sábado, 13 de fevereiro de 2016

1833-O Brasil não era para dar certo


E tem tudo para dar certo...

Introdução

Eu gosto muito de escrever sobre o Brasil. Esta já é a terceira série que escrevo sobre nossa Pátria aqui no blog. Eu não sou apenas patriota que, como você sabe, é aquele que se orgulha, se ufana, defende e respeita sua pátria. Eu vou além. Eu amo o Brasil e o estudo profundamente procurando entendê-lo como nação, povo, destinação histórica, perspectivas de futuro, claro, incluindo-me como pessoa, marido, pai, avô, bisavô...

Já publiquei aqui a série “O Brasil e as profecias”, numeradas a partir de 1604, arquivadas aqui no blog e disponíveis para sua leitura que, aliás, seria importante ler antes de fazer o mesmo com esta postagem.

Naquela postagem você fica sabendo que Colombo e Cabral foram induzidos mediunicamente a se dirigirem para cá e vai se deliciar com uma série de outras informações sobre nosso país. Nesta você verá que tínhamos tudo e mais um pouco para dar errado. É sério.

Chame aí qualquer empresário, qualquer contador, qualquer consultor de empresas ou administrador e passe-lhe as informações que forneceremos e peça a qualquer deles que emita um parecer: tinha como dar certo? Eles dirão: não.

As bases mentais do Brasil

Sem demérito algum aos portugueses e aos espanhóis, a realidade nos mostra que estas duas nações europeias são as mais atrasadas daquele continente. Até a Grécia parece ganhar dos ibéricos. Ficaram fora do Iluminismo que sacudiu a mentalidade europeia nos séculos XVIII e XIX. Suas profundas ligações com o Vaticano desde o século XVI deram-lhes a condição de serem tomados como países governados por “reis católicos” enquanto todos os demais países daquele continente ou estavam no sistema republicano laico ou seus monarcas haviam se desligado do Vaticano por conta da Reforma Protestante.

Sem a interferência do Vaticano, as demais nações progrediram, abriram seus mercados, incentivaram suas universidades e se tornaram potências econômicas e tecnológicas, enquanto Portugal e Espanha acanhadamente pensavam que ser rico era coisa feia diante de Deus. Só pensavam, pois que a sua prática predatória nas colônias dizia o contrário. Hipocrisia pura, pois a própria igreja era rica e acumulava fortuna. E a cultura perpassou a mentalidade, o trem do progresso passou e a mentalidade ibérica travou o empreendedorismo. Suas universidades formavam bacharéis.

Só para comparar: ainda no século XIX os Estados Unidos já eram uma alvissareira realidade industrial; o Brasil só foi pensar seriamente no seu processo industrial em 1950.

As bases humanas do Brasil

Nenhum português veio para o Brasil com o espírito de empreender e ficar aqui, como aconteceu lá nos Estados Unidos. A portuguesada queria explorar minas, madeira e outras riquezas e retornar para as “santas terrinhas” como milionários e ainda assim discriminados lá, pois eram, lá, chamados jocosamente de “brasileiros”.

Trouxeram para cá prisioneiros indultados que aceitassem o trabalho semiescravo. Muitos deles se tornaram capitães do mato, aqui, como eram chamados os jagunços que vigiavam e perseguiam escravos. Bem, já estamos falando da escravidão. Neste país, de cada três habitantes, dois eram escravos. De cada dez, só um sabia ler e escrever. Também entre os ricos havia analfabetos, principalmente entre as mulheres.

O que mais prosperou aqui foi a classe burocrática responsável por controlar, autorizar, fiscalizar, proibir, facilitar, dificultar, corromper dentro de um sistema cartorial de serviços oficiais. Éramos uma nação de advogados. As únicas faculdades em pleno vapor eram as do Direito e as que formavam padres, pois quem conhecesse o emaranhado legal (ainda hoje em vigor) estava feito e quem estivesse à sobra da igreja, de bem com o padre, podia ir além da ética. Enquanto isso, as demais profissões que impulsionam o desenvolvimento foram ficando para o futuro.

Bem, mas, você diria: a partir de 1824 começaram a chegar os imigrantes de língua alemã e posteriormente os de língua italiana e outros de muitas outras etnias provindos de países alcançados pelo Iluminismo europeu. Sim, vieram. Vieram as sobras humanas daquele continente, os miseráveis que morreriam de fome sem-terra, sem emprego, sem profissão, expulsos do sistema econômico que sucedeu o feudalismo, trabalhadores, é verdade, porém acostumados a estarem sob as ordens dos senhores feudais e nem todos empreendedores. Levaram quase um século para vencer os seus velhos e próprios vícios, abandonados pelo Império Brasileiro. Mesmo assim foram decisivos. As potências paulista, mineira e catarinense, o norte gaúcho, quase todo o Paraná, o extraordinário desenvolvimento do agronegócio já em outros estados, tudo isso corre por conta do esforço imigrante que se fez migrante. Esse povo, porém, ficou 150 anos abandonado pelo poder público, sem escola pública, sem hospital público, sem estrada pública, até mesmo sem os serviços da polícia e da justiça. 

As bases institucionais

O latifúndio agrícola, as mineradoras, os engenhos, uma agricultura extensiva e improdutiva, tudo isso na posse dos escravagistas, os mesmos que elegiam, punham e tiravam os membros do parlamento imperial e depois também do parlamento republicano e os mesmos que davam provimento aos cargos do executivo e do judiciário. Foi algo muito pior que as castas indianas, um modelo de onde nós herdamos a brutal e absurda cultura que paga R$ 1.500 para o professor e para o enfermeiro e paga R$ 30 mil reais para o promotor, o juiz e o médico.

Ficamos cerca de 450 anos alimentando a ideia da casa grande e da senzala, da aristocracia e da ralé, do asfalto e da favela. Tudo o que a aristocracia consumia era comprado na Europa e nos Estados Unidos por muitas décadas.

Éramos um país de burocratas, padres, milicos, advogados e estancieiros. De certa forma ainda somos. Diminui um pouco a influência dos padres e aumenta a dos pastores.

Experimentamos alguns anos de expansão dos negócios com o concurso de profissionais técnicos a serviço da iniciativa e já está de volta a velha mania dos concursos públicos atarracando os gabinetes e garantindo bons salários por conta da maior carga tributária do planeta.

Fomos entrar modestamente na era industrial com Getúlio Vargas em 1930, quase dois séculos depois que a Europa fez isso. Pobre não votava, mulher não votava; negro não tinha direito algum. Fizemos a abolição da escravatura e mandamos para a rua da amargura os escravos sem direito algum.

Quando as elites começaram a politizar-se coincidiu que o marxismo influenciava os pensadores desejosos de quebrar a espinha dorsal do capitalismo, único sistema conhecido e perverso. Ensaiava-se a formação e fundação de partidos esquerdistas. Uma elite brasileira, letrada, boêmia, rica, formou a base dos movimentos de esquerda. E foi isso que levou Jânio Quadros e João Goulart ao poder logo nos primeiros passos de nossa capenga democracia. Não deu outra, caímos na reação das classes conservadoras: a igreja e as forças armadas, representantes da velha cultura e desejosos de evitar o comunismo, nos deram 20 anos de ditadura.

Por sua vez, o comunismo, que já não havia dado certo em lugar nenhum, ainda alimentava, no Brasil e na América Latina, o sonho ingênuo de uma igualdade de renda. Precisávamos experimentar isso. E experimentamos, como se vê com muita clareza.

E agora, Brasil

Agora, já vimos que o Império, apesar de manter íntegro o nosso território, enquanto os hispânicos se fragmentaram, não foi uma boa. Não foi uma boa o sistema dos “coronéis” rurais e urbanos, cujo último e maior ícone foi o baiano Toninho Malvadeza. Não foi uma boa os regimes ditatoriais civis (Vargas) e militares. Não foi uma boa eleger “salvadores da pátria” como foram Jânio e Collor. Não foi uma boa o regime comunista do PT. E agora, Brasil, o que virá depois da Dilma?

Estas experiências foram suficientes para fazer-nos crescer mentalmente como os únicos capazes de mudar o Brasil?

Olha, Brasil, somos um povo religioso que tem no Cristo Redentor sobre o Corcovado o nosso símbolo maior; olha, Brasil, não é só o Cristo, tem Aparecida, tem o Círio de Nazaré, tem o padim Cícero; tem o trabalho do Chico Xavier, tem muitas outras manifestações religiosas que poderiam qualificar-nos como um povo espiritualizado. Somos isso?

Não basta, porém, ser espiritualizado e votar numa besta quadrada interessada em resolver o seu problema pessoal, que conhecemos como profissionais da política, gangues de poder. Por falta de informações, votamos por simpatia ou empatia e acabamos levando o carimbo de que os nossos representantes são o espelho fiel daquilo que somos.

O nosso congresso não nos representa. O eleitor vota mal porque o sistema eleitoral é falho. O sistema permite a um vereador investir 500 mil reais na sua eleição sabendo-se que durante os 48 meses de seu mandato ele não receberá 500 mil reais para ressarcir-se. Logo! O eleitor não tem esta informação nem mesmo quanto ao vereador que está mais perto. E o que é pior: são 40 candidatos para cada vaga, o que vale dizer que existem muitos outros gastando muito dinheiro e não alcançando a eleição. Essa gente rasga dinheiro? Claro que não. Passada a eleição, o partido, a coligação vencedora chama os seus não eleitos para ocupar os cargos e obter ressarcimento.

O sistema está falho e nós vamos engolindo tudo com farinha, com cerveja, achando que somos cidadãos cumpridores do dever cívico de título na mão no dia da votação. Ora, pois.

Deu certo?

Ainda não deu. Poderia ser pior. A crise está na informação. Falta informação. A informação é viciada. A manipulação da informação atinge até mesmo as pessoas com boa escolaridade.

Ficamos olhando para as páginas das revistas, dos jornais, das tevês e até mesmo dos livros opiniáticos achando que quem escreve ali é o dono da verdade. Existem muitas verdades, umas meias verdades outras furadas, mas o jogo de interesse é muito grande de parte a parte. E o cidadão mediano cai nas armadilhas daqueles que só pensam no poder. Nenhum deles tem um projeto de Nação.

O voto, antigamente, de cabresto, era tomado sob a pressão do empregador, do senhor da terra, do manipulador dos pobres dos chamados currais eleitorais. O voto hoje é tomado mediante a intimidação do eleitor pobre ameaçando-o de perder benefícios caso o candidato x não seja eleito, reeleito. O agente de pressão pertence à militância dos partidos. O Estado foi aparelhado para servir a interesses de quem está no poder. Os demais eleitores votam iludidos pelo brilho das produções televisivas.

Estamos numa democracia e não fazemos a democracia acontecer. Ir às urnas no dia da eleição não é democrático, é o exercício do voto. Antes do voto vem a escolha dos candidatos, vem a divulgação de programas, vem a ficha pessoal dos candidatos, vem o número de vezes que o candidato está repetindo o mesmo cargo, vem o volume de dinheiro aplicado pelo candidato em prol de sua eleição.

E agora, Brasil?    

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