segunda-feira, 7 de novembro de 2016

1863-Nossas relações com os deuses


Humanos, deuses e semideuses

Introdução

O ser humano sempre olhou para os céus na esperança de descobrir e compreender o sentido da vida. Por não poder compreender certos fenômenos percebidos, como os raios, a chuva, os ventos, as estrelas, o Sol, a Lua, o homem acendia fogueiras, na tentativa de agradar ao deus desconhecido. E percebia que a fumaça subia e que isso correspondia ao anseio de agradar, pois a fumaça ia na direção dos céus.

Mais tarde, os totens apontavam para os céus. A mesma coisa ocorreu com as torres dos templos. A nossa cultura se consolidou no conceito de que Deus está nos céus.

Mas, uma coisa, no entanto, foi ficando sem explicação: haviam deuses e humanos, haviam animais que se moviam, havia natureza imóvel e natureza em movimento e de onde e por que surgiram os semideuses?

Vamos aos estudos desse tema. 

Quem são os semideuses?

(Colaborou neste artigo, Raja-vidya Dasa)

As escrituras Védicas, por obra de uma civilização indiana que existiu entre o segundo e o primeiro milênio antes de Cristo, representam uma concepção consistentemente pessoal do mundo. Em outras palavras, elas assumem que todos os eventos dentro do cosmos, todos os fenômenos naturais, todas as obras dos elementos e dos planetas, bem como todas as atividades dos seres humanos, estão sendo causadas ou supervisionadas por seres super-humanos inteligentes específicos, aquilo que nós outros poderíamos atribuir como qualidades dos anjos e arcanjos.

Em sânscrito, esses seres são chamados "devas", e a tradução mais apropriada para o português desse termo seria "semideuses". O dever dos semideuses é encarregar-se de uma porção da administração do Universo e assegurar que tudo dentro da manifestação cósmica funcione perfeitamente. Eles são os responsáveis por manter a lei e a ordem dentro do Universo, como auxiliares do Grande Deus. Outro de seus deveres é organizar as reações kármicas individuais e coletivas dos humanos, isto é, sua felicidade e sofrimento de acordo com suas próprias ações anteriores. (A ciência astrológica estuda essas reações como elas são representadas pelas constelações planetárias no momento do nascimento de cada um de nós).

A esse respeito, a Visão Védica de mundo corresponde à das culturas avançadas dos antigos Egípcios, Gregos, ou Romanos, bem como às das religiões naturais dos Índios de pele vermelha, os Africanos ou os Aborígines Australianos. A maioria das tradições pré-Cristãs aceita o conceito de assistentes administrativos do Senhor Deus gerenciando os assuntos do Universo.

Alguns exemplos de diferentes semideuses famosos são os seguintes: Brahma é o criador do Universo, primeiro ser criado e maior de todos; Shiva é o destruidor do universo; Indra é o rei dos planetas celestiais e o controlador do clima; Vayu é o semideus encarregado do ar e dos ventos; Candra é o controlador da Lua e da vegetação; Agni é o deus do fogo; Varuna é o senhor dos oceanos e mares; Yamaraja é o deus da morte; e por aí vai. Há milhares de semideuses que estão controlando todas as diferentes atividades dos corpos das entidades vivas e o funcionamento dos elementos.

Os semideuses da Umbanda

Lemos em Roger Feraud (Umbanda, essa desconhecida), que a Umbanda, diferentemente do que se pensa ser ela uma manifestação religiosa nascida no Brasil, repito, lemos que ela vem dos tempos imemoriais desde Atlântida e que, por isso mesmo, ela é uma das religiões mais antigas dos homens.

A Umbanda reverencia Oxalá na figura do deus principal e tem nos orixás masculinos e femininos o que poderíamos chamar de semideuses. E ali também os orixás são especialistas em assuntos como os ventos e raios, as águas, a guerra, a morte, as florestas, etc.

Tanto quanto os santos os são para a igreja romana, os orixás não podem ser tomados como membros de uma constelação de deuses e nem como uma concepção politeísta, como tal. A Sagrada Família que a igreja romana nos apresenta como Pai, Filho e Espírito Santo mesmo sendo politeísta é dito que não é. Logo, o Filho e o Espírito Santo estariam abaixo de Deus. Não sendo Deus, são, provavelmente, semideuses.

Um único Deus com várias caras

Mesmo havendo um festival de deuses, ninguém pode sustentar que as escrituras Védicas contêm uma concepção politeísta ou panteísta no sentido usual desses termos. No final das contas, as escrituras Védicas representam uma concepção de Deus puramente monoteísta. Elas claramente estabelecem que acima de todas as diferentes variedades de semideuses, há apenas um Deus supremo que é o criador e mantenedor não apenas dos humanos, mas também dos semideuses e do cosmos inteiro. Este único e supremo Deus é Krishna, certamente descrito e adorado não apenas pela religião Védica ou Hindu, mas por todos os sistemas religiosos autenticamente monoteístas do mundo, diferenciando apenas os seus nomes. Mesmo em Sânscrito, Ele tem ilimitados nomes que descrevem suas incontáveis qualidades e passatempos. Os nomes Sânscritos mais populares de Deus são Krishna, Rama, Hari, Narayana ou Vishnu. Todos eles referem-se à mesma Suprema Personalidade.

É importante entender que Deus não é Hindu ou Cristão, ou Moslem ou Judeu. Deus não é limitado e não está preso a nenhuma tradição religiosa. Deus é Deus, e os variados sistemas de crenças são diferentes formas de entrar em contato com esse Autor Único da Vida. Elas podem diferir em sua abordagem e em sua compreensão da realidade; elas podem também diferir em seus métodos práticos, rituais, regras e regulações; mas na verdade elas pretendem conectar o homem com Deus; e esse Deus é um para todas os sistemas religiosos genuínos.

É um fato que em diferentes tradições religiosas, Deus é chamado por diferentes nomes (como Yahweh, Allah, Jehovah, Adonai, etc.), e Ele é compreendido e adorado em muitos aspectos diferentes. Mas isso não significa que Ele é inconsistente ou que os vários sistemas de crença contradizem ou excluem uns aos outros. Na verdade, esses fatos não são nada exceto a evidência da diversidade e grandiosidade ilimitada de Deus.

Outras visões para os semideuses

Como mencionado anteriormente, as escrituras sagradas de muitas correntes de fé descrevem deidades, suas respectivas consortes e seus veículos pessoais, mas também descrevem um grande número de várias outras personalidades que são responsáveis pela administração universal. Eles são chamados semideuses, e eles vivem em sistemas planetários acima da Terra (os chamados "planetas ou planos celestiais"). Todos eles são tidos como servos do Deus Maior e em Seu nome executam tarefas gerenciais pelo bem-estar dos seres vivos do universo e também quanto à natureza imóvel e em movimento.

Quanto aos planetas ou planos celestiais, nem sempre eles são dados como habitados apenas por deidades, o que pressupõe espíritos. Em algumas correntes de fé outros planetas ou planos além da Terra são ou podem ser habitados por seres humanos de carne e osso iguais a nós, mais inteligentes e menos inteligentes que nós.

E então já se pode falar dos extraterrestres que desde muitos milênios podem ter estado na Terra e por várias razões.

Eles terão vindo até aqui para buscar determinados materiais inexistentes em seus planetas e indispensáveis à vida de lá e por qualquer outro motivo, até mesmo para impulsionar nossa evolução. Aqui eles podem ter mantido relações sexuais com humanos terráqueos e podem ter gerado seres que entre nós também poderiam ser chamados de semideuses; isto é, filhos dos deuses com os humanos. Entenda-se agora que os seres vindos dos céus podem ser reconhecidos como deuses.

Um elo perdido para o homo erectus

Uma explicação espiritual para a escravidão repousa no fato de que o Deus Supremo se vale dos semideuses para realizar sua obra e que, por isso, e por extensão, os humanos também estariam autorizados a se valerem dos animais, dos empregados e de escravos para realizar sua obra. Dentro de uma colmeia podemos encontrar esta mesma hierarquia entre as abelhas.

O que se lê em Zacharias Sitchin (Havia Gigantes na Terra) teriam estado na África, há meio milhão de anos, uma civilização provinda da Constelação de Syrius para buscar ouro, um metal nobre inexistente em seu planeta e de cunho estratégico. E o penoso serviço de retirar a lavra de dentro da mina os fez pensarem na realização de uma mutação genética nos abundantes chimpanzés, que não serviam para nada, mas estavam na natureza. Fizeram a experiência. Obtiveram um ser intermediário entre o chimpanzé e o homem, algo assim como já fizemos com o peru, com o chester, com os suínos tipo carne e com a mula, um animal que, por sinal, também foi usado no Brasil para retirar lavra do interior das minas.

A presença de “gigantes” na Terra tem uma referência em Gênese 6; 4. Em algumas edições da Bíblia consta como “nefilins” e ali mesmo na Bíblia está descrito que estes gigantes ou nifilins procriaram filhos com os habitantes da Terra:

“Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos” Gen 6;4.

Seriam esses homens famosos, os semideuses? Muito possivelmente.

Posteriormente, essas criaturas, ao se reproduzirem entre si deram início à espécie humana e, neste caso, representam o elo perdido que a paleontologia científica não está encontrando para explicar a mutação havida em alguns chipanzés, visto que os chipanzés continuaram chipanzés enquanto seus descendentes povoaram a Terra como seres humanos.

Visto assim, esses filhos de seres vindos dos céus, como deuses, gerados em suas relações com as mulheres existentes na Terra, teriam tudo para serem interpretados como os semideuses. Isso mesmo.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

1862-Vamos à história do cristianismo


Como nasceu o cristianismo que conhecemos


A passagem de Jesus pela Palestina havia ficado para trás. O Império Romano executara o agitador rebelde e contestador, segundo a história, a pedido de importantes judeus da época.

Para ser coerente, havia mandado prender, julgar a abater vários líderes da facção de Jesus.

Judeus continuavam judeus, mas muitos povos da região estavam se convertendo a uma nova seita dedicada à cura dos males do corpo e da alma, coisas que para judeus e romanos era bobagem, crendice.

Mas, a subida de Flavius Valerius Constantinus (285 – 337 d.C.) ao poder de Roma iria mudar o curso das coisas, sob uma ou outra destas razões: no submundo da história se diz que sua esposa fora curada por um pregador cristão e no mundo de cima da história se conhece outro fato.

Desde Lúcio Domício Aureliano (270 - 275 d.C.) os Imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, que era praxe em quase todos os governos imperiais do mundo de então, com a renúncia de Aureliano a seus "direitos divinos", em 274. Porém, Constantino, estadista sagaz que era, inverteu a política vigente, passando da perseguição aos cristãos à promoção do cristianismo, vislumbrando a oportunidade de relançar, através desta corporação de fé, a unidade religiosa do seu Império. Contudo, durante todo o seu regime, não abriu mão de sua condição de sumo sacerdote do culto pagão ao "Sol Invictus", que era a religião romana. Tinha um conhecimento rudimentar da doutrina cristã e suas intervenções em matéria religiosa visavam, a princípio, fortalecer a monarquia do seu governo.

O que ele faz? Em 325 d.C. ele convoca o Concílio de Nicéia (cidade), atual cidade de Iznik, província de Anatólia (nome que se costuma dar à antiga Ásia Menor), na Turquia asiática. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da futura Igreja Católica e Apostólica Romana. Veja que nem levou o nome de cristã e sim universal, tal era o desejo de Constantino, que o seu poder pudesse se estender para além do realizado até então. Quando seu pai morreu em 306, Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália (atual França) e Espanha e foi assumindo condados após condados e já tinha o controle de todo o Império Romano. Mas, queria mais.  

Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por seu antecessor, Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários (10% da população do império), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo, visado por Constantino. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico. Fez do Cristianismo a Religião Oficial do Império, tomando os cristãos sob sua proteção e estabelecendo a divisão no campo adversário.

Em 325, já como soberano único, convocou mais de 300 bispos da outra religião ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a Igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes.  

E o momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu nesse Concílio. Trezentos Bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado (doutrina de Arius) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai (doutrina de Atanásio). A igreja acabou rejeitando a ideia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou "essência" (isto é, a mesma entidade existente) do Pai. Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma só substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", João 1. 14,18; 3. 16,18, e notas ao texto da Nova Versão), mas "não feito", o Credo Niceno estabelece a Divindade do homem da Galiléia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os Bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados.  

Com a subida da Igreja ao poder de Roma, discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado. E na controvérsia ariana, colocava-se um obstáculo grande à realização da ideia de Constantino de um Império universal que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina.  

O Concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial, ocupando-se com discussões preparatórias na questão ariana, em que Arius, com alguns seguidores, em especial Eusébio, de Nicomédia; Teógnis, de Nice, e Maris, de Chalcedon, parecem ter sido os principais líderes. Como era costume, os bispos orientais estavam em maioria. Na primeira linha de influência hierárquica estavam três arcebispos: Alexandre, de Alexandria; Eustáquio, de Antioquia e Macário, de Jerusalém, bem como Eusébio, de Nicomédia e Eusébio, de Cesaréia. Entre os bispos encontravam-se Stratofilus, bispo de Pitiunt (Bichvinta, reino de Egrisi). O ocidente enviou não mais que cinco representantes na proporção relativa das províncias: Marcus, da Calabria (Itália) ; Cecilian, de Cartago (África) ; Hosius, de Córdova (Espanha); Nicasius, de Dijon (França) e Domnus, de Stridon (Província do Danúbio). Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império. Dos 318, poucos eram da parte ocidental do domínio de Constantino, tornando a votação, no mínimo, tendenciosa. Assim, tendo os bispos orientais como maioria e a seu favor, Constantino aprovaria com facilidade tudo aquilo que fosse do seu interesse.  

E assim foi

As sessões regulares, no entanto, começaram somente com a chegada do Imperador. Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.  

Mas a decisão da Assembleia não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos do Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo. Na realidade, as decisões de Nicéia foram fruto de uma minoria. Foram mal-entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Ário. Posteriormente, 90 bispos elaboraram outro credo (O "Credo da Dedicação"), em 341, para substituir o de Nicéia. E em 357, um Concílio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.  

Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que que o Concílio promulgasse o credo de Nicéia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de junho de 325. E com isso, veio a consequente instituição da Santíssima Trindade e a mais discutida, ainda, a instituição do Espírito Santo, o que redundou em interpolações e cortes de textos sagrados, para se adaptar a Bíblia às decisões do conturbado Concílio e outros, como o de Constantinopla, em 38l, cujo objetivo foi confirmar as decisões daquele. 

A concepção da Trindade, tão obscura, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama de seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja católica e assegurava o seu poder, exatamente como foi planejado por Constantino. Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo concílio de Nicéia.  

Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus Cristo: “Gerado, não criado”. Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno! Espelhando bem os novos tempos, o Credo de Nicéia não fez qualquer referência aos ensinamentos de Jesus. Faltou nele um "Creio em seus ensinamentos", talvez porque já não interessassem tanto a uma religião agora sócia do poder Imperial Romano.  

Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.  

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político-religiosa causou violência e morte generalizadas. Em 381 d.C, o imperador Teodósio (um trinitarista) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas bispos trinitários foram convidados a participar. Cento e cinquenta bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Com a exclusiva participação dos citados bispos, a Trindade foi imposta a todos como "mais uma verdade teológica da igreja". E os bispos, que não apoiaram essa tese, foram expulsos da Igreja e excomungados.  

Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade "pegasse". A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja. Como se pode observar, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.  

As Igrejas Cristãs hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro Imperador Cristão, mas seu "cristianismo" tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a Doutrina Cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um seu sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado cristão em seu leito de morte apenas para constar.  

O outro lado da história 

Com o grande avanço do cristianismo primitivo, Constantino Magno, assustado com os efeitos da nova crença, se lançou a campo, em 313 d.C., para colocar em prática um plano estratégico para enfrentar seus problemas com o povo romano. Queria uma ideia que lhe permitisse controlar as massas. Aproveitando-se da grande difusão do Cristianismo, apoderou-se dessa Religião e modificou-a, conforme seus interesses.

Há que se ressaltar que, "Igreja" na época de Jesus, não era a "Igreja" que entendemos hoje, pois se lermos os Evangelhos duma ponta à outra veremos que a palavra «Igreja», no sentido que hoje lhe damos, nem sequer neles é mencionada exceto por aproximação e apenas três vezes em dois versículos no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18 e Mt 18, 17), pois a palavra grega original, usada por Mateus, ekklêsia, significa simplesmente «assembleia de convocados», neste caso a comunidade dos seguidores da doutrina de Jesus, ou a sua reunião num local, geralmente em casas particulares onde se liam as cartas e as mensagens dos apóstolos. Sabemo-lo pelo testemunho de outros textos do Novo Testamento, já que os Evangelhos a esse respeito são omissos ou foram alterados. Veja-se, por exemplo, a epístola aos Romanos (16, 5) onde Paulo cita o agrupamento (ekklêsia) que se reunia na residência dum casal de tecelões, Aquila e Priscila, ou a epístola a Filémon (1, 2) onde o mesmo Paulo saúda a ekklêsia que se reunia em casa do dito Filémon; num dos casos, como lemos na epístola de Tiago (2, 2), essa congregação cristã é designada por «sinagoga». Nada disto tem a ver, portanto, com a imponente Igreja católica enquanto instituição formal estruturada e oficializada, sobretudo a partir do Concílio de Nícéia, presidido pelo Imperador Constantino, mais de 300 anos após a morte de Cristo.  

Onde termina a IGREJA PRIMITIVA dos Atos dos Apóstolos e começa o Catolicismo Romano? Quando Roma tornou-se o famoso império mundial, assimilou no seu sistema os deuses e as religiões dos vários países pagãos que dominava. Com certeza, a Babilônia era a fonte do paganismo desses países, o que nos leva a constatar que a religião primitiva da Roma pagã não era outra senão o culto babilônico. No decorrer dos anos, os líderes da época começaram a atribuir a si mesmos, o poder de "senhores do povo" de Deus, no lugar da mensagem deixada por Cristo. Na época da Igreja Primitiva, os verdadeiros cristãos eram jogados aos leões. Bastava se recusar a seguir os falsos ensinamentos e o castigo vinha a galope. O paganismo babilônico imperava a custa de vidas humanas.  

No ano 323 d.C, o Imperador Constantino professou conversão ao cristianismo. As ordens imperiais foram espalhadas por todo o império: As perseguições deveriam cessar! Nesta época, a Igreja começou a receber grandes honrarias e poderes mundanos. Ao invés de ser separada do mundo, ela passou a ser parte ativa do sistema político que governava. Daí em diante, as misturas do paganismo com o cristianismo foram crescendo, principalmente em Roma, dando origem ao Catolicismo Romano. O Concílio de Nicéia, na Ásia Menor, presidido por Constantino era composto pelos Bispos que eram nomeados pelo Imperador e por outros que eram nomeados por Líderes Religiosos das diversas comunidades. Tal Concílio consagrou oficialmente a designação "Católica" aplicada à Igreja organizada por Constantino: "Creio na igreja una, santa, católica e apostólica". Poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a Igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a Igreja primitiva dos Apóstolos.  

Em resumo: por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e entrou no desvio. Institucionalizou-se; surgiu o profissionalismo religioso; práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes. Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com a draconiana afirmação: "Fora da Igreja não há salvação". 

Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissenções. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras. A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas, mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda dos orientais, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc, onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocaram Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo.  

Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos dogmas de uma igreja, os quais, para uma perfeita assimilação, era necessário admitir a quintessência da teologia: "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", criada por Tertuliano (155-220), apologista Cristão.  

Disso tudo deveria nascer uma religião forte como servia ao império romano. Vieram ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia.  

Esta lógica foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, esse cristianismo ganhava a universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", a Toda Poderosa, que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática, derrotava seus inimigos a golpes de espada.  

Então não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava, mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos.  

Para isso, Constantino devia adaptar a Religião do Carpinteiro, dando-lhes origens divinas e assim impressionaria mais o povo o qual sabendo que Jesus era reconhecido como o próprio Deus na nova religião que nascia, haveria facilidade de impor a sua estrutura hierárquica, seu regime monárquico imperial, e assim os seus poderes ganhariam amplos limites, quase inatingíveis.  

Quando Constantino morreu, em 337, foi batizado e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mãos de Deus.

Maria, a mãe de Jesus ficou excluída durante séculos e depois voltou com o nome MÃE DE DEUS. Então Deus tinha uma mãe. Difícil entender.     

Fontes :  

* http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro_Conc%C3%ADlio_de_Niceia  

* UMA HISTÓRIA DA LEITURA, de Alberto Manguel, COMPANHIA DAS LETRAS

SP, 1997 (páginas 228 a 237) da "LEITURA DO FUTURO" - Editora Schwarcz Ltda.  

* Documentos da Igreja Cristã, de H. Bettenson  

* História da Igreja Católica, Philip Hughes, Dominus  

* História Universal, H.G. Wells  

* Instituto São Thomás de Aquino - Fundação para Ciência e Tecnologia - Dominicanos de Lisboa - Portugal.  

* http://www.angelfire.com/on2/mikemcclellan/baf.html  

* http://www.anzwers.org/free/jesuschrist/index.html      

OS LIVROS RETIRADOS DAS SANTAS ESCRITURAS   

Os quatro evangelhos canônicos, que se acredita terem sido inspirados pelo Espírito Santo, não eram aceitos como tais no início da Igreja. O bispo de Lyon, Irineu, explica os pitorescos critérios utilizados na escolha dos quatro evangelhos (reparem na fragilidade dos argumentos...) : "O evangelho é a coluna da Igreja, a Igreja está espalhada por todo o mundo, o mundo tem quatro regiões, e convém, portanto, que haja também quatro evangelhos. O evangelho é o sopro do vento divino da vida para os homens, e pois, como há quatro ventos cardiais, daí a necessidade de quatro evangelhos. (...) O Verbo criador do Universo reina e brilha sobre os querubins, os querubins têm quatro formas, eis porque o Verbo nos obsequiou com quatro evangelhos”.  

As versões sobre como se deu a separação entre os evangelhos canônicos e apócrifos, durante o Concílio de Nicéia no ano 325 D.C, são também singulares. Uma das versões diz que estando os bispos em oração, os evangelhos inspirados foram depositar-se no altar por si só!!! ... Uma outra versão informa que todos os evangelhos foram colocados por sobre o altar, e os apócrifos caíram no chão... Uma terceira versão afirma que o Espírito Santo entrou no recinto do Concílio em forma de pomba, através de uma vidraça (sem quebra-la), e foi pousando no ombro direito de cada bispo, cochichando nos ouvidos deles os evangelhos inspirados...  

A Bíblia como um todo, aliás, não apresentou sempre a forma como é hoje conhecida. Vários textos, chamados hoje de "apócrifos", figuravam anteriormente na Bíblia, em contraposição aos canônicos reconhecidos pela Igreja.  

Segundo o Dicionário Aurélio, o termo Apócrifos significa:  

"Entre os Católicos, Apócrifos eram os Escritos de assuntos sagrados que não foram incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas".

Obs - Note que o próprio Dicionário Aurélio registra a expressão: "divinamente inspiradas ". Por que será?    

Maria Helena de Oliveira Tricca, compiladora da obra Apócrifos, Os Proscritos da Bíblia, diz: "Muitos dos chamados textos apócrifos já fizeram parte da Bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados. Houve os que depois viriam a ser beneficiados por uma reconsideração e tornariam a partilhar a Bíblia. Exemplos: O Livro da Sabedoria, atribuído a Salomão, o Eclesiástico ou Sirac, as Odes de Salomão, o Tobit ou Livro de Tobias, o Livro dos Macabeus e outros mais. A maioria ficou definitivamente fora, como o famoso Livro de Enoch, o Livro da Ascensão de Isaías e os Livros III e IV dos Macabeus".  

Perguntamos: Quais foram os motivos para excluir esses Livros das Santas Escrituras definitivamente? Será que os "santos padres" daquela época se achavam superiores aos Apóstolos e mártires que vivenciaram de perto os acontecimentos relacionados a Cristo e ao judaísmo? De que poder esses mesmos "santos padres" se revestiam a ponto de afirmarem que alguns Textos Evangélicos não representavam os ensinamentos e a Palavra de Deus?  

Visando maiores esclarecimentos, sugerimos, para aqueles que desejam aprofundar-se no assunto, uma leitura dos Livros que tratam com mais detalhe esse tema, os quais podem ser encontrados na Internet. 

Existem mais de 60 evangelhos apócrifos, como os de Tomé, de Pedro, de Felipe, de Tiago, dos Hebreus, dos Nazarenos, dos Doze, dos Setenta, etc. Foi um bispo quem escolheu, no século IV, os 27 textos do atual Novo Testamento. Em relação ao Antigo Testamento, o problema só foi definitivamente resolvido no ano de 1546, durante o Concílio de Trento. Depois de muita controvérsia, acalorados debates e até luta física entre os participantes, o Concílio decretou que os livros 1 e 2 de Esdras e a Oração de Manassés sairiam da Bíblia. Em compensação, alguns textos apócrifos foram incorporados aos livros canônicos, como o livro de Judite (acrescido em Ester), os livros do Dragão e do Cântico dos Três Santos Filhos (acrescidos em Daniel) e o livro de Baruque (contendo a Epístola de Jeremias).  

Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. No Concílio de Trento houve luta corporal quando este assunto foi tratado. Lorraine Boetner ( in Catolicismo Romano ) cita o seguinte : " O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. O cardeal Ximenes, em sua Bíblia poliglota, exatamente antes do Concílio de Trento, exclui os apócrifos e sua obra foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram ? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina ? "  

No início do cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para 4, no Concílio de Nicéia. Tal número, indica perfeitamente as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla mediterrânea, acerca da ideia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte: " Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só pessoas de espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade”.

Disse isso, mesmo diante dos acontecimentos acima relatados e que eram de conhecimento geral.  

Havia então, os Evangelhos dos Naziazenos, dos Judeus, dos Egípcios, dos Ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, 03 dos quais foram queimados, restando apenas os 4 “sorteados” e oficializados no Concílio de Nicéia.  

Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180 D.C, disse: "Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtraí-los às refutações".  

Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies, de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de Antióquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3.500 passagens redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres da Igreja, os Evangelhos não são fonte segura e original.  

Os Evangelhos que trazem a palavra "segundo", que em grego é "cata", não vieram diretamente dos pretensos evangelistas.  

A discutível origem dos Evangelhos, explica porque os documentos mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus.  

Não é razoável supor que uma "palavra divina" possa ser alterada assim tão fácil e impunemente por mãos humanas. Que fique na dependência de ser julgada boa ou má por juízes e dignitários eclesiásticos.  

Só me foi possível escrever este livro através dos conceitos que pude assimilar da obra Na Luz da Verdade, a Mensagem do Graal de Abdruschin. (Segundo o Dic. Aurélio: Graal – Vaso Santo de esmeralda que segundo a tradição corrente nos romances de cavalaria, teria servido a Cristo na última Ceia, e no qual José de Arimateia haveria recolhido o Sangue que de Cristo jorrou quando o centurião lhe desferiu a lança).    

Contribuiu para estes textos Roberto C. P. Júnior, Escritor.

sábado, 27 de agosto de 2016

1861-Um mecanismo de energia pura




Um Estudo sobre a Energética Humana (III)

Introdução

Como o leitor pode notar, o tema Energias é extenso. Estamos de volta a ele pela terceira vez. E ainda não é tudo, pois tudo o que se sabe a respeito do tema ainda é pouco. A ciência do século XXI levará muito a sério a energia em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito à energia humana.

Mas, não se pode falar de energia humana sem falar de energia do ponto de vista científico. Também não tratar dela apenas cientificamente sem relacioná-la com o aspecto da energia humana. Apesar de que o que diz respeito à energia humana esteja demorando um pouco para ser encarado como coisa científica, a coisa está empurrando a porta e pode derrubá-la.

Definições conceituadoras

A primeira controvérsia é conceitual. Definir energia não é algo trivial, e alguns autores chegam a argumentar que "a ciência não é capaz de definir energia, ao menos como um conceito independente".

Contudo, mesmo para estes autores, "embora não se saiba o que é energia, se sabe o que ela não é", numa clara alusão aos demais significados da palavra difundidos em senso comum. Não obstante bem distintos daqueles encontrados no meio científico, fomos procurar uma definição para a palavra energia.

Em ciência, energia, do grego έν (dentro), εργον (trabalho, obra, dentro do trabalho) refere-se a uma das duas grandezas físicas necessárias à correta descrição do inter-relacionamento - sempre mútuo - entre dois entes ou sistemas físicos. A segunda grandeza é o momento. Os entes ou sistemas em interação trocam energia e momento, mas o fazem de forma que ambas as grandezas sempre obedeçam à respectiva lei de conservação.

É bem difundido - não só em senso comum - que energia se associa, geralmente, à capacidade de produzir um trabalho ou realizar uma ação. Em verdade, a etimologia da palavra tem origem no idioma grego, onde εργος (ergos) significa "trabalho". Embora não completamente abrangente no que tange à definição de energia, esta associação não se mostra por completo fora do domínio científico, e, em princípio, qualquer ente que esteja a trabalhar - por exemplo, a mover outro objeto, a deformá-lo ou a fazê-lo ser percorrido por uma corrente elétrica - está a "transformar" parte de sua energia, transferindo-a ao sistema sobre o qual realiza o trabalho. Para ser mais preciso, energia fica bem quando associada a transformação. Entende-se que nada é transformado sem o concurso da ação que se utiliza da energia. A energia é a ação. Sem energia não há ação.

O conceito de energia é um dos conceitos essenciais da Física. Nascido no século XIX, desempenha papel crucial não só na Física como em todas as outras disciplinas que, juntas, integram a ciência moderna. Notoriamente relevante na Química e na Biologia, e mesmo em Economia e outras áreas de cunho social, a energia se destaca como pedra fundamental, uma vez que o comércio de energia move anualmente quantidades enormes de dinheiro e ocupa a principal preocupação dos governos quanto ao futuro.

Pela sua importância, há na Física uma subárea dedicada quase que exclusivamente ao estudo da energia: a termodinâmica. Em termodinâmica, o trabalho é uma entre as duas possíveis formas de transferência de energia entre sistemas físicos; a outra forma é o calor.

Precisamos ir além

O conceito científico de energia só pode também ser entendido mediante a análise de dois entes ou sistemas físicos em interação. Quando dois sistemas físicos interagem entre si, mudanças nos dois sistemas ocorrem. A interação entre sistemas físicos naturais dá-se, em acordo com os resultados empíricos, sempre de forma muito regular, sendo uma mudança específica em um deles sempre acompanhada de uma mudança muito específica no outro, embora estas mudanças possam certamente ser de naturezas muito ou mesmo completamente distintas.

Regularidades observadas na natureza expressam-se dentro da ciência mediante o estabelecimento das denominadas leis científicas. No que se refere à forma com que dois entes físicos interagem entre si, na busca da correta correlação entre as mudanças observadas nos sistemas viu-se a necessidade de estabelecer-se, para o correto cumprimento da tarefa, não apenas uma, mas duas grandezas físicas primárias independentes, cada qual associada à uma lei de conservação própria, leis estas inerentes a todos os sistemas físicos e que combinadas, permitem a correta descrição dos mesmos. Tais grandezas físicas são denominadas energia e momento, e as leis científicas que as governam denominam-se respetivamente lei da conservação da energia e a lei da conservação do momento. Ao passo que o momento é uma grandeza vetorial, a sua contraparte aqui descrita é uma grandeza escalar.

À relação existente entre a energia e o momento de um dado ente físico dá-se o nome de relação de dispersão, sendo esta vital no contexto de qualquer teoria para a dinâmica da matéria e energia (mecânica clássica, relatividade mecânica quântica, etc.). Em mecânica clássica para partículas massivas, a energia depende do quadrado do momento  E \alpha \vec {P}^2 ; para fótons a energia mostra-se diretamente proporcional ao momento por este transportado  E \alpha \vec {P} . Grandezas físicas importantes são definidas a partir da relação de dispersão apresentada por um dado ente, a exemplo a massa.

Relação de dispersão para uma partícula clássica

Em todos os modelos dinâmicos o momento P e a energia E são definidos de forma a satisfazerem leis gerais de conservação.

Como as transformações observadas em um sistema têm naturezas as mais diversas, a exemplo indo desde uma simples mudança nas velocidades das partículas do sistema, até um rearranjo completo das posições espaciais de partículas interagentes uma em relação às outras e mesmo de um sistema inteiro em relação ao outro, para cada transformação define-se a forma de se determinar o valor da grandeza energia a ela associada, fazendo-se esta definição sempre de forma que as mudanças observadas neste caso sejam descritas por uma variação de energia igual em módulo ao determinado para as variações de energia associadas a todas as outras mudanças relacionadas, e de forma a garantir-se que a energia total dos sistemas em interação sempre se conserve.

Jamais desejaríamos ir adiante com equações que expressam como as ciências descrevem esses entes físicos, suas posições, gravitações, peso, massa, interações, campos, reverberações, etc. etc. Mas, por outro lado,  não poderíamos encerrar aqui este assunto sem abordar outros ângulos da questão, uma cachoeira, uma pedreira, uma árvore, um animal, tudo como fontes energéticas até chegar ao mundo das energias humanas aplicadas em benefício da própria humanidade.

Os sistemas naturais

Quantos anos faz que a Terra gira sobre ela mesma e se desloca ao redor do Sol sem aumentar e sem diminuir a velocidade dos seus ciclos? Isso ainda está em estudo pela ciência, porém sem conclusão. Todos os processos comuns de energia sofrem entropia, isto é, a chaleira ferveu, mas fora da chama em uma hora ela estará de volta na temperatura ambiente. A roda gigante sem a impulsão do motor em menos de três voltas estará parada.

De onde vem a energia que mantém nossa Terra em pleno voo e em pleno giro sem motores?

Os sistemas humanos

Somos uma bateria recarregável pela boca e pelas narinas. Pela boca recebemos os alimentos que são transformados em carbono e pelas narinas recebemos o oxigênio que em contato com o carbono vira energia. Essa energia nos faz pensar, falar, trabalhar, mas, nada tem a ver com outra energia que mantém o nosso coração em ação.

A energia que alimenta o coração é outra, de origem desconhecida, possivelmente suprida pelo prâna que inspiramos junto com o oxigênio.

No mesmo instante em que uma mão desconhecida desliga a bateria, o coração pára e o corpo esfria, pedindo ser devolvido à terra ou ao fogo ou à água.

Como se nota, o tema é amplo.

No campo macrocósmico os desarranjos energéticos acabam em buracos negros, mortes de estrelas, quebras de ciclos entre sistemas planetários, etc. etc. com influência macrocósmica, aquilo que a que ainda não existe um nome. Hecatombe não o define.

Nos campos microcósmicos os desarranjos energéticos acabam em degeneração celular, troca de comportamento entre células, tumores, com influência mesocósmica, definida como morte da pessoa.

Nos campos mesocósmicos os desarranjos energéticos provocam desconforto, dor, ansiedade, medo, depressão, estresse, etc. etc. com influência em grupos humanos, sociedades, clãs.

Na relação entre os campos, os desarranjos, em geral, são provocados de fora, pela influência de um invasor energético. O invasor pode ser físico, químico, orgânico.

Mas, há uma situação em que o invasor é propriamente energético e neste último caso, a energia humana pode partir do pensamento, caso em que o invasor não é invasor, é um inimigo íntimo dissimulado no interior da mente humana.

A inadequação vibratória humana contamina os campos que perdem capacidade de conservação e se destroem continuamente. A isso se dá o nome de doença, na verdade, uma espécie de autofagia em que os componentes destroem-se mutuamente. Podemos observar isso no interior do corpo humano e no interior das sociedades humanas.

Aplicação da energia para curar

O salto quântico coloca a energia na mesa de cirurgia e substitui o bisturi de aço por um jato energético.

Por falta de resposta aos remédios as células eram extirpadas. Pena de morte para quem não se adequa ao sistema.

O novo cirurgião não condena as células à morte. Chama-as pela a adequação energética. Mas, note bem, o comando nem sempre vem de fora, pois a mente do paciente tem de ser estimulada à vibrar na energia da conservação (e não da destruição).

sábado, 20 de agosto de 2016

1860-Um mecanismo de energia pura



Um Estudo sobre a Energética Humana (II)

Introdução

Este artigo leva o número II em virtude de que na postagem anterior publicamos o número I e agora voltamos ao assunto das energias.

Emergias provenientes do meio ambiente

O ser humano também dispõe de sistema de transformação de um tipo de energia em outro. Na realidade os músculos são uma maneira de transformar a energia química em energia mecânica e elétrica; o coração em transformar a energia química em mecânica e elétrica; o cérebro em transformar a energia química em eletromagnética. Assim, parece que a base energética fundamental dos organismos biológicos é a energia química.

A energia básica dos processos químicos no corpo humano provém da queima de alimentos, que são fontes de energias externas de que os seres vivos se utilizam para a reposição dos seus dispêndios energéticos. A partir desta queima de alimentos, surge uma cadeia de reações químicas que produzem tipos de energias de sutilezas e categorias diferentes, até que o alimento queimado de início, acaba por produzir, por exemplo, uma energia eletromagnética emitida pelo cérebro. Um outro tipo de energia química que é introduzida como uma forma de alimento é o oxigênio atmosférico que é absorvido pelos mecanismos da respiração. O produto da combustão que ele produz ao atuar sobre os demais alimentos, permite com que o organismo possa dispor de uma fonte de energia para as transformações mais sutis, de ordem elétrica, eletromagnética e, provavelmente, de plasma ameno.

Os processos químicos usuais, pelos quais o organismo retira energia dos alimentos para posterior transformação, apresentam uma eficiência bastante alta, para que o processo de manutenção da vida possa se efetuar de forma mais ou menos automática e eficiente.

Os elementos energéticos que provêm da respiração, entretanto, não apresentam uma tal eficiência visto que participam apenas dos processos de oxidação dos alimentos, raramente ultrapassando este limite. Assim, a respiração se encontra numa situação de semi-eficiência e semi-produtividade frente aquilo para o que poderia ser utilizada.

Os processos mecânicos do organismo são, por sua vez, extremamente pouco eficientes e, na maioria das vezes, de baixa produtividade, isto por dois aspectos: uma tendência inata do ser humano a exagerar os esforços desencadeados pelo cérebro e efetivamente realizados pelo sistema muscular – a resposta tende a ser muito maior (raramente, menor) do que o necessário para uma correta e econômica execução dos movimentos e; por outro lado, a presença de certos elementos residuais do próprio sistema de “manutenção” dos músculos faz com que ocorra uma “inércia” muito maior do que o necessário, acarretando o surgimento de tensões musculares crônicas e dolorosas que tendem a afetar o bom desempenho do sistema muscular. Isto resulta num processo de consumo crônico e pouco produtivo com relação ao seu consumo da energia gerada pelo organismo.

Sabemos que a eletricidade produzida pela ação dos músculos, do coração e, principalmente, pelo cérebro, a nível da medula espinhal, poderá interferir no grau de polarização elétrica do corpo em geral e na distribuição das cargas elétricas na superfície do corpo. Isto leva a uma perda do tônus muscular geral e da disposição, já que com o surgimento destas cargas elétricas mal distribuídas, gera-se um desequilíbrio no sistema de neutralização destas cargas, que se localiza principalmente na pele e, assim, uma maior quantidade de íons positivos passa a não mais ser neutralizada, gerando desta forma, uma sensação de mal-estar e cansaço generalizado.

Pelo funcionamento do cérebro, também geramos ondas eletromagnéticas que poderão interferir em sistemas que estão desprotegidos desta interferência através dos seus desequilíbrios próprios e os desencadeados pela má distribuição de cargas como descrito acima. Isto poderá desencadear um acúmulo de erros de funcionamento que podem fazer surgir doenças de variados tipos.

Se, a isto tudo, somarmos todas as interferências energéticas do meio ambiente que podem ir das ondas sísmicas de um terremoto ao aumento dos raios ultravioletas e de raios X e cósmicos, pela interferência na camada de ozônio da Terra, podemos ver como é titânica a tarefa que o organismo tem de realizar no sentido de apenas neutralizar os desequilíbrios energéticos gerados, seja pelo seu funcionamento normal/anormal, seja pelas agressões do meio ambiente. A isto podemos chamar de “poluição energética”.

Tal situação tende a se agravar ao longo do tempo à medida que o organismo vai mobilizando os seus recursos no sentido de atenuar e equilibrar a situação. Isto implica que, quando surge algum tipo de sinal ou sintoma compreensível de estafa ou de diminuição de energia biológica (geralmente dentro da esfera sexual), tal processo já está se desenvolvendo por um tempo consideravelmente longo.

O uso de substâncias como vitaminas e substâncias energéticas poderá ajudar a que o organismo possa se recuperar com maior facilidade, mas por pouco tempo, já que os seus mecanismos próprios de equilíbrio se encontram debilitados e funcionando no máximo de suas capacidades. Cumpre, portanto, que seja introduzido algum método capaz de elevar a quantidade e qualidade da energia produzida pelo organismo, de forma natural, procurando desenvolver as suas potencialidades neste sentido e amplificando a sua capacidade de recuperação.

Entretanto, a mera elevação da quantidade e qualidade das energias geradas e consumidas pelo organismo não é a resposta ao problema, já que estamos falando de tipos diferentes de energias, que podem se anular em contato. A presença de determinados tipos de energias poluidoras (de baixa qualidade) dentro do organismo pode ser causada por várias razões, sendo que normalmente, isto surge por erros alimentares: o organismo necessita de um conjunto de elementos vitais que não tem condições de prover por conta própria, ou seja, necessita de uma fonte externa de suprimento destes elementos. Isto acontece com alguns aminoácidos, vitaminas e elementos-traço que, embora não parecem vitais numa primeira visão, desempenham funções importantíssimas dentro dos processos energéticos e metabólicos do organismo.

Os excessos alimentares também podem gerar um processo de des-energetização, já que a energia do organismo, produzida para as suas próprias necessidades deve, agora, ser desviada para a manipulação, metabolização, armazenagem e excreção destes excessos.

Isto acontece, principalmente, com qualquer um dos grandes grupos de nutrientes: proteínas, gorduras e, principalmente, com os hidratos de carbono que, ao invés de serem os fornecedores de energias, no seu excesso, consomem a energia do corpo ao serem desviados para os processos de armazenagem dentro do próprio organismo.

Os tipos de orientação dietética, tão em moda, podem também trazer problemas ao sistema de energias do organismo. Já que muitos destes sistemas são de caráter Eminentemente regional, ou seja, se baseiam num tipo de composição de alimentos característicos e nativos para uma determinada região geográfica que dispõe de espécies de alimentos apropriados para as necessidades fundamentais dos seres humanos residentes, num processo muitas vezes desenvolvido ao longo de vários séculos de tentativa e erros, este processo acaba por gerar uma espécie de “menu” que fornece todos os tipos de nutrientes apropriados às necessidades daquele perfil genético de população.

Ora, sabe-se que, de uma região geográfica para outra, seja pela própria variação de tipos de solo e de clima, mecanismos de competição e composição genética de plantas e animais, pode ocorrer uma variação muito grande na composição nutricional dos alimentos, quando estes são comparados com os de mesma natureza, mas oriundos de outras regiões geográficas. Desta maneira, um grão de arroz produzido na Índia, com variedades adaptadas ao longo de séculos de seleção às necessidades nutricionais dos hindus, poderá apresentar uma grande discrepância na sua composição quando comparado com um grão de arroz produzido no Brasil.

Desta maneira, um regime estritamente vegetariano desenvolvido para a população da Índia ou do Paquistão, poderá suprir as necessidades nutricionais de uma população sem lhe determinar qualquer distúrbio metabólico/energético, enquanto que este mesmo regime vegetariano transferido para a Europa ou para a América, ao ser feito com os vegetais nativos, portadores de possíveis variações de composição nutricional, numa população de características genéticas diferentes das originais, poderá vir a acarretar uma desnutrição sutil, mas perigosa ao longo do tempo. Somente um estudo e análises cuidadosas feitas por um período de tempo longuíssimo (séculos talvez) é que poderá determinar que tal regime dietético e saudável é recomendável.

A mesma coisa pode ser dita sobre os costumes de alimentação introduzidos pelos imigrantes europeus no Brasil.

Acostumados a um inverno rigoroso, tais imigrantes tem a necessidade de consumirem uma gama de alimentos altamente energéticos, onde o componente gorduroso, como fonte e reserva de energia predomina. No Brasil, devido ao fato deste ser um país tropical e semi-temperado, raramente se justifica o uso destes tipos de alimentos que, ao não serem consumidos pelos rigores de um inverno, acabam mais é na cintura dos seus praticantes…

Uma outra complicação a mais é representada pelos elementos que contaminam a maioria dos alimentos que são consumidos. As necessidades crescentes de produção de alimentos para suprir as necessidades de uma população em explosão demográfica, levaram ao desenvolvimento de tecnologias que procuram aumentar a produtividade das colheitas e a fertilidade dos rebanhos através da inseminação artificial, assim como a uma maior taxa de desenvolvimento de carne dos animais de corte com o uso de hormônios. Ao mesmo tempo, tornou-se necessário o desenvolvimento de técnicas de adubação e fertilização do solo para prover esta demanda crescente de alimentos.

Paralelamente, o uso de pesticidas tornou-se forma universal para o controle de pragas, o uso de herbicidas para combater plantas indesejáveis e o uso de técnicas da engenharia genética permitiu com que o homem pudesse vir a interferir intimamente no processo de seleção genética, seja dos animais, seja das plantas. A resultante disto tudo é que existe uma contaminação crescente dos alimentos por parte de todos estes produtos químicos que foram utilizados para a sua melhoria, defesa e preservação, produtos estes que acabam por penetrarem no organismo humano. Ainda não se conhece os efeitos desencadeados pela maioria destes produtos no metabolismo humano, mas sabe-se que níveis muito elevados de inseticidas, principalmente de organofosforados parecem produzir uma situação de perda de energia global do organismo, associados com maior risco de lesões de fígado e rins. O uso de hormônios para estimular o crescimento bovino tipo DES (dietilestilbestrol) que não é eliminado com a preparação da carne bovina, faz com que o organismo humano passe a ficar sujeito a estímulos hormonais que nem sempre são previsíveis ou controláveis. Tais hormônios no ser humano tendem a produzir virilização e um aumento significante da taxa de consumo de energia orgânica. Sabe-se igualmente que são utilizados hormônios na criação de aves para o abate, gerando uma situação semelhante à dos bovinos. O uso de pesticidas e inseticidas na lavoura de forma extensiva já foi mencionado, de tal forma que não se pode falar de uma agricultura “plenamente orgânica” na atualidade. Porém o problema pode se agravar se pensarmos que todos os resíduos que são aplicados na lavoura e criação de animais acabam, de uma forma ou de outra, sendo carregados para os rios e mares, terminando por serem ingeridos pelos peixes e crustáceos e pelo fitoplâncton, fechando o ciclo de contaminação no homem mais uma vez.

O tratamento das águas potáveis feito nas grandes cidades que visa eliminar, principalmente, os produtos grosseiros e particulados, ainda não se dispõe de uma tecnologia para eliminar os metais pesados que existem dissolvidos na água (chumbo, mercúrio principalmente, devido às atividades industriais). A ingestão crônica destes metais (quem conseguiria obter uma quantidade apreciável de água para consumo isenta destes metais contaminantes e outros, por períodos prolongados de tempo?) parece estar também ligada ao progressivo envenenamento dos sistemas enzimáticos produtores de energia situados dentro das células do corpo.

Ao mesmo tempo que a agricultura extensiva tende a aumentar o grau de contaminação dos alimentos, as necessidades da industrialização parecem visar mais ao lucro do que a qualidade nutricional dos alimentos que produz: os alimentos devem mais se enquadrarem nas normas técnicas da indústria de alimentos em termos de graus de acidez, textura, níveis de sacarose, etc. do que na manutenção de suas vitaminas e sistemas enzimáticos que são destruídos no primeiro momento do tratamento destes alimentos, visando a sua preparação.

A posterior adição de substâncias antioxidantes, conservantes, antibióticos, corantes para a melhoria estática, de acidulantes e outros “antes”, introduzem, nos alimentos industrializados, elementos que a ciência moderna ainda não avaliou demoradamente quanto aos seus efeitos sobre o organismo humano. Todas estas substâncias certamente devem interferir de alguma maneira no mecanismo de produção de energia do corpo humano e, em sua maioria, não temos a menor ideia de como agem e que efeitos produzem a médio e longo prazo.

Uma outra complicação é gerada pela tendência crescente de consumo de alimentos semi-preparados, sob a alegação de que isto economiza o tempo de preparo de alimentos a nível doméstico. Acontece que, para que tais alimentos possam ser processados a nível das máquinas, normalmente devem ser cozidos a altas temperaturas, triturados e texturizados de início, para facilitar o seu manuseio por parte de maquinário industrial.

Isto pode alterar de tal forma as características básicas de um alimento que pode vir a afetar a saúde do organismo de forma importante. Um exemplo disto é a tendência da eliminação das fibras vegetais da dieta normal do ser humano, o que tem contribuído para um aumento brutal dos casos de constipação intestinal e de câncer do intestino. Isto sem mencionar os aditivos que são introduzidos durante o processo da industrialização, flavorizantes, espessantes, corantes, cujo efeito sobre a saúde humana ainda é pouco conhecido, embora sabe-se que certos corantes, principalmente os vermelhos e amarelos, são cancerígenos. De outro lado, alguns antioxidantes de uso industrial parecem exercer algum efeito protetor sobre o metabolismo.

Tem havido uma tendência crescente de radiações nucleares no sentido de esterilização dos alimentos. A desculpa aqui é de que com o uso de radiações esterilizantes, os alimentos ficariam isentos de bactérias e, portanto, se conservariam por muito mais tempo que o normal. Já se verificou que o uso desta radiação afeta os alimentos, produzindo uma quebra de cadeias moleculares.

Uma outra informação vem completar o quadro aqui desenhado: o uso de sistemas de congelamento. Sabe-se que o congelamento, embora preserve uma boa parte das características nutricionais dos alimentos, ainda assim, pela produção de cristais de gelo dentro das células dos alimentos, poderá modificar certas estruturas moleculares dos alimentos. Igualmente, sabe-se que um período prolongado de congelamento tende a modificar lentamente a estrutura molecular dos alimentos, que passarão a se comportar de forma ligeiramente diferente quando forem aproveitados para a alimentação. No caso de carnes e lácteos, recomenda-se que estes não sejam congelados por mais tempo do que uma semana, para que não ocorra o fenômeno acima descrito. Este fenômeno de alteração dos valores nutricionais sutis dos alimentos, após longos períodos de congelamento, é muito piorado no caso de alimentos ou refeições que foram congelados após terem sido preparados para o consumo.

Um outro ponto que merece ser destacado é o problema do surgimento de bactérias capazes de resistirem a longos períodos de congelamento dentro dos “freezers” domésticos, acarretando um risco em potencial para os alimentos que não foram embalados de forma correta ou preparados com um mínimo de higiene.

Os ovos de galinha têm se revelado um problema a parte: com o uso crescente de rações para estimular a postura de ovos, associados ao uso de antibióticos e fungicidas para prevenir a doença das aves, os ovos, principalmente as gemas, estão apresentando níveis alarmantes de agentes poluentes, principalmente de antibióticos e antifúngicos que podem vir a afetar, principalmente, o organismo de crianças (por imaturidade hepática) ou de velhos (por insuficiência hepática e renal).

Desta maneira, progressivamente, os nossos sistemas de alimentação e de produção de energia vão sendo contaminados e envenenados por produtos que tem por função primordial a geração de lucros e não a alimentação. Muitas vezes, os alimentos são envenenados apenas pela tentativa de “maquiagem”, no sentido de aumentar o seu apelo de consumo, como é a adição de nitritos para as carnes, para acentuar a sua tonalidade “avermelhada”.

A solução para estes problemas seria a total eliminação dos produtos desnecessários, assim como a vigilância de perto daqueles produtos que são permitidos, de forma a se evitarem os abusos que se verificam tanto nos países desenvolvidos como nos subdesenvolvidos. A conscientização da população frente a estes riscos deveria ser ampliada ao máximo possível.

Assim como o alimento é fundamental para a economia energética do nosso organismo, temos de considerar um outro tipo de alimento, ao qual conferimos uma importância ainda menor do que ao alimento sólido, que é o elemento gasoso, ou seja, o ar. O ar, além de desempenhar as suas funções de fornecer os elementos para as trocas respiratórias, também fornece um tipo de “alimento” sem o qual a ingestão de alimentos sólidos fica interrompida, a partir de um determinado ponto: é o fornecimento de “oxigênio” para os processos de combustão interna do alimento absorvido e a sua “queima” para a produção de energia que o organismo irá utilizar. Vamos estudar este problema do ar mais adiante.

O uso de álcool e de fumo não precisa ser aqui muito discutido, pois existem evidências mais do que suficientes para provar os seus efeitos maléficos frente aos sistemas de energia do corpo humano. O álcool em excesso pode levar a uma desnutrição crônica onde o indivíduo passa a recusar as oportunidades de receber o alimento sólido e passa a apresentar um quadro de desnutrição proteico-calórica, com perda de vitaminas do complexo B, gerando o quadro conhecido como “pelagra”. O fumo, comprovadamente, destrói grandes quantidades de vitamina C, que possui as propriedades de facilitar os processos de produção de energia, ao mesmo tempo funcionando como agente antioxidante, impedindo o acúmulo de substâncias tóxicas ao metabolismo do organismo na sua forma ativa.

– A Homeostasia Energética: o organismo humano é um sistema extremamente complexo de funções fisiológicas e energéticas, interagindo entre si, em busca de um equilíbrio entre a demanda e a produção de energia. A lei fundamental que rege os mecanismos de produção de energia do corpo é a lei da economia da energia, ou seja, o corpo humano procura produzir uma quantidade de energia apropriada para a quantidade média de energia consumida. Em geral, este valor médio de energia consumida diariamente é calculado pela média dos últimos 25 dias de atividade. Este é período médio pelo qual os sistemas enzimáticos dos processos de produção de energia pelo corpo demoram para se adaptarem a novas solicitações de demanda energética, passando a funcionar de forma mais eficiente. Se considerarmos um indivíduo situado num determinado patamar de “consumo médio diário de energia” e que bruscamente passa a realizar algum tipo de dispêndio de energia (físico, emocional ou intelectual), observaremos que, de início, haverá uma mobilização das reservas de glicogênio localizadas a nível do fígado, principalmente, com a ativação dos sistemas de quebra do glicogênio em glicose para a sua imediata disponibilidade para compensar este aumento não previsto do consumo. Se esta solicitação extra de energia permanece neste novo nível, por até 25 dias, ocorre uma adaptação do sistema para este novo nível de demanda e, agora, o organismo passa a produzir esta energia de forma contínua, até que haja um novo aumento ou diminuição da demanda, o que requererá, igualmente, 25 dias até que ocorra uma estabilização nos novos níveis. Isto explica por que os regimes, em sua maioria, apresentam efeitos reais, na redução da massa gordurosa ou no seu aumento, após 1 ou 2 meses de realização contínua do regime, enquanto que as “perdas” prévias e, geralmente, espetaculares, se devem, principalmente, a uma mobilização de água.

Desta forma, dispomos de duas ferramentas para atuarmos sobre os níveis de energia física. A maioria das pessoas, quando se sentem estafadas, geralmente declaram que precisam “descansar”. Podemos definir dois tipos fundamentais de “estafa”, que são a verdadeira e a falsa. Uma estafa verdadeira, que corresponde a um aumento da demanda de energia produzida pelo corpo, isto por um aumento de consumo, seja a nível físico (facilmente identificável), a nível emocional (muito comum), ou a nível intelectual (extremamente comum). Esta situação é considerada bastante natural e mesmo saudável, pois permite com que avaliemos o “status” do sistema de produção de energia do organismo, e, isto se torna evidente pela sensação de cansaço “útil”, ou seja, dirigido para a realização de alguma tarefa objetiva na nossa vida, definindo, portanto, um período de aumento do consumo de energia e um período em que isto irá se encerrar, permitindo com que o organismo possa vir a se recuperar de forma natural. É a estafa de excesso de trabalho, seja do nível que for, mas que não gera uma sensação de angústia e ansiedade, pois suas causas são reconhecidas e seu final previsível, com a existência de uma perspectiva de recuperação.

A “falsa” estafa corresponde a um consumo de energia produzida, isto ao longo de períodos prolongados de tempo, que de certo modo reduzem a capacidade de reação e adaptação do organismo, pois esgotaram os sistemas enzimáticos que são responsáveis pela manutenção dos níveis de energia elevados quando ocorre um aumento da demanda numa situação de necessidade ou de emergência. Poderíamos dizer que, num indivíduo cronicamente estafado, ou seja, portador da “estafa falsa”, isto é mais um estado de adaptação energética a uma perda crônica de energia biológica, sendo que isto é perpetuado, principalmente, pela recusa que o indivíduo faz em tentar modificar este estado de coisas. Na maioria das vezes a atitude “descanso e férias” não ajuda muito este indivíduo, na medida que não o levam a nenhuma modificação do seu padrão de consumo e solicitação orgânica de energia. Ele meramente leva sua estafa para passear…

O sistema de produção de energia, como vimos, elabora uma certa quantidade de energia diariamente, baseado na média de consumo de energia dos últimos 25 dias anteriores. Se houver uma “estafa falsa”, isto é, um consumo crônico de energia mal utilizada, seja em termos de tensões musculares crônicas, excesso de emocionalidade ou por um excesso de intelectualismo mal direcionado, esta “sensação” só poderá ser vencida através da introdução deliberada de algum tipo de demanda de energia extra: pulo, saltitamentos, corridas, massagens vigorosas, mas que não leve à exaustão. A realização de alguns minutos (não mais do que 10 minutos) de algum tipo de exercício físico terá a função de mobilizar os sistemas de reserva de energia a nível do fígado e, com isto, o indivíduo passará a dispor de mais energia e uma sensação de revigoramento.

Uma segunda maneira de aumentarmos a quantidade de energia posta à disposição do organismo, ou em outras palavras, de aumentar a cota de “energia diária” é a de começarmos a fazer um programa de exercícios físicos diários, que levem a um aumento controlado e constante da energia física consumida diariamente, isto por um período de pelo menos 25 dias, como já foi dito.

O mesmo processo pode ser feito com relação aos excessos de dispêndio de energia emocional: situações estressantes contínuas podem fazer com que o indivíduo passe a gastar grande quantidade de energia sem que possa existir uma grande facilidade na sua reposição. Aconselha-se que as pessoas afetadas por desequilíbrios emocionais realizem algum tipo de terapia ou desenvolvam algum tipo de “hobby” ou de processo de “autoconhecimento” visando permitir um maior controle destas energias e um redirecionamento da sua aplicação.

Dentro da teoria do “Trabalho”, o consumo excessivo de energia causado pelos desequilíbrios emocionais, surge, principalmente, por problemas de atitude das pessoas, que assumem um comportamento frente a realidade e frente as demais pessoas, que pode ser no mínimo definido de “grosseiramente imaturo e egoísta”.

Uma mudança de perspectivas neste comportamento costuma fazer com que o gasto de energia pela esfera emocional cesse. A nível mental, o excesso de atividade intelectual (fenômeno extremamente comum e até mesmo valorizado pela sociedade), costuma desencadear um consumo muito grande da energia cerebral, que é a mais sutil de todas e isto, normalmente, se reflete em termos de um excesso de sonhos, planos sem nenhuma perspectiva de realização, fantasias, enfim, tudo aquilo que representa uma atividade mental inútil e mal controlada. A sensação geral referida pelas pessoas é de uma queda na capacidade de memória e recuperação de fatos (na realidade a memória não está sendo solicitada nestes processos delirantes e, portanto, sofre um processo de atrofia nestas situações…). Existe uma perda de objetividade dos mecanismos mentais, uma perda de “criatividade”, sendo que a pessoa fica numa situação de incapacidade de produzir um raciocínio concreto, uma rotinização da vida da pessoa e um retraimento com relação à capacidade da curiosidade, com uma tendência a enclausuramento. A melhor forma de exercitar “o músculo que fica entre as orelhas” é se propor alguma tarefa mental de aquisição de alguma habilidade mental que venha a obrigar com que o indivíduo seja levado a exercitar as áreas cerebrais que estão inativas no momento: isto fará com que haja um aumento gradativo da demanda cerebral que, associada a elevação do nível de neuro-transmissores cerebrais, fará com que haja uma ampliação da capacidade cerebral e do fornecimento de energia de boa qualidade.

Portanto, ao contrário do que se imaginaria, a “cura” para o desânimo ou a estafa não reside no “descanso” pura e simplesmente, mas sim, numa estimulação seletiva e progressiva que faça com que o sistema readquira um “status” funcional mais eficiente e produtivo.

Isto não quer dizer que as férias e folgas não devam ser utilizadas, mas sim, que tais períodos de lazer devem representar mais oportunidades de estímulos dentro das esferas física/emocional/intelectual do que apenas uma modificação do cenário para a mesma peça e para o mesmo enredo. As férias devem ser tão ou mais estimulantes do que nossa vida cotidiana, para que esta ativação dos sistemas orgânicos de produção de energia se beneficie das modificações energéticas ambientais.

Na impossibilidade de realizar um período de treinamento das funções orgânicas que se pretende modificar e agilizar, o recurso das técnicas de relaxamento e de manipulação energética pode ser usado por certos períodos de tempo com bons resultados. O relaxamento permite com que o indivíduo se conscientize dos seus excessos de consumo de energia em todos os níveis e possa interferir, até certo ponto, nestes mecanismos, modificando-os, se dispor da força de vontade e tenacidade suficientes para isto. Porém o relaxamento não é uma panacéia, já que o organismo acaba por se acostumar com a técnica e produz, meramente, uma “ilusão” de relaxamento enquanto que o indivíduo continua com os seus gastos supérfluos de energia.

Um outro aspecto que precisa ser estudado, no que tange a energética humana, é o que se refere aos metabolismos decorrentes da produção de energia do organismo. Sabe-se que não existe nenhum processo “limpo” na natureza, ou seja, que não deixe algum tipo de resíduo. Estes resíduos, normalmente, são neutralizados e eliminados por órgãos e sistemas específicos de depuração. No ser humano reconhecemos vários sistemas de depuração e eliminação: sistema biliar, rins, pulmões, pele, intestinos, mecanismos celulares de neutralização e excreção.

O objetivo do sistema de depuração e eliminação de metabolitos é o de retirar do organismo as substâncias que podem ter um efeito danoso ao corpo ou mesmo interferirem no processo dos quais são oriundas. Podemos citar como exemplo a produção de ácido lático pelos músculos como decorrente da sua movimentação, um metabolito normal do funcionamento dos músculos que, quando em excesso pode levar a dores musculares intensas e incapacitantes. Um outro exemplo seria a ureia e os compostos nitrogenados eliminados pelos rins, decorrentes dos metabolismos de proteínas intrínsecas e extrínsecas do organismo. A mesma coisa se poderia dizer do processo de neutralização e eliminação de toxinas, feito pelo fígado e pela pele. Alguns produtos voláteis podem ser eliminados pelos pulmões (conhece-se o hálito de um indivíduo cetônico característico do diabético quando descompensado; o hálito de um indivíduo embriagado; o mau hálito de pessoas com problemas intestinais, etc.).

Todos os processos metabólicos do organismo produzem algum produto desejado e uma gama de produtos que devem ser eliminados após correta neutralização. Um dos elementos primordiais e fundamentais para que estes sistemas de depuração funcionem de maneira eficiente é a presença de água, o suficiente para diluir e carregar os produtos. Isto implica que sucos, refrigerantes, qualquer tipo de bebida, apesar de conterem água, não são recomendados, pois introduzem novas substâncias no organismo, que por sua vez necessitariam de serem neutralizadas e eliminadas. Uma outra consequência do metabolismo do corpo humano é a produção de grande quantidade de radicais livres (compostos químicos que apresentam grande tendência a produzirem reações químicas descontroladas) e os processos de oxidação, que ocorrem dentro da célula podem vir a afetar mesmo o material genético. Para se evitar isto, se recomendam doses regulares de vitamina C e de vitamina E, consideradas como antioxidantes e cito-protetoras, muito em voga dentro dos regimes de rejuvenescimento. Tal capítulo será discutido mais extensamente a posteriori.

É evidente que o fumo, pelos seus efeitos irritativos sobre os pulmões, poderá interferir nas trocas gasosas entre o corpo e a atmosfera. Além disso, os agentes poluentes, presentes no ar que respiramos, parecem que não ajudam em muito a situação. Já que é bem mais difícil de se controlar a poluição atmosférica a nível de grandes conglomerados industriais, uma redução ou eliminação do hábito do fumo poderá ajudar em muito os processos de respiração, como veremos adiante.

Sabe-se que a respiração corresponde a um segundo nível de nutrição e de produção de energias e, se a “matéria prima” é de baixa qualidade, o produto final também o será.

A higiene da pele permite com que certas toxinas sejam eliminadas para o ambiente, ao mesmo tempo que permite com que certos tecidos mais superficiais sejam oxigenados.

O suor tem dupla função: refrigerar e eliminar resíduos. Uma higiene cuidadosa da pele é fundamental para que este sistema de neutralização e eliminação de produtos tóxicos esteja funcionando de forma conveniente.

Em países onde a função de refrigeração do suor é mais solicitada, como o caso do Brasil, o banho diário é uma necessidade. Recomenda-se que o banho seja feito com algum sabonete a base de enxofre, para melhorar, ainda mais, a capacidade de depuração da pele e, também, as suas características energéticas, o que será discutido mais adiante.

Um dos pontos mais importantes concernentes a neutralização e depuração de substâncias tóxicas se situa na crescente tendência do uso de alimentos semi-preparados e o consumo de “junk-foods” (comidas prontas para o consumo, do tipo sanduíches, salgadinhos, refeições prontas para aquecer e comer, etc.).Devido ao fato que estes tipos de alimentos são destinados a um consumo ao longo de períodos de tempo prolongados, a sua composição deve diferir necessariamente daqueles produzidos para consumo imediato. Igualmente, não se pode garantir quanto ao tipo, qualidade dos alimentos utilizados e precauções tomadas durante o seu preparo. Podemos citar um exemplo das frituras de salgadinhos e pastéis, onde sabe-se que o óleo das frituras é reaproveitado seguidamente pelas indústrias produtoras de tais tipos de alimentos. Ora, o azeite de fritura desenvolve um conjunto de substâncias cancerígenas com o seu aquecimento repetido, substâncias estas que se acumulam dentro do organismo dos consumidores deste tipo de alimentos com certa regularidade. Em outros casos, sabe-se que estão ocorrendo cepas de agentes e bactérias patogênicas, capazes de desencadearem infecções tóxico-alimentares perigosas, até mesmo nos alimentos congelados. A introdução de antibióticos nas carnes e conservas e de substâncias anti-fúngicas, com a função de combater a contaminação por fungos, está produzindo cepas resistentes a estes tratamentos e potencialmente perigosas ao ser humano. Portanto, uma das precauções básicas seria a de somente consumir alimentos frescos e, de preferência, cujo preparo e manipulação temos a certeza e garantia de sua qualidade.

OS ALIMENTOS DENTRO DA FILOSOFIA DO “TRABALHO”: podemos dizer que, em termos nutricionais, as três categorias de alimentos essenciais ao ser humano representam de forma bastante ilustrativa o conceito da “Lei de três”, já que podemos reconhecer uma característica energética intrínseca destes alimentos com relação a capacidade de fornecerem energia e de funcionarem como elementos de estruturação do organismo: os hidratos de carbono seriam os representantes da “força ativa”, ou seja, seriam os elementos de maior poder energético imediato, que estão mais prontos a serem queimados e a produzirem energia. Os hidratos de carbono são também os alimentos mais universalmente usados, justamente devido a esta característica energética e por serem mais facilmente digeríveis. Do outro lado, situamos o alimento “passivo” por natureza, a gordura, que embora represente uma forma de energia concentrada, funciona mais como um depósito de energia frente a uma demanda exagerada. O fato de requerer certo tempo para ser mobilizada e um certo esforço para que isto aconteça, demonstra como a gordura representa a “força passiva” dentro da tríade da “Lei de três” nutricional/energética. As proteínas, por sua vez, por poderem funcionar, tanto como elementos de fornecimento de energia, como elementos de estruturação do corpo e como depósito de energia, demonstram seu papel de “força neutralizadora”. Esta mesma filosofia é apresentada pela filosofia do “TRIDOSHA” de origem indígena, que classifica os alimentos em três categorias energéticas: positiva, negativa e neutra, o que deu origem aos conceitos de nutrição macrobiótica. O elemento mais interessante desta filosofia é que qualquer alimentação deve buscar uma espécie de “neutralização” na composição dos três elementos.

Assim se busca uma espécie de neutralidade entre os três tipos de alimentos, tendo em vista a intensidade com que cada uma das “forças” se expressam neles. Com o uso de tabelas especiais é possível se determinar, em termos de qualidade de alimentos, a quantidade de um certo alimento com certa intensidade de “força ativa” que deve ser colocado frente a uma outra quantidade de alimento que apresenta uma certa intensidade de “energia passiva” e o quanto de alimento dotado de certa intensidade de “força neutralizadora” deve ser considerado na composição de um prato de alimentos, que então poderá prover o máximo de suprimento de energia com o mínimo de produção de metabolitos tóxicos. Devido a sua importância e complexidade, este assunto será tratado em assunto à parte. Desta maneira, apresentamos uma ligeira introdução a energética dos alimentos e das principais soluções que podemos nos fazer valer no sentido de aumentarmos a quantidade de energia produzida pelo organismo e as precauções contra possíveis efeitos danosos produzidos por substâncias estranhas e produtos tóxicos. Não se deve esquecer que, dentro do processo da energética humana, a nutrição representa apenas um dos pés do tripé, representado por: alimentação, respiração e impressões. Iremos estudar os dois alimentos restantes nos capítulos seguintes.

Este assunto ainda pode merecer novos enfoques.