sábado, 19 de dezembro de 2015

1825-Roma investiu no diabo


Como chegamos ao demônio

Introdução

Estamos em 2015, percorridos, já, 15% do século XXI, apontado como a era da tecnologia, da razão e da ampla circulação de conhecimento, da descoberta de outros planetas capazes de abrigar vida como a que temos aqui na Terra, com a ciência praticamente se curvando às evidências da existência de um Inteligência Superior responsável pelo que entendemos por Leis Universais onde cabem a Matemática, a Física, a Geometria, as Astronomia, a Química e muitas outras ciências descobertas pelo homem. Não inventadas, descobertas.

O que muito nos assusta é que ainda temos quem sabe metade da população planetária imaginando que a figura mítica do demônio tenha espaço na explicação do mundo ou no próprio imaginário das pessoas.

Não é de rir, é de chorar, que em milhares de templos ainda existam pregadores amedrontando seus ouvintes com a figura do diabo, satã, satanás, demônio e tantos outros nomes que são dados para a figura adversária de Deus. Como se Deus precisasse de adversário. Ora, pois, pois.  

Entretanto, uma recente pesquisa demonstrou que o número de exorcistas, clérigos responsáveis pela expulsão de demônios cresceu muito. São pessoas ligadas às mais diferentes correntes religiosas, credenciados por seus bispos e com um crescendo que nos assusta.

De fato, desde que o mundo é mundo, observamos que as culturas ocidentais e orientais elaboram formas de justificar as mazelas que nos afligem. Nesse esforço, a construção de uma figura maligna, acaba assumindo os valores morais e os comportamentos de menor prestígio em nossa cultura. Nas religiões cristã, judaica e islâmica, o mal encarna a figura de um indivíduo que se opõe a Deus e busca atormentar a vida de todos os seguidores de tais religiões.

Nisso, as pessoas encontram justificativas para os desvios comportamentais.

Como a missão deste blog é fazer o possível para emancipar espiritualmente as pessoas que nos leem, só nos cabe metralhar estas bobagens e libertar essas pessoas. Vamos, então, aos fatos.

A história do diabo

Para muitos especialistas, o desenvolvimento da figura diabólica é fruto de várias dualidades que permeiam o cotidiano do homem. O belo e o feio, a sorte e o azar, o certo e o errado, a vida e a morte, o batizado e o pagão, o cristão e o bárbaro, compõem jogos em que um lado assume significação positiva e o outro, necessariamente, uma posição completamente negativa.

Dessa forma, não se enganem aqueles que acreditam que o universo demoníaco seja um traço singular às três religiões anteriormente citadas.

No século VI a.C., o profeta persa Zoroastro realizou a descrição de um ser chamado Arimã. Segundo as suas palavras, Arimã era o “príncipe das trevas” e travava uma eterna luta contra Mazda, o “príncipe da luz”. Segundo historiadores, esse valor da religiosidade persa acabou sendo incorporado pelos hebreus durante o famoso Cativeiro da Babilônia. Naquele instante, a interação com a cultura estrangeira deu origem ao “satan”, termo que em sua tradução literal significa “acusador” ou “adversário”.

Em um primeiro momento, o demônio hebraico não assume a postura estritamente aterrorizante que reconhecemos no cristianismo. Em várias passagens do Velho Testamento, ele surge como uma espécie de colaborador que recebe a autoridade divina para punir ou testar os fiéis seguidores de Javé. O sofrimento de Jó, que perdeu todas as suas terras e ficou adoentado, exemplifica esse tipo de postura que o demônio assume inicialmente no texto bíblico.

Por volta do século II a.C. a figura do demônio aparece em alguns textos apócrifos da tradição religiosa judaica. Se assumir uma feição muito bem definida, os demônios são apresentados como seres malignos que desorientam os indivíduos e os levam a cometerem atos deploráveis. É nisso que os analistas se apegam para afirmar que a invenção do diabo funciona como o vício para as dependências. “Eu não quero, mas é mais forte do que eu”.

No final das contas, o lado mais sombrio do imaginário religioso judaico esteve concentrado em descrições sobre o fim dos tempos. A fama do diabo apareceu mais tarde, com o aparecimento da religião cristã.

Chegando aos textos do Novo Testamento, autores como São João e São Paulo dedicam linhas e mais linhas em terríveis batalhas em que o Diabo trava uma intensa guerra contra Deus. Nesse instante, de criaturas efêmeras e indefinidas, os demônios passam a fazer parte de uma legião de seres espirituais malignos chefiados por um líder supremo, chamado Satã ou Lúcifer. Em uma dessas batalhas, podemos destacar uma descrição em que Lúcifer e um terço dos anjos são expulsos dos céus.

No início do cristianismo vários cristãos acreditavam que o demônio assumia a feição dos gladiadores e leões que os trucidavam nas arenas romanas. Somente no século IV, um concílio na cidade de Toledo descreveu minuciosamente o Diabo como um ser composto por chifres, pele preta ou avermelhada, com rabo e portador de um tridente. A partir de então, os relatos sobre experiências demoníacas ganhavam força em uma nova leva de narrativas.

Assim, a figura do demônio assumia formas e logo seria portador de uma gênese individualizada. Em 1215, o Concílio de Latrão determinou que o Diabo e os demônios eram criaturas criadas por Deus que, por conta de suas opções particulares, preferiram se desviar da autoridade divina. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que o inimigo se tornava claramente reconhecido, outras histórias falavam sobre pessoas que se entregavam ao temível lado obscuro.

Desse tempo em diante, acentuadamente o sexo passou a ser associado às tentações demoníacas a ponto de Freud concluir que todos os males humanos tinham raiz na repressão sexual.

Põe na conta dele

É isso mesmo. Tudo o que o mau caráter humano desencaminhado por falta de uma orientação espiritual condizente com o que é o Ser Divino Que Somos, repito, tudo o que se fazia na contramão das Leis Divinas, dava-se a culpa para Satã. Pura justificativa para não assumir seus próprios erros. E o pior: com a indulgência comprada junto as igrejas. Contribui para Deus e Deus te premiará, te resgatará.

De acordo com pesquisas mais recentes, também a disseminação dos cultos aos demônios surge, justamente, no efervescente século XIV, em companhia das indulgências vendidas. Em alguns países da Europa, a ordem dos Luciferinos pregava a ideia de que o escolhido de Deus era Lúcifer, por esse ter sido primordialmente designado como “o anjo de luz”. Na Itália, uma seita conhecida como “La Vecchia Religione” (A velha religião) organizava missas onde o pão consagrado era oferecido para os ratos e porcos.

Na Idade Moderna, o demônio era o maior acusado de conduzir as pessoas a praticar os atos heréticos combatidos pela Santa Inquisição. Manuais de exorcismo detalhavam ricamente as manifestações e formas de se expulsar o capeta, mediante pagamento. Em vários casos, reforçando o ideal de fragilidade da condição feminina, as freiras apareciam em público tomadas por demônios, pronunciando várias ofensas contra Deus e os homens santificados pela Igreja.

Após o Iluminismo, vemos que a preocupação com o demônio ganha uma ênfase menor mediante a disseminação das explicações científicas, principalmente no campo médico. No final do século XIX, a literatura romântica passou a incorporá-lo como um ser que representa a capacidade de o homem raciocinar livremente. Um dos mais conhecidos exemplos dessa outra significação aparece na obra “O Fausto”, escrito pelo alemão Johann Wolfgang Von Goethe.

No século passado, a relação entre o demônio e o poder de rotular padrões acabou sendo sistematicamente explorado na criação de boatos sobre artistas e celeridades do campo musical. Em meio à explosão dos meios de comunicação, a demonização de certos conjuntos musicais e artistas se transformaram em um caminho certo para a fama, seja ela positiva ou negativa. Afinal de contas, nada é mais avesso ao diabo que a própria banalização.

Atualmente, enfrentamos uma dicotomia. Enquanto a descrença no diabo acaba alimentando um interessante debate entre os pensadores da cultura no sentido de que ser mau alimenta a fama, de outro lado o desconhecimento de Deus faz acreditar que o diabo é algo fundamental para que a sociedade reforce os seus limites éticos e morais. Desconstruir uma imagem do mal pode levar as pessoas a simplesmente ignorarem os comportamentos hediondos e assim todo o batalhão que ganha dinheiro na esteira do hediondo ficaria sem mercado. No fim das contas, acreditar nas forças malignas não deixa de ser uma forma de reforço às qualidades positivas do indivíduo do bem. Pode haver controvérsia, mas assim é.

Mitos e balelas sobre Satã

Ah, o capeta é tão incompreendido. E não que gostemos dele: por favor, não entendam errado (até porque ele não passa de uma metáfora), mas acontece que a imagem de Satã como o anjo caído Lúcifer, que nem era anjo, não é exatamente “oficial”. Nem é, muito menos um ser vermelho, com um tridente e chifres.

Na verdade, Satã seria um mero pecador que estaria destinado a sofrer no inferno eternamente, jogado num lago de fogo, e não reinar no submundo. Quem o trouxe para reinar entre os homens foram as igrejas. Para conhecer outros erros de concepção clássicos, confira conosco os maiores mitos sobre Satã. O primeiro: O Pentagrama.

Muito antes de estar relacionado com o ocultismo e o diabo, o pentagrama era um símbolo famoso entre alquimistas, e mesmo entre católicos era considerado sagrado, representando os 5 pontos onde Cristo teria sido ferido. Os Mórmons, por exemplo, consideram esse um símbolo sagrado e o utilizam largamente em sua arquitetura.

Entretanto, como aconteceu com a suástica nazista, que na verdade era um símbolo comum desde o Egito, o pentagrama foi associado ao desenho de um bode com chifres – supõe-se que pela primeira vez em 1897, no livro La Clef de La Magia Noire – e desde então foi associado a satanistas e bruxaria.

O segundo: a cabeça de bode também é bastante recente.

Apesar de haver citações aos ídolos em formato de bode, como em Levítico 17:7, a imagem é (novamente) uma distorção de Baphomet, deus da antiguidade que representa a virilidade, o qual um grupo de cultistas estaria adorando durante a Idade Média, causando a perseguição do Papa da época.

Entretanto, dos 231 cavaleiros templários acusados, que comporiam a ordem, apenas 12 admitiram (sob intensa tortura) reconhecer vagamente a imagem mitológica de Baphomet.

Já o nome Baphomet, em si, é uma adaptação feita pelo ocultista Eliphas Levi, que usou o nome e imagem dos deuses egípcios Banedbjedet e Amon.

O terceiro: os cristãos não se inspiraram em Pan para criar a imagem de Satã. Apesar das semelhanças serem inúmeras, das pernas de bode aos chifres, o filho do deus Hermes, Pan, não seria a inspiração para o Diabo, e sim para Jesus. Afinal, Pan era um deus do pastoreio e recebia rezas pedindo proteção contra ataques de lobos, podendo ser associado também ao “São Bartolomeu”, do cristianismo.

O quarto: o número dele não é 666.

O número, idolatrado, temido e reproduzido ao redor do mundo há séculos, não passa de um erro de tradução. Na verdade, o número do Anticristo é 616, e não 666.

Na verdade, também, ele é uma criptografia numerológica, ou seja, um código representado por um número, e o que 616 quer dizer é “Nero” – escuro, negro. Isso porque, nos tempos bíblicos, o temido imperador era considerado o próprio diabo encarnado, especialmente para os cristãos. Vem desta época o medo pela eleição de um papa negro.

Na escrita original do nome, em grego – Nero Kesar – sem vogais (NRWN QSR), o correspondente numerológico é 666. Entretanto, se traduzida em hebreu ou latim – as linguagens originais – é 616.

O quinto: Lúcifer e Satã não são a mesma coisa.

Na verdade, a única ocorrência do nome Lúcifer na Bíblia é em Isaías 14:12, que diz “Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações”!

Entretanto, de acordo com historiadores, a tradução do texto original em hebreu mostra que essa é uma metáfora para um rei da Babilônia que perseguia os Israelitas.

Entretanto, quando foi adotado pelos cristãos, o texto passou a se referir ao rei como um anjo, que teria caído do céu literalmente, e não apenas de seu trono, como o texto original dizia. É possível verificar os registros históricos do rei Helal, que, traduzido, significa “estrela da manhã” (Vênus), o mesmo que “Lúcifer” (como Vênus era chamada pelos romanos), comprovando a informação. Até então, Lúcifer não tinha nenhuma associação com o “capeta”, que também não é citado na Bíblia.

O sexto: a Igreja de Satã não cultua Satã.

Imagens populares para satanistas envolvem sacrifícios de animais e até humanos, beber o sangue de vítimas, realizar orgias e outros tipos de atos sexuais considerados tabus e magia negra, coisas que, de acordo com a Igreja de Satã, não fazem parte dos costumes de seus membros.

De acordo com o site oficial da “religião”, Satã é visto para eles como uma figura ficcional, que representa os prazeres e desejos carnais e a capacidade de conquistá-los no reino terreno, ou seja, uma figura para o materialismo, e não necessariamente para a maldade. “Satanismo não é feito para bobos, ele requer estudo, e não fé”.

O sétimo: a cruz invertida é um símbolo de respeito.

Na verdade, a cruz invertida não representa um escárnio da crucificação ou seu inverso. A cruz normal representa a humildade, já que São Pedro foi crucificado em Roma e pediu para ser colocado de cabeça para baixo, pois não merecia ser comparado a Jesus.

É por isso que há uma grande cruz invertida no trono e em vários objetos do Papa, representando a humildade, e não uma ligação estranhamente óbvia com o satanismo.

O oitavo; os demônios não seriam tão maus.

De acordo com o livro de invocação de demônios Goetia: A Chave Menor de Salomão (ou Lemegeton), o templo do Rei Salomão teria sido o mais inteligente e culto dos governantes, e conseguia se comunicar com homens, anjos e demônios com a mesma facilidade. Tanto que mandou os demônios mergulharem no mar e o mar ganhou o nome de Mar Vermelho.

O seu palácio teria sido construído com a ajuda de demônios, em especial um chamado Asmodeus, que, com mais 71 outros comparsas infernais seriam os responsáveis pela construção do templo do rei.

Entre eles, Buer, que ensina propriedades de cura e medicinais baseadas em ervas; Eligos, que aparece como um cavaleiro e pode revelar o futuro; e até Naberius, que é capaz de ensinar a arte da retórica e devolver posições de prestígio perdidas. Não parecem tão maus assim, não é verdade?

O Nono: não é o destino de Satã reinar no inferno.

Quando ele é chamado de “príncipe da escuridão” ou “príncipe do inferno” ou “príncipe das trevas”, o nome faz referência ao episódio fatídico no qual Cristo retornará e “destruirá” Satã. Entretanto, isso não significa matá-lo, e sim purificá-lo e levá-lo ao juízo, ou seja, ele sofreria no inferno, não como comandante. Seu destino, de acordo com a Bíblia, seria ser jogado num lago de fogo do inferno, não passando de outra alma amaldiçoada, como a de um humano pecador qualquer.

Penso que basta tudo isso para esclarecer um pouco mais, jogar alguma luz sobre a escuridão que encobre a figura mitológica do diabo assustando as pessoas.

Daemon - espírito protetor

A palavra “demônio” deriva de Daemon ou daimon (grego δαίμων, transliteração daímon, tradução "divindade", "espírito"), é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe.

Etimologia da palavra: do Latin daemon ( “genius, lar, guardian spirit ” ), from Ancient Greek δαίμων ( daímōn , “dispenser, god, protective spirit”) De Latina daemon (gênio, lar, espírito guardião"), do grego δαίμων (daimon, dispenser, deus, espírito protetor").

A palavra daimon se originou com os gregos na Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar (por interesse de alguém (?) o vocábulo em português demônio e bíblico também.

Originalmente são deuses de determinadas entidades da natureza, como a Loucura, a Ira, a Tristeza, etc. Xenócrates associava os deuses ao triângulo equilátero, os homens ao escaleno, e os daimons ao isósceles.

Seu temperamento liga-se ao elemento natural ou vontade divina que o origina. Não se fala em “bem” ou “mal”. Um mesmo daimon pode apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência.

Eudaimonia = felicidade

É isso mesmo que você lê. Eudaimonia ou aportuguesadamente eudemonia, e também entendido como eudemonismo é a junção do termo "eu" ('bom') e “daimõn” ("espírito"), que se traduz por felicidade.

Trata-se de um dos conceitos centrais na ética e na filosofia política de Aristóteles, juntamente com “areté” (geralmente traduzido como “virtude” ou "excelência") e “phronesis” (frequentemente traduzido como "sabedoria prática"). Na obra de Aristóteles, a palavra 'eudaimonia' foi usada (com base na tradição grega mais antiga) como equivalente ao supremo bem humano - sendo o objetivo da filosofia prática - incluindo a ética e a filosofia política – que define o que é esse bem e como pode ser alcançado.

As relações entre virtude de caráter (ethikē aretē) e a felicidade (eudaimonia) constituem uma das principais questões da ética, entre os filósofos da Grécia Antiga, havendo muita controvérsia sobre o tema. Em consequência, há também diversas formas eudemonismo. Dentre essas formas, duas das mais influentes são a de Aristóteles e a dos estoicos. Aristóteles considera a virtude e o seu exercício como o mais importante constituinte da eudaimonia, mas reconhece também a importância dos bens externos, como a saúde, a riqueza e a beleza. Já os estoicos consideram a virtude necessária e suficiente para a eudaimonia e, portanto, negam a necessidade de bens externos.

No plano teleológico, os gregos falavam de eudaimones (eu significando "bom", "favorável") e kakodaimones (kakos significando "mau"). Por isso, a palavra grega que designa o fenômeno da felicidade é Eudaimonia. Ser feliz para os gregos é viver sob a influência de um bom daimon. Assim é a forma como Sócrates se refere a seu daimon.

O leitor, assim, pode aquilatar que jamais a palavra daimon esteve associada a demônio. E se o foi, demônio nunca foi o diabo que nos ensinaram. A igreja de Roma trabalhou esta barbaridade possivelmente para aumentar a importância dos “vendedores” de “felicidade”.

Que venha o daimon

O conceito original, entre os gregos, da palavra daimon ainda os conecta aos seguintes resultados: (i) aos elementos da natureza, surgidos em honra aos deuses primordiais. Assim, há daimons do fogo, da água, do mar, do ar, da terra, das florestas, etc. (ii) a espíritos que regem ou protegem um lugar, como uma cidade, fonte, estrada, etc. (iii) às afetações humanas, de corpo e de espírito, tendo sido estes daimones criados depois. Entre eles estão: Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, etc.

Na antiga Grécia os daimons eram ligados a Deusa anciã Hékate.

O termo "daemôn", do gênio pessoal, usado por Sócrates quando ao contrário de seus colegas sofistas não abriu escola assim como não cobrou dinheiro por seus ensinamentos. Ele dizia que apenas falava em nome do seu "daimôn", do seu gênio pessoal, o que perfeitamente pode ser entendido como uma espécie de mediunidade.

A palavra "daimon", da qual fizeram o termo demônio, não era, na Antiguidade, tomada à má parte, como nos tempos modernos. Não designava exclusivamente seres malfazejos, mas todos os Espíritos, em geral, dentre os quais se destacavam os Espíritos Superiores, chamados de DEUSES, e os menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicavam diretamente com os homens e os obsediavam

Bibliografia:

CHÂTELET, François "Uma História da Razão"

SPINELLI, Miguel. "O Daimónion de Sócrates/ The Daímon of Sócrates". In: Revista Hypnos, Antiguidade Clássica. São Paulo, n.16, 2006, p. 32-61 - acessível em http://revistas.pucsp.br/index.php/hypnos/article/view/4777/3327

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