Índice de Livros Proibidos (1559) – Index Librorum Prohibitorum – liderado pelo Papa Paulo IV. A propósito esse foi seu último ano (1559) de Pontífice; e o que é notável é que obras de cientistas, filósofos, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista. Na verdade, estava ganhando força a Inquisição, que acabou por condenar à fogueira milhares de líderes espiritualistas que a Igreja queria afastar de seu caminho. Para tanto, esse mesmo Concílio reorganizou a Inquisição para ser retomada ainda mais feroz na perseguição, julgamento, condenação e execução dos adversários da Igreja.

Uma entidade que para sobreviver precisa eliminar seus adversários, nivela-se aos regimes da União Soviética, Cuba, Venezuela e Alemanha de Hitler.

Nova Crise: 1054 – um racha

Até o final do século X, as, hoje, duas, na verdade, três igrejas eram uma só, com os católicos de hoje radicados na Europa Ocidental, os católicos da Grécia e Turquia mais os ortodoxos da Rússia, todos sob a liderança do Vaticano. "A Igreja Ortodoxa surgiu com o objetivo de espalhar o Cristianismo pelo Oriente", afirma o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, da PUC-SP.

Com o tempo, as diferenças culturais criaram várias rusgas entre elas, como a que diz respeito à língua oficial dos cultos: os cristãos do Ocidente queriam o latim, enquanto os do Oriente não abriam mão do grego e do hebraico.

A separação veio em 1054, no chamado Cisma do Oriente. Os ortodoxos questionavam a autoridade papal e não aceitaram a interferência de um cardeal enviado pelo papa Leão IX a Constantinopla, na Turquia. Resultado: o patriarca Miguel Cerulário foi excomungado pelo Vaticano e na sequência, os católicos ditos do Oriente separaram-se da matriz romana.

O que difere as duas igrejas católicas, uma com sede em Roma e outra com sede em Istambul? Enquanto os católicos seguem fielmente o Papa, os ortodoxos possuem maior independência: a única função do patriarca - o cargo mais alto em sua hierarquia - é manter a unidade da Igreja.

As cruzes também não são iguais: a dos ortodoxos tem três barras. A de cima foi acrescentada por acreditarem que teria servido para a famosa inscrição INRI (abreviação de Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus). A de baixo teria recebido os pés de Cristo, pregados em separado e não juntos como creem os católicos. Existem ainda outras diferenças ritualísticas.

Poder paralelo

As pessoas deste século ignoram que a Igreja em crise chegou a ter antipapas, isto é, um governo paralelo. Um deles adotou o nome de João XXIII, o mesmo nome do carismático Papa dos anos 1958-63.

João XXIII (o outro e anterior) nascido Baldassare Cossa (Nápoles, 1370-1419) e foi antipapa de 1410-15. Entrou no serviço da Igreja Católica durante o pontificado de Gregório XII (1406-1415). Cardeal em 1402, foi eleito e sagrado em Bolonha em 1410, para suceder ao antipapa Alexandre V. Sua eleição foi reconhecida com a adoção do nome de João XXIII, pela França, Inglaterra, parte da Itália e da Alemanha. Note o leitor que nesse tempo a Igreja já não conseguia ser o mediador entre os reinados e culturas da Europa.

Vários historiadores atribuem a ascensão de antipapas ao trono pontifício por influência e ingerência direta da monarquia francesa, que buscava a todo custo controlar o poder dos Papas.

O ano de 1410 apenas refletiu um período particularmente conturbado para a Igreja; um Grande Cisma enchia de dúvidas a toda a Cristandade com o aparecimento de até três papas (o de Roma, os de Avinhão e o de Pisa).

Levado a Roma pelas armas do rei Ladislau de Nápoles, foi aclamado enfim pelos seus partidários como o pontífice João XXIII, o bispo de Roma, Vigário de Cristo na Terra. Não foi papa legítimo. Seu nome e seu retrato não figuram nos catálogos e medalhões por causa das dúvidas de então. Aliado a Luís II de Anjou, lutou contra o rei da Sicília e opôs-se a Gregório XII, papa legítimo de Roma, e a Bento XIII, antipapa de Avinhão.

Reuniu um Concílio em Roma, em 1413, no qual condenou os livros de John Wycliffe.

Em 1414, inaugurou o Concílio de Constança, que de tão solene e grandioso para a Cristandade, contou com a proteção do piedoso imperador Sigismundo. Chegou ao evento o antipapa João XXIII com magnificente cortejo. Vendo-se, porém, alvo de justas recriminações, fugiu disfarçado. Retratou-se depois de seu erro, submetendo-se à decisão do mesmo Concílio, que terminou com o Grande Cisma do Ocidente. Foi deposto e aprisionado no ano seguinte,1415, foi libertado em 1418 e faleceu no ano seguinte.

O outro antipapa, Pedro de Luna, que se intitulava Bento XIII, perseverou no cisma, embora o imperador Sigismundo tivesse ido pessoalmente procurá-lo na Espanha para sanar o erro. Morreu em 1424, na sua "Corte pontifícia", nomeando novos "Cardeais".

Quadro dos Pontífices da época: com sede em Roma: Papa Urbano VI (1378-1389); Bonifácio IX (1389-1404); Inocêncio VII (1404-1406); Gregório XII (deposto em Pisa e abdicou em Constança. Falecido em 1417).

Antipapas de Avinhão: Antipapa Clemente VII (1378-1394); Bento XIII (1394-1424). O antipapa chamado Pedro de Luna foi deposto em Pisa e deposto em Constança, no ano de 1424, permanecendo impenitente ante a fé católica apostólica romana até sua morte no mesmo ano.

Antipapas de Pisa: Antipapa Alexandre V (1409-1410); João XXIII (1410-1415).

Como se viu atrás, o Antipapa Gregório XII aprovou o Concílio de Constança e depois solenemente abdicou pelo bem da Igreja Católica.

Eleito o Papa Martinho V, que pôs fim ao Cisma do Ocidente, residiu em Roma e foi reconhecido como único Pontífice em 1417.

Batendo em Wycliffe

John Wycliffe (1320-1384), inglês, escreveu sobre muitas coisas, inclusive depois de formar-se em Teologia, escreveu sobre a Igreja. Tornou-se sacerdote e depois serviu como professor no Balliol College, em Oxford. Por volta de 1365 tornou-se bacharel em teologia e, em 1372, doutor em teologia.

Como teólogo, logo destacou-se pela firme defesa dos interesses nacionais ingleses contra as demandas do papado, ganhando reputação de patriota e reformista. Wycliffe afirmava que havia um grande contraste entre o que a Igreja era e o que deveria ser, por isso defendia reformas. Suas ideias apontavam a incompatibilidade entre várias normas do clero e os ensinos de Jesus e seus apóstolos.

Uma destas incompatibilidades era a questão das propriedades e da riqueza do clero.

Em 22 de maio de 1377, o Papa Gregório XI, que em janeiro havia abandonado Avinhão para retornar à sede da Igreja em Roma, expediu uma bula contra Wycliffe, declarando que suas 18 teses eram errôneas e perigosas para a Igreja e o Estado. O apoio de que Wycliffe desfrutava na corte e no parlamento tornaram a bula sem efeito prático, pois era geral a opinião de que a Igreja estava exaurindo os cofres ingleses.

Vendendo indulgências e rebaixando as mulheres

O clima católico no século XV era tal que o padre dominicano João Tetzel (Johannes Tietzel), Inquisidor da Polônia, na Saxônia, foi um verdadeiro vendedor de indulgências, numa época de fome e peste onde as pessoas não viam salvação em vida, apelavam inconscientemente para a salvação após a morte, e é claro, o padre famosíssimo estava lá com suas indulgências "salvando" todos os necessitados que viam nele uma luz no fim do túnel; indulgências essas autorizadas pelo Papa. Suas palavras escritas nas indulgências:

"Pela autoridade de todos os santos, e em misericórdia perante ti, eu absolvo-te de todos os pecados e crimes e dispenso-te de quaisquer castigos por 10 dias".

Haja dinheiro para pagar tanta indulgência, levando em conta que ela só era válida por 10 dias!

Também já estava posta em discussão a questão feminina dentro da Igreja. Vem de séculos e repercute também recentemente – (BBC BRASIL.COM) que choca, principalmente quando declarados por um arcebispo emérito da “Santa Igreja”, cardeal Giacomo Biffi: “Ordenar mulheres seria como servir pizza e Coca-Cola em vez de pão e vinho na Eucaristia". (Esse “senhor” foi um dos candidatos à sucessão do Papa Bento XVI). Mas enfim...penso e não consigo compreender: Como são ou eram as mães desses senhores.

Mas, acreditamos que foi esquecido um pequeno detalhe: no ano 1410, o Antipapa João XXIII (favor não confundir com o João XXIII -1958-63- não sabemos porque um papa posterior decide adotar o nome de um anterior tão imoral), “esse senhor” chegava a cobrar impostos das prostitutas incorporando-as no orçamento da Igreja. (O Papa e o Concílio. Vol. II. pág. 35 - CACP).

Lembrando que o surgimento de Antipapas ocorre em períodos de turbulência na Igreja como foi o caso do Grande Cisma do Ocidente, refere-se a quem reclama o título de Papa de forma não canônica, geralmente em oposição a um Papa específico, ou durante algum período no qual o título estava vago. Antipapa não é necessariamente sinal de doutrina contrária à fé ensinada pela “Santa Igreja”.

A mulher era realmente um comércio rendoso; hoje ainda servem para “alguma coisa”, devido a uma nova “Inspiração Divina” de 14 de fevereiro de 1930, pela organização Opus Dei que vive à sombra da Igreja Católica Romana: as mulheres passaram a ter cabimento na “Obra de Deus” podendo participar até da santificação; é claro, quem vai limpar o chão por onde pisam os Divinos Sacerdotes da Opus Dei.

Outra crise: 1521 – os protestantes

Martinho Lutero, (10/11/1483-18/02/1546), alemão, foi um monge agostiniano e professor de teologia germânico que tornou-se uma das figuras centrais da Reforma Protestante. Levantou-se veementemente contra diversos dogmas do catolicismo romano, contestando sobretudo a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências. Essa discordância inicial resultou na publicação de suas famosas 95 teses, em 1517, em um contexto de conflito aberto contra o vendedor de indulgências, Johan Tetzel. Sua recusa em retratar-se de seus escritos, a pedido do Papa Leão X, em 1520, e do Imperador Carlos V, resultou em sua excomunhão em 1521 da Igreja Romana e em sua condenação como um fora-da-lei pelo imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Lutero propôs, com base em sua interpretação das Sagradas Escrituras, especialmente da Epistola de Paulo aos Romanos, que a salvação não poderia ser alcançada pelas boas obras ou por quaisquer méritos humanos, mas tão somente pela fé em Cristo Jesus, único salvador dos homens, sendo gratuitamente oferecida por Deus aos homens. Sua teologia desafiou a infalibilidade papal em termos doutrinários, pois defendia que apenas as Escrituras seriam fonte confiável de conhecimento da verdade revelada por Deus. Opôs-se ao sacerdotalismo romano (isto é, à consagrada divisão católica entre clérigos e leigos), por considerar todos os cristãos batizados como sacerdotes e santos. Aqueles que se identificaram com os ensinamentos de Lutero acabaram sendo chamados de luteranos, uma corrente religiosa com expressão em todo o Ocidente.

Em seus últimos anos, Lutero mostrou-se radical em suas propostas contrárias aos judeus alemães, tendo sido inclusive considerado posteriormente um antissemita. Essas e outras de suas afirmações fizeram de Lutero uma figura bastante controversa entre muitos historiadores e estudiosos. Além disso, muito do que foi escrito a seu respeito sofre da reconhecida parcialidade resultante de paixões religiosas.

Perdendo fiéis

Na virada do século XIX para o século XX, novamente a Igreja Católica está em crise. E isso dá causa ao movimento pentecostal (1906) iniciado nos Estados Unidos. Os elementos da Igreja Pentecostal consideram o batismo no Espírito Santo essencial no caminho da salvação. O batismo no Espírito é um fenômeno carismático caracterizado pela glossolalia, conhecido como dom de línguas (1 Coríntios 12:10).

O pentacostalismo se propagou muito rapidamente nos Estados Unidos através da Church of God in Christ, e evoluiu bastante principalmente dentro da comunidade afro-descendente. Além disso, as Assembleias de Deus ficaram muito populares no Chile, Brasil, Indonésia e África do Sul. A partir de 1945 foram organizadas grandes missões populares, onde pregadores utilizavam recursos técnicos avançados. Muitas dessas igrejas marcam presença na Conferência Mundial Pentecostal, que acontece a cada três anos desde 1949 em diferentes cidades do mundo.

O termo pentecostal tem origem na palavra Pentecostes, que é uma festa cristã que ocorre 50 dias depois da Páscoa, encerrando o ciclo das festas. Comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, onde surgiram "línguas de fogo" sobre a cabeça dos apóstolos, sendo que as pessoas que receberam o Espírito Santo começaram a falar em línguas. Este episódio é descrito em Atos dos Apóstolos 2:1-13.

As igrejas pentecostais são muitas vezes conhecidas como igrejas carismáticas, porque revelam manifestações do Espírito Santo.

Algumas das principais diferenças entre a igreja Pentecostal e Batista é que a Pentecostal acredita que o dom de línguas é para qualquer pessoa que tem o Espírito Santo, enquanto os Batistas acreditam que o Espírito Santo capacita cada discípulo com pelo menos um dom que deve ser usado para a edificação da Igreja.

Os batistas (históricos) acreditam que o batismo no Espírito acontece juntamente com a conversão (aceitar Jesus como Senhor e Salvador) e não há manifestação exterior; os batistas independentes acreditam que a pessoa recebe o Espírito Santo no momento da conversão ou depois e pode ser acompanhado com a manifestação de um dom (como o dom de línguas); os pentecostais acreditam que o batismo no Espírito e a conversão são acontecimentos distintos que podem não acontecer em simultâneo, havendo sempre a manifestação pelo dom de línguas.

Algumas das igrejas pentecostais mais conhecidas no Brasil são: Igreja Pentecostal de Jesus Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor, etc.

Uma questão simples

Por falta de um entendimento adequado sobre a verdade inquestionável da assistência do Espírito Santo à Igreja, muitos católicos ficam confusos e inseguros. Diante da insegurança, abandonam o catolicismo e outros ismos que estão ancorados num tempo anterior a Cristo.

Não querendo ir contra essa verdade, eles procuram, muitas vezes, negar a realidade de certos fatos ou o sentido evidente de certas afirmações que parecem contrariar essa divina assistência não só quanto à Católica, mas também a todas as demais que invocam o Espírito Santo e procedem de uma maneira estapafúrdia que jamais se coaduna com o que o povo pensa ser a ação do Espírito Santo.

Ficam assim enredados num dilema aparentemente sem saída: ou negar os fatos ou negar a assistência do Espírito Santo às igrejas.

O Espírito Santo favorece o bem na Igreja mas permite que o mal ocorra? Trata-se de um falso dilema que resulta de uma concepção aparenta ser um tanto simplista da atuação do Espírito Santo nas igrejas. Confunde-se “assistência” do Paráclito, efeito da providência especial de Deus sobre as igrejas (sim porque o Espírito Santo não poderia escolher uma igreja e rejeitar outra) com um governo direto que substitui os homens ou elimina seu livre arbítrio.

A grande questão está em que embora Jesus Cristo tenha prometido a ajuda do Consolador, Ele desejou (e não havia outro jeito) que as igrejas fossem governadas por homens, que têm a ajuda especial do Espírito Santo (assim pregam as igrejas), mas são homens pecadores, não estão isentos das tentações (do demônio, dizem as igrejas) do mundo e da carne. Aliás, Jesus Cristo nem pediu que fundassem igrejas em seu nome.

Dessa forma, embora o Paráclito assista com graças especiais os membros da Hierarquia, tal assistência não elimina o livre-arbítrio nem a tendência para o mal herdada da má formação do caráter dos homens, à qual também as igrejas têm culpa.

Por outro lado, é preciso ter em conta que essa ação especial da Divina Providência não apenas favorece o bem, mas, para provação nossa e castigo dos pecados, muitas vezes permite a ocorrência do mal no elemento humano no seio das igrejas. Algumas igrejas podem pensar assim, mas, na verdade, as Leis Naturais, de Deus, encaminham para a dissolução, para a falência, toda igreja que não se dignifique perante o Espírito Santo.

Portanto, não se pode invocar a assistência do Espírito Santo à igreja nenhuma e nem como justificativa para qualquer desvio, imprudência ou escândalo, como se, em vez de ser uma mera permissão, se tratasse de um ato da vontade divina.

É bem evidente que Deus não pode aceitar que se deturpe fatos evidentes ou suficientemente documentados, como recurso para “salvar” a santidade de igreja nenhuma.

Tal atitude seria ir contra a verdade e, portanto, contra a legitimidade de qualquer igreja. As palavras inspiradas do livro de Jó (13:7): “Deus não tem necessidade de nossas mentiras”, diz bem do que aborda esta postagem.

Ao abrir os Arquivos Secretos do Vaticano aos historiadores, a Igreja de Roma grita ao mundo (na fala do seu papa) “Não diga nada falso, não cale nada verdadeiro”.

Ninguém que tenha um conhecimento suficiente da História da Igreja pode negar as crises pelas quais ela tem passado e a fraqueza ou atitude escandalosa de muitos Papas.

Foi vontade do Espírito Santo que Alexandre VI fosse eleito?

É a vontade do Espírito Santo que tantas igrejas pratiquem a extorsão financeira de seus seguidores?

Foi por vontade do Espírito Santo que existiu uma Inquisição assassina?

Ninguém pode supor, por exemplo, que o Espírito Santo, que assiste aos Conclaves da escolha dos papas, tenha querido ou favorecido a escolha do Cardeal Rodrigo de Borja, para se tornar o Papa Alexandre VI (1492-1503), embora ele fosse publicamente conhecido como pai de quatro filhos de sua concubina Vannoza dei Cattanei e outros de outras mulheres.

Não foram muitos os papas eleitos com este perfil. A renúncia de Bento XVI não está justificada e ficou atravessada na garganta de todo o mundo.

A próxima década ou quem sabe mais uma, terá, terão de representar um passar a limpo do Espírito Santo sobre os homens que criam igrejas não pensando em Deus e nem pensando nos homens.

Já merece créditos

Como tudo evolui, penso que a igreja dos tempos idos era a igreja que o povo assim merecia ou próximo disso. Os tempos passaram e a Igreja de Roma evoluiu com o tempo, embora sempre um pouco atrás, correndo atrás, acusada de ultraconservadora. Os últimos papas fizeram por merecer, embora se saiba, atolados nas tradições conservadoras daquela instituição em que o Papa não tem todo poder. Diante de algumas barbaridades cometidas pela Igreja já aparecem pedidos de perdão, insuficientes, claro, porque muito dos seus erros jamais serão ou poderão ser corrigidos. Mas, o Deus magnânimo e o Jesus amoroso vêm dando chances de transformação a todo aquele que se emenda. No caso do Vaticano a emenda é parcial e lenta, mas ela virá, como tem vindo de roldão a consciência política do nosso povo nas principais regiões do planeta. E não teria de ser diferente com a Igreja, com as igrejas todas também. Hoje se sabe, a política, a economia, o social, vêm sofrendo brutais transformações. E a religião virá a reboque, tem vindo.

A eleição de um jesuíta sul-americano, cuja atuação já dá mostras de avanços, faz parte do otimismo que toma conta dos católicos.

Até o caso islâmico terá de ser equacionado. A revolta do Islã contra o Ocidente, que é o principal mundo cristão e, portanto, isso também diz muito respeito às Igrejas Cristãs, é um ódio religioso com raiz na economia e na política. Eles foram dominados e explorados pelo Ocidente. As migrações clandestinas na direção da Europa é uma evolução da consciência daqueles povos. A solução passa pelas igrejas, embora elas estejam de bico calado.

O primeiro Papa não europeu e o primeiro jesuíta: o argentino Francisco. Nestes séculos assumiram 266 papas, alguns, como vimos na narrativa, em nada contribuíram para com a sua Igreja. O Jesuítas sempre foram considerados rebeldes, porque a Ordem de Inácio de Loyola foi ousada e saiu pelo novo mundo a recrutar fiéis para uma igreja que caía aos pedaços ali pelo século XV. Pelo simples fato de ser jesuíta, o Papa Francisco antecipou-se em reconhecer que a igreja tem uma dívida para com os índios da América do Sul: tirou-lhes seu deus e tirou-lhes também a sua identidade como povo. Por onde passou a Igreja, os nativos acabaram na miséria, no alcoolismo, miscigenaram-se e deles hoje quase não se tem notícia boa.

Muitos outros pedidos de perdões terão de aparecer. Eles virão à medida que Francisco e seus sucessores forem afastando do controle rígido conservador da Santa Sé aquelas mentalidades do primeiro milênio da Era Cristã.

Avança, ou roda. As Leis Espirituais do Espírito Santo nos provam isso.

  

sábado, 24 de outubro de 2015

1817-O segredo está por ser revelado


O Santo Graal, Jesus e Madalena

Introdução

Se há uma grande instituição, universal, muito carregada de segredos, esta é, sem sombra de dúvida, a Igreja Católica Apostólica Romana. Não é a única, mas é, possivelmente, a maior. Esconde de nós, racionais, em que condições Jesus se ergueu do sepulcro. Se no próprio corpo, alguém irá protestar: não estava morto quando o tiraram da cruz. Mas, é, assim, no corpo material que a igreja diz que ele se ergueu, mostrou as chagas, se alimentou, e depois sumiu. Segundo ela, teria subido aos céus no corpo.
Nessas primeiras sete linhas de um raciocínio, só aí, já existem argumentos para um concílio universal. Os pentecostais foram buscar esta hipótese, insustentável à luz da verdade, para aceitar que morremos, ficamos aguardando o chamado para ressuscitar, no mesmo corpo, num único dia no juízo final. Os neopentecostais se valem também dos escritos judaicos em que nos cinco principais livros organizados por Moisés, o chamado pentateuco ou Torá Judaica, Moisés não fala uma só vez na alma. Ela não existe? Sucumbe com o corpo e só é resgatada se o corpo, o mesmo, também vier com ela?
O Santo Graal é outro segredo que a igreja guardou e agora se vê acossada quando mais e mais a humanidade se aproxima da possibilidade de entender por Santo Graal o que se reescreve como Sangue Real. Pois foi, também a igreja que disse que no mesmo cálice da Santa Ceia foi recolhido sangue de Jesus crucificado e que este cálice sumiu.
Pois bem, sangue de Jesus guardado num cálice que sumiu, virou outra história: tratava-se de um filho de Jesus no ventre de Madalena que, efetivamente sumiu da Palestina.
Foi esta história que Dan Brown contou no livro “O Código Da Vinci”. Outros também escreveram sobre o mesmo segredo.
E agora? Quem está mentindo? Se não mentindo, oferecendo uma versão diferente.
Quanta coisa por esclarecer. As outras instituições religiosas não escondem tantos segredos e parece nada terem a esconder. Por que os segredos?
Vamos viajar nestas questões.
O que aconteceu em Jerusalém?
Quando se pesquisa um assunto polêmico como o Santo Graal, refletimos imediatamente sobre o lado místico da história, e é claro que esse é o lado que mais desperta nossa atenção, com suas batalhas, seus heróis e heroínas, quem sabe vilões, que na maioria das vezes tomam atitudes que mudam completamente o rumo da história e ideologias de milhões de seres humanos. Mas chegamos a uma conclusão de que todo lado místico, todo esse mistério, contém uma base racional.
Concordamos com o escritor J.M. Roberts quando em seu livro, “História do Mundo”, descreve a História como sendo a palavra que tradicionalmente significa duas coisas diferentes: “o que aconteceu e um relato verdadeiro ou não do que aconteceu. No segundo sentido é sempre uma seleção do passado. No entanto, nem mesmo a história do mundo inteiro é uma seleção de todo o passado. No primeiro sentido – o que aconteceu – significa o que aconteceu aos seres humanos, e o que foi feito por eles”.
Como hoje, também, haviam muitos interesses em jogo na Palestina. Roma de um lado, judeus alinhados com Roma, judeus subversivos, judeus fundamentalistas e uma grande massa pobre, desassistida, carente, espoliada a espera de milagres.
Por um lado, isso reduz bastante o passado com que temos de lidar e por outro, amplia por demais o espectro. Mas ainda assim deixa uma enorme tarefa a ser enfrentada. Também não fica muito claro por onde devemos começar. Teoricamente deveria ser pelo primeiro Ser Humano. Mas não sabemos quando nem onde ELE ou ELA surgiu. Embora possamos fazer suposições responsáveis dentro de limites razoavelmente amplos. Cada dia mais se abre a possibilidade de a África não ser a única terra natal do ser humano. Houve mais casos ao redor do planeta.
Cadê a Madalena promíscua?
Portanto, a pesquisa aqui apresentada foi minuciosamente estudada de acordo com as muitas fontes que são consideradas racionais, fontes essas baseadas em investigações de grandes especialistas no assunto como Teólogos, Arqueólogos, Historiadores e outros envolvidos. Desde já gostaríamos de deixar claro que não existe de nossa parte, nenhum preconceito a favor ou contra credos ou dogmas preestabelecidos. Por esse motivo, desejamos que se sintam à vontade para concordar ou não com os prováveis relatos a seguir.
Até os dias de hoje o que parte das pessoas tem em mente sobre Maria Madalena é que, ela era uma prostituta arrependida de seus pecados e salva por Jesus. Foi isso que a Igreja ensinou.
A Igreja por quase 2 mil anos estigmatizou Madalena como uma mulher promíscua, devassa. Somente no ano de 1969 é que, o Vaticano acabou corrigindo essa afirmação, ou seja, 1.378 anos mais tarde.
Que razões plausíveis teria a Igreja de Roma para derrotar Madalena? A única também plausível seria afastá-la de Jesus homem transformado em Deus e que por isso não poderia ter tido relações promíscuas com uma mulher.
Segundo Dan Brown, autor do livro “O Código Da Vinci” e outros historiadores renomados “em lugar nenhum, a Bíblia diz que Maria Madalena era prostituta, e que essa representação de promiscuidade imposta a ela está errada”, foi inventada, plantada. Por que?
Na Bíblia, as imagens frequentemente associadas a ela são a da pecadora que unge os pés de Jesus (Lucas 7, 36-38), a da mulher que derrama óleo perfumado sobre Sua cabeça (Mateus 26, 6-7) e (esta, muito dúbia, por que não cita o nome) a da esposa que está prestes a ser apedrejada por adultério e é salva por Cristo (João 8, 3-12).
Porém, nenhuma delas é, de fato, Madalena. As três diferentes histórias foram coladas a Madalena, por que o nome Maria era e é muito comum e haviam muitas delas no circuito do Mestre.
A única passagem mais “desabonadora” e, nem tanto assim, pois que a obsessão pode chegar para qualquer ser humano desavisado – foi a da expulsão de sete demônios – que está no Evangelho de Marcos (cap.16, v. 9). E nem foi literalmente assim como se verá adiante.
Após uma leitura atenta das Escrituras, é possível constatar que ela aparece nos momentos mais nobres da vida de Jesus: aos pés da cruz e como testemunha primeira da Sua ressurreição.
Mas, no ano de 591, o Papa Gregório I (Gregório Magno – 590-604), fez um sermão de Páscoa declarando que Maria Madalena, Maria de Betânia, a prostituta anônima, eram sim, a mesma pessoa.
Segundo o Teólogo Jeffrey Bingham – Dallas Theological Seminary, afirma que antes do século VI não foi encontrada nenhuma ligação clara entre Maria Madalena e uma prostituta ou entre Maria Madalena e uma pecadora, essa demarcação acontece com Gregório. E foi, lamentavelmente, uma extraordinária mentira papal, circunstância infeliz. Muitos outros papas antes e depois de Gregório também mentiram.
O Padre Richard Mcbrian, da Notre Dame University, diz que essa crença é falsa e que não há fatos que provem essa invenção de que Madalena era uma prostituta. O fato de ter demônios não quer dizer que Maria Madalena fosse promíscua. Ele diz também que demônios não eram monstros de ficção científica. Era o nome que se dava para obsessores, encosto espiritual.
Eram basicamente perturbações que viravam doenças e que na época não havia tecnologia e sofisticação na Medicina, por isso, atribuíam as doenças aos demônios. Então expulsar os demônios dela significava curá-la. O Padre Richard diz ainda que Madalena é uma das grandes santas da história da Igreja e que entre os discípulos de Jesus, Maria Madalena era a mais próxima e possivelmente a mais culta. Em outras fontes se diz que ela era a principal discípula.
Por que essa perseguição destrutiva da Igreja em relação à imagem de Maria Madalena? Por que durante séculos a Igreja retratou Maria Madalena como uma meretriz? A igreja teria desmanchado isso para afastar a mulher do sacerdócio? Há outras razões?
Histórias mal contadas?
Se consultarmos a Bíblia cristã fica claro que há grandes lacunas nas histórias sobre a vida de Jesus. A Igreja escolheu os quatro Evangelhos do Novo Testamento, mas havia outras histórias sobre Jesus, Evangelhos tão polêmicos que a Igreja mandou destruí-los.
E assim o foram, com exceção de uma cópia, que ficou escondida no Egito até cerca de 50 anos atrás, os pergaminhos de Nag Hammadi, uma versão alternativa da época de Jesus e Maria Madalena.
A Igreja sempre fez um grande esforço para reunir e destruir esse tipo de documentos.
Nag Hammadi é uma aldeia no Egito, conhecida como Chenoboskion na antiguidade, cerca de 225 km ao noroeste de Assuan, com aproximadamente 30.000 habitantes. É uma região camponesa onde produtos como o açúcar e o alumínio são produzidos.
A cidade é conhecida por ter abrigado, até dezembro de 1945, treze códices de papiro, com capa de pergaminho, descobertos por camponeses num recipiente fechado.
Entre as obras aí guardadas encontravam-se tratados gnósticos. Gnose, cuja origem etimológica é a palavra grega "gnosis", significando "conhecimento", designa um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem. Os gnósticos são libertadores, é a típica característica do livre pensador e Jesus de acordo com os relatos, rompia as normas impostas e atacava as autoridades religiosas, bastante anarquista (no bom sentido) e essa é uma característica clássica do antigo gnosticismo.
Por várias vezes Jesus se identificou como um reformador, apesar de ter dito que não viera destruir a Lei, mas dar-lhes cumprimento. Não disse, porém, qual lei.
Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose, com influências do Neoplatonismo e dos Pitagóricos.
Também foram encontradas três obras pertencentes ao Corpus Hermeticum (Hermes) e uma tradução parcial da República de Platão.
Historiadores afirmam que os documentos foram escondidos por um monge num mosteiro local no século IV, a mesma época em que o bispo de Alexandria mandou destruí-los.
Os manuscritos têm nomes como “O Evangelho de Tomás”, “O Evangelho da Verdade”, “O Evangelho de Felipe” e um fragmento encontrado em outro lugar se chama “O Evangelho de Maria Madalena”, também conhecido como “Evangelhos Gnósticos”.
Parte destes manuscritos foi adquirida pela Fundação C.G. Jung, que continha, como citamos, o também famoso Evangelho de Tomás (ou Tomé) considerado pelos historiadores como o registro mais próximo das palavras de Jesus, e que o Vaticano o classificou como herege.
Jesus disse (conforme ali está):
“O Reino de Deus está em vós... E à sua volta...”.
“Não em templos de madeira e pedra...”.
 “Parte um pedaço de madeira e ali estarei...”.
 “Ergue uma pedra e me encontrarás...”.
Histórias recontadas
Em 1952, o governo egípcio nacionalizou o restante da coleção Nag Hammadi. Somente em 1961, um grupo internacional de especialistas se reuniu para copiar e traduzir o material como um todo. Em 1972, apareceu o primeiro volume da edição fotográfica. E finalmente em 1977 a coleção inteira, pela primeira vez, apareceu em tradução inglesa.
Muito pouco se falou sobre tudo isso. Por respeito ao Vaticano. Sim, porque detona muitas verdades católicas.  
Os pesquisadores modernos estabeleceram que alguns manuscritos, ou a maioria deles datam de no máximo 150 d.C. E pelo menos um pode incluir material ainda mais antigo do que os quatro Evangelhos do Novo Testamento que conhecemos.
Essa coleção constitui um repositório valioso de documentos cristãos iniciais, além do mais, alguns documentos podem ser considerados possuidores de uma veracidade própria, única. Um reviver da doutrina de Jesus sem as contaminações sofridas por interesses governamentais de outras épocas.
Eles escaparam à censura e revisão da ortodoxia romana e foram originalmente escritos para uma audiência egípcia e não romana, e desta forma não são distorcidos ou adaptados aos ouvidos e interesses romanos.
Finalmente eles podem se basear em fontes de primeira mão e/ ou testemunhas oculares.
Segundo Dan Brown, os historiadores imaginam que, se a Igreja fez um esforço tão grande para destruir essas informações, elas devem ser, no mínimo, explosivas.
Mas que informações eram essas que precisavam a qualquer custo ser apagadas, que precisavam ser ocultas?
Encontraram uma das caixas-pretas
A história judaica inclui um dilúvio mandado por Deus para recomeçar o mundo a partir de um pequeno e selecionado grupo em outras e melhores bases. A vinda de Jesus representou não outro naufrágio imposto ao mundo velho, mas um incêndio que começou com a Biblioteca de Alexandria (48 a.C), onde estava o conhecimento velho. Os filósofos gregos, além dos profetas judaicos, já haviam previsto: o conhecimento teria de ser reestruturado. Mas, o poder envelhecido, dominador, interesseiro, não deixou que isso pudesse ter acontecido ali no primeiro século, segundo, terceiro, décimo século. E veio no vigésimo, desde o interior de uma gruta, pelas mãos de um foragido do bispo guardião de Alexandria. Sim, é verdade que Deus escreve reto por linhas tortas? Ou são os homens que entortam a retidão das verdades de Deus?
Os manuscritos de Nag Hammadi são a caixa preta, se quisermos usar a linguagem aeronáutica. A história contada por aqueles que dominavam a região, ruiu. Não pode mais ser sustentada. Os tempos pregados por Jesus estão chegando agora. Com base na verdade. Em verdade, em verdade, vos digo, os tempos chegaram. 
Um detalhe muito importante e que grande parte das pessoas ignora, ora por falta de acesso à informação (mais notável), ora por ausência de interesse, é que, no processo de organização da Bíblia, muitas histórias se perderam, outras foram descartadas ou ganharam novos contornos de acordo com a mensagem que se pretendia passar.
A versão que conhecemos passou por um longo processo de edição até chegar ao formato atual. Coube à elite letrada, aos reis, aos sacerdotes, aos escribas e aos profetas a tarefa de reescrever as narrativas.
A escolha final dos livros da Bíblia – considerados sagrados e divinamente inspirados – ocorreu em 393 no Concílio Regional de Hipona, na África do Norte e, é lógico, depois de uma batalha doutrinária dentro da Igreja, brigas de grupos e de ideologias, os textos que saíram vencedores foram promulgados oficialmente em 1546 no Primeiro Período (1545-1548), no Concílio de Trento (formado por três períodos). Veja, foi preciso esperar que o tempo enterrasse muito daquilo que teria de ser recontado. Nada menos que 1.153 anos depois os textos adulterados, adaptados, foram transformados em lei.
Os livros que não pertenciam ao cânon (a lista dos escolhidos) ganharam a alcunha de apócrifos (que, em grego, significa “reservado, escondido”, mas acabaram cotados como falsos) e muitos foram para a fogueira por terem sido considerados heréticos, vetores de heresia.
Curiosamente foi no Concílio de Trento (1545-1563) que, se instituiu oficialmente o Índice de Livros Proibidos (1559) – Index Librorum Prohibitorum – liderado pelo Papa Paulo IV. A propósito esse foi seu último ano (1559) de Pontífice; e o que é notável é que obras de cientistas, filósofos, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista.
Não é sem propósito que filósofos, cientistas, pensadores que abriram a Era do Renascimento foram se declarando ateus não porque não acreditassem em Deus, mas porque não queriam ser perseguidos pela Igreja. A Inquisição já era uma senhora madura.
Sim, vale lembrar, também, que nesse mesmo Concílio foi reorganizada a Inquisição para ser retomada ainda mais feroz na perseguição, julgamento, condenação e execução dos adversários da Igreja.
Voltando rapidamente ao nosso “Pontífice”, palavra essa aplicada ao Chefe Supremo da Igreja Católica (Imperador, Papa), tem um significado muito interessante: o Pontífice não é nada menos que, considerado como a Ponte entre o Povo e Deus, assim as pessoas se dirigiam a Roma para obterem a interseção divina, e no caminho, é claro, ao passarem a Ponte para a Divindade, deviam pagar os pedágios, daí a palavra Pontífice que cobrava impostos para deixar falar com Deus, para encaminhar as almas a Deus.
Ou seja: “Fora da Santa Igreja Romana não existe salvação”, famosa frase de São Cipriano confirmada no V Concílio de Latrão. Apesar de, o IV Concílio de Latrão ter hesitado nessa afirmação.
Ataque sistemático aos hereges
Quase como aconteceu durante a Inquisição ainda hoje a Igreja bate forte nos hereges (nome feio que se introduziu para designar aqueles que não concordam). A postura patriarcal diante da sociedade e a figura de um deus hermafrodita, sem esposa, com o nome de monoteísmo são as ideias predominantes para a Igreja e continuam sendo até hoje, apesar da Santíssima Trindade que é dada como o trio divino. Essa é a única visão que temos, uma visão patriarcal imutável, que se não for reformada, perderá os poucos fiéis que ainda existem ou subsistem.
No dia 16 de março de 2005, o Cardeal Tarcísio Bertone, arcebispo de Gênova, Itália, e um dos mais conhecidos Guardiães da "Pureza da Fé Católica", apelou na Rádio do Vaticano para que não comprassem ou lessem o Livro "O Código Da Vinci" (a carapuça surtiu efeito), pois o vaticano o acusa de "erros e distorções", mas essa oposição despertou ainda mais interesse na sua leitura.
Foi a este Cardeal que a Santa Sé entregou a "cruzada" contra o livro do escritor norte-americano, acusado de montar um "castelo de mentiras" e de obedecer a uma "intenção deliberada de desacreditar a Igreja Católica ..." ("Diário de Notícias")
Procuramos de certa forma agir quase sempre de modo imparcial, mas por favor, depois de quase DOIS mil anos de ERROS que já estamos saturados de saber, será o livro do escritor Dan Brown culpado pela decadência da Santa Igreja?
Não são palavras do editor do blog. É o clamor das ruas. Ou seria dos templos? Nos tempos atuais, senhora Santa Sé, isso não cabe mais. Não estamos mais na época dos livros proibidos. Podemos, temos o direito de ler, escrever o que bem entendermos.
Agora se esse tal livro fez tanto alarde assim, é porquê provavelmente existe algo nele mais próximo da verdade. Essa atitude do Vaticano, de querer, de tentar, de proibir, consequentemente nos deixa mais curiosos.
Não estamos mais na época da inquisição, na qual ler um livro era sinônimo de heresia e morríamos queimados. Ao menos, nosso pensamento é livre!
Que maravilha seria se o simpático Papa Francisco iluminado pelo seu sorriso largo viesse a público dizer, por exemplo, que nada existe para provar ou negar as possíveis ligações de Jesus com Madalena e que a Igreja tem o maior interesse em esclarecer isso, exatamente, porque a verdade é um direito do ser humano.  
A segunda caixa-preta
Dois acontecimentos em torno, possivelmente, do mesmo documento.
Quando, no século X, foi constituída a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo, conhecida mais tarde por Ordem dos Templários, esse nome lhe veio a propósito de ocupar uma ala do que foi o Templo de Salomão, em Jerusalém. Era um grupo de soldados muito bem treinados, uma SWAT precursora, destinada a dar cobertura aos peregrinos que vinham da Europa por mar e por terra para visitar a Terra Santa, notadamente o Santo Sepulcro, que se diz tratar-se do túmulo de Jesus. E eram atacados por salteadores que levavam seu dinheiro e seus pertences.
Por falta de espaço para as cavalariças, eram todos cavaleiros, os Templários fizeram escavações e nisso teriam descoberto relíquias e documentos. Um dos quais, se diz, trata-se do Santo Graal, pois a partir disso a Ordem recebeu favores, regalias, doações, recompensas por seu silêncio, a ponto de transformar-se na maior potência econômica nos séculos XIII e XIV.
Para que você, leitor, seja informado, um detalhe: a Ordem aplicava aos seus membros votos de silêncio a tudo que fosse tratado em suas reuniões, o mesmo procedimento que adota a Maçonaria. Se diz que os Templários foram uma espécie de Maçonaria e que a Maçonaria atual é herdeira do modelo templário.
Por conta de seu silêncio, o mundo não ficou sabendo o que era o achado do templo de Salomão.
Mas, eis que um belo dia o rei Felipe, o Belo, da França, resolveu apoderar-se da fortuna dos Templários e se lançou sobre a Ordem prendendo pessoas e confiscando bens. Contudo, naquele fatídico dia, muitos templários e muitos dos seus bens haviam desaparecido da França antes da hora fatal. E com isso também pode ter desaparecido o tal de achado do templo de Salomão.
No entanto, o Santo Graal pode ser uma metáfora que se refere à própria Maria Madalena que, sendo ela esposa de Cristo (em interpretações, obviamente, não aceitas pela Igreja), seria portadora da linhagem sagrada do Filho de Deus.
Através de uma análise histórica, o Graal pode ser compreendido como a motivação que os cruzados encontraram após a decepção pelas mal- sucedidas batalhas na Terra Santa. Neste caso, o Graal representa um novo ideal de vida aos que foram derrotados pelos "infiéis".
Sob um ponto de vista mais amplo, o Santo Graal, Rei Arthur e a lendária Excalibur, são arquétipos distintos que traçam um mesmo conceito: o Rei (líder) virtuoso que, por seus méritos, conquista uma poderosa espada e torna-se invencível, partindo em busca de um objeto mágico capaz de restabelecer a ordem, a paz e a prosperidade em seu reino.
De qualquer forma, na condição de uma relíquia histórica da cristandade ocidental, não é possível avaliar o Santo Graal encontrado atualmente (sob a forma de cálice) em Valência, ou o Santo Graal metafórico do imaginário medieval; pois ambos têm valores distintos e igualmente incalculáveis. O Santo Graal é uma referência secular de valores humanos perdidos que, simbolicamente, serão resgatados por um profeta, um valente guerreiro, um líder de uma nação ou simplesmente por quem se revelar digno de portá-lo. 
Uma apóstola credenciada
Segundo a Bíblia, quando Jesus ressurgiu dos mortos, de acordo com o Novo Testamento, em três dos livros sinóticos, ele apareceu primeiro para Madalena, ela não foi só uma testemunha. A Bíblia diz que Maria Madalena estava aos pés da cruz junto com a mãe de Jesus, enquanto a maioria dos homens que O seguiam se haviam desaparecido.
O Padre Mcbrien diz que ela não foi só a testemunha principal, à frente até de Pedro e dos demais. Ela tinha todas as credenciais para ser uma credenciada apóstola.
O relato do encontro de Madalena com Jesus ressuscitado contado pelo Evangelho de João é interessante:
- Após dirigir-se ao sepulcro onde deveria estar o corpo de Cristo e não encontrar nada, Maria desespera-se. Recusando-se a crer que o Mestre não estava ali, ela volta a olhar para dentro do local, mas vê apenas dois anjos vestidos de branco, a quem diz que está à procura do seu Senhor. Naquele momento, ela se depara com Jesus ali, em pé, mas não o reconhece.
Ele lhe pergunta por que chora. Pensando que fosse o jardineiro, Madalena lhe diz: “Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o pagarei”. Jesus, então, a chama: “Maria!” Ao dar-se conta de que era o próprio Cristo, ela exclama: “Raboni!” (que, em aramaico, significa “Mestre”).
Em seguida, Jesus pede que ela conte aos outros que Ele estava de volta. “Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: Eu vi o Senhor!”, escreve João.
Segundo o Teólogo Paulo Garcia, em uma entrevista para uma revista, “Maria Madalena é aquela que orienta, que dá o discernimento, que mostra qual o caminho para os discípulos. Ela tem conhecimentos secretos sobre Jesus, mais do que os apóstolos homens”.
Em uma passagem do Evangelho de Maria Madalena, o próprio Simão Pedro admite isso: “Irmã, nós sabemos que o Mestre te amou diferentemente das outras mulheres. Diz-nos as palavras que Ele te disse, das quais tu te lembras e das quais nós não tivemos conhecimento”.
Porém o trecho seguinte, do mesmo Evangelho, revela o descrédito do apóstolo: “Pedro - Será possível que o Mestre tenha conversado assim, com uma mulher, sobre segredos que nós mesmos ignoramos? (...) Será que Ele a escolheu e a preferiu a nós?”
- Maria Madalena responde: “Meu irmão Pedro, que é que tu tens na cabeça? Crês que eu sozinha, na minha imaginação, inventei essa visão, ou que a propósito de nosso Mestre eu disse mentiras?”
Mas, como se sabe, foi a versão de Pedro a escolhida para entrar para a História. Numa sociedade patriarcal, os homens é que tinham credibilidade. “O que se lê é que eles se reuniram e formaram um grupo seguidor de Jesus, e Maria Madalena não tinha tanto poder para convocar e aglutinar pessoas”, afirma a teóloga Luiza Tomita, apesar de reconhecer que na reunião de Pentecostes as duas Maria estavam presentes.
Qualquer mulher que se torna líder acaba ganhando uma pecha sexual preconceituosa. Maria Madalena foi uma figura polêmica no cristianismo primitivo por sua atuação como discípula dileta de Jesus e a disputa páreo a páreo com o apóstolo Pedro, que só sobressaiu depois que o líder, Iscariotes, se afastou.
Tudo indica, ela era a esposa
Na época, as mulheres desempenhavam um papel de proeminência, fundavam, sustentavam e ensinavam as comunidades (citado em Cartas do apóstolo Paulo). Isto, bem entendido, era o caso no grupo de Jesus. A cultura dominante vinda do regime ptolomaico, seguido pelo regime romano, permitia que o patriarcalismo dominante reprimisse a figura feminina.
Vale lembrar que, mesmo nos textos bíblicos, escritos por homens, a importância de Maria Madalena é inegável. “Não é exagero dizer que, nos Evangelhos, o nome dela lidera a lista de mulheres discípulas da mesma maneira que o nome de Simão Pedro encabeça a lista de discípulos masculinos”.
Depois de séculos podemos afirmar que, promíscua como a “contraditória Igreja” relatava, Maria Madalena não era. Agora a história mudou mais uma vez, pois não vemos mais Madalena como uma prostituta arrependida e sim como uma companheira de Jesus, como citado no Evangelho de Felipe, "Koinonos" em grego, que significa "Companheira" e muitas vezes "parceira". Madalena era a Companheira de Jesus.
Mas que outro papel tão importante, Maria Madalena (Magdalena) desempenhou na vida de Jesus? Nesse tempo, uma mulher sozinha jamais faria parte de uma caravana como a de Jesus indo a vários lugares para pregar. Maria (mãe – e já viúva) acompanhava o filho ilustre; Madalena estava com o esposo. E mais, um homem aos 30 anos, se solteiro, era considerado fora do juízo, pois o costume judaico era casar-se tão logo emancipado.
No século XII, Iacopo de Varazze, em seu livro “Legenda Áurea”, diz que Maria Madalena era oriunda de uma família rica de Betânia, que morava em um Castelo chamado Magdala. Depois da morte dos pais, Marta, sua irmã, teria herdado a vila de Betânia e ela o Castelo, daí o seu segundo nome: Maria de Magdala.
Curiosamente, cartas patentes de Luiz XI, de 1482, referem-se a uma visita do Rei Merovíngio Clóvis ao túmulo de Marta, irmã de Magdalena no fim do século V. Os restos mortais de Marta estão enterrados em Tarascon, na província francesa de Vienne. Os restos mortais de Magdalena estão na Abadia de São Máximo.
Alguns historiadores e estudiosos especializados no assunto, afirmam que ela não só foi uma das apóstolas mais importantes, mas como também foi casada com Jesus.
No Gnosticismo, Maria Madalena é detentora de suprema importância, como portadora e transmissora da Luz. É o que se lê em Pistis Sophia.
Mesmo fora dos Evangelhos Gnósticos, há provas de que nos primeiros séculos depois de Jesus, Maria Madalena (ou Maria de Magdala) era tratada com grande respeito por muitos dos primeiros líderes masculinos da Igreja, Hipólito, bispo de Roma (170-235 D.C) um dos primeiros padres cristãos afirma que ela é o apóstolo para os apóstolos, outro declara que ela é a Torre de Fé (migdol ou magdal significa "torre" em hebraico).
Interesses afastam as mulheres
A partir do século IV o celibato passa a ser cada vez mais exigido, sendo cobrado do clero total abstinência de suas esposas. As mulheres foram proibidas de servirem aos sacerdotes e de possuírem igrejas (paróquias). No século V foi decretado pelo Concilio de Cartago que todo o alto clero deveria se separar de suas esposas sob a ameaça (pena) de perder seus direitos sacerdotais. Uma loucura total, uma atitude sem nenhum discernimento, um desatino. O papel edificante da mulher perde seu significado, dando lugar a adulterações, verdadeiras maldições contra a mulher. A mulher passa então a ser a portadora do pecado. Mas mesmo antes dessa época o poder matriarcal já estava se extinguindo. Para não assumir a família dos padres, a Igreja os proibiu de casarem-se.
Porém a Igreja Oriental (separada de Roma) discordava. Diversos escritores orientais aclamaram o papel de Maria Madalena, a respeitando como uma mulher honrada. Na Grã Bretanha, cristã mas não católica, existe uma Catedral em sua honra.
Em 444, Cirilo de Alexandria dizia que através de Maria Madalena, as mulheres eram duplamente honorificadas. Em 446, Proclus patriarca de Constantinopla afirmava que as mulheres eram as escolhidas para avisar os apóstolos e para serem reverenciadas. Gregório de Antióquia chama as mulheres de as "Primeiras Apóstolas" em 593.
O fato é que ela, Madalena, foi vítima de uma disputa de Poder sobre o papel da mulher na Igreja, e passa a ser substituída por Maria, a mãe de Jesus que, com o tempo passou a ser chamada de “Mãe de Deus”. Bispos mostravam-se furiosos com o fato de grupos permitirem que mulheres realizassem comunhões e curas, por exemplo. De acordo com a Historiadora e Teóloga Pagals, o que se vê por volta ali em torno dos séculos III e IV é a exclusão sistemática das mulheres de qualquer posição em que tivessem voz ativa, visibilidade e autoridade no âmbito da Igreja que, ao tempo do primitivo movimento cristão eram muito consideradas. Essa marginalização das mulheres pode ter sido o motivo de Maria Madalena ter perdido a importância ao longo dos próximos anos e séculos. É provável que tenha sido intencional acusá-la de prostituta, dessa forma Maria Madalena perderia seu poder e força na época; estigmatizando, Madalena ganhou com uma visão negativa.
O que há de absurdo?
Esse assunto não é fácil, envolve diversos fatores e se houver provas concretas irá provocar uma revolução na doutrina cristã atual.
“Na Igreja, predomina o conceito de uma visão de santidade da qual o sexo é excluído”. Maria, mãe de Jesus, passou a ser dada sempre como virgem – virgem quanto ao hímen - uma idealização sinal de separação entre o carnal e o espiritual – cuja cultura gerou a repressão sobre o sexo, assunto que foi muito bem abordado por Freud. Na esteira, retirou-se de José a honra da paternidade de Jesus e o próprio Jesus é levado à situação de não ter sido iniciado sexualmente, solteiro, celibatário, ou coisa pior, apenas porque nas hostes da Igreja os servidores – homens e mulheres – padres e freiras – passaram também a praticar, por obediência, o celibato.
Os anos vão se passando e as histórias se desvendando, até que possamos chegar próximos da mais provável verdade, baseando-se na lógica. O próprio Pôncio Pilatos questiona a “Verdade”. O que é Verdade? - Até ontem era verdade que Maria Madalena era uma prostituta, hoje não é mais.
As estórias infantis podem ser “verdade” no imaginário infantil. Os católicos cresceram em capacidade, reflexão, consciência e passam a não aceitar serem enganados com coisas tão sérias e fundamentais.   
Hoje em quaisquer instâncias onde se discuta aspectos religiosos e de fé, é comum as pessoas reivindicarem a aceitação de que Jesus nasceu de Maria por via natural, tendo José como seu pai biológico e mais, que o Bondoso Mestre do Amor cumpriu sua missão entre nós e dirigiu-se ao Reino dos Céus deixando seus restos mortais depositados em alguma tumba aqui na Terra. Isso inclui, naturalmente por ter sido da tradição de sua época na Palestina, uma natural e habitual ligação marital.
Se a verdade existe e se a ela se deu o nome de Santo Graal e se a descoberta feita pelos Templários nas dependências de uma cavalariça anexa ao que fora o Templo de Salomão, em Jerusalém, é um segredo clerical, e se a prova disso os Templários receberam sob juramento com a missão de proteger, o que seria essa prova, esse segredo está a um passo de ser desvendado. Sim ou não?
Muito já se escreveu sobre isso, muito desse assunto rola nos templos fechados da Maçonaria – que se diz herdeira dos Cavaleiros do Templo. Mas, o segredo ainda está guardado. Ficará guardado? Por quanto tempo?
Mas se Da Vinci sabia algo sobre Maria Madalena que a maioria das pessoas não sabia, quem lhe deu essa informação? Da Vinci pertenceu a um braço da Ordem Secreta que sucedeu a Ordem Templária.
O livro “O Código Da Vinci” sugere isso: que Leonardo Da Vinci pertencia a uma Sociedade Secreta que transmitia seus conhecimentos secretos de geração a geração sob o peso de juramento. Mas em nossa pesquisa não nos baseamos no livro de Dan Brown, mas podemos afirmar que ele foi um dos pontos iniciais de nossas investigações em relação aos estudos aqui apresentados. Confirmamos cada época, cada lugar e muito além, para que pudéssemos publicar a história mais próxima da razão.
Então é de pensar como pode ter pensado Da Vinci: 
"O dever do maçom é comportar-se como tal, praticando a verdadeira maçonaria".
O que há de absurdo pensar logicamente? Parece que o absurdo está em querer desviar a humanidade daquilo que é lógico.
As fontes contendo subsídios a este texto foram todas mencionadas no interior do texto.
Até semana que vem.