sábado, 12 de dezembro de 2015

1824-Quem eram os macabeus?


Por que os judeus negaram Jesus

Todos sabemos que apesar de anunciada a sua chegada em repetidas profecias de veneráveis profetas judeus, Jesus não foi aceito como o Messias esperado. Outro não houve. Os judeus pararam de esperar. Então como se explica isso? Os profetas se equivocaram ou os judeus perderam o bonde divino?

Alguns numerosos analistas entendem que o tradicionalismo judaico estragou tudo, uma grave espécie de fundamentalismo religioso, muito apegado ao que poderia ser mudado, mas que assim deste modo, pela radicalização sistêmica, a mudança não vem, não veio e talvez não venha jamais.

Contudo, para muitos estudiosos, a era dos macabeus é como uma “caixa-preta” escondida entre o término da escrita dos últimos livros do Antigo Testamento e a vinda de Jesus Cristo. Um período de cerca de 200 anos. Se incluirmos aí o período das filosofias gregas, esse tempo aumenta para 500 anos.

Da mesma forma que certos detalhes são revelados quando a caixa-preta de um avião é analisada após um desastre, podemos obter certo entendimento fazendo uma análise detalhada da era dos macabeus — um período de transição e transformação para a nação judaica. E, nesse caso, o desastre foi a passagem do Mestre Jesus pela história judaica.

Falava-se muito em Sabedoria, algo assim como uma supra inteligência anunciada, uma Pistis Sophia e aí já estamos entrando na gnose, que prosperou naquela mesma região no mesmo período que, como sabemos, coincide também com o surgimento dos filósofos gregos.

Que tempos, hein! Que privilégio haver vivido nos anos 500 antes e anos 200 depois de Cristo.

Ao que tudo indica, os judeus, por não estarem nem em Alexandria, nem no Cairo, nem em Atenas ou Roma, aparentavam não pertencerem ao mundo mais evoluído da época. Mas, os macabeus, sim, deixaram traços de uma espiritualidade bem desenvolvida. E cadê os macabeus?

Vamos aos fatos a respeito dos macabeus?

Quem eram os macabeus?

Que influência exerceram os macabeus sobre o judaísmo antes da vinda do predito Messias? O reverenciado profeta judaico, Daniel, contemporâneo dos macabeus, aborda isso em Dan 9:24-26: “Setenta semanas foram fixadas a teu povo e à tua cidade santa para dar fim à prevaricação, selar os pecados e expiar a iniquidade, para instaurar uma justiça eterna, encerrar a visão e a profecia e ungir o Santo dos Santos. Sabe, pois, e compreende isto: desde a declaração do decreto sobre a restauração de Jerusalém até um chefe ungido, haverá sete semanas; depois, durante sessenta e duas semanas, ressurgirá, será reconstruída com praças e muralhas. Nos tempos de aflição, durante essas sessenta e duas semanas, um Ungido será suprimido e ninguém será a favor dele. A cidade e o santuário serão destruídos pelo povo de um chefe que virá. Seu fim chegará com uma invasão, e até o fim haverá guerra e devastação decretada”.

Além de anunciar a mudança de índole que Jesus traria, além de anunciar a negativa judaica a Jesus, coube ao profeta Daniel, em pleno tempo dos macabeus, também, ao lado de outros profetas, falar da imortalidade da alma, um assunto para o qual os judeus nunca deram atenção. Em todo o pentateuco, que são os cinco livros principais, que os judeus chamam de Torá, Moises não cita uma única vez a alma.

O judaísmo chassídico, de onde nos vem o chassidismo, judaísmo hassídico ou hassidismo (do hebraico חסידים, Chasidut para os sefardim; Chasidus para os asquenazes: "piedosos" ou "devotos") é um movimento surgido no interior do judaísmo ortodoxo que promove a espiritualidade, através da popularização e internalização do misticismo judaico, como um aspecto fundamental da fé judaica. Essa vertente não deixou de existir ao longo de praticamente toda a história judaica. E ressurgiu bem depois outra vez.

A verdade é que à época imediatamente anterior a Jesus ela existiu, mas foi sufocada pela truculência dos fariseus, defensores das tradições mais arraigadas, um verdadeiro e ativo fundamentalismo.

O renascimento do hassidismo

Dezoito séculos depois, no entanto, o uso do termo "chassidismo" ou "hassidismo", retorna e é aplicado à tendência desenvolvida, na primeira metade do século XVIII, na Europa Oriental, com o rabino Israel Ben Eliezer, mais conhecido como Baal Shem Tov, em reação ao judaísmo legalista ou talmúdico, mais intelectualizado. Mas isso é o retorno do pensamento que havia antes da vinda de Jesus.

Atribuem-se ao Baal Shem Tov o poder da cura e vários milagres, sobretudo no confronto com espíritos malignos, os quais ele teria vencido, usando como arma a fé e a alegria de viver. O rabino ia de aldeia em aldeia levando o alívio aos doentes e divulgando seus ensinamentos. Afinal reuniu seus seguidores em torno de um corpo doutrinário sistematizado, reconstituindo o hassidismo como uma disciplina de natureza religiosa.

O elemento central do hassidismo é a devekut, isto é, a união mística com Deus - uma metodologia espiritual que tem como meta libertar o ser humano dos reveses da vida terrena. Seus discípulos pregam que o Homem tem o poder de se desligar dos bens materiais e de tudo o que está relacionado ao mundo, por meio da prece meditativa, o daven, o qual pode conectar o indivíduo a Deus. O Baal Shem Tov admite a Shekhiná, ou seja, a presença divina em cada vida, como uma prova da compaixão divina pelo ser humano e por todas as suas criaturas.

Por outro lado, uma das lideranças mais significativas do hassidismo no século XIX, Menahem Mendel de Kotzk, representa a polaridade oposta, pois destaca a revolta diante das imperfeições do Homem e de seus sofrimentos. Sua ira o conduz ao conceito do tikun olam, a redenção do Cosmos.

O panenteísmo

As ideias opostas destes dois ícones do movimento hassídico imprimem nesta corrente a piedade alegre e compadecida, de um lado, e a busca implacável da justiça austera, do outro. O hassid, seguidor dessa esfera mística, está constantemente imbuído da presença do Criador, pois se encontra quase sempre em estado de meditação, a qual não traz em si apenas os típicos lamentos judeus, mas igualmente as melodias que se repetem por um longo tempo e a coreografia hassídica.

A comunidade judaica se beneficiou amplamente do hassidismo, uma vez que ele provocou uma reestruturação extrema da sociedade judaica, reforçando o senso comunitário com base no conceito de uma vivência mística na vida cotidiana. A doutrina hassídica é um tanto complexa, pois se fundamenta no panenteísmo, segundo o qual Deus é a existência de fato, a essência de tudo que há. Em sua versão mais radical, afirma que nada existe a não ser o Criador, e tudo o mais é ilusão.

Não se deve confundir o panenteísmo com o panteísmo, movimento que prega a imanência divina ao Universo e à natureza. Na concepção panenteísta, Deus se revela em cada evento universal, constituindo a realidade última, a única existência consistente. O mundo estaria encoberto por um manto que, uma vez removido, manifestaria tão somente a presença do Criador. Assim sendo, Ele está no interior de cada ser, mas também transcende a criatura, a qual nada mais seria que uma dissimulação do Ser Divino. Portanto, a Divindade atua como uma conexão entre todos os seres, os quais estão interligados em uma alteridade consagrada.

Desta forma, todos podem ser recuperados e alteados, aprimorados de tal forma que podem, assim, voltar ao seio divino. Cada indivíduo tem como papel principal na existência promover esse resgate do outro. Eis porque o hassid não acredita no mal e o vê apenas como uma máscara deturpada do que ainda não foi salvo.

Influência helenista
 
Vamos por partes olhando primeiro a influência do helenismo. Alexandre, o Grande, conquistou territórios desde a Grécia até a Índia (336-323 a.C.). Seu vasto império contribuiu para a expansão do helenismo — o idioma e a cultura da Grécia. Os oficiais e os soldados de Alexandre casaram-se com mulheres locais, causando uma fusão da cultura grega com as culturas dos povos conquistados. Depois da morte de Alexandre, seu império foi dividido entre seus generais. No início do segundo século a.C., Antíoco III, da dinastia greco-selêucida, na Síria, arrebatou Israel do controle dos Ptolomeus gregos do Egito. Que influência o governo helenista teve sobre os judeus em Israel? Um historiador escreve: “Visto que os judeus não podiam evitar o contato com seus vizinhos helenizados e muito menos com seus próprios irmãos no exterior, a absorção da cultura e do modo de pensar dos gregos foi inevitável. Não dava nem para respirar no período helenista sem absorver a cultura grega!”

Os judeus adotaram nomes gregos e — uns mais outros menos — adotaram também os costumes e a vestimenta gregos. O poder sutil da assimilação estava em ascensão.

Vamos olhar agora a corrupção. Os sacerdotes estavam entre os judeus mais suscetíveis à influência helenista. Muitos deles achavam que aceitar o helenismo significava permitir que o judaísmo acompanhasse a evolução dos tempos. Um desses judeus era Jasão (chamado Josué em hebraico), irmão do sumo sacerdote Onias III. Enquanto Onias estava em Antioquia, Jasão ofereceu um suborno às autoridades gregas. O que ele queria? Que o nomeassem sumo sacerdote em lugar de Onias. O governante greco-selêucida Antíoco Epifânio (175-164 a.C.) rapidamente aceitou a oferta. Os governantes gregos nunca haviam interferido no sumo sacerdócio judaico, mas Antíoco precisava de dinheiro para suas campanhas militares e também gostava da ideia de ter um líder judeu que promovesse a helenização de maneira mais ativa. A pedido de Jasão, Antíoco concedeu a Jerusalém o status de cidade grega (polis). E Jasão construiu um ginásio de esportes onde judeus jovens e até sacerdotes participavam de competições.

Traição chama traição

Olhemos como traição gera traição. Três anos depois, Menelau, que pode não ter sido da linhagem sacerdotal, ofereceu um suborno maior e, sentindo-se ameaçado, Jasão fugiu. Para pagar Antíoco, Menelau tirou grandes somas de dinheiro do tesouro do templo. Visto que Onias III (exilado em Antioquia) manifestou-se contra isso, Menelau providenciou que ele fosse assassinado.

Quando se espalhou um boato de que Antíoco havia morrido, Jasão voltou a Jerusalém com mil homens na tentativa de tirar o sumo sacerdócio de Menelau. Mas Antíoco não estava morto. Quando soube do que Jasão tinha feito e da agitação entre os judeus em desafio à sua política de helenização, Antíoco reagiu com muita dureza contra a facção de Jasão.

Mais reação. Em seu livro The Maccabees (Os Macabeus), Moshe Pearlman escreve: “Embora os registros não sejam específicos, parece que Antíoco concluiu que permitir aos judeus uma certa liberdade religiosa tinha sido um erro político. Em sua opinião, a recente rebelião em Jerusalém não se tinha originado de razões puramente religiosas, mas do sentimento pró-Egito existente na Judéia, e esses sentimentos políticos tinham se manifestado de forma perigosa exatamente porque, de todo o povo sob seu domínio, somente os judeus tinham procurado e conseguido obter uma ampla medida de separatismo religioso. Ele decidiu que isso iria acabar”.

O estadista e erudito israelense Abba Eban resume o que aconteceu a seguir: “Numa rápida sucessão durante os anos 168 e 167 a.C. os judeus foram massacrados, o Templo foi saqueado e a prática da religião judaica foi proscrita. A circuncisão e a observância do sábado eram punidas com a morte. O insulto final veio em dezembro de 167, quando Antíoco ordenou a construção de um altar dedicado a Zeus, dentro do Templo judaico, e exigiu que, diante desse altar, os judeus sacrificassem carne suína — obviamente impura, de acordo com a lei judaica — ao deus dos gregos”.

Durante esse período, Menelau e outros judeus helenizados continuaram em suas posições, oficiando no templo agora profanado.

Embora muitos judeus aceitassem o helenismo, um novo grupo, autodenominado hassidins — os pios — incentivava a obediência mais estrita à Lei de Moisés. Revoltado com os sacerdotes helenizados, o povo cada vez mais tomava o lado dos hassidins. Estabeleceu-se uma era de martírio à medida que os judeus, em todo o país, eram forçados a escolher entre adotar os costumes e sacrifícios pagãos e a morte. Os livros apócrifos dos Macabeus relatam numerosos episódios de homens, mulheres e crianças que preferiram morrer a transigir.

Que tempos, hein?

E agora, Cristo como fica?

Estamos a 150 anos do maior baque acontecido na cultura judaica. Não um baque feroz com mortes e sacrifícios estranhos, mas um choque de amor. A morte os judeus haviam conhecido nas diversas peripécias que se abateram, invasões, guerras, escravidão, profanação de sua fé. Estava por chegar o Mestre do Amor, anunciando por Isaías, Ezequiel, Daniel e outros. No capítulo 53 de seu livro, Isaías extrapola tudo quando havia escrito e ao fazer censuras a Jerusalém, anuncia o reino do Messias que estava para vir 750 anos antes de isso acontecer. Ezequiel, 600 anos antes de Cristo, fala do novo pastor que reabilitaria Israel com a implantação da justiça. E fala, pela primeira vez, o tema que Jesus trouxe com muita clareza: a responsabilidade individual, o merecimento, introduzindo, assim, de leve a questão do amor. Daniel traz a ideia, ainda que veladamente, da expectativa do reino de Deus na terra, tema que, depois, Jesus abordou com profundidade ao anunciar que Deus é amor e seu reino também.

Jonas fala do perdão, chamando seu povo a converter-se, o que não ocorreu. Sofonias fala de uma era messiânica que restauraria a amizade do povo de Israel com Deus. E finalmente, Zacarias, descreve o reino pacífico do Messias esperado.

Posterior à vinda de Cristo, Paulo de Tarso, ao observar que os ensinamentos do Messias não seriam absorvidos pela maioria judaica, escreve aos hebreus (Epístola aos Hebreus) resgatando a longa história desse povo e concluindo que os heróis judaicos não obtiveram de Deus o cumprimento de todas as promessas e considera que os seguidores de Jesus é que seriam os verdadeiros beneficiados dessas promessas.

Por derradeiro se sabe que nem o macabeus e nem os judeus se tornaram adeptos da doutrina de Cristo. E pensando bem, também os romanos se desviaram dela.  
Até a próxima semana...

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