sábado, 23 de janeiro de 2016

1830-Segredos da alma


Encontro com o Espírito em Sonho

Introdução

A única filosofia que trata dos sonhos é a espiritual, melhor dizendo, a kardecista, encontrada no bojo do “Livro dos Espíritos”, questões 402 e seguintes.

Do mesmo modo que quando em pecado sentimos culpa, remorso, dor de consciência – no dizer popular, isto é, sentimos vergonha diante de Deus, também o Espírito aprisionado ao corpo sente necessidade de relacionar-se diretamente com seus iguais e o faz durante o repouso do corpo, momento em que tudo silencia, os batimentos cardíacos se reduzem, a função digestiva e intestinal se encontra lenta, como lento também se faz a ação dos rins e até a respiração se desacelera. É como se estando o motor a trabalhar na lenta, o motorista pudesse descer e dar um pequeno passeio pelo bosque à beira da estrada para depois voltar a pilotar.

Sonhar é necessário e é bom. Como sabemos muito pouco de nossa vida fora do corpo, pouco também se sabe destes instantes em que nossa alma sai a passear.

A medicina psiquiátrica define os sonhos como uma necessidade psicológica, uma espécie de descarga, quebra da tenção, diversão, no que esta última palavra tem como um de seus conceitos: mudança de versão, de direção, desvio. Não há reparo a fazer na informação da psiquiatria. Mas, não é só descarga, quebra de tensão e diversão. Como isso ainda não se estuda nas faculdades que formam os médicos, eles não se acham autorizados a falar sobre isso como médicos. Um dia falarão.

Vamos adentrar o mundo dos sonhos para entendê-los melhor?

As questões 402 e seguintes do Livro dos Espíritos

402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

— Pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros espíritos, seja deste mundo, seja de outro.

Frequentemente dizes: “Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança”. Enganas-te. E quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro.

Pobres homens, que conheceis tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditais ser muito sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam. A esta pergunta de todas as crianças: “O que é que fazemos quando dormimos; o que são os sonhos?”, ficais sem resposta.

O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado próximo do que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.

Isto para os Espíritos elevados; pois a massa dos homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, seja à procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professavam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração àqueles com quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica também as antipatias invencíveis é que sentimos, no fundo do coração, que essas pessoas têm uma consciência diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. E ainda o que explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos, quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi mais do que pensais, sobre a nossa vida.

Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre vós. Deus quis que durante o seu contato com o vício pudessem eles retemperar-se na fonte do bem, para não falirem, eles que vinham instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande livramento, a libertação final que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizeste ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos, para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

De resto, vereis dentro em pouco desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão antiga como a que conheceis, mas que ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns indivíduos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida de que há pouco eu vos falava.

Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que vos lembrardes; sem isso, cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos para a vossa fé.

Comentário de Kardec: Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos entremeadas de coisas do mundo atual formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo.

A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes sendo reunidos, perderiam toda significação racionai.

403. Por que não nos recordamos sempre dos sonhos?

— Nisso que chamais sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

404. Que pensar da significação atribuída aos sonhos?

— Os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores da sorte, pelo que é absurdo admitir que sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes, ainda, como já dissemos, são uma recordação. Podem ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhes está acontecendo? O que são essas aparições senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento durante a vigília?

405. Frequentemente se veem em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vêm elas?

— Podem cumprir-se para o Espírito, se não se cumprem para o corpo. Quer dizer que o Espírito vê aquilo que deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria e por conseguinte não se afasta jamais completamente das ideias terrenas. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, liga-se a ela tudo o que se vê.

406. Quando vemos em sonho pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que absolutamente não pensam, não é isso um efeito de pura imaginação?

— Em que absolutamente não pensam? Como o sabes? Seus Espíritos podem vir visitar o teu, como o teu pode visitar os deles, e nem sempre sabes o que pensam. Além disso, frequentemente aplicais, a pessoas que conheceis, e segundo os vossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.

407. É necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito?

— Não. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.

Comentário de Kardec: É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sonho.

408. Parece-nos, às vezes, ouvir em nosso íntimo palavras pronunciadas distintamente e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa. De onde vêm elas?

— Sim, e até mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a se entorpecer. É, às vezes, o fraco eco de um Espírito que deseja comunicar-se contigo.

409. Muitas vezes, num estado que ainda não é o cochilo, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais apanhamos os pormenores mais minuciosos. É um efeito de visão ou de imaginação?

— Entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar a sua cadeia: ele se transporta e vê, e se o sono fosse completo, isso seria um sonho.

410. Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, ideias que parecem muito boas e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. De onde vêm essas ideias?

— São o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos.

410 – a) De que servem essas ideias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los?

— Essas ideias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais frequente é que, se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a ideia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.

411. O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte?

— Muitas vezes a pressente, e às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas preveem, às vezes, a própria morte com grande exatidão.

412. A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatigar a este?

— Sim, porque o Espírito está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Ora, da mesma maneira que as sacudidas do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga.

Os pesadelos

Os pesadelos pertencem à mesma categoria dos sonhos, porém num nível inferior. Eles são mais frequentes em crianças de 3 a 10 anos. É entre elas que eles ocorrem entre 10 e 50% das ocorrências.

O que são os pesadelos? São sonhos assustadores que geralmente interrompem o sono, como também ocorre com muitos sonhos; por isso nos lembramos deles, pois do contrário o sonhador não teria a menor nação de que havia sonhado. Dormimos e perdemos a consciência do que se passa conosco.

Em situação de pesadelo somos levados a um despertar súbito, acompanhado de um medo intenso, de uma ansiedade desesperadora e de sentimentos de perigo iminente.

Podem acontecer com adultos, mais raramente, mas ocorrem. Imediatamente após o despertar persiste a lembrança do sonho assustador, sucedido de um estado de alerta completo, com pouca confusão e desorientação.

Resta ao sonhador a constatação de que tudo não passou de um sonho, melhor dizendo, de um pesadelo. Os batimentos cardíacos irão lentamente desacelerar-se, mas o sono parece que vai demorar.

Vêm à lembrança tudo quanto se passou. O episódio acontece geralmente durante a segunda metade do período de sono e o sonho é em geral longo e o medo, crescente. Está ligado à fase REM (sigla técnica que define o intenso movimento dos olhos enquanto dormimos) do sono e pode ser desencadeado por drogas como as utilizadas em tratamento para Parkinson e alguns anti-hipertensivos, sendo que grandes doses de α-dopamina desencadeia sonhos vivos, pesadelos e até processos psicóticos.

Sonhos e desordens psicológicas

Na depressão, a fase REM é precoce com aumento da proporção de REM na primeira metade da noite e maior intensidade de MOR – Movimentos Oculares Rápidos, o outro nome aportuguesado para REM. Os sonhos são curtos, direcionados ao passado, masoquistas, com temas repetitivos e sem progressão. Alguns pacientes no pico da depressão incorporam ao sonho a causa da mesma. O sonho no depressivo não apresenta redução da afetividade, mas aumento da negatividade dos sentimentos. Essas questões têm levantado a hipótese de que os antidepressivos têm efeito positivo no tratamento porque reduzem o REM. Em pessoas na terceira idade que apresentem redução súbita de sonhos deve se investigar depressão. Quando sai da depressão aumenta a quantidade de sonhos, o que pode servir como parâmetro de avaliação do tratamento.  

O sonho e o espiritismo

Ampliando um pouquinho a doutrina de Kardec sobre os sonhos, podemos falar mais a partir das descobertas que a Psicologia pode explicar. No sono, somente o corpo repousa e o espírito usufrui maior liberdade e amplitude de suas faculdades, lançando-se pelo espaço e entrando em relação mais direta com os outros Espíritos.

Os sonhos são o resultado da liberdade do Espírito durante o sono, podendo ser: 

• Composto de desejos, visões e sentimentos que se formam de maneira independente dos objetos exteriores, pois os sentidos exteriores estão inativos.

• As imagens em que nos comprazemos nos sonhos agradáveis, onde retiramos da memória a essência de nossos próprios desejos, contemplando as situações que desejamos concretizar. Para isso, o espírito mobiliza recursos do núcleo da visão superior, no diencéfalo.

• Influência dos desencarnados que nos atraem para quadros que retiram de nós mesmos, de acordo com os seus interesses em nos influenciar.

 • Resultado de nossos excessos, consequência da agressão às vísceras, do remorso, etc., cujos reflexos absorvemos das lembranças.

 • A recordação dos lugares e pessoas que o Espírito visitou ou viu neste estado, onde se sucedem imagens e quadros, ouvimos vozes e conversamos com outras pessoas encarnadas ou não, das quais podemos receber avisos e orientações; o Espírito se desloca, assiste a muitas cenas, coerentes ou não, sem a intervenção dos sentidos materiais. Em certos casos, a visão psíquica durante o sono caracteriza-se por nitidez e exatidão idênticas às da percepção física, durante a vigília.

 • Contatos preliminares ao trabalho mediúnico, iniciado no mundo espiritual.  De modo geral os sonhos são verdadeiros desdobramentos, trazendo informações valiosas que são utilizadas nas reuniões mediúnicas.   

A importância do sonho

Assim como o sono, o sonho é uma preparação para a morte. Os Espíritos que tiveram sonos inteligentes e, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores, com quem viajam, conversam, trabalham e se instruem, ao desencarnarem logo se desligam da matéria. Estes são os Espíritos elevados. A maioria dos homens que, ao morrerem passam por um período de perturbação, durante o sono vão ou a mundos inferiores ao da Terra ou em busca de gozos de baixo valor. Julga-se a liberdade do Espírito pelos sonhos.

Recordação e incoerência dos sonhos 

Como já lemos nas questões reproduzidas do Livro dos Espíritos, algumas vezes, ao despertar, o Espírito conserva lembranças das atividades realizadas nestes momentos, imagens mais ou menos precisas, que constituem o sonho e que muitas vezes nos parece incoerente pela fragmentação das recordações porque:

• Como nossa alma não se desenvolveu totalmente, as lembranças confusas ou absurdas geralmente decorrem da perturbação que acompanha nossa partida ou retorno, misturando-se com as outras lembranças.

• Como a matéria que o compõe é pesada e grosseira, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.

• Muitas vezes fica apenas a lembrança da perturbação que o Espírito experimenta a sua partida ou ao sem regresso. A incoerência do sono se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos.

• Nossa capacidade sensorial é reduzida. O espírito guarda a lembrança integral, mas o corpo físico não.  A lembrança das informações no cérebro físico depende da evolução de cada um.

• O homem desperto recorda de haver sonhado, mas essas lembranças são vagas ou confusas em razão das impressões que se precipitam subitamente sobre o espírito através dos sentidos, quando ele acorda.

• Pode decorrer da ação de espíritos perturbadores, interessados em nos atormentar.

Emancipação do espírito 

Não é necessário que ocorra o sono completo para que o Espírito se emancipe, como já vimos. Basta o torpor dos sentidos, a prostração, para que ele recobre sua liberdade e se desprenda com uma liberdade proporcional à fraqueza do corpo. Isto explica a visão de imagens idênticas às que vemos em sonho, quando estamos apenas sonolentos. O Espírito semiliberto vê e ouve e é nesta fase inicial de sonolência que ouvimos frases que são, quase sempre, o eco do que diz um Espírito que quer se comunicar conosco. Este afastamento ou desprendimento pode ocorrer, em graus diversos, durante a vigília. Nestes casos se observam mudanças nas atividades: alheamento das coisas terrenas, apesar de continuar o corpo a se movimentar, embora o olhar se mantenha vago. Semelhante ao sonambulismo, ele vê coisas distantes, tem percepções diferentes, pode prever o futuro e ver os Espíritos, com os quais pode conversar. Ao voltar ao estado normal, geralmente de nada se recorda e no máximo, lhe resta vaga lembrança.

 “O Desprendimento no sono vulgar é fragmentário, com visão e audição restritas. Para lembrarmos as conversas temos que ter adquirido profunda lucidez no campo da existência física. A mente encarnada não está ouvindo ou vendo por processo comum, mas percebe claramente a criação mental porque está me relação magnética com o desencarnado. 

Lucidez espiritual durante os sonhos 

A lucidez espiritual durante o sonho é proporcional ao nosso estado evolutivo. O que vemos e vivemos neste momento depende da nossa capacidade de percepção do ambiente. Muitas vezes saímos confusos e inconscientes, mas por ação dos espíritos temos a nossa capacidade de compreensão melhorada.   

TIPOS DE SONHOS 

Os sonhos não representam exclusivamente nossas atividades espirituais, podendo ter diferentes causas: 

• Imagens fantásticas criadas pela imaginação, semelhantes às criações fluídicas do pensamento (manipulação consciente ou não, das energias), relacionadas sempre com as disposições morais do Espírito que as gera. Isto explicaria as imagens fantásticas, mas que para o Espírito apresentam-se reais e cuja visualização pode provocar um choque no corpo físico. Essas criações podem ser provocadas: o Pela exaltação das crenças; o Por lembranças retrospectivas; o Por gostos, desejos, paixões, temor ou remorsos; o Pelas preocupações habituais; o Pelas necessidades do corpo; o Por alterações nas funções orgânicas e o Por outros Espíritos cujo objetivo depende de sua natureza benévola ou maléfica.

• Proféticos - de previsões, pressentimentos e avisos, onde visualizamos desde fatos materiais e reais, como enfermidades ou acontecimentos em outra localidade, como também a percepção de coisas reais do mundo espiritual, como a presença de Espíritos. São semelhantes à clarividência, com previsão do futuro e do passado.

• Pesadelos por encontro com adversários: um obsessor pode utilizar os interesses do obsidiado para estimular ideias prejudiciais junto ao objeto de seu interesse

Há 3 tipos de sonhos: fisiológicos, psicológicos e espirituais. 

Fisiológico: é aquele que dramatiza algo que acontece com nosso corpo. Se está frio e nos descobrimos, sono pesado, sem despertar poderemos nos ver num campo de neve, tiritando. Pessoas com incontinência urinária sonham que estão satisfazendo essa necessidade fisiológica, enquanto molham a cama. 

Psicológico: é aquele que exprime nossos estados íntimos. Nos velhos tempos, em que não havia os recursos da informática, eu (Richard Simonetti) passava dias e dias procurando diferenças nas fichas gráficas de contas correntes, no Banco do Brasil, onde trabalhava. Á noite, sempre me via, durante o sono, na agência, repetindo intermináveis verificações. Era a dramatização de meu envolvimento com aquele problema.

Espiritual: é a lembrança de uma atividade desenvolvida pelo Espírito no mundo espiritual durante o sono. Kardec denomina essa situação como “emancipação da alma”.

Como podemos distinguir o sonho? Os sonhos de caráter fisiológico ou psicológico são fugidos, mal delineados. Os sonhos espirituais são mais nítidos, mais claros. Guardamos melhor. E um detalhe: geralmente são coloridos, o que não costuma ocorrer com as demais formas, que se apresentam em preto e branco.

E os sonhos repetitivos? Sonhos repetitivos chamam-se “recorrentes”. Geralmente envolvem uma experiência dramática, em passado próximo, na vida atual ou remoto, em vidas anteriores. Esses registros, sepultados no inconscientes, podem aflorar na forma de sonhos, principalmente quando passamos por alguma tensão ou preocupação exacerbada.

Às vezes, nada lembramos dessa vivência espiritual, porque, durante ela, o cérebro físico não foi utilizado e depois, no retorno ao corpo, a matéria deste, pesada e grosseira, também não permitiu o registro das impressões trazidas pelo espírito.
Outras vezes lembramos apenas a impressão do que nosso espírito experimentou à saída ou no retorno ao corpo. Se essas lembranças se misturarem aos problemas fisiopsíquicos, tornam-se confusas, incoerentes.
Quando necessário, os bons espíritos atuam de modo especial sobre nós para que, ao acordar, lembremos algo de maior importância tratado ao mundo espiritual. Mesmo que não lembremos tudo perfeitamente, do que nos sugere ideias, ações. Os espíritos maus também podem fazer o mesmo se, pelo nosso modo de viver, tivermos concedido a eles essa ascendência sobre nós.

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