sábado, 31 de outubro de 2015

1818-Não dá mais para esconder


Uma Igreja em crise e nascida da crise

Introdução

É isso mesmo que você lê na manchete. Uma igreja nascida da crise e em longa e desesperadora crise. Uma crise de credibilidade ancorada nos seus próprios dogmas e na sua herança maldita do poder. Estamos num mundo em crise: crise do capitalismo, crise do comunismo, crise do ser humano, crise ambiental, crise do conhecimento. Não seria diferente com a poderosa e antiga Igreja. Este artigo não objetiva denegrir a poderosa Igreja Católica Apostólica Romana, à qual o Ocidente deve muito. Trata-se de analisar o que lhe põe em xeque-mate desde mais de mil anos e, de certa forma, antever para ela uma saída honrosa.

Não se põe em dúvida um dos papéis fundamentais da Igreja Católica e Apostólica Romana (também existe a Igreja Católica Apostólica Oriental, e também a russa, até certo ponto opositoras à de Roma) em relação ao Ocidente a partir do momento em que o poderoso Império Romano ruiu.

A Igreja em crise e da crise, é fruto do Império Romano. Ocorre que 83 anos depois de adotado o cristianismo por aquele outrora poderoso Império, o Império faliu e a Igreja se virou como pôde para segurar as pontas.

Tendo por religião oficial o chamado Mitraismo, em que o deus é o Sol, durante muitos séculos o Império Romano foi imbatível e teve seu auge nos séculos I e II da Era que viria ser Cristã. Já no século III o sistema econômico e político mais avançado do planeta (para a época, até a Revolução Industrial), sofreu gradual declínio: uma administração corrupta, o enriquecimento dos governantes, a inflação, o controle de preços e a queda na arrecadação, enfraqueceram o poder e as invasões não combatidas por falta de recursos humanos e materiais, levaram o Império à ruína. Apenas na Itália, sede do poder, formaram-se meia-dúzia de reinados independentes.

Mas, antes de morrer, o Império Romano foi buscar no cristianismo o que se poderia chamar de tábua de salvação ou colete salva-vidas, como veremos adiante.

Nem assim escapou da falência. E o pior, deixou a deriva a religião por ele patrocinada. Nada mais existiu do Império que tinha domínio sobre toda a Europa e uma grande parte do Oriente. E diga-se, na parte Oriental, desde 330 d.C. formara o Império Bizantino, que durou até 1453. Diga-se, também, que este foi mais um golpe na estrutura romana.

É aí, nas ruínas imperiais, que entra o Vaticano, não para suceder, mas para complementar o império, numa época em que a religião era parte do raciocínio lógico das pessoas. Os papas passaram a fazer a animação, o controle moral, a manter a língua latina nas celebrações e a fazer a unidade dos vários países e das várias culturas como uma só fé.

Primeiro lance incoerente

O polêmico Cristo, crítico dos promotores de guerras, invasões, dominação e exploração dos povos, aparece na mente de um imperador desesperado como tábua de salvação. Teria de ser repaginado por Roma antes de ser declarado Deus dos católicos romanos.

Como hoje, haviam muitos interesses em jogo na Palestina da época, Roma também tinha suas divisões. De um lado, a cultura dos militares e juízes diante do quadro de perseguições aos cristãos originais, de outro os interessados em se manter nos cargos de poder e em terceiro lugar, os pobres, desassistidos, carentes, a espera de transformações, quem sabe, milagres. Essa foi a massa que apoiou o cristianismo recuperando a memória das esperanças do Cristo consolador.

Acontece que Roma havia matado Jesus e também a Pedro. Agora buscava Jesus para seu Deus e Pedro para o precursor dos papas.

E o Cristo foi reabilitado pelo mesmo algoz que o pregou na cruz.

Tem início aí a crise da Igreja fruto da crise do império.

Um Cristo repaginado

Então, na verdade, as causas da crise da Igreja datam de 17 séculos. A versão da Bíblia Católica que conhecemos no que diz respeito ao Novo Testamento (parte cristã) passou por um longo processo de edição até chegar ao formato atual. Coube à elite letrada, os reis, os sacerdotes e os escribas a tarefa de reescrever as narrativas a pedido do Rei de Roma. A nova religião seria a oficial para tentar reverter a crise daquele poder.

No Novo Testamento, tiveram preferência os textos que mostravam que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia e reforçavam que Ele teria vindo confirmar as profecias do Antigo Testamento.

Apesar de serem resultado de ações humanas, as Sagradas Escrituras são consideradas, em sua essência, obra divina. “A Bíblia é um livro inspirado por Deus, porque é testemunho de fé, reflexo da experiência de ação divina na criação e na história”.

Qualquer escrito que colocasse em dúvida a divindade ou a fé de Jesus, não entraria na Bíblia, como aconteceu com os evangelhos de Tomé e Tiago, confirmados hereges por grupos que se auto afirmavam intermediários da palavra de Deus onde a palavra "FÉ" era uma palavra desconhecida, grupos que a cada nova mudança de Imperador, mudavam também sua forma de pensar em relação a FÉ Cristã. Era uma tremenda reviravolta religiosa, como exemplo disso: Constâncio depois da morte do Pai (Constantino favorável a causa dos Nicenos) e dos ìrmãos, assumiu o poder e deu preferência pela causa Ariana; mas quando seu primo Juliano o substituiu houve uma nova reviravolta, instituiu o retorno do paganismo. A questão da fé era meramente uma disputa de Poder.

A escolha final dos livros da Bíblia – considerados sagrados e divinamente inspirados (?) – ocorreu em 393 no Concílio Regional de Hipona, na África do Norte e, é lógico depois de uma batalha doutrinária dentro da Igreja, brigas de grupos e de ideologias, não se chegando a um consenso e tudo foi parar na gaveta. Os textos que saíram vencedores foram promulgados oficialmente apenas em 1546 no Primeiro Período (1545-1548) do Concílio de Trento (formado por três períodos). Veja, foi preciso esperar que o tempo enterrasse muito daquilo que teria de ser recontado. Nada menos que 1.153 anos depois os textos adulterados, adaptados, foram transformados em cânone (espécie de lei) e declarados dogmas.

O que é um dogma? Um ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa e por extensão de qualquer doutrina ou sistema. Uma expressão legítima e necessária para uma fé que não se sujeita à controvérsia e, portanto, não racional. A medicina também tem seus dogmas.  

Os livros que não pertenciam ao cânon (lista dos escolhidos) ganharam a alcunha de apócrifos (que, em grego, significa “reservado, escondido”, mas acabaram cotados como falsos) e muitos foram para a fogueira por terem sido considerados heréticos, palavra que quer dizer “do contra”.

Curiosamente foi no Concílio de Trento (1545-1563) que se instituiu oficialmente também o Índice de Livros Proibidos (1559) – Index Librorum Prohibitorum – liderado pelo Papa Paulo IV. A propósito esse foi seu último ano (1559) de Pontífice; e o que é notável é que obras de cientistas, filósofos, enciclopedistas e até pensadores tenham pertencido a esta lista. Na verdade, estava ganhando força a Inquisição, que acabou por condenar à fogueira milhares de líderes espiritualistas que a Igreja queria afastar de seu caminho. Para tanto, esse mesmo Concílio reorganizou a Inquisição para ser retomada ainda mais feroz na perseguição, julgamento, condenação e execução dos adversários da Igreja.

Uma entidade que para sobreviver precisa eliminar seus adversários, nivela-se aos regimes da União Soviética, Cuba, Venezuela e Alemanha de Hitler.

Nova Crise: 1054 – um racha

Até o final do século X, as, hoje, duas, na verdade, três igrejas eram uma só, com os católicos de hoje radicados na Europa Ocidental, os católicos da Grécia e Turquia mais os ortodoxos da Rússia, todos sob a liderança do Vaticano. "A Igreja Ortodoxa surgiu com o objetivo de espalhar o Cristianismo pelo Oriente", afirma o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, da PUC-SP.

Com o tempo, as diferenças culturais criaram várias rusgas entre elas, como a que diz respeito à língua oficial dos cultos: os cristãos do Ocidente queriam o latim, enquanto os do Oriente não abriam mão do grego e do hebraico.

A separação veio em 1054, no chamado Cisma do Oriente. Os ortodoxos questionavam a autoridade papal e não aceitaram a interferência de um cardeal enviado pelo papa Leão IX a Constantinopla, na Turquia. Resultado: o patriarca Miguel Cerulário foi excomungado pelo Vaticano e na sequência, os católicos ditos do Oriente separaram-se da matriz romana.

O que difere as duas igrejas católicas, uma com sede em Roma e outra com sede em Istambul? Enquanto os católicos seguem fielmente o Papa, os ortodoxos possuem maior independência: a única função do patriarca - o cargo mais alto em sua hierarquia - é manter a unidade da Igreja.

As cruzes também não são iguais: a dos ortodoxos tem três barras. A de cima foi acrescentada por acreditarem que teria servido para a famosa inscrição INRI (abreviação de Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus). A de baixo teria recebido os pés de Cristo, pregados em separado e não juntos como creem os católicos. Existem ainda outras diferenças ritualísticas.

Poder paralelo

As pessoas deste século ignoram que a Igreja em crise chegou a ter antipapas, isto é, um governo paralelo. Um deles adotou o nome de João XXIII, o mesmo nome do carismático Papa dos anos 1958-63.

João XXIII (o outro e anterior) nascido Baldassare Cossa (Nápoles, 1370-1419) e foi antipapa de 1410-15. Entrou no serviço da Igreja Católica durante o pontificado de Gregório XII (1406-1415). Cardeal em 1402, foi eleito e sagrado em Bolonha em 1410, para suceder ao antipapa Alexandre V. Sua eleição foi reconhecida com a adoção do nome de João XXIII, pela França, Inglaterra, parte da Itália e da Alemanha. Note o leitor que nesse tempo a Igreja já não conseguia ser o mediador entre os reinados e culturas da Europa.

Vários historiadores atribuem a ascensão de antipapas ao trono pontifício por influência e ingerência direta da monarquia francesa, que buscava a todo custo controlar o poder dos Papas.

O ano de 1410 apenas refletiu um período particularmente conturbado para a Igreja; um Grande Cisma enchia de dúvidas a toda a Cristandade com o aparecimento de até três papas (o de Roma, os de Avinhão e o de Pisa).

Levado a Roma pelas armas do rei Ladislau de Nápoles, foi aclamado enfim pelos seus partidários como o pontífice João XXIII, o bispo de Roma, Vigário de Cristo na Terra. Não foi papa legítimo. Seu nome e seu retrato não figuram nos catálogos e medalhões por causa das dúvidas de então. Aliado a Luís II de Anjou, lutou contra o rei da Sicília e opôs-se a Gregório XII, papa legítimo de Roma, e a Bento XIII, antipapa de Avinhão.

Reuniu um Concílio em Roma, em 1413, no qual condenou os livros de John Wycliffe.

Em 1414, inaugurou o Concílio de Constança, que de tão solene e grandioso para a Cristandade, contou com a proteção do piedoso imperador Sigismundo. Chegou ao evento o antipapa João XXIII com magnificente cortejo. Vendo-se, porém, alvo de justas recriminações, fugiu disfarçado. Retratou-se depois de seu erro, submetendo-se à decisão do mesmo Concílio, que terminou com o Grande Cisma do Ocidente. Foi deposto e aprisionado no ano seguinte,1415, foi libertado em 1418 e faleceu no ano seguinte.

O outro antipapa, Pedro de Luna, que se intitulava Bento XIII, perseverou no cisma, embora o imperador Sigismundo tivesse ido pessoalmente procurá-lo na Espanha para sanar o erro. Morreu em 1424, na sua "Corte pontifícia", nomeando novos "Cardeais".

Quadro dos Pontífices da época: com sede em Roma: Papa Urbano VI (1378-1389); Bonifácio IX (1389-1404); Inocêncio VII (1404-1406); Gregório XII (deposto em Pisa e abdicou em Constança. Falecido em 1417).

Antipapas de Avinhão: Antipapa Clemente VII (1378-1394); Bento XIII (1394-1424). O antipapa chamado Pedro de Luna foi deposto em Pisa e deposto em Constança, no ano de 1424, permanecendo impenitente ante a fé católica apostólica romana até sua morte no mesmo ano.

Antipapas de Pisa: Antipapa Alexandre V (1409-1410); João XXIII (1410-1415).

Como se viu atrás, o Antipapa Gregório XII aprovou o Concílio de Constança e depois solenemente abdicou pelo bem da Igreja Católica.

Eleito o Papa Martinho V, que pôs fim ao Cisma do Ocidente, residiu em Roma e foi reconhecido como único Pontífice em 1417.

Batendo em Wycliffe

John Wycliffe (1320-1384), inglês, escreveu sobre muitas coisas, inclusive depois de formar-se em Teologia, escreveu sobre a Igreja. Tornou-se sacerdote e depois serviu como professor no Balliol College, em Oxford. Por volta de 1365 tornou-se bacharel em teologia e, em 1372, doutor em teologia.

Como teólogo, logo destacou-se pela firme defesa dos interesses nacionais ingleses contra as demandas do papado, ganhando reputação de patriota e reformista. Wycliffe afirmava que havia um grande contraste entre o que a Igreja era e o que deveria ser, por isso defendia reformas. Suas ideias apontavam a incompatibilidade entre várias normas do clero e os ensinos de Jesus e seus apóstolos.

Uma destas incompatibilidades era a questão das propriedades e da riqueza do clero.

Em 22 de maio de 1377, o Papa Gregório XI, que em janeiro havia abandonado Avinhão para retornar à sede da Igreja em Roma, expediu uma bula contra Wycliffe, declarando que suas 18 teses eram errôneas e perigosas para a Igreja e o Estado. O apoio de que Wycliffe desfrutava na corte e no parlamento tornaram a bula sem efeito prático, pois era geral a opinião de que a Igreja estava exaurindo os cofres ingleses.

Vendendo indulgências e rebaixando as mulheres

O clima católico no século XV era tal que o padre dominicano João Tetzel (Johannes Tietzel), Inquisidor da Polônia, na Saxônia, foi um verdadeiro vendedor de indulgências, numa época de fome e peste onde as pessoas não viam salvação em vida, apelavam inconscientemente para a salvação após a morte, e é claro, o padre famosíssimo estava lá com suas indulgências "salvando" todos os necessitados que viam nele uma luz no fim do túnel; indulgências essas autorizadas pelo Papa. Suas palavras escritas nas indulgências:

"Pela autoridade de todos os santos, e em misericórdia perante ti, eu absolvo-te de todos os pecados e crimes e dispenso-te de quaisquer castigos por 10 dias".

Haja dinheiro para pagar tanta indulgência, levando em conta que ela só era válida por 10 dias!

Também já estava posta em discussão a questão feminina dentro da Igreja. Vem de séculos e repercute também recentemente – (BBC BRASIL.COM) que choca, principalmente quando declarados por um arcebispo emérito da “Santa Igreja”, cardeal Giacomo Biffi: “Ordenar mulheres seria como servir pizza e Coca-Cola em vez de pão e vinho na Eucaristia". (Esse “senhor” foi um dos candidatos à sucessão do Papa Bento XVI). Mas enfim...penso e não consigo compreender: Como são ou eram as mães desses senhores.

Mas, acreditamos que foi esquecido um pequeno detalhe: no ano 1410, o Antipapa João XXIII (favor não confundir com o João XXIII -1958-63- não sabemos porque um papa posterior decide adotar o nome de um anterior tão imoral), “esse senhor” chegava a cobrar impostos das prostitutas incorporando-as no orçamento da Igreja. (O Papa e o Concílio. Vol. II. pág. 35 - CACP).

Lembrando que o surgimento de Antipapas ocorre em períodos de turbulência na Igreja como foi o caso do Grande Cisma do Ocidente, refere-se a quem reclama o título de Papa de forma não canônica, geralmente em oposição a um Papa específico, ou durante algum período no qual o título estava vago. Antipapa não é necessariamente sinal de doutrina contrária à fé ensinada pela “Santa Igreja”.

A mulher era realmente um comércio rendoso; hoje ainda servem para “alguma coisa”, devido a uma nova “Inspiração Divina” de 14 de fevereiro de 1930, pela organização Opus Dei que vive à sombra da Igreja Católica Romana: as mulheres passaram a ter cabimento na “Obra de Deus” podendo participar até da santificação; é claro, quem vai limpar o chão por onde pisam os Divinos Sacerdotes da Opus Dei.

Outra crise: 1521 – os protestantes

Martinho Lutero, (10/11/1483-18/02/1546), alemão, foi um monge agostiniano e professor de teologia germânico que tornou-se uma das figuras centrais da Reforma Protestante. Levantou-se veementemente contra diversos dogmas do catolicismo romano, contestando sobretudo a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências. Essa discordância inicial resultou na publicação de suas famosas 95 teses, em 1517, em um contexto de conflito aberto contra o vendedor de indulgências, Johan Tetzel. Sua recusa em retratar-se de seus escritos, a pedido do Papa Leão X, em 1520, e do Imperador Carlos V, resultou em sua excomunhão em 1521 da Igreja Romana e em sua condenação como um fora-da-lei pelo imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Lutero propôs, com base em sua interpretação das Sagradas Escrituras, especialmente da Epistola de Paulo aos Romanos, que a salvação não poderia ser alcançada pelas boas obras ou por quaisquer méritos humanos, mas tão somente pela fé em Cristo Jesus, único salvador dos homens, sendo gratuitamente oferecida por Deus aos homens. Sua teologia desafiou a infalibilidade papal em termos doutrinários, pois defendia que apenas as Escrituras seriam fonte confiável de conhecimento da verdade revelada por Deus. Opôs-se ao sacerdotalismo romano (isto é, à consagrada divisão católica entre clérigos e leigos), por considerar todos os cristãos batizados como sacerdotes e santos. Aqueles que se identificaram com os ensinamentos de Lutero acabaram sendo chamados de luteranos, uma corrente religiosa com expressão em todo o Ocidente.

Em seus últimos anos, Lutero mostrou-se radical em suas propostas contrárias aos judeus alemães, tendo sido inclusive considerado posteriormente um antissemita. Essas e outras de suas afirmações fizeram de Lutero uma figura bastante controversa entre muitos historiadores e estudiosos. Além disso, muito do que foi escrito a seu respeito sofre da reconhecida parcialidade resultante de paixões religiosas.

Perdendo fiéis

Na virada do século XIX para o século XX, novamente a Igreja Católica está em crise. E isso dá causa ao movimento pentecostal (1906) iniciado nos Estados Unidos. Os elementos da Igreja Pentecostal consideram o batismo no Espírito Santo essencial no caminho da salvação. O batismo no Espírito é um fenômeno carismático caracterizado pela glossolalia, conhecido como dom de línguas (1 Coríntios 12:10).

O pentacostalismo se propagou muito rapidamente nos Estados Unidos através da Church of God in Christ, e evoluiu bastante principalmente dentro da comunidade afro-descendente. Além disso, as Assembleias de Deus ficaram muito populares no Chile, Brasil, Indonésia e África do Sul. A partir de 1945 foram organizadas grandes missões populares, onde pregadores utilizavam recursos técnicos avançados. Muitas dessas igrejas marcam presença na Conferência Mundial Pentecostal, que acontece a cada três anos desde 1949 em diferentes cidades do mundo.

O termo pentecostal tem origem na palavra Pentecostes, que é uma festa cristã que ocorre 50 dias depois da Páscoa, encerrando o ciclo das festas. Comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, onde surgiram "línguas de fogo" sobre a cabeça dos apóstolos, sendo que as pessoas que receberam o Espírito Santo começaram a falar em línguas. Este episódio é descrito em Atos dos Apóstolos 2:1-13.

As igrejas pentecostais são muitas vezes conhecidas como igrejas carismáticas, porque revelam manifestações do Espírito Santo.

Algumas das principais diferenças entre a igreja Pentecostal e Batista é que a Pentecostal acredita que o dom de línguas é para qualquer pessoa que tem o Espírito Santo, enquanto os Batistas acreditam que o Espírito Santo capacita cada discípulo com pelo menos um dom que deve ser usado para a edificação da Igreja.

Os batistas (históricos) acreditam que o batismo no Espírito acontece juntamente com a conversão (aceitar Jesus como Senhor e Salvador) e não há manifestação exterior; os batistas independentes acreditam que a pessoa recebe o Espírito Santo no momento da conversão ou depois e pode ser acompanhado com a manifestação de um dom (como o dom de línguas); os pentecostais acreditam que o batismo no Espírito e a conversão são acontecimentos distintos que podem não acontecer em simultâneo, havendo sempre a manifestação pelo dom de línguas.

Algumas das igrejas pentecostais mais conhecidas no Brasil são: Igreja Pentecostal de Jesus Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor, etc.

Uma questão simples

Por falta de um entendimento adequado sobre a verdade inquestionável da assistência do Espírito Santo à Igreja, muitos católicos ficam confusos e inseguros. Diante da insegurança, abandonam o catolicismo e outros ismos que estão ancorados num tempo anterior a Cristo.

Não querendo ir contra essa verdade, eles procuram, muitas vezes, negar a realidade de certos fatos ou o sentido evidente de certas afirmações que parecem contrariar essa divina assistência não só quanto à Católica, mas também a todas as demais que invocam o Espírito Santo e procedem de uma maneira estapafúrdia que jamais se coaduna com o que o povo pensa ser a ação do Espírito Santo.

Ficam assim enredados num dilema aparentemente sem saída: ou negar os fatos ou negar a assistência do Espírito Santo às igrejas.

O Espírito Santo favorece o bem na Igreja mas permite que o mal ocorra? Trata-se de um falso dilema que resulta de uma concepção aparenta ser um tanto simplista da atuação do Espírito Santo nas igrejas. Confunde-se “assistência” do Paráclito, efeito da providência especial de Deus sobre as igrejas (sim porque o Espírito Santo não poderia escolher uma igreja e rejeitar outra) com um governo direto que substitui os homens ou elimina seu livre arbítrio.

A grande questão está em que embora Jesus Cristo tenha prometido a ajuda do Consolador, Ele desejou (e não havia outro jeito) que as igrejas fossem governadas por homens, que têm a ajuda especial do Espírito Santo (assim pregam as igrejas), mas são homens pecadores, não estão isentos das tentações (do demônio, dizem as igrejas) do mundo e da carne. Aliás, Jesus Cristo nem pediu que fundassem igrejas em seu nome.

Dessa forma, embora o Paráclito assista com graças especiais os membros da Hierarquia, tal assistência não elimina o livre-arbítrio nem a tendência para o mal herdada da má formação do caráter dos homens, à qual também as igrejas têm culpa.

Por outro lado, é preciso ter em conta que essa ação especial da Divina Providência não apenas favorece o bem, mas, para provação nossa e castigo dos pecados, muitas vezes permite a ocorrência do mal no elemento humano no seio das igrejas. Algumas igrejas podem pensar assim, mas, na verdade, as Leis Naturais, de Deus, encaminham para a dissolução, para a falência, toda igreja que não se dignifique perante o Espírito Santo.

Portanto, não se pode invocar a assistência do Espírito Santo à igreja nenhuma e nem como justificativa para qualquer desvio, imprudência ou escândalo, como se, em vez de ser uma mera permissão, se tratasse de um ato da vontade divina.

É bem evidente que Deus não pode aceitar que se deturpe fatos evidentes ou suficientemente documentados, como recurso para “salvar” a santidade de igreja nenhuma.

Tal atitude seria ir contra a verdade e, portanto, contra a legitimidade de qualquer igreja. As palavras inspiradas do livro de Jó (13:7): “Deus não tem necessidade de nossas mentiras”, diz bem do que aborda esta postagem.

Ao abrir os Arquivos Secretos do Vaticano aos historiadores, a Igreja de Roma grita ao mundo (na fala do seu papa) “Não diga nada falso, não cale nada verdadeiro”.

Ninguém que tenha um conhecimento suficiente da História da Igreja pode negar as crises pelas quais ela tem passado e a fraqueza ou atitude escandalosa de muitos Papas.

Foi vontade do Espírito Santo que Alexandre VI fosse eleito?

É a vontade do Espírito Santo que tantas igrejas pratiquem a extorsão financeira de seus seguidores?

Foi por vontade do Espírito Santo que existiu uma Inquisição assassina?

Ninguém pode supor, por exemplo, que o Espírito Santo, que assiste aos Conclaves da escolha dos papas, tenha querido ou favorecido a escolha do Cardeal Rodrigo de Borja, para se tornar o Papa Alexandre VI (1492-1503), embora ele fosse publicamente conhecido como pai de quatro filhos de sua concubina Vannoza dei Cattanei e outros de outras mulheres.

Não foram muitos os papas eleitos com este perfil. A renúncia de Bento XVI não está justificada e ficou atravessada na garganta de todo o mundo.

A próxima década ou quem sabe mais uma, terá, terão de representar um passar a limpo do Espírito Santo sobre os homens que criam igrejas não pensando em Deus e nem pensando nos homens.

Já merece créditos

Como tudo evolui, penso que a igreja dos tempos idos era a igreja que o povo assim merecia ou próximo disso. Os tempos passaram e a Igreja de Roma evoluiu com o tempo, embora sempre um pouco atrás, correndo atrás, acusada de ultraconservadora. Os últimos papas fizeram por merecer, embora se saiba, atolados nas tradições conservadoras daquela instituição em que o Papa não tem todo poder. Diante de algumas barbaridades cometidas pela Igreja já aparecem pedidos de perdão, insuficientes, claro, porque muito dos seus erros jamais serão ou poderão ser corrigidos. Mas, o Deus magnânimo e o Jesus amoroso vêm dando chances de transformação a todo aquele que se emenda. No caso do Vaticano a emenda é parcial e lenta, mas ela virá, como tem vindo de roldão a consciência política do nosso povo nas principais regiões do planeta. E não teria de ser diferente com a Igreja, com as igrejas todas também. Hoje se sabe, a política, a economia, o social, vêm sofrendo brutais transformações. E a religião virá a reboque, tem vindo.

A eleição de um jesuíta sul-americano, cuja atuação já dá mostras de avanços, faz parte do otimismo que toma conta dos católicos.

Até o caso islâmico terá de ser equacionado. A revolta do Islã contra o Ocidente, que é o principal mundo cristão e, portanto, isso também diz muito respeito às Igrejas Cristãs, é um ódio religioso com raiz na economia e na política. Eles foram dominados e explorados pelo Ocidente. As migrações clandestinas na direção da Europa é uma evolução da consciência daqueles povos. A solução passa pelas igrejas, embora elas estejam de bico calado.

O primeiro Papa não europeu e o primeiro jesuíta: o argentino Francisco. Nestes séculos assumiram 266 papas, alguns, como vimos na narrativa, em nada contribuíram para com a sua Igreja. O Jesuítas sempre foram considerados rebeldes, porque a Ordem de Inácio de Loyola foi ousada e saiu pelo novo mundo a recrutar fiéis para uma igreja que caía aos pedaços ali pelo século XV. Pelo simples fato de ser jesuíta, o Papa Francisco antecipou-se em reconhecer que a igreja tem uma dívida para com os índios da América do Sul: tirou-lhes seu deus e tirou-lhes também a sua identidade como povo. Por onde passou a Igreja, os nativos acabaram na miséria, no alcoolismo, miscigenaram-se e deles hoje quase não se tem notícia boa.

Muitos outros pedidos de perdões terão de aparecer. Eles virão à medida que Francisco e seus sucessores forem afastando do controle rígido conservador da Santa Sé aquelas mentalidades do primeiro milênio da Era Cristã.

Avança, ou roda. As Leis Espirituais do Espírito Santo nos provam isso.

  

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