sábado, 2 de janeiro de 2016

1827-Morrer para renascer


A morte psicológica

Introdução

Já abordamos a “morte psicológica” brevemente na postagem que apresentou os sete centros motores da vida humana. Faz-se necessário, agora, detalhar o que se entende por “morte psicológica”.

A morte psicológica é precedida pela Auto-observação. Nosso ego possui pontos cegos, aqueles vãos que não nos permitem, por exemplo, como comparação, desde o retrovisor do carro, avistar o veículo que vem de trás e dependendo do movimento para a esquerda, que fazemos, pode ser uma tragédia.

Contudo, ao aprender auto observar-se, o ponto cego desaparecerá e cada um poderá mensurar o que de egoístico possa existir em sua vida, poderá propor a eliminação desses defeitos ou vícios, matando o homem/mulher velho/velha para que o homem/mulher novo/nova possa nascer. Isso, em rápidas pinceladas, é a morte psicológica.

Como nem todos tem perfeita clareza do que sejam defeitos e vícios psicológicos, vamos adiante com este assunto.

Defeitos psicológicos

Nossa constituição interior e seus defeitos (psicológicos) atuam nos centros da máquina humana, como é chamado, equivocadamente, o nosso corpo, a nossa vida que, convenhamos, são muito superiores ao que chamamos de máquinas.

Aprende-se que podemos ver e sentir estes defeitos agindo através do sentido da auto-observação, já mencionada. Mas, é preciso saber mais o que são esses deslizes de índole.

Nesta postagem faremos o possível para aprender o básico do tema, pois corresponde à etapa principal para todas as pessoas que realmente querem mudar interiormente, que desejam transformar-se em pessoas melhores, eliminando de seu interior os elementos psicológicos indesejáveis, que são os responsáveis pelas nossas limitações, inconsciências e sofrimentos.

É, como já se escreveu, o morrer psicológico, também conhecido como morte psicológica ou ainda morte mística, uma virada. Em muitas situações isso aí pode ser chamado de iniciação. Fecha-se um ciclo, abre-se outro. Os sábios da humanidade sempre nos ensinaram que a mente que cria um problema não é a mesma que vai resolver o problema. Tem de haver um salto.

Vamos agora fazer uma rápida abordagem de alguns pontos que são fundamentais para a compreensão deste tema.

No contexto da vida humana lidamos com o Corpo Mental, que são as funções ligadas ao intelecto; lidamos com o Corpo Astral, por onde transitam nossas relações energéticas com a espiritualidade e com o meio; lidamos com o Corpo Físico, aquilo que chamam de máquina, mas é um sofisticadíssimo sistema onde também as energias causam maravilhas e causam estragos; e finalmente, lidamos com o Corpo Vital, que são outras palavras para dizer Alma.  

O que é importante entendermos claramente, nesta postagem, são os conceitos de ego e de Essência. O primeiro se vale daquilo que recolhemos do ambiente através de aprendizados e transformamos em coisas úteis para nós, como seres eventuais, é claro, esquecidos de que somos eternos. E ego nos leva para a perversidade por prazer. A segunda (Essência) representa o que realmente somos escondidos debaixo de uma nuvem teimosa, que não se dilui sem que haja um bom motivo.

Então vejamos: o ego é a soma de nossos muitos defeitos psicológicos que vivem em nosso mundo interior, que foram criados e continuam a ser alimentados inconscientemente por nós mesmos, motivados por nossos interesses de pequena dimensão. Esses defeitos se nutrem das energias dos centros da “máquina humana” (ler a postagem 1826-Os sete centros da máquina humana”). Cada um desses defeitos é chamado também de “eu”, “eu inferior” ou ainda “detalhe do ego”. O ego é realmente a causa de nossos sofrimentos, inconsciência, erros, vícios, medos, fraquezas, etc., que nos levam à derrota espiritual se não forem vencidos.

No antigo Egito o ego era conhecido como os demônios vermelhos de Seth.
No Bhagavad-Gita, o ego é simbolizado como os “parentes”, com os quais Arjuna, iluminado diretamente pelo Sr. Krishna, deveria travar terríveis batalhas. Na mitologia, o ego é, entre outros simbolismos, representado pela Medusa, causadora de todo tipo de sofrimento aos homens e que é decapitada pela espada de Perseu.

Na Bíblia podemos reconhecer o ego na passagem na qual o divino mestre Jesus pergunta ao demônio que possuía o infeliz geraseno qual era o seu nome, sendo que este lhe responde: “Meu nome é Legião, porque somos muitos”. (Marcos - 5,1-20).

Ainda dentro do cristianismo podemos encontrar o ego representado nos chamados sete pecados capitais relacionados por Tomás de Aquino: luxúria, ira, inveja, cobiça, gula, preguiça e orgulho. Apesar de, nos tempos atuais serem outros os pecados mais graves, estes aí foram sendo transformados e aliviados. Luxúria virou pornografia; ira virou ódio; inveja virou ambição; cobiça é compulsão; gula foi trocada por dieta; preguiça foi trocada por lazer; e orgulho foi trocado por autoestima. E assim já não são sete, quem sabe três, mas podemos ajuntar a estes os pecados mais modernos: intolerância, as várias fobias, a idolatria e o terrorismo que, naturalmente podem se juntar aos outros três, continuando a ser sete.  

Enquanto mantermos em nosso interior essa natureza inumana, seremos criaturas limitadas, inconscientes, sofredoras e vítimas das circunstâncias, doentes, sofredoras, mendigas do universo e distantes da rota proposta, que é nos transformarmos em anjos.

Se os seres humanos não carregassem dentro de si o ego, o mundo seria um verdadeiro paraíso.

A Essência

Nossa consciência é uma partícula divina, que podemos também chamá-la de Essência, Eu Maior, Espírito, Nous. Ouvi uma cátedra lidando com a Essência escrita como Ex-ciência. E me chamou muito a atenção querendo entender como se pode entender aquilo que já foi ciência para nós. E a definição é muito clara: enquanto ciência, o conhecimento é provisório, renovável, atualizável; no estágio seguinte passa a ser lei, lei imutável, algo que pode ser tomado como eterno. Ficou claro?

Conforme escreveu Victor Hugo: "Escuta tua consciência antes de agir, porque a consciência é Deus presente no homem”.

A Essência é o que de mais nobre levamos dentro de nós e é imortal. Conforme vamos eliminando os detalhes do ego vamos fortalecendo essa consciência ou alma, já que cada um mantém aprisionada uma fração de nossa Essência com os registros divinos acomodados ali.

Considere cada eu como uma garrafa que mantêm um pouco de nossa consciência aprisionada. Quebrando a garrafa retorna a nós aquela parcela de consciência que estava aprisionada.

É dessa forma que vamos realmente mudando interiormente, substituindo pouco a pouco nossos muitos defeitos psicológicos por nobres e belas virtudes. Reside aí o ato de matar o homem/mulher velho/velha para deixar nascer o homem/mulher novo/nova, embora os espiritualistas façam outra relação: matar o jovem mal-educado para deixar continuar a vida do ancião experiente que se tornou eterno. Estamos falando do Espírito.

Devemos sempre pedir o seu auxílio, o seu conforto e a sua proteção. Ele nunca abandona o corpo suplicante, desde que este tenha uma conduta reta, aprenda a orar, meditar, contemplar.

O que se sabe, é que o Espírito eterno vem ao corpo para reforçar sua experiência. Sua missão principal em nós, talvez seja, justamente a eliminação do ego, de cada defeito psicológico que conseguimos perceber através da auto-observação. E nisso a auto-observação passa a ser aquele olho que se vê a si mesmo.

Com a ajuda do Espírito vamos morrendo psicologicamente, eliminando os defeitos psicológicos e dando luz ao Ser que transita pelo corpo.

A Morte Psicológica

O que se costuma chamar de Morte Psicológica é, na verdade, um trabalho antiquíssimo e sempre foi ensinado à humanidade pelos vários Mestres ou Avatares que vieram ao mundo físico para instruí-la, mostrando-lhe os meios para acabar com seus próprios sofrimentos e limitações.

Jesus Cristo (o mais excelso de todos os mestres), Buda, Quetzalcoatl (o Cristo asteca), Hermes Trismegistus, no Egito, Krishina entre outros, Maomé para fazer justiça perante a hoje maior religião do planeta, todos vieram e fizeram o que lhes cabia fazer no sentido de instruir os homens para a travessia do tosco para o belo, do bruto para o lapidado, do escuro para a luz.

Cada um ensinou, de certa forma, a mesma doutrina, porém adaptada ao seu tempo, à cultura e alcance do povo a quem se dirigia. Alguns mudaram suas doutrinas e as adaptaram ao seu interesse, mas com seus próprios termos e símbolos, todas elas fazem evocação à melhoria do ser humano.

Como se disse, infelizmente, quando o Mestre parte, os que se dizem discípulos e apóstolos, manipulam segundo seus próprios egos, começam a distorcer a doutrina e pouco a pouco o principal se perde ou é oculto da humanidade. Em outros casos, a humanidade evolui e seus doutrinadores ficam amarrados ao passado, repetindo dogmas que eram de uma época que foi enterrada.

O batismo que também pode ser chamado de iniciação, é uma prova admissional do candidato à nova ordem mística ou religiosa. É por isso que nas linhas seguintes faremos menção a isso.

A prática, o rito

Como o blog não possui um templo, sítio, taba, mesquita, sinagoga ou algo parecido, em cujo ambiente se administre a Iniciação ou algo parecido, também chamado de Batismo, primeiramente é fundamental os candidatos estarem sob auto-observação, aquilo que se vê na parte de traz dos caminhões de empresas: “como estou dirigindo?”. Em seguida há um número de telefone para discar. No nosso caso, o telefone são os sentidos que recolhem o que se passa.

É simples, como percebo meus sentimentos, pensamentos, atitudes, intenções, desejos, metas, objetivos, etc. São saudáveis? Posso declará-los diante dos meus filhos, netos, pai, mãe, Deus?

Quando percebermos a atuação de um defeito psicológico em algum dos centros da “máquina humana”, pedimos mentalmente a nossa à nossa Alma, através do anjo guardião, que recoloque as coisas no lugar.

A prática, o rito, busca assegurar que não tenhamos de nos envergonhar de nada se a morte física ocorresse hoje. Estaríamos diante da Espiritualidade Maior como um livro aberto, sem manchas escuras, sem nada para se arrepender.

Poder-se-ia dizer ao grande Carl Gustav Jung, psicanalista espiritualista do século passado: “Derrotei meu ego”. A figura assombrosa do Abraxas, o monstro que havia dentro de mim, foi domado, adestrado, aprendeu a usar sua força para o bem. “Sou um aliado de Deus e não seu adversário”.

O defeito psicológico é então imediatamente eliminado e resgatamos a parcela de consciência que ele aprisionava. É realmente muito simples.

Não acontece da noite para o dia, é preciso insistir, persistir, perseverar, vigiar, orar, meditar, contemplar. Ir-se-á ganhando alguns pontos por semana. Boas leituras, bons filmes, palestras adequadas, exercícios físicos, abstenção de bebidas embriagantes, nada de fumo, alimentação leve, muita água, muito ar puro. É um processo, como se estivéssemos treinando para uma maratona.

Para uma melhor compreensão, façamos uma comparação entre o ego e uma árvore. Uma árvore se desenvolve e se mantém viva e forte retirando do solo os nutrientes necessários para a sua sobrevivência, e para isso depende totalmente das suas raízes, já que estas são, de fato, a razão de ser da árvore. Qual seria a razão de ser do homem?

Consideremos o ego como uma árvore que depende totalmente de outros fornecedores de energia que não a retirada pelas raízes desde o âmago da terra. Seria uma árvore-mentira, sobrevivendo dos pequenos defeitos psicológicos, das fofocas, dos maus pensamentos, das grosserias, das más intenções, das ações prejudiciais às outras pessoas, da tradição, da negaça...

Não existiria a árvore por que árvores não sobrevivem dissociadas de suas verdadeiras raízes. O ser humano tal como a árvore-mentira também não será um ser humano, será uma mentira.

Diante do contesto universal onde tudo evolui, por que não evoluiria o ser humano? Fora da evolução, o ser humano é retrocesso, perda total.

Lobo bom e lobo mau

No caso do ego, arriscamos buscar uma velha e batida metáfora, a dos dois lobos, que segundo a lenda vivem dentro de nós. Aquele lobo que for alimentado crescerá, se tornará um gigante e matará o outro. O ego, com suas particularidades de autoestima inchada, desejo de aparecer, de competir, de vencer, de derrotar, de ser declarado o melhor, se for educado para o bem, para a produção coletiva, para a construção do bem comum, essa é a cura, isto é, a morte do Abraxas, o renascimento do ser, a morte psicológica. É assim no dia-a-dia que o ego irá gradualmente perdendo sua força, se desnutrindo e morrendo, tal qual ocorreria com uma árvore se cortássemos as suas raízes ou com o lobo mau se tirássemos dele o alimento.

O contrário também pode ocorrer, ou seja, se permitimos que os defeitos psicológicos atuem todo o tempo nos centros da máquina humana, o ego irá se tornando cada vez mais forte e desenvolvido. Isso é o que infelizmente tem ocorrido até o momento conosco.

No decorrer do curso (que é a vida) vamos conhecer também novas facetas dos defeitos psicológicos, e entender porque muitas vezes temos certas atitudes e comportamentos que, na verdade, somente nos prejudicam.

De qualquer forma, o meio para eliminação de qualquer defeito psicológico é e será, sempre, a morte psicológica, por isso não deixe de colocar em prática o que aprendeu aqui.

Até semana que vem.

 

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