sábado, 14 de novembro de 2015

1820-Devagar se chega longe


A contestada imortalidade da alma
Introdução
Uma considerável parcela da humanidade não está, como se diz, espiritualizada e, por isso, de um lado, violenta, corrupta, desumana, fora da casinha, indigna para a vida, em decomposição, segundo as principais cartilhas religiosas do planeta e, de outro, fanatizada pelo que dizem as escrituras (para eles) sagradas, anunciando a dormência da alma junto ao sepulcro até que venha a ressurreição ali nas escrituras prometida.
A ausência concepcional de um Deus evolutivo e não vingativo nem julgador, como nos é apresentado há 30 séculos, levou grande parte da humanidade a descrer na vida eterna da alma e a aproveitar todas as chances que tiver para viver exuberantemente nos prazeres que o dinheiro por proporcionar. E, no caso dos evangélicos e pentecostais, viverem distantes dos prazeres, em contenção, a espera do resgate salvador que dizem estar prometido.
As zonas do planeta onde menos o ser humano se faz digno para Deus é, exatamente, onde estão os conflitos e os comportamentos que mais envergonham a nossa civilização. No caso evangélico-pentecostal forma-se uma imensa onda de crédulos naquilo que o corretor de Deus (seu pastor) sugere, exige, ameaça, muitas vezes pedindo o seu dinheiro com a maior cara de pau, num gesto de lesa comunidade sem precedentes e sem punição pelas leis humanas.
Isso tudo tem uma causa, evidentemente, e esse é o objetivo desta postagem. Vamos aos fatos?
Primeiro, as heranças bíblicas
A Bíblia que nos deu Moisés e, na sequência, reforçada por todos os demais profetas judaicos, apresenta clara e unanimemente que os mortos estão dormindo e não tem consciência. Quando se trata dos crentes naquilo que foi escrito pelos homens auto intitulados intérpretes de Deus, forma-se uma multidão fundamentalista: ali está a verdade sagrada e mais ninguém pode argumentar o contrário. No caso dos homens e mulheres que romperam com as pregações ultrapassadas e insustentáveis, forma-se uma multidão, por assim dizer, de ateus. São os que só buscam enriquecer por todas as vias: trabalho, finanças, assalto, sequestro, estelionato, assassinato, guerra, produção de artigos e produtos destinados a piorar a vida, tráfico de drogas, etc. Nessa multidão, com um pouquinho de ajuste, poderiam estar os exploradores da fé que enriquecem discursando, procurando convencer, ameaçando, terrificando e semeando fundamentalismos no interior dos templos. Os crentes seguem as escrituras e os não crentes seguem qualquer outra lógica.
Apenas para clarear melhor eis algumas das passagens bíblicas a este respeito, que autorizam o fundamentalismo religioso:
Daniel 12:2 diz: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”.
A vida eterna começa não com a morte, mas com a ressurreição! Até aqueles que morreram estão no momento dormindo “no pó da terra”. Veja que Deus não diz a Daniel “e muitos daquelas almas estão agora no céu”.
Assim é também com o apóstolo Paulo: ao falar aos tessalonicenses sobre a morte e a esperança que temos na ressurreição, ele falou sobre aqueles que estavam “dormindo”. Veja os termos que ele usa em 1 Tessalonicenses 4:13-16: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemos-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”.
Um parêntesis para alertar o estrepitoso desvio acontecido já no primeiro século da pregação cristã: ao invés de ressaltar os pontos elevados da doutrina, seus seguidores se agarraram à hipótese de retorno de Jesus, em vida corporal. Isso induziu a entender “ressurreição” como ressuscitação, quando, no real, o conceito de ressurreição é surgir novamente, logo, não no mesmo corpo porque aí se tem a ressuscitação. É o que pode ser pesquisado semanticamente em qualquer obra séria de elucidação gramatical. Nascer de novo, ressurgir, não significa retomar aquele mesmo corpo que foi depositado no cemitério ou cremado.
A esperança de Paulo, a esperança que a igreja deu falando em nome de Deus tem um nome: ressurreição. Mas quase 100% dos cristãos de todas as correntes, continuam acreditando que os que morreram vão se erguer do túmulo. Nunca se abordou, no entanto, em um tempo entre o agora e a ressurreição, que alguns de nós, provavelmente todos (dependendo de quando o Senhor voltará – este tempo ninguém sabe) morreremos para este corpo. Não entraremos em um estado de regozijo no céu ou paraíso. Ao invés disto estaremos dormindo. Onde? No pó do chão, ou como normalmente é chamado na palavra “Sheol” ou “Hades”, o túmulo. Esta é a verdade contida na Palavra de Deus (dada pela Bíblia Judaica) simples e fácil de entender, segundo os escritores da Bíblia que se dizem intérpretes de Deus.
Se atrás do termo “ressurreição” (por vício de versão) está o termo reencarnação, por todos esses séculos nós fomos enganados, ludibriados. E dependendo de como foi possível entender essa versão, nos tornamos muito mais interessados em enriquecer financeiramente, nem que para isso houvesse necessidade de matar, roubar, traficar, invadir, produzir miséria.
E o ódio islâmico vem de onde?
Os movimentos fundamentalistas islâmicos desenvolveram-se antes do século XX em reação a vários acontecimentos. Depois da I Guerra, a dissolução do Império Otomano e do califado de Mustafá Kemal Atatürk (fundador da Turquia), alguns muçulmanos sentiram a sua identidade religiosa ameaçada pela influência das ideias ocidentais, como consequência do domínio econômico e militar dos países ocidentais. Durante a década de 1960, a ideologia predominante no mundo árabe era o pan-arabismo que punha menor ênfase na religião e se empenhava na criação de um estado secular socialista, inspirado mais no nacionalismo que no Islã. Uma das figuras de proa desta ideologia foi o sírio Michel Aflag, o fundador do partido Baath, que estudou na Sorbonne nos anos 30, tempos das lutas ideológicas na Europa. Ficou fascinado pelo regime nazista, o pangermanismo de Adolf Hitler. Ele cunhou como poucos a ideologia do pan-arabismo, que pretende a união dos países de língua árabe sob um comando único e certamente de tendência socialista em represália ao capitalismo dominante.
Vários governos árabes baseados no nacionalismo árabe, dentre os quais os mais conhecidos foram os de Muammar Kadhafi (Líbia) e Mahmoud Ahmadinejad (Irã) debateram-se muitas vezes com problemas de estagnação econômica e conflitos sociais por conta de suas conflituosas relações com o Ocidente. O surgimento da OPEP – Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, foi em objetivo de contraditar a riqueza ocidental cobrando mais pelo óleo do chamado Terceiro Mundo.
Alguns muçulmanos culpam os males das suas sociedades no influxo de ideias "estrangeiras". Um regresso aos princípios do Islã é percebido por eles como a cura natural. Um tema islâmico persistente é que os muçulmanos são perseguidos pelo ocidente e por outros estrangeiros. Neste fundo, geral, as ideias fundamentalistas desenvolveram-se em diferentes cenários, em alguns casos com mais força e noutros com menos. O terrorismo é o lado agressivo.
É interessante como um muçulmano pratica o terror e como um chefe de gang criminosa dirige sua facção: ambos têm raiva dos ricos, se declaram comunistas e querem também a riqueza. Enquanto no Brasil queimam ônibus, nas zonas de influência islâmica derrubam aviões e jogam aviões contra prédios.
O fundamentalismo se baseia numa interpretação literal dos vários livros sagrados e se afasta de uma interpretação mais mística. Após o surgimento e disseminação de lógica moderna, baseada no pensamento durante e depois do iluminismo (1650 - 1800) no mundo ocidental eram fundamentalistas religiosos literalmente ao interpretar os textos.
Imortalidade da alma: a crença comum vs a Bíblia
A versão de que os mortos estão dormindo agora e voltarão à vida na ressurreição, infelizmente, não é o que a maioria dos cristãos acredita e que pode ser resumida como segue:
“Uma pessoa é composta de corpo, mente e alma. O corpo é o físico carne - sangue “couraça”, ossos - que funciona como uma casa para a alma. A alma é a parte imaterial, a consciência, a organização da vida. Mente é a gerência da existência, os sentimentos, etc. Na morte a alma deixa o corpo e continua a viver conscientemente para sempre no céu ou no inferno”, segundo o catolicismo “e/ou nalguma colônia espiritual à espera da reencarnação”, segundo algumas outras culturas religiosas.
A alma já tem sido apresentada como ela é, segundo a ótica de uns e outros. No dicionário Vine de onde nos vem muitas traduções do hebraico para a língua inglesa, é dito: a palavra hebraica (“nephesh”), traduzida como “alma” na Bíblia, é: essência da vida, o ato de respirar, tomar fôlego. Note que é exatamente como se entende o escrito de Moisés na Gênese. O problema com a "alma", do termo Inglês, é que nenhum equivalente real do termo ou a ideia por trás dele é representado na língua hebraica. O sistema hebreu de pensamento não inclui a combinação ou oposição do “corpo” e “alma”, da qual são de fato origens latinas e gregas” (Dicionário Vine Completo de palavras do Antigo e Novo Testamento, 1985, p. 237-238, com ênfases).
“Nephesh” (ou “Psuchi” - no Novo Testamento grego), alma, é, de acordo com a palavra de Deus (dada pelos intérpretes) simplesmente um fôlego da vida. Gênesis 2:7 demonstra esta verdade claramente. Em Gênesis 2:7: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. [“nephesh” em hebraico]”.
Veja que a Palavra não fala da alma como algo separado do corpo e sim como algo que foi inalado. “O homem foi feito alma vivente”. Cada um de nós que respiramos hoje é uma alma vivente. Quando dermos nosso último suspiro, não mais seremos almas viventes. Estaremos dormindo, sem consciência, e igual como as pessoas que dormem profundamente e não tem consciência.
Se adotarmos a definição que a Palavra de Deus que é dada pelos seus intérpretes, para alma, e não a versão “greco-latina”, como Vine a chama, não teremos então problemas quando entendermos que animais também tem alma porque respiram.
Veja Gênesis 1:20-21: "E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente [nephesh, alma]; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom".
E veja Gênesis 1:29-30: "E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente [nephesh em hebraico], toda a erva verde será para mantimento; e assim foi".
Novo parêntesis: a doutrina espírita ensina que nos animais estão parcelas de espíritos em formação que, quando tenham percorrido toda a trajetória evolutiva, merecerão encarnar em humanos.
Obviamente que na visão bíblica não há nada metafísico na alma e sim respiração. Qualquer ser que respira, seja homem ou animal, é uma alma vivente. De onde vem então esta crença da imortalidade da alma? Isto é o que vamos continuar a discutir.
Imortalidade da alma: uma tese platônica
Em relação à origem da ideia da imortalidade da alma, Vine já nos deu algumas dicas a respeito: esta crença ou tese vem da filosofia grega, defendida especialmente por dois filósofos gregos: Platão e Sócrates. E, pioneiramente, antes deles, por Pitágoras. Platão, embora não seja o primeiro a defender a doutrina da imortalidade da alma, ele foi definitivamente o mais eloquente. Como Werner Jaeger da Universidade de Harvard diz: “A imortalidade do homem era um dos credos fundamentais da religião filosófica do platonismo, que foi, em parte, adotada pela igreja cristã”. (Werner Jaeger, “As ideias gregas da imortalidade”, Revisão Teológica de Harvard, Volume LII, Julho 1959, Número 3, com ênfases).
Antes de Platão, como disse, Pitágoras havia percorrido a Índia, o Egito, o Tibete e se tornava o primeiro pensador grego a falar da imortalidade da alma e da reencarnação.
Como a Enciclopédia Católica (Tópico: a escola platônica) também nos informa: “A grande maioria dos filósofos cristãos até Santo Agostinho foram platônicos”.
O que Platão acreditava a respeito da alma? Platão era discípulo de outro filósofo grego, Sócrates. A obra de Platão “Fédon” é um diálogo no qual retrata a morte de Sócrates. Se passa no último dia de vida de Sócrates antes de ser executado, tomando cicuta. Como a Wikipédia diz: “um dos temas centrais no Fédon é a ideia da alma ser imortal”. Poderíamos considerar “Fédon” uma obra que suporta a crença de dois grandes filósofos gregos no assunto. Aqui estão algumas passagens desta obra (tirada do seguinte site: http://classics.mit.edu/Plato/phaedo.html ).
“A alma é a semelhança do divino e imortal, e inteligível, e uniforme, e indissolúvel e imutável... Ela vai para o puro, eterno e imortal, e imutável, ao qual ela pertence..." (Fédon)
E novamente: “A alma, cuja atitude inseparável é a vida, nunca admite vida oposta, ou seja, a morte. Assim, a alma é destinada a ser imortal, e uma vez imortal, indestrutível. Logo, se levada a sério a tese que os gregos nos entregaram pioneiramente, não se pode acreditar que não exista a morte. Ela existe para o corpo, que não é outra coisa que matéria corruptível. O homem não é o corpo, é a alma. O corpo é como uma roupa, um escafandro. Trocá-los para seguir respirando no plano biológico, não pode ser uma calamidade. Com certeza. E isso é qualquer coisa, mas a separação da alma e do corpo deve ser entendida como a retirada de um pen drive da porta que o conecta ao hardware. Separam-se mente e consciência e fica o hardware que pode ser substituído por outro mais moderno. O hardware pode ser substituído e o pen drive conectado novamente e novamente ativo e “consciente”. Estar morto é a realização de tal separação, quando a alma existe em si mesma e se separa do corpo, e o corpo é partido da alma. Que é a morte .... A morte é apenas a separação da alma e do corpo". (Fédon com ênfases atualizadas para os tempos atuais)
Mais ainda, Fédon relatando a morte (de Sócrates): “Alegrai-vos e não choreis minha partida...Quando colocai-me no túmulo, dizei que estais enterrando meu corpo, não minha alma”.
O que Platão e Sócrates dizem soa familiar? De fato, sim. Poderia ser o resumo da crença da maioria dos cristãos! Sim se a Bíblia não entrasse no circuito para mudar o conceito. Não se a igreja quisesse ser evolutiva.
Como o historiador da igreja Philip Schaff diz: “Platão dá destaque também para a doutrina de um estado futuro de recompensas e punições. Na morte, por uma lei inevitável do seu próprio ser, assim como pela nomeação de Deus, cada alma vai para o seu lugar, o gravitacional mal para o mal e o do bem subindo para o bem supremo”. (A Nova Enciclopédia Schaff-Herzog de Conhecimentos Religiosos, artigo: platonismo e cristianismo).
Tudo parece de fato ter sido escrito por um pregador cristão contemporâneo. Tudo poderia estar esclarecido se o Evangelho tivesse registrado que a aparição de Jesus na manhã de Páscoa foi uma aparição em espírito e que foi em espírito que Ele subiu aos céus. De fato, compare o que lemos em Fédon, com o que a maioria dos pregadores célebres do Cristianismo Contemporâneo diz sobre nosso tema:
“….você é uma alma imortal. Sua alma é eterna e viverá para sempre. Em outras palavras, seu real “eu” – sua parte pensante, sentimentos, sonhos, desejos, o ego, a personalidade – nunca morrerá .... sua alma viverá eternamente em um dos dois lugares – Céu ou inferno ... Se somos salvos ou perdidos, há consciência e existência da alma e personalidade”. (Billy Graham, Paz em Deus, capítulo 6, parágrafos 25 e 28). Os espíritas não pregam o céu e o inferno como residência final dos espíritos, pois entre viver num corpo e voltar para outro as suas passagens no lado bom ou no lado ruim dos céus é apenas passageira.
E o que diria de tudo isso o diabo
Agora, por imperativo do encaminhamento que temos dado à argumentação, faz-se necessário voltar à Bíblia. Compare as teses já desfiladas por esta página com o que Deus e Seu arqui-inimigo, o diabo, dizem em Gênesis 2 e 3. Gênesis 2:16-17, 3:4: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás... Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis”.
A primeira coisa que foi ensinada ao homem, no jardim do Éden, é o que lhe foi dito pelo supostamente imortal - o diabo– embora caído –. Compare o “certamente não morrereis” com a doutrina da imortalidade da alma. “Sua alma é imortal e viverá para sempre”, disse Billy Graham. Embora o respeite muito, a mesma coisa disseram, também, Platão e Sócrates. De acordo com eles: não uma morte real. “Certamente não morrereis”, sua alma apenas deixa o corpo e vive eternamente no céu ou no inferno, dependendo do que se tem feito” e dependendo da doutrina de onde procede a tese.
Os evangélicos se irritarão e dirão: “Irmão, isto não é uma crença cristã, é uma crença pagã, ensinada primeiro pelo pai da mentira no jardim do Éden”. Calma, irmãos evangélicos. Quanta mentira já foi dita por pastores, bispos, papas, profetas? Quem são eles? Espíritos que surgem em nossas vidas como o suposto diabo apareceu para Eva. Quem escreveu tudo no Antigo Testamento e negou-nos conhecer sobre a espiritualidade, foi Moisés, um homem que nos mostrou o Caminho da Morte. Quem mexeu nos textos do Novo Testamento foram os cardeais de Roma a serviço do Império. Cristo falou e ensinou sobre o Espírito, batizou no Espírito, trouxe-nos a Notícia da Imortalidade da Alma. Os senhores não podem e não devem agarrar-se aos escritos ditos sagrados porque eles estão cheios de falhas, os homens que os escreveram são criaturas falhas. Ninguém pode dizer que foi Deus que ditou aquilo. Não há provas. Foram os próprios profetas que se intitularam intérpretes de Deus. Foram?   
Imortalidade da alma: Tyndale vs Lutero
Vejamos agora o que dois grandes reformadores pensam sobre a doutrina da imortalidade da alma. William Tyndale, aquele grande reformador e reverenciado tradutor da Bíblia, que foi queimado na estaca, na Inquisição, disse sobre a doutrina da imortalidade da alma, respondendo ao inquiridor Papal, Thomas More: “Ao colocar as almas que partiram no céu, no inferno, ou no purgatório, destruís os argumentos com os quais Cristo e Paulo provam a ressurreição. (...) E ainda, se há almas no céu, por que elas não estão em uma boa posição como os anjos? Se a alma está no céu, dizei-me que motivo há para a ressurreição? (...) A fé verdadeira posta (estabelecida) a ressurreição, pela qual somos advertidos a buscar a todo momento. Os filósofos pagãos, negam isto, declaram que as almas sim vivem. E o Papa une a doutrina espiritual de Cristo e a doutrina carnal dos filósofos, coisas tão contrárias que não tem como estarem de acordo. Não mais como o espírito e a carne no homem cristão. É por essa mentalidade carnal de um papa ao consentir uma doutrina pagã, que ele corrompeu a Escritura Sagrada para estabelecê-la de modo diferente. (Resposta ao diálogo de Sir Thomas More (reimpressão Parker 1850), p. 180, 181, com ênfases).
Tyndale disse também:
“Eu me maravilho de que Paulo não tenha reconfortado os Tessalonicenses com esta doutrina (da imortalidade da alma) se soubesse que as almas de seus mortos estavam em gozo, assim como ele sabia da ressurreição, que seus mortos viveriam novamente. Se as almas estão no céu, em estado de glória como os anjos, conforme sua doutrina, diga-me então para que a ressurreição” (Resposta ao diálogo de Sir Thomas More (reimpressão Parker 1850), p. 118, com ênfases).
Mais ainda, Martin Lutero, o grande reformador alemão, criador da Igreja Luterana, em resposta à mesma Bula de Leão X, classificou a imortalidade da alma como uma “opinião monstruosa”. Eis aqui o que ele disse:
“Contudo, permito ao Papa estabelecer artigos para ele mesmo e seus fiéis seguidores, tais como: que o pão e o vinho são substanciados no sacramento, que a essência de Deus gera não é gerada, que a alma é a forma substancial do corpo humano, que ele (o papa) é o imperador do mundo e rei do céu e um deus terreno, que a alma é imortal, e todas essas monstruosidades sem fim. (Afirmação de todos os artigos de M. Lutero condenados pela última Bula de Leão X), artigo 27, Weimar edição das Obras de Lutero, vol. 7, pp 131, 132, com ênfases).
O estudioso luterano, Dr. T. A. Kantonen (A esperança Cristã, 1594, p. 37), resumiu a posição de Lutero sobre a morte com essas palavras:
"Lutero, com grande ênfase na ressurreição, preferiu concentrar na metáfora da escritura do sono. “Pois assim como quem dorme e alcança o amanhecer inesperadamente ao acordar, sem saber o que aconteceu com ele, também devemos ser despertados de repente no último dia sem saber como entramos na morte e passamos por ela. Dormiremos, até que Ele venha e bata no nosso túmulo e diga, Doutor Martin, levante-se! Então ressuscitaremos prontamente com ele para sempre”.
Com o maior respeito por suas posições, emitidas no século XIV e no calor das divergências e em oposição aos Papas da época, não se pode concordar com esse grande reformador. Com Tyndale, talvez, acompanhando-o nos seus questionamentos. Lutero sugere que Jesus ergueu-se do túmulo no mesmo corpo, ressuscitou. E a doutrina da ressurreição como nos é apresentada parece ser um ato coletivo de retorno das tumbas.
Como seria mais fácil descomplicar. Olhemos para a chuva, que é a água dos rios, lagos e mares de volta após passar pelo estágio do vapor. Olhemos as árvores, que morrem nas suas sementes e retornam viçosas para nova vida. Porque o reino animal teria de ser diferente? A morte é sem dúvida o encerramento do ciclo que acomete a árvore, o elefante, a mosca e a tudo mais o que homem construir. Reciclados, árvore, elefante, mosca, homem ganham novos corpos. E segue a vida.
O que dizer no velório?
A Bíblia e o pastor luterano não são confortadores nos funerais, quando a família olha para o caixão onde jaz um ente querido e sonha com a hipótese de reencontrá-lo no outro lado da vida. E o pregador sai com essa de que a imortalidade da alma é uma balela, que está tudo acabado? Francamente.
Os luteranos já refizeram suas posições e são muito mais espirituais que os próprios católicos. Leia o que escreve Paulo Afonso Butzke, um célebre intérprete do pensamento luterano: “Constatamos, portanto, que a despeito das dificuldades eclesiásticas internas com a socialização religiosa, o tempo é de espiritualidade. Trata-se de uma grande chance para as igrejas tradicionais, também para a igreja luterana. Não é preciso elaborar uma estratégia de marketing. Basta voltar a beber da rica fonte da espiritualidade cristã. Com urgência precisamos redescobrir a riqueza de formas, reaprender os métodos de meditação e resgatar os exercícios espirituais”.
As palavras de Platão e Sócrates foram o conforto ao ensinar seus alunos convertidos. (Eu lembro novamente a citação da Enciclopédia Católica: “A grande maioria dos filósofos cristãos até Santo Agostinho foram platônicos”). A pergunta que não quer calar é: continuaremos a acreditar nisto ou voltaremos nossos ouvidos para o que a Palavra dos Intérpretes de Deus diz? E o que eu digo lá no velório para os familiares do falecido?
Imortalidade da alma: outras fontes e os fundadores da Igreja
A imortalidade da alma é algo contrário às escrituras e é também estabelecida pela enciclopédia Judaica que diz a esse respeito:
"A crença de que a alma continua existindo após a morte do corpo não está nos ensinamentos da Sagrada Escritura... a crença da imortalidade da alma vem de judeus que tiveram contato com os gregos, de modo especial sobre a filosofia da Platão e seus princípios, que foi conduzido por meio dos mistérios Órficos e Eleusianos dos quais os egípcios e babilônios foram estranhamente misturados”. (A Enciclopédia Judaica, artigo, “imortalidade da alma, com ênfases).
De modo similar a Enciclopédia Bíblica internacional diz:
“Sempre fomos influenciados de certa forma pelas ideias gregas, platônicas de que o corpo morre, mas a alma é imortal. Tais ideias são completamente contrárias à consciência israelita e não há relato disso no Antigo Testamento” (1960, Vol. 2, p. 812, “Morte”).
A doutrina do caos ecoa desde os templos fundamentalistas: “irmãos, a alma NÃO é imortal. A alma é apenas para dar vida ao corpo. Você respira. Você tem alma. Assim também para os animais: eles são almas viventes. Você morreu, não há mais alma. A esperança dos cristãos se apoia em apenas uma única doutrina: a doutrina da ressurreição dos mortos. Quando Paulo foi para Atenas, a capital do filósofo grego, a casa de Platão e Sócrates, ele pregou: “Jesus e a ressurreição” (Atos 17:18). Desde então o conceito da imortalidade da alma de espalhou por toda Grécia. Mas Paulo não disse isso para reiterar a mentalidade da filosofia grega. Ao contrário, ele pregou a única doutrina verdadeira sobre o assunto: a doutrina da ressurreição. Paulo não comprometeria a verdade reiterando os filósofos e suas opiniões. De fato, aqui está um alerta para todos a este respeito. Colossenses 2:8: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”.
Entre os mais ilustres dos padres que foram influenciados por Platão, podemos nomear: Justino Mártir, Atenágoras, Teófilo, Irineu, Hipólito, Clemente de Alexandria, Orígenes, Felix Minúcio, Eusébio, Metódio, Basílio, o Grande, Gregório de Nissa, e Santo Agostinho.” (A Nova Enciclopédia de conhecimentos religiosos Schaff-Herzog, artigo: Platonismo e Cristianismo, com ênfases).
Imortalidade da alma: conclusão
Como é pobre e sem consistência alguma a pregação que destitui a alma de sua condição imortal e a põe como um sopro ao vento que se desprende do corpo justamente quando a morte chega ou que sucumbe juntamente com o corpo no interior da terra ou consumido pelo fogo. É tão absurda que nega a existência de Deus como Espírito que habita os céus e que avisou na mesma Gênese invocada para negar a alma: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gen. 1;26). É tão absurda que atribui a Deus também a mortalidade que atribui ao homem.
Agarra-se aos escritos bíblicos como se fosse a fala de Deus e esquece-se que a fala de Platão e Sócrates também pode ser a fala de Deus, pois Moisés, Platão e Sócrates foram homens e como homens escreveram o que escreveram. Alguém veio dizer que Moisés ouviu Deus. Alguém poderia ter dito que Platão e Sócrates ouviram Deus.
E por que eleger apenas os textos judaicos como sagrados se budistas e hinduístas, se islâmicos também têm seus textos sagrados? Os têm e neles está evidente a existência da alma imortal que se desprende do corpo para ir ao encontro de Deus, que também é uma alma, uma super-alma.
2 Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.
Até a próxima reencarnação, isto é, publicação.

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