sábado, 26 de março de 2016

1839-O Brasil ainda é o mesmo




Ou as minorias que governaram o Brasil

Ensaio com visão espiritual

Minha profissão sugere-me estar antenado para o que seja notícia. E o que é, mesmo, a notícia? Na cátedra da profissão, notícia é aquilo que possa acrescentar informação a quem busque por ela. No modismo midiático desses últimos tempos, é o sensacionalismo, o escândalo, o diferente, quase só, uma espécie de show destinado a vender o conteúdo. Afinal tem alguém patrocinando.

A maior constatação que faço nos meus mais de 50 anos de antena, sobre minha Pátria, é que nunca tivemos governos de maiorias reais. Os nossos governantes valeram-se de episódios, conjunturas, comoções ou artifícios para chegar ao poder.

Nasci em pleno regime Vargas e desde cedo aprendi que o baixinho de São Borja quebrou a espinha dorsal de uma república (chamada velha 1889-1930) em que os barões rurais do café (SP) e do leite (MG) se revezavam no poder enchendo as urnas com votos de cabresto. Eles eram “coronéis” que detinham poder sobre os chamados currais eleitorais. A maioria não votava e o coronelato manipulava a minoria votante e outorgava os mandatos. Eram chamados de coronéis numa alusão ao que, no tempo do império, significava comprar um título honorífico das forças armadas e comprometer-se com a normalidade da vida pública numa determinada área de interesse mediante a disponibilidade de uma milícia armada organizada com recursos próprios. O império acabou, mas os “donos” da política local permaneceram e sobrevivem até hoje com o nome de oligarquia.

Vargas mudou isso em parte trazendo o voto universal (as mulheres e os maiores de 18 anos, alfabetizados, ganharam o direito de votar) e estabeleceu uma política de governadores: cada Estado tinha no seu governador o grande eleitor, ainda que as eleições nem sempre fossem gerais, mas, de qualquer forma, os senadores e os deputados federais (situacionistas) eram controlados pelo governador de cada Estado. Assim nasceram as oligarquias estaduais sucessoras do coronelato. As oposições nem sempre se uniam, embora unidas pudessem, quem sabe, fazer a maioria.

Acabada a II Grande Guerra o mundo foi contaminado pelo vírus da democracia com nome de liberalismo; onde a democracia não vingou, em princípio, estavam os governos comunistas ou fundamentalistas. A Guerra Fria com o Muro de Berlim e tudo mais teve origem aí.

Aqui no Brasil, após a queda da ditadura de Vargas, e Vargas caiu porque a moda era a democracia. E veio Eurico Dutra, candidato de Vargas e imediatamente outra vez Vargas eleito pelo voto; seu suicídio, uma crise institucional e a eleição de Juscelino Kubitschek, candidato do partido de Vargas, cuja posse marcou outra crise. Sucedido por Jânio Quadros, com renúncia e com crise.

Fechava às costas de Jânio e de seu vice João Goulart, um pequeno período de 18 anos de democracia. Relativa democracia. Mesmo assim, para JK assumir houve necessidade de uma quase guerra civil. Para João Goulart assumir houve necessidade de uma quase guerra civil. Setores reacionários (atenção para o termo – e os reacionários são sempre minorias ativistas estruturadas) desejavam impedir suas posses. O que seriam os reacionários desse tempo? Setores que percebiam escapar de seu controle o poder, diga-se a perda de direitos ou privilégios (“favores do rei”). Tudo por conta de uma herança lusa e monárquica que dá tetas ao poder e as entrega aos mais espertos para mamar enquanto os excluídos (menos espertos) denunciam e protestam.

Em 1960, a vitória de Jânio Quadros (sem maioria congressual) e em virtude de suas manobras iniciais que assustaram os reacionários conservadores vivemos dias angustiosos. JQ desejou dar um golpe e voltar ao poder como ditador, mas foi traído e preso logo que sua carta renúncia foi lida no Congresso.

Seu vice, Jango (eleito em chapa independente e sem maioria também), era um socialista herdeiro de Vargas e os reacionários conservadores não desejavam sua posse. Foi preciso uma quase guerra civil para garantir Jango na presidência, porém com parlamentarismo (o presidente não manda, é o congresso que elege aquele que manda: o primeiro-ministro).

Jango meche-se, articula-se e lança um plebiscito em que os brasileiros podiam escolher entre monarquia, parlamentarismo e presidencialismo. Ganhou Jango com a metade dos votos (não maioria) e a situação se agravava com o crescimento de uma onda de desobediência civil através dos partidos de esquerda e do sindicalismo, agora para tentar consolidar um governo de esquerda, porém sem maioria parlamentar, com a quebra do modelo institucional. Caminhávamos para a ditadura de esquerda. Acentua-se um período de intolerância política de parte a parte e a baderna se torna, com frequência, manchetes dos principais jornais. Não era a maioria dos brasileiros. Apenas a facção que detinha o controle da máquina de pressão política.

Vimos nesse episódio o quanto uma maioria silenciosa se faz refém de minorias ativistas.

Os militares (oficiais) afrontados dentro e fora dos quartéis por facções de subordinados seus, e não só por isso, resolvem dar um basta e põem os tanques na rua, com apoio popular de uma boa parcela de brasileiros. Não era, possivelmente, a maioria, mas era uma sociedade incomodada com os acontecimentos, que se mobilizava, saía da sombra.

Instala-se o período da ditadura militar usando mão de ferro contra aquela minoria pró-Cuba, pró-Rússia, na certeza de que 80% dos brasileiros também não eram (e não são) simpáticos ao comunismo.

As militâncias de esquerda (formadas em escolas do exterior) com a participação de líderes sindicais articulam-se e conseguem apoio da Igreja para catequizar populares na periferia das fábricas, das fazendas, nas favelas, entre os universitários. Nasciam assim as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, (bases da Igreja) trocando em miúdos para o povo o que era o poder e a serviço de quem estava o poder como instrução a quem não teve oportunidade de politizar-se por outro meio. Daí nasceram o MST, a CUT e o PT. Muito radicais, tiveram alguma dificuldade no início, mas formaram suas bases e partiram para a invasão de terras e para as greves. Foi o momento em que a Igreja, assustada, se retirou do sistema.

Quando Lula apareceu para o sindicalismo urbano e o PT era nada, foi esse sindicalista que acenou para a hipótese de as esquerdas aglutinarem-se tendo o PT como espécie de federação dos demais partidos e facções, e assim, de eleição em eleição, o Lulismo foi assumindo prefeituras, estados e chegou ao poder central.

Muitos brasileiros decepcionados com o “coronelismo” ainda presente na política nacional (exemplo: Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Barbalho, Bornhausen, etc.), dirigiram simpatias ao Lulismo que, de fato, venceu com o apoio de milhões de eleitores não partidários. Iniciou um primeiro governo com bastante equilíbrio. Mas, o PMDB (que não é a maioria e nem comunista) iria dar sustentação ao esquema de Lula para voos mais ousados. Uma onda de corrupção se instala principalmente no Congresso com o fim de legitimar, isto é, comprar apoios para as manobras da minoria comunista.

É quando começa a coalisão com os bolivarianos sul-americanos e uma forte guinada do governo para a extrema esquerda. Foi a reação (de uma minoria) comunista no seio de uma sociedade não comunista, nem politizada. O interesse pessoal, que já mandava na política do País, tornou-se regra.

Possivelmente 60% do eleitorado brasileiro não decodifica o que seja liberalismo, conservadorismo, socialismo, populismo, comunismo. Vota por simpatia na esperança de benefícios e muitos deles apenas por interesse. Mas, também se vota por impulso.

Depois de muitos anos de uma relativa calmaria – refiro-me agora ao que chamo de reacionários – desde de junho de 2013 a sociedade começa dar sinais de fadiga e as reações estão de volta. Elas se acentuam dos dois lados. Religiosos, militares, empresários, agricultores, magistrados, donas de casa, estudantes, trabalhadores, aposentados inscrevem-se na imensa lista dos descontentes: 83% desaprova o governo que temos.

E o que se vê neste segundo turno da eleição presidencial não é aquela maioria cristalina, indiscutível: o Brasil ensaiava dividir-se politicamente naquele domingo (26/10), tendo nos porões desta campanha reacionários de direita e reacionários de esquerda. Se, por conta disso, o pau comer em alguns redutos mais exaltados, não nos escandalizemos.

Olhemos para as redes sociais e percebamos as reações. Claramente, entre quem reage podem estar muitos ingênuos, servindo de veículo para posições extremas que não conhecem e não avaliam.

Os brasileiros se omitiram de participar mais da vida política, assinaram procurações em branco e hoje estão encurralados sem saber onde está, mesmo, a melhor escolha.

O que se percebe é que os brasileiros claramente se dividem não entre um homem e uma mulher, não entre um bonitinho e uma dentucinha, não propriamente entre este ou aquele programa de governo.

A nação se divide uma parte clamando decência, outra parte clamando a manutenção de um governo que passou dos limites da indecência, entre uma sociedade que majoritariamente é honesta, trabalha, respeita, contribui e sente-se vítima de políticos espertos.

A nação se divide perplexa entre filas nos metrôs, nas estações de ônibus, nos postos de saúde, nos engarrafamentos urbanos, na porta das creches, no sucateamento dos serviços públicos, nas greves das escolas e da saúde, na deterioração da universidade, dos transportes públicos, nos milhões de afilhados políticos encastelados nos cargos com alta remuneração.

A nação se divide perplexa com a cara de pau da maioria dos políticos.

A nação se divide entre honradez e corrupção, embora esteja muito difícil achar um político efetivamente honrado.

A nação se divide entre o Estado de Direito e o autoritarismo que ainda alimenta imensos setores da vida nacional, atingindo, inclusive, a mais alta corte judicial.

A nação de divide entre servir e apropriar-se do poder.

A nação se divide entre democracia (desejável) e aparelhamento do Estado.

Isso mesmo, parece que teremos um plebiscito, cujo resultado é uma incógnita.

As pesquisas de intensão de voto há muito estão furadas.

O que assusta quem viveu todos esses Brasis já relatados são as reações.

Não estamos num Estado de Direito. Não confiamos nos tribunais jurídicos ou de contas. Até os correios que eram a instituição mais séria já perderam essa credibilidade. Nem na urna eletrônica se pode confiar cegamente.

Se os brasileiros que votam souberem entender a diferença que há entre uma e outra opção, as urnas falarão a verdade.

Caso contrário, ao invés de democracia teremos um primitivismo ainda mais retrógrado que a República derrubada por Vargas em 1930.

E agora, para fechar, a visão espiritualista. Somos um povo diferenciado, cristão, solidário, marcado pelos insucessos governamentais que perduram desde o império. Sabemos fazer tudo direitinho numa enorme diversidade de setores, mas somos um fracasso dentro da urna. Nesses últimos 60 anos elegemos Jânio, Jango, Collor, Lula, Dilma, recebemos por imposição meia-dúzia de generais presidentes e estamos caminhando de uma a outra crise, de um a outro escândalo sem garantir para o país um período estável de desenvolvimento. O fundo do poço? Quem sabe. O sofrimento depura. Apesar do título “o Brasil ainda é o mesmo”, agora chegou a sonhar que não é não, não é o mesmo do voto a cabresto.

É só esperar para ver.

sábado, 19 de março de 2016

1838-Sondando o Universo




Extraterrestres existem ou não?

Introdução

O tema é polêmico para não dizer explosivo, tanto quanto falar de política, ideologia, futebol ou religião. De certa forma, é um tema religioso, no mínimo, de fé.

Para muitos homens e muitas mulheres o único planeta habitado é o nosso, a Terra. Estão convencidos de que tudo mais está aí dependurado no espaço não se sabe para que. Com o maior respeito que se deve ter pelas opiniões diferentes da nossa, seria o mesmo que construir o estádio do Maracanã para instalar ali na marca central do gramado um tabuleiro de xadrez para duas pessoas jogarem com o estádio completamente vazio.

Para uns tantos outros, a ida à Lua foi uma bem orquestrada montagem dos Estados Unidos no deserto de Colorado para impressionar o mundo e ganhar notoriedade científica em plena guerra fria.

Não precisamos ser radicais. Há tanta explicação para tantos milagres que conhecemos. A travessia do Mar Morto se deu numa daquelas marés baixíssimas que só acontecem a cada onze anos e disso Moisés tinha conhecimento. O milagre de obter água tocando o solo com uma varinha (também proporcionado por Moisés), é uma técnica milenar conhecida dos povos para detectar onde tem água subsolar para então cavar o poço. E quanta coisa mais...

Assim, nós precisamos descer das tamancas e admitir que as narrativas bíblicas foram produzidas por homens; que os episódios bíblicos foram proporcionados por homens; que o que está escrito lá e aqui, agora, em nenhuma hipótese, afasta a mão de Deus; não contesta as leis de Deus.

Enquanto Copérnico (protestante) prosseguia estudando o nosso Sistema Solar e demonstrando que o Sol é o centro e os demais planetas giram ao seu redor, como de fato a ciência comprovou sobejamente depois disso, a Igreja de Roma prendeu Galileu e exigiu que ele desmentisse a mesma tese, que também era sua, idêntica à de Copérnico, sob a ameaça de, em não fazendo, ser executado na fogueira.

E nós, estamos mais para Copérnico ou mais para Galileu?

É preciso dizer com todas as letras: MESMO AQUELES QUE NEGAM A DEUS PODERIAM TER PRODUZIDO AS MESMAS COISAS QUE PRODUZIRAM OS CRENTES EM DEUS. Sim ou não?

Esta frase em caixa alta se destina apenas fechar um conceito de que aceitando ou negando a Deus nenhum homem ou mulher se tornarão diabólicos, tanto quanto nenhum filho deixará de ser filho pelo simples fato de negar a seus pais.

Voltando aos extraterrestres: dentro da Bíblia, nos escritos de alguns séculos anteriores a Cristo, já existem citações que sugerem a existência de extraterrestres em plena relação com a Terra. Fica difícil a alguém bater o pé e afirmar: eles não existem!

Os autores bíblicos eram loucos, mentirosos, sonhadores?

Responderão os que defendem as escrituras sagradas: NNNNÃÃÃÃOOOO.

Bem, então baixemos a guarda e acompanhemos as falas que são ditas por escrito, aqui.

Estão ali à disposição de quem queira ler: Gênese 5; 24 e 6;4, Números 13; 32-33, Hebreus 11;5,II Reis 2;2 e 11. E não são todos. Existem muitas citações sobre a vinda de passageiros do espaço chegando aqui, bem como narrando a subida de pessoas aos céus através de carros de fogo. Apenas para encurtar a conversa deixemos só estas indicações de leitura.

O que seriam os carros de fogo, se não discos voadores?

O que seriam os nefilins (palavra suméria) se esta palavra indica “vindos dos céus” e que a tradução latina forçou a barra e os chamou de “gigantes”.

Se há a probabilidade de existirem mais de 8 milhões de planetas iguais ao nosso aí neste cosmos imenso, por que não poderia haver vida inteligente em vários deles?

Quem lê tem a oportunidade de conhecer o “Paradoxo de Fermi”, introduzido pela primeira vez pelo físico Enrico Fermi com a pergunta: “Onde está todo mundo?” Ou, mais especificamente: “Onde estão todos os aliens?”, em que a palavra “aliens” é usada para designar os extraterrestres.

Vamos ao tema?

Temos a chance de examinar o tema a partir de 10 diferentes pontos de vista.

Afinal, quando levamos em consideração o tamanho do universo, o provável número de planetas absolutamente parecidos com a Terra e uma série de outras variáveis, é natural (e bastante lógico) concluirmos que deve haver dezenas de milhares, ou mais, de civilizações extraterrestres na galáxia e além dela. E como a nossa galáxia tem cerca de 10 bilhões de anos de idade, os cientistas concordam que os mundos inteligentes tiveram tempo de sobra para entrar em contato uns com os outros. Então, se os aliens devem existir, estatisticamente, por que não encontramos nenhum deles ainda?

Eis aí os pontos de vista não necessariamente por sua ordem de importância:

1. A Terra é especial

Uma teoria chamada de “A Teoria da Terra Rara” sugere que a cadeia de eventos que criou a vida em nosso planeta foi tão complexa que só uma tempestade biológica perfeita poderia recriá-la em outro lugar. Em outras palavras, o que essa hipótese defende é que embora possa haver planetas iguais à Terra, nenhum deles tem exatamente, tim tim por tim tim, o que é preciso para que a vida inteligente se desenvolva. Ou seja, um dos motivos pelos quais ainda não encontramos aliens é porque eles simplesmente não existem – ou eles são tão poucos que a probabilidade de fazer contato é altamente improvável.



O principal fator que torna a Terra tão hospitaleira para o desenvolvimento da vida como a conhecemos é o seu longo período de condições climáticas relativamente estáveis, o que é possível devido a órbita e posição única do nosso planeta. Se não fosse essa distância exata que estamos do sol e da lua, o planeta seria provavelmente MUITO quente ou MUITO frio, com muito pouco oxigênio e, consequentemente, muito instável para dar suporte para qualquer vida além de bactérias.

O paleontólogo Peter Ward e o astrônomo Donald Brownle foram os primeiros a defender essa teoria. Depois de quase 15 anos desde que a divulgaram, eles continuam confiantes de que as chances de encontrarmos aliens são extremamente baixas.

2. Toda a vida alienígena é atrasada em termos de tecnologia

De acordo com a Teoria do Grande Filtro, proposta em 1996 pelo professor Robin Hanson, a vida alienígena existe sim, mas a vida alienígena inteligente seria incapaz de avançar tecnologicamente o suficiente para estabelecer algum tipo de comunicação espacial de longa distância. Apesar de nossas naves espaciais modernas, satélites e rádios poderem fazer parecer que estamos chegando mais perto desse contato, vamos inevitavelmente chegar a um limite. Já sabemos, e os surtos recentes de ebola estão aí para confirmar, que desastres naturais catastróficos atacam periodicamente a Terra, por isso é possível que esses tipos de eventos também aconteçam em outros mundos, fazendo com que a vida inteligente volte à Idade da Pedra antes que a tecnologia possa se desenvolver até o máximo de seu potencial. Ou, talvez e não menos provável, outros mundos também se aniquilem por meio de uma guerra nuclear.

Seja qual for o filtro, isso parece ser uma má notícia para os seres humanos.

Porque não só provavelmente a gente nunca vai se comunicar com aliens, como, de acordo com essa teoria, a gente vai morrer tentando.
Mas, calma. Nem tudo está perdido. Alguns acreditam que nós seremos as primeiras pessoas a sobreviver ao grande filtro da mãe natureza. Então, eventualmente, seremos os primeiros seres superinteligentes a viajar amplamente pelo espaço e tomar um café com aliens.

3. Os aliens já saíram do universo faz tempo

“Hasta la vista, baby”. Foi isso que os aliens podem ter dito para o nosso universo.

De acordo com Hipótese Transcendental do futurista John Smart, a vida alienígena existiu uma vez em nosso universo, mas tornou-se tão avançada que se mudou para pastos mais verdes. Para ser mais precisa, os aliens se tornaram tão evoluídos que pararam de olhar para o espaço exterior e se concentraram no conceito de espaço.

Esse conceito pode ser comparado com a onda de miniaturização que temos acompanhado em computadores. O que inicialmente começou como algo enorme, foi progressivamente diminuindo em tamanho (até caber no bolso), ao mesmo tempo que cresceu em complexidade e poder.
Para os defensores da Hipótese Transcendental, a vida inteligente evolui da mesma forma, trabalhando constantemente em direção a um mais denso e mais eficiente uso do espaço, tempo, energia e matéria. Eventualmente, nós estaremos vivendo e operando em escala nanométrica até que nos tornemos tão pequenos que nós criaremos e viveremos em um buraco negro fora desse espaço-tempo contínuo.

Para os inteligentes, os buracos negros são o destino final. Eles permitem a computação ideal e aprendizagem, a viagem no tempo, a coleta de energia e muito mais. Civilizações que não atingirem esse destino são consideradas falhas.

Outros seres cósmicos podem estar trabalhando em direção a sua própria transcendência. Como seres humanos, eles podem emitir transmissões espaciais, mas esses tipos de sinais são, supostamente, o trabalho de civilizações ainda imaturas e não são susceptíveis de serem bem sucedidas.

Além disso, com base na Lei de Moore (que defende que o poder dos computadores dobra a cada dois anos), estes seres provavelmente chegariam a transcendência antes de explorar o cosmos.

4. A Terra não é tão fantástica quanto a gente imagina

Talvez seja arrogância pensar que os aliens sequer tenham algum interesse em nós ou nosso planeta. Mundos muito mais interessantes podem existir e dar um apoio maior à vida, o que faria deles lugares muito mais propícios para serem explorados do que a Terra.
Como você pode perceber, essa teoria é o completo oposto da Teoria da Terra Rara e sua essência tem como base a ideia de que o nosso planeta simplesmente não é interessante.

Uma raça alienígena capaz de viajar ou se comunicar através de anos-luz de distância poderia estar interessada em algo melhor que um planeta com problemas de superaquecimento e incontáveis redes de fast food. Da mesma forma, os aliens, sem dúvida, têm suas próprias tecnologias superiores e provavelmente não precisam de nenhum dos nossos míseros recursos. Então, se eles precisarem colher minerais ou outros elementos, eles não teriam de visitar a Terra. Essas coisas são encontradas flutuando por todo o espaço.

Além disso, não importa o quão inteligentes os aliens sejam, viajar através de anos-luz não é tarefa fácil. Quais são as chances de eles investirem todos os seus recursos ao virem para cá quando existem 8,8 bilhões de planetas outros como a Terra na Via Láctea? Para os seguidores dessa teoria, pensar na Terra como o destino óbvio de todos os aliens é sofrer com o mesmo geocentrismo que levou Galileu à inquisição.

5. Nós estamos vivendo em uma realidade virtual

Sem dúvida, uma das explicações para o Paradoxo de Fermi mais difíceis de aceitar é a Hipótese do Planetário. Essa hipótese defende que o nosso mundo é uma espécie de “planetário de realidade virtual” projetado para nos dar a ilusão de que o universo é vazio.

Sendo assim, nós não descobrimos qualquer vida extraterrestre porque esses aliens não foram projetados nos fundamentos do programa. Essa ideia data da época do filósofo Descartes, que questionou: “como podemos saber que o mundo ao nosso redor é real se somos apenas um cérebro numa cuba, que pensa que está vivendo no mundo real?”.

Ao invés de termos nossos cérebros em uma cuba, no entanto, a maioria dos apoiantes modernos dessa hipótese acham que estamos em uma simulação de computador projetada por aliens mais avançados, que seriam capazes de aproveitar a energia suficiente para manipular a matéria e energia em escalas galácticas.

Mas por que os aliens iriam querem nos ver como formigas em uma fazenda?

Talvez apenas por diversão, ou talvez simplesmente porque eles podem. Por mais improvável que a Hipótese do Planetário possa parecer, os filósofos profissionais e físicos a encaram com respeito. Eles dizem que nós somos mais propensos a sermos inteligências artificiais em um mundo fabricado do que ter nossas próprias mentes.

Além disso, eles também defendem que, se esse for o caso, nós provavelmente vamos descobrir a simulação, já que vamos inevitavelmente perceber uma falha no sistema ou conceber um teste adequado para provar a hipótese. Otimistas, não?

6. A Terra está isolada de outros planetas com vida inteligente

Embora a vida alienígena inteligente realmente possa existir, nossos planetas podem ser muito longes um do outro para tornar a comunicação prática ou proposital (ou possível). A Terra pode estar tão longe de outros planetas habitados que simplesmente foi ignorada. Se isso não fosse solitário o suficiente, alguns afirmam que a maioria dos outros mundos estão relativamente agrupados uns perto dos outros, e estão interagindo entre si, enquanto nós estamos “fora de mão”.

As raízes dessa ideia vêm de uma teoria matemática conhecida como “percolação”, que descreve como as coisas se acumulam em um ambiente aleatório. Com base na teoria de percolação, o universo teria se formado naturalmente com áreas de grande crescimento e áreas de menor crescimento em posições discrepantes. E, dessa forma, na hora que os dados foram jogados, os outros planetas com vida inteligente ficaram mais perto uns dos outros, e a Terra deu o azar (ou a sorte, deixo a seu critério) de ficar isolada.

Então, em vez de tentar fazer contato com estes seres distantes, alguns pensadores, como Stephen Hawking, sugerem que o melhor a fazer é continuarmos de boca fechada. Hawking diz que, se pegarmos algum dia um sinal alienígena, “nós devemos ser cuidadosos na hora de responder de volta, até que tenhamos evoluído”, caso contrário, poderemos sofrer um destino semelhante ao dos nativos americanos após a chegada de Colombo.

Parece uma conduta prudente.

7. Nós ainda não flagramos os sinais alienígenas

A caça aos aliens tem sido travada pela falta de financiamento do governo, o que é necessário para pagar uma pequena fortuna em equipamentos e recursos de rastreamento de vida extraterrestre. Historicamente, a busca por programas de inteligência extraterrestre teve que contar com radiotelescópios emprestados e outros equipamentos que só poderiam ser usados por um tempo limitado. Estes obstáculos tornaram praticamente impossível fazer qualquer progresso real.

Ainda assim, há algumas boas notícias, pelo menos para aqueles que pensam que fazer contato com alienígenas seja uma boa ideia.

O Allen Telescope Array, um conjunto de telescópios de rádio especialmente concebidos para ajudar na busca de inteligência extraterrestre, tornou-se operacional em 2007. Este megatelescópio (que consiste em 42 telescópios individuais de 6 metros cada) foi em grande parte financiado pelo cofundador da Microsoft, Paul Allen. Depois de inúmeros contratempos, finalmente parece pronto para começar a fazer alguma exploração séria do espaço.

Isso pode acender toda uma luz no fim do túnel para os entusiastas desse assunto.

8. Nós não conseguimos reconhecer os sinais que os aliens nos mandam

Mesmo que existam outros planetas com vida alienígena inteligente, será que eles evoluiriam da mesma maneira que os seres vivos na Terra? Talvez eles sejam tão diferentes que nenhuma das partes seria capaz de reconhecer sinais um do outro.

Pode ser que aconteça algo comparável à forma como os morcegos visualizam as ondas sonoras enquanto nós só vemos a luz. É possível que os humanos e aliens operem com sentidos inteiramente diferentes.

O astrofísico Lord Rees ressaltou: “Eles poderiam estar olhando-nos na cara, e nós simplesmente não conseguirmos reconhecê-los”. O problema é que nós estamos procurando por algo muito parecido com nós, assumindo que eles, pelo menos, tenham algo como a mesma matemática e a mesma tecnologia. O que com certeza é uma possibilidade. Mas, convenhamos: bastante improvável!

Eu suspeito que possa haver vida e inteligência lá fora em formas que não podemos conceber, nem mesmo imaginar.

As coisas ficam especialmente complicadas quando a gente pensa em como seria a conexão com uma raça altamente avançada, pois eles podem usar métodos de comunicação (como neutrinos ou ondas gravitacionais) além de nossa compreensão tecnológica. Da mesma forma, as nossas emissões de rádio primitivas podem parecer nada mais do que um ruído branco para eles. Se os aliens e os humanos são de fato extremamente diferentes, é improvável que a gente consiga fazer qualquer tipo de contato.

9. Superorganismos são inerentemente suicidas

A Hipótese Medea, ideia concebida pelo paleontólogo Peter Ward, é a noção de que os seres humanos e outros superorganismos carregam dentro de si as sementes da autodestruição. Desta forma, muito disso está ligado a Teoria do Grande Filtro, de que falamos anteriormente, uma vez que sugere que acabamos morrendo antes de evoluirmos o suficiente para tornar o contato extraterrestre possível.

Essa teoria recebeu o nome de “Medea” em referência à assassina da mitologia grega, que matou seus próprios filhos. Neste caso, o planeta é a Medea, e todos os seres vivos são sua prole. Não quero morrer, mas a Mãe Terra já determinou que nossa hora, mais cedo ou mais tarde, irá chegar.

Não sei se você já parou para pensar nisso, mas a extinção foi feita em nossa biologia para garantir que excessos populacionais sejam eliminados antes de criar um desequilíbrio na Terra.

Uma vez que os humanos se tornam uma praga incurável no planeta, vamos fazer alguma coisa para garantir a nossa própria morte. É uma sabedoria da natureza.

Peter Ward também acredita que quase todas as extinções em massa anteriores foram provocadas por organismos vivos. Por exemplo, para ele, a culpa das duas eras de gelo, de milhões de anos atrás, é de algumas plantas que proliferaram tão descontroladamente que absorveram quantidades excessivas de CO2. Isto provocou o arrefecimento global e, consequentemente, morte das plantas.

Resumindo, o nosso relógio interno suicida pode chegar, de acordo com essa teoria, à estaca zero muito antes de termos a chance de nos conectar com aliens.

10. Os aliens já nos encontraram e caminham entre nós

Parece ficção científica, parece cena de Homens de Preto, mas algumas pessoas realmente acreditam com todas as suas forças que os aliens vivem e trabalham em torno de nós. Bem debaixo dos nossos narizes, só que ninguém se dá conta disso. Talvez porque, como dissemos anteriormente, a gente simplesmente não tenha evoluído o suficiente para detectar e codificar os sinais que eles nos mandam.

Por exemplo, o ex-ministro de defesa canadense, Paul Hellyer, deu uma entrevista em 2014 na qual afirma que 80 espécies diferentes de vida alienígena vivem na Terra. Alguns deles parecem quase idênticos aos seres humanos.

Outro grupo, os “Short Greys”, se parecem mais com aliens estereotipados e ficam relativamente escondidos da população.

O mais louco de tudo isso é que Paul Hellyer l não está sozinho nessa.

O físico Paul Davies, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e o Dr. Robert Trundle da Universidade Northern Kentucky, também nos EUA, têm opiniões semelhantes sobre a existência de extraterrestres no planeta. Para Hellyer, Davies, Trundle e aqueles que compartilham suas crenças, o Paradoxo de Fermi já foi respondido: alienígenas existem, e quer os seres humanos percebam, ou não, eles interagem com a gente diariamente.

Apesar de enfrentarem uma grande quantidade de críticas por parte de seus colegas e do público geral, esses homens continuam firmes em suas opiniões.

O que diz a NASA

De acordo com um cálculo elaborado por especialistas da NASA-Agência Espacial Norte Americana, existem 100 milhões de planetas em nossa galáxia que poderiam abrigar alguma forma de vida inteligente. É bem possível, portanto, que, daqui a duas décadas, a humanidade descubra a existência de seres extraterrestres.

Durante a última conferência na sede de Washington, representantes da NASA revelaram um plano para procurar vida extraterrestre com a ajuda da última tecnologia em telescópios.

A previsão é que, em 2017, seja lançado o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), que vai trabalhar em conjunto com o telescópio espacial James Webb, a ser lançado um ano depois. Ambos vão atuar para descobrir se, em algum dos milhões de planetas potencialmente aptos para a vida inteligente, existe alguma impressão química que a comprove. “O que não sabíamos há cinco anos é que, em, aproximadamente, 10% a 20% dos casos, há planetas do tamanho da Terra que orbitam estrelas e que se encontram na zona habitável”, declarou Matt Mountain, um dos cientistas que preparam o lançamento do telescópio James Webb.

“Está no nosso alcance chegar a uma descoberta que vai mudar o mundo para sempre”. “Penso que, dentro de 20 anos, descobriremos que não estamos sozinhos no universo”, afirmou o astronauta Kevin Hand, que acredita que Europa, um dos satélites de Júpiter, pode abrigar vida.

Conclusões

E você, o que acha de tudo isso? Concorda com alguma das teorias, ou acha tudo uma grande balela?

Olha, meu caro leitor, minha cara leitora, a gente precisa ser um pouquinho flexível para não ficar dependurado na corda a um metro do chão e morrer congelado como ficou aquele alpinista daquela bonita lenda.

Uma noite muito escura, sem lua, faltavam poucos metros para chegar no patamar onde poderia acampar para a travessia da noite e já escurecia muito depressa, quando um dos pinos se soltou e o alpinista foi para baixo como uma pedra. Mas, sentiu um golpe, um forte golpe, capaz de tirar-lhe os sentidos. Quando recobrou a consciência, viu estava suspenso. Teve várias vezes a intenção de cortar a corda naquela hipótese: morrerei de qualquer modo, estamos vamos abreviar isso. Mas, não teve coragem. Foi encontrado no dia seguinte dependurado a um metro do chão.

Será que nós, por teimosia, covardia, arrogância, soberba, orgulho, não estamos a um metro da verdade?

sábado, 12 de março de 2016

1837-Os cinco principais apóstolos de Jesus


E eles eram 13 ou mais
Introdução

Sim, na verdade, é possível que os apóstolos de Jesus tenham sido treze. A Bíblia fala explicitamente de doze e menciona seus nomes em Marcos 3; 13-19. São eles: Simão, que passou a ser chamado de Pedro; Thiago, filho de Zebedeu e João, seu irmão, aos quais pôr o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão; André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Thiago, filho de Alfeu, Judas Tadeu, Simão, o Zelador e Judas Iscariotes. E fala implicitamente de uma criatura, como menciona João 13;23, assim descrito referindo-se aos que estavam presentes à Ceia de Despedida: “um dos discípulos, a quem Jesus amava, também estava à mesa, reclinado ao peito de Jesus”. Para não confundir com o amor carnal entre dois homens, porque isso não havia entre os judeus, este apóstolo seria uma mulher, de nome Madalena, tida como grande auxiliar do Messias e quem sabe sua esposa, como se verá adiante.

Por razões que a Bíblia não cita, na noite, mesmo, de sua prisão, sumiram todos os apóstolos-homens de Jesus, exceto Pedro, que foi cumprir as três vezes em que o negou como seu apóstolo, conforme registros nos textos bíblicos quando dizem que o galo cantou três vezes marcando as três negativas. Lá está: “Então todos o abandonaram e fugiram” (Marcos 14; 50 e Mateus 26; 56). Cabe registrar para não tergiversar, que nos episódios da acusação, julgamento, sentença e execução de Jesus, nenhum dos seus apóstolos estava presente para depor a seu favor. A única voz em sua defesa foi a da esposa de Pilatos, que tentou demover o marido, dizendo: “nada faças e este justo; fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito” (João 27; 19).  

Na sequência do ato crucífero, quatro dos seus apóstolos, já citados, destacaram-se: Pedro, Tomé, João e Madalena. E aparece um quinto que se torna elemento chave da doutrina: o perseguidor, Saulo de Tarso, que se converte ao cristianismo (muda nome para Paulo) e se torna o mais importante difusor da doutrina além das fronteiras da Palestina. Está muito claro que sem a participação de Paulo talvez a história de Jesus acabasse esquecida, como esquecidos foram muitas outras histórias de pregadores que circularam pela região naqueles tempos.   

Queremos tratar desse assunto aqui no blog como elemento de libertação ideológica e filosófica. Acompanhe-nos, por favor.

Tomé

Tomé era o diferente entre os demais. É narrado como o rebelde, mas não só. Diferente também por sua tez e cabelos: ruivos, quase avermelhados. Destoava do padrão palestino da época em que as pessoas tinham a pele parda e os cabelos negros. Tomé é aquele que apalpou as feridas de Jesus ressuscitado para certificar-se de que realmente era ele.

Sua característica pessoal o encaminhou para longe da Palestina. Foi enviado às Índias e de lá, numa embarcação tosca, quase à deriva das correntes marinhas e dos ventos de superfície, veio parar na América, continente que nem se sonhava existir naquela época. É, na verdade, seu primeiro descobridor e só não é reconhecido porque nada escreveu.

Ficou aqui entre os selvícolas até extinguirem-se as suas forças.

Aqui abandonou seu corpo e voltou aqui para acabar sua missão, como Padre Anchieta, adotando o nome de José.

Entre os selvícolas era conhecido por Pai Zumé. Os índios tinham dificuldade na pronúncia do T. Pregava, fazia milagres, construía trilhas, ensinava sobre ervas medicinais. O Caminho de Peabiru ligando o litoral brasileiro ao Peru, é uma obra sua.

Pedro

O pedrão, a quem se diz terem sido entregues as chaves do céu para cuidar dos que ali têm direito de entrar e também para cuidar das chuvas, era, na verdade, um homem simples e puro, rude pescador, um mestre da pesca artesanal, como ainda hoje são encontrados muitos deles em nosso litoral. Nos acontecimentos do julgamento de Jesus, compareceu, mas não teve a permissão de entrar no recinto. Foi ajudado por outro discípulo (não declarado) que “era amigo do sumo sacerdote” (João 18; 15-16). Presume-se tratar-se do senador José de Arimatéia, tio de Jesus, o mesmo que requisitou o corpo do messias, ainda na cruz, antes de que se lhe quebrassem os ossos das pernas, como era praxe.

Pedro tentou continuar o trabalho de Jesus, mas faltava-lhe condições intelectuais. Suas pregações chegavam aos mais humildes, nem tanto como doutrina, mas por testemunhos e isso não repercutia o suficiente entre as massas. Acabou indo a Roma na tentativa de socorrer a Paulo, seu inimigo inicial e depois aliado, e ali foi cassado pelo Império Romano. Acabou crucificado de cabeça para baixo.

Muito mais tarde, quando o Império de Roma precisou de argumentos para se afirmar entre os povos que dominava, fundou uma igreja, desenterrou a Jesus e a Pedro. Do primeiro fez seu deus e do segundo fez seu papa. Bem mais tarde, também, reabilitou Maria de Nazaré, abandonada durante séculos e a partir desse tempo a chamou de a Mãe de Deus. Com o maior respeito que se deve ter pela história dessa igreja, não dá para engolir essa história de seu deus ter uma mãe.

Na verdade, também, Pedro não quis ser o chefe e não foi o chefe dos apóstolos, não fundou igreja nenhuma e muito menos pode ser chamado de primeiro pontífice de coisa nenhuma. Tudo isso veio depois por criação dos líderes católicos.

A notícia que se tem é que Pedro reencarnou na Itália e depois se transferiu para o Brasil onde viveu e produziu muita coisa sob o nome de Pietro Ubaldi.

João

Prisioneiro do Império Romano, João Evangelista foi recolhido à Ilha de Patmos, na Grécia, onde viveu até depois dos cem anos de idade. Sua maior obra teria sido o Apocalipse, mas há divergência. Produziu pouco para o cristianismo, por isso voltou no século XII, como Francisco de Assis e aí, sim, arrasou.  

Madalena

Esta mulher foi destruída pela Igreja de Roma. As razões? Parecem ser várias. Uma delas para tirar das mulheres qualquer ascendência no seio da igreja, o que é notório ao longo dos séculos. Uma outra possível razão foi para excluir a possibilidade de esta mulher ter sido a esposa de Jesus e mãe de uma filha sua, o que nos remete, novamente, para o mesmo motivo anterior: tirar das mulheres a influência sobre a igreja e afastar até mesmo a possibilidade de os padres terem esposas e filhos.

Madalena foi taxada de prostituta, pecadora, e teve cassado o seu direito a ser santa da igreja.

Mas, cada dia mais se eleva o seu prestígio entre os apóstolos. Por associações suas com estudos gnósticos da época, cresce sua importância no contexto filosófico e na vida do messias e muito, também, quanto à hipótese de estar grávida de Jesus no exato momento em que seu esposo era abatido numa cruz e de quem recebera as palavras que a Igreja atribui terem sido para João e para Maria de Nazaré. Mas, como já vimos anteriormente, nestes instantes, ali não havia nenhum dos apóstolos homens. João não estava ali. Vendo–as junto à cruz, em pé, sua mãe (Maria de Nazaré), a irmã de sua mãe (Maria, mulher de Cleófas) e Maria Madalena (textualmente em João 19;26: “Quando viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava”), Jesus pronunciara: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. Tudo está lá em João 19; 25-27.

Não havia nenhum outro filho ali a não ser que se referisse ao ventre de Madalena, assunto que ficou conhecido como Santo Graal, o vaso onde teria sido recolhido o sangue de Jesus. Hoje os estudos falam de “sangue real”. Na verdade, o vaso era o ventre de Madalena e o sangue ali depositado era a criança que haveria de nascer.

Segundo Marcos 15;40, confirmado por Mateus 27;56, nenhum dos apóstolos homens estava presente ao ato crucífero e o apóstolo que Jesus mais amava era uma mulher de nome Madalena. A partir deste instante, como também escreve João em 19; 27 “e desta hora em diante, o discípulo a levou (Maria de Nazaré) para sua casa”. As Maria jamais se separaram, viajaram a Alexandria, onde Madalena pariu e dali seguiram para a Europa, indo ancorar mais tarde numa ilha pertencente ao território da França.

Aí tem origem uma outra história que é da dinastia merovíngia, apontados como reis descendentes de Jesus.

Até semana que vem.

domingo, 6 de março de 2016

1836-Nascemos gays ounos tornamos gays?



A epigenética pode explicar a homossexualidade

Introdução

Eis aí um tema polêmico, nem tanto pela sua existência, mas muito pelo preconceito de como a nossa sociedade de posiciona perante ele.

A multimilenar cultura nos ensinou que mulher é sinônimo de ventre, mãe, receptora, parideira, cuidadora de criança, professora; o homem, ao contrário, é sinônimo de falo, pai, emissor, guerreiro, provedor, líder. O homem e a mulher se unem para montar família e procriar, numa estrutura em que ele manda e todos os demais obedecem.

As famílias pensaram assim e fizeram assim por toda a história humana e ainda bastante nos tempos atuais.

Nos tempos mais recentes, e até nem tão recentes, a união de homem com homem e de mulher com mulher foi e continua sendo objeto de espanto, escândalo, escárnio, abominação.

Na cabeça de muitos homens e de muitas mulheres fica difícil o ato de entender, admitir, aceitar e compreender esta coisa nova na vida das sociedades que é, por exemplo, a união homoafetiva. É tão nova que nem consta dos dicionários.

O homem se nega a aceitar que o macho, seu filho, esteja sexualmente ligado a outro homem. Talvez um pouco menos, a mulher sente muito ver sua filha sexualmente ligada a outra mulher.

O encontro dos dois é só uma questão de tempo

Seres esféricos, fortes, vigorosos, tentam galgar o Olimpo, a montanha sagrada onde moram os deuses gregos. Querem o poder. Possuem os dois sexos ao mesmo tempo, quatro mãos, quatro pernas e duas faces idênticas, opostas. Diante do perigo, o chefe de todos os deuses, Zeus, decide cortar ao meio os andróginos (do grego andrós: aquele que fecunda, o macho, o homem viril, pai; e guynaikós: aquela que gera, fêmea, que dá a luz, mulher sensual, mãe).

“Sede humildes”, podemos supor que trovejou o grande Zeus, arremetendo os raios que apavoraram os tempos anteriores à descoberta do fogo. Ao enfraquecer o homem e a mulher, assim criados, Zeus condenou cada metade a buscar a outra, o desejo extremo de reunir-se e curar a angustiada e ferida NATU-REZA humana.

Este, resumidamente, é o mito do amor tal como o filósofo grego Platão (428-348 a.C.) o descreveu nos diálogos de “O banquete”, reproduzindo o relato feito por Aristófanes, o mais famoso comediógrafo grego (450-388 a.C.), durante um jantar e simpósio, encontro onde se tomava vinho e se trocavam ideias.

Estava presente, entre muitos outros convidados ilustres, o filósofo Sócrates (470-399 a.C.). Deve ter sido uma noitada daquelas, mas não se pode dizer que começou ali a preocupação da humanidade com a androginia. Numerosas cosmogonias, anteriores à civilização grega, explicaram o mundo a partir de um ovo primordial, o símbolo da fertilidade.

Para a Biologia, andrógino é o ser que possui os dois sexos ao mesmo tempo e é capaz de reproduzir-se sozinho (não no caso dos humanos). O mesmo que hermafrodita. Mas, para os psicólogos, médicos e até estilistas, a androginia é sobretudo um fenômeno cultural, nada tem a ver com a bissexualidade ou o homossexualismo. “O que está em jogo é o papel social desempenhado pelo indivíduo. A pessoa andrógina não precisa ter, necessariamente, comportamento sexual ambíguo”, explica o sexólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, de São Paulo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Sexualidade. Ele dá exemplos de incorporação de papéis sociais do sexo oposto: o homem que não tem vergonha de chorar e expor sentimentos, cuida dos filhos, participa das tarefas domésticas, ou a mulher que impõe opiniões, assume o sustento da casa, exerce profissões consideradas “masculinas”.

O psicanalista Renato Mezan, da Pontifícia Universidade de São Paulo, expõe com clareza: “São fatores sociais que aos poucos esfumaçam as diferenças entre os gêneros e embaralham a consciência que homens e mulheres tinham de sua identidade e função social. Por isso é impossível explicar a androginia apenas em termos psicológicos. Ela não é uma opção sexual e está no plano do consciente”. Entre as vanguardas culturais, é verdade, sempre existiram andróginos — artistas, burgueses contestatórios, suf-fragettes (militantes femininas que exigiam o direito de votar). Mas com certeza nunca a confusão foi tão grande como agora.

“A diferença entre os gêneros diminuiu com a entrada da mulher de classe média no mercado de trabalho, principalmente em posições executivas, o que fica mais evidente nos Estados Unidos”, observa a antropóloga Bela Feldman-Bianco, da Universidade de Campinas, São Paulo. “O fenômeno nada tem a ver com a Biologia. Um número crescente de mulheres reage contra a estereotipia dos papéis sexuais. Não querem mais saber se ‘isso é coisa de homem ou de mulher”. Ela acredita que muito da androginia moderna veio do movimento feminista americano, que identificava o feminino como conservador. E do gosto gay na moda, na beleza, na decoração. Renato Mezan reconhece com clareza: falta ao homem tranquilidade para executar atributos do outro sexo sem sentir-se diminuído. “Assumir os dois lados da sexualidade e da sensualidade ainda é uma questão de caso a caso. De outro lado, negar as diferenças pode gerar um híbrido; nem isso nem aquilo. Aí, há privação das qualidades de ambos”, expõe.

O dilema provoca ásperas discussões. Radical, Camille Paglia, professora de Literatura da Universidade de Arte da Filadélfia, nos Estados Unidos, sustenta no livro “Personas sexuais” que a androginia não passa de arma das feministas contra o princípio masculino: “Serve para anular os homens, significa que eles devem ser como as mulheres, e as mulheres podem ser como quiserem”. Ela acredita, em todo caso, que o culto do masculino será preservado graças aos gays — o que não deixa de ser, também, uma inversão. Menos contundente, o estilista e cabeleireiro Diaullas de Ná, de São Paulo, oferece sua opinião: “A androginia é um jogo lúdico, em que o homem projeta seu lado masculino na mulher, e a mulher projeta seu lado feminino no homem. Um jogo que globaliza, traça um círculo de 360 graus em torno do outro, totalmente diverso do homossexual, autocentrado, ou do bissexual que separa com rigidez o masculino do feminino”.

A moda tem muito a ver com isso

Empresária e especialista de moda, Costanza Pascolato há anos analisa a influência da androginia no estilismo. “A moda contemporânea não pára de brincar com as diferenças entre os gêneros. Com isso expressamos nossas ideias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”, escreveu em 1988, num artigo de jornal. Hoje ela acrescenta: “Um ligeiro toque de ambiguidade aumenta o lado sensual das pessoas. O masculino e o feminino exagerados são menos sexy. Há uma qualidade misteriosa em Marlene Dietrich e Greta Garbo, que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de sua personalidade”. É pena que nem todos conhecem essas duas atrizes.

O problema está no risco de perder-se a nitidez dos gêneros pois, como analisa Renato Mezan, as pessoas nesse caso aderem às modas em busca de orientação: “Em geral, as tendências são mais rigorosas do que as anteriores, gerando um espírito de gangue”. É o temor da antropóloga Cynthia Sarti, da Universidade de São Paulo: “Acho que existe alguma coisa perversa na androginia, pois faz supor algo que não é: impõe uma imagem sem sugerir nenhum novo masculino ou feminino. Nega as diferenças. Sinto a ideia como totalitária, e nada mais nocivo à humanidade do que posturas antidemocráticas”.

Pode ser, mas convém lembrar que a intenção, por trás dos modismos em geral, e da androginia em particular, agora, depende sempre do contexto social. Por exemplo, na Alemanha pré-nazista dos anos 20, os cabelos curtos usados pelas mulheres eram uma contestação ao ideal feminino pregado pelos nazistas, que pensavam nas mulheres como robustas valquírias de longos cabelos loiros, engomadas nas suas roupagens regionais, vivendo em regime de dedicação exclusiva aos três “K”: Kinder, Küche, Kirche (criança, cozinha, igreja). Vestir-se como homem, pensar e agir como um marxista era ser mesmo muito do contra.

É possível que estejamos convivendo, atualmente, com uma acentuada tendência à alteridade — conceito desenvolvido pelo psicoterapeuta Carlos Byington, de São Paulo, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. “O dinamismo da alteridade consiste na interação igualitária das polaridades”, escreveu em obscuro dialeto profissional no livro “Dimensões simbólicas da personalidade”.

A psicóloga Leniza Castello Branco, de São Paulo, completa e clarifica o raciocínio: “A mulher recupera seu lado masculino sem tornar-se lésbica, e o homem seu lado feminino sem tornar-se gay”. Para essa psicoterapeuta, a androginia traria um retorno do reprimido: o corpo, o sexo, a magia, o feminino. “Por causa do reprimido existe carnaval em todas as culturas”, explica. “Permite-se a vivência do contrário, a inversão. O pobre se veste de rico, o homem se veste de mulher, alguns se fantasiam de animais. O carnaval é a festa de Dionísio, o deus pagão que representava o campo, a fertilidade, o vinho. Ele nasceu da coxa de Zeus (homem), um andrógino, pois gestou um filho”.

Os primeiros andróginos explícitos da atual voga no Brasil começaram a aparecer na década de 70, inspirados em cantores pop americanos e, logo em seguida, brasileiros. Naquela época não se viam, como hoje, homens e mulheres anônimos vestidos e penteados com tal ambiguidade — terninhos, tênis, mocassins, cabelos quase recos —, capazes de provocar tanta confusão que fica impossível distinguir uns das outras. “Em caso de dúvida é mulher”, ensinam os moradores de San Francisco, talvez os americanos mais acostumados a conviver com a androginia em voga em todo o mundo.

Aliás, é da psicoterapeuta americana June Singer, autora do livro “Androginia — rumo a uma nova teoria da sexualidade”, a comparação do andrógino com o ovo fecundado. Ela considera que, por reunir características psicológicas abrangentes, a androginia é a chave do futuro. Talvez seja um exagero, mas, para que dela fique alguma marca indelével na história humana, será preciso que assuma resolutamente o que é específico de cada gênero. Sem prejuízo da divisão de responsabilidades sociais e sem a soberba dos seres esféricos que pretenderam invadir o Olimpo. Haverá mais chances de sucesso na vida afetiva e profissional e nenhuma necessidade de invejar os deuses.

O cérebro e a mente

Hoje, uma velha pergunta ainda provoca polêmica. Há diferença cerebral e de competência entre homem e mulher?

Há diversos estudos mostrando que cérebros masculinos e femininos têm mecanismos ligeiramente diferentes. Por menores que sejam essas diferenças, elas mudam muita coisa em termos de ciência. Pelo menos é no que acreditam pesquisadores sérios da área.

“Daqui para frente, não se podem avaliar as habilidades das pessoas para certas tarefas analisando apenas a sua experiência pessoal. É preciso analisar igualmente a predisposição biológica”, afirma a professora Doreen Kimura, da Universidade do Oeste, de Ontário, Canadá. Psicóloga, ela quer ver até que ponto o comportamento está determinado nas células cerebrais. “Em suma, hoje em dia ninguém pode dizer que uma mulher borda muito bem só porque desde menina foi treinada para trabalhos manuais”, explica. “Ora, ela borda maravilhosamente também porque tem um cérebro voltado para esse tipo de habilidade”.

Pode parecer uma provocação às feministas, mas a ideia é a seguinte: por mais que tenha sido induzido por uma mãe zelosa ou por uma sociedade que admira mocinhas prendadas, esse cérebro já tinha um talento especial para linhas e agulhas — assim como para outras tarefas que exigem a chamada coordenação motora fina, ou seja, uma precisão espetacular dos dedos. “Essa vocação é resultado da ação de certas substâncias no cérebro no início da vida”, diz Doreen. “Elas alteram a organização dos neurônios, como são chamadas as células cerebrais, bem antes de a pessoa ouvir os conselhos da mãe ou notar os olhares da aprovação dos outros”. Quer dizer, embora o meio em que se vive seja importante, essa tendência é inata.

Doreen coleciona testes que mostram as diferenças nas habilidades de homens e mulheres. Embora, neles, sempre existam exceções, como homens que dariam excelentes bordadeiros, sem que isso signifique que sejam afeminados. É bem verdade que esses exames citados pela psicóloga não provam por si a tendência biológica a desenvolver habilidades. E também não a inclinar por preferência sexual. “São apenas um indicador”, reconhece.

Apenas um cromossoma

Segundo Dooren, o importante é que os voluntários desta pesquisa tinham a mesma média de QI. “Não queremos discutir a inteligência dos dois sexos, mas a forma como homens e mulheres aproveitam a sua inteligência”, enfatiza. E eles tendem a não fazer isso da mesma maneira. Os sinais de disparidade aparecem cedo.

Na questão do talento, nada a acrescentar: meninos e meninas possuem basicamente a mesma bagagem genética. A única exceção, de fato, é um cromossomo entre os 46 que se encontram dentro de cada uma das células do organismo. Mulheres têm um cromossomo X no lugar em que os homens têm um cromossomo Y. Este cromossomo não se manifesta até a décima semana de vida fetal.



Portanto, olha aí, nesse período das dez primeiras semanas, qualquer feto se desenvolve no sentido de formar um corpo de menina. Então, a entrada em cena do cromossomo Y induz o aparecimento dos testículos e estes, uma vez prontos, produzem o hormônio sexual masculino chamado testosterona. Esta substância é responsável pelas características típicas do homem, como a barba do adulto.

E recentemente os cientistas passaram a desconfiar de que a testosterona estimula o cérebro a ativar mais os neurônios de determinadas áreas do que de outras. O que, de seu lado, tornaria a pessoa mais apta a certas tarefas do que a outras. A desigualdade de ativação corresponderia a uma desigualdade de comportamento entre machos e fêmeas. É uma teoria.

As fêmeas de todos os mamíferos, incluindo, claro, as mulheres, também possuem hormônio sexual masculino em seu organismo, mas em doses ínfimas. Mesmo assim, em quantidades minúsculas, ele afetaria a ativação dos neurônios no cérebro feminino — só que, talvez, de uma maneira inversa à de seu sexo oposto. A questão é que os cientistas não podem realizar experiências precisas para analisar a ação da testosterona no cérebro humano. Para isso teriam de injetar a substância ou dar um jeito de privar o organismo de sua presença — e tanto uma coisa quanto a outra teriam consequências desastrosas e são proibidas por lei. Por essa razão, um grande número de estudos utiliza cobaias animais.

Mas, os ratos nos dizem algo

Um dos pioneiros estudos foi realizado pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, há quatro anos. Os pesquisadores castraram ratos machos, instantes depois do nascimento. E, assim, notaram que o comportamento de montar na fêmea, como fazem no acasalamento, tornou-se raro. Em compensação, os ratinhos castrados apresentaram sinais de lordose, como se chama um arquear exagerado da coluna vertebral (bundinha arrebitada). Ora, nos ratos, esse é um problema típico das fêmeas, que arrebitam o bumbum para atrair parceiros. Conclusão: a ausência do hormônio induziu o cérebro a alterar o comportamento sexual. Com as fêmeas, não foi diferente. Ao receberem injeções do hormônio sexual masculino passaram a trepar no corpo das companheiras, como fazem os machos que buscam o acasalamento.

A área do cérebro que governa o comportamento sexual é o hipotálamo — uma estrutura escurecida e estreita, na base da massa cinzenta. Há 14 anos, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que determinada área do hipotálamo dos ratos machos é maior do que nas fêmeas. E essa diferença de tamanho, provaram os americanos, é causada pela testosterona que circula no cérebro do animal macho recém-nascido.

No final do ano passado, a mesma equipe divulgou que no cérebro humano existe uma diferença semelhante entre homens e mulheres — só não sabem, por enquanto, se ela também aparece nos primeiros dias após o parto, motivada pelo hormônio sexual.

 “Os hormônios sexuais não influenciam só o comportamento de reprodução”, conta o neurologista Esper Cavalheiro, da Escola Paulista de Medicina. “Eles têm a ver com a maioria dos comportamentos em que homem e mulher diferem”. O curioso é que, em termos de cérebro, o hormônio sexual testosterona parece só ter efeito em um período crítico, entre a fase fetal e os primeiros dias de vida. A falta ou o excesso dessa substância, passado esse tempo, muda as características físicas, mas não altera o comportamento das cobaias. Com os seres humanos ninguém sabe até onde vai essa influência. Pelo sim, pelo não, vários pesquisadores estão medindo o nível de hormônios masculinos dos voluntários antes de submetê-los a testes psicológicos em que devem resolver diversos tipos de problemas.

A canadense Doreen Kimura faz isso: analisa a dosagem da testosterona presente na saliva dos participantes dos testes. Não são apenas os hormônios sexuais, porém, que entram na jogada cerebral. Há indícios, por exemplo, de que os homens são de fato mais durões do que as mulheres — e a causa, no caso, não estaria na substância secretada por seus testículos, ou seja, em um hormônio sexual. Porque os cientistas descobriram que o hormônio prolactina — não-sexual — ajuda o cérebro a provocar o estado do choro. E esse hormônio, fabricado no próprio sistema nervoso, é mais presente no organismo das mulheres. Faz sentido. Ele participa diretamente da produção de leite, no período de amamentação do bebê. Daí que as mulheres teriam, biologicamente, uma propensão maior a cair no choro. Se depender do ânimo dos cientistas, não vão faltar diferenças — algumas que nada têm a ver com o cérebro em si — tornando os sexos cada vez mais opostos não apenas por questões culturais, mas pela natural divisão do arquiteto superior que os desenhou biologicamente.

Uma coisa se pode afirmar com segurança: muitas diferenciações de comportamento estão marcadas de fato no sistema nervoso. Como surgiram é outra conversa, tão fascinante quanto incerta. Imagina-se que as diferenciações tenham se originado por causa de vantagens, do ponto de vista da evolução das espécies. Talvez as especializações do sistema nervoso feminino e masculino tenham surgido por causa da divisão de trabalho que existia nas sociedades primitivas. O homem, então, teria desenvolvido a capacidade de se localizar no espaço, porque uma boa noção de geografia era essencial em suas saídas para a caça. A mulher, por sua vez, teria necessidade de aprimorar a percepção visual, para notar eventuais ameaça à segurança dos filhos, enquanto o companheiro estava ausente. São divagações que os cientistas fazem, sem que, no entanto, possam garantir que essa ou aquela seja a origem das diferenças que constatam em seus laboratórios.

Olhar para as mulheres e para os homens para tentar entendê-los 

O perfil de nossa sociedade realmente está mudado, mutante ou, quem sabe tudo esteja voltando a estágios pelos quais já passamos e queiramos retomar. Os padrões de algumas épocas já se foram todos para o beleléu e as maiores contribuições foram e estão sendo dadas principalmente pelas mulheres. Não bastasse a sua independência, proclamada ao sabor da pílula anticoncepcional e com a invenção da creche, elas podem optar por serem mães ou não e podem trabalhar fora mesmo sendo mães, obtendo renda, dispensando o provedor masculino, obtendo independência. Hoje ela ganha bem, mora bem, estuda, viaja, escolhe com quem se relaciona e, sobretudo, já opta por viver só ou em companhia de outra mulher. Isto é, sem um homem dentro de casa ou ao seu lado, na cama.

Hoje, é visto, ela prefere o silêncio e a meditação ao burburinho dos homens. Há as exceções em que elas entre elas promovem burburinho. Assombrosamente, para os homens, a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre, é a mulher que oferece uma extraordinária contribuição à sabedoria, à riqueza e à beleza do mundo.

Dê-se uma olhadinha para dentro das instituições de caridade e ver-se-á que até 80% dos voluntários são mulheres, mulheres que arranjam tempo, sensibilidade, humildade, coragem e fé para meter a mão na massa, cuidar de inválidos, lidar com doentes, consolar aflitos, ficar frente a frente com a morte, sem arrepiar os cabelos e sem ter pesadelos, incluindo-se aí os cargos de chefia e de síndicas de seus condomínios, onde geralmente os seres humanos mostram quem são.

Ao tomarem a iniciativa bem à frente dos homens em muitas coisas, acabaram por optar também pela companhia de outra fêmea na cama. Decepção com os homens? Muito provavelmente.

Passada a jornada voluntária, empresarial ou comunitária, lá estão elas, de preferência, só com elas mesmas ou com seus bichinhos ou filhinhos, onde até entra o namorado, marido ou namorido, “pero nó mucho”, como diriam os hispânicos. Elas conseguem, não se sabe como, distrair-se consigo mesmas ou com muita pouca coisa, sem os ruídos que são especialidade dos homens. Revelam densidade interior, mostram que mais que os homens, cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem ou não têm interesse por conta do processo cultural equivocado.

A sensibilidade feminina só depõe contra elas quando as emoções mal resolvidas resolvem criar chagas em seus corpos. Pacientes das doenças emocionais são, infelizmente, maioria mulheres. Voltadas para dentro, lhes dói dentro, enquanto a maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. O homem parece despejar seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta, transformando o que pode transformar para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói, mas talvez ele não saiba disso, ainda, com clareza.

A cultura masculina por necessidade de guerra se fez gregária, mundana, ruidosa, realizadora. Na sua objetividade, o macho se esquece até mesmo de ser carinhoso nas preliminares do sexo com sua parceira. É mais fácil unir homens em torno de uma luta comum do que mediante convite para uma sessão de ternura.

Por não ter com quem dividir seus afazeres, desde a noite dos tempos, a mulher atrita mais fácil no trabalho, a começar pela doméstica que tenha de ficar sob suas ordens. Mas, se tiver algo para ser feito, bem feito, com detalhes, com carinho, com enfeite, com beleza, com sutileza, entreguemos a elas. Elas se preenchem servindo. E nós, homens, com raras exceções, frequentando clubes, catedrais, congressos, estádios...

Homens afeminados

Só há um reparo nisso tudo que se escreve: com as mulheres invadindo sempre mais o mundo dos homens, o mundo está se tornando masculinizado e uma parte das mulheres está embarcando nesse trem e fazendo barulho também. Aquela parte das mulheres não optante por servir, juntamente com a homarada, está sublimando as dores íntimas em fanfarras externas. É um número considerável de mulheres seguindo os caminhos dos homens e voltado para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade, da mídia e de todos que faturam alto com o breque da evolução.

A sociedade de consumo só se sustentará se as maiorias continuarem circulando e adquirindo as tentações expostas. Logo, se aumentar o número dos que ficam em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? A resposta é sua, mas, não resolve tudo. Cada dia mais o delivery cresce. Não se sai de casa para comprar e consumir.  

O apelo é para que sejamos, todos, superficiais, e nos contentemos com isso, felizes por gastar, por dever, por fazer barulho, por entorpecer-se a toa.

Parece que a opção de muitas mulheres entre as outras masculizadas, e com isso não estou afirmando que elas não frequentem shoppings e tenham parado de consumir, ainda que sejam uma minoria (?), a opção, disse eu, vem ao encontro de colocar um pouco de harmonia nessa bagunça que toma conta da nossa sociedade.

Gostaria de poder afirmar, como tenho meditado, que se a humanidade teve início (simbólico) no ventre da primeira mulher, ela é a Deusa. E talvez caiba a ela dar um jeito na bagunça que a filharada criou. Bem-vindas as deusas posteriores.

E os homens com saudade das mamães, vão se ligando à ideia do feminino e se tornando afeminados, também.

O que choca é que a mulher, em tese, se une a outra mulher, mas não mantém, em tese, sua característica sexual. O homem, não. Ao unir-se a outro homem, em tese, troca sua característica sexual.

Epigenéticos podem explicar

Pesquisa afirma que a orientação sexual pode estar ligada a marcadores epigenéticos que regulam a sensibilidade à testosterona e são transmitidos de pais para filhas e de mães para filhos. É o que já se pode ler na mídia.

Não dá para ficar só lamentando ou condenando, é necessário entender qual o componente biológico ou espiritual na definição da orientação sexual das pessoas. E isso está sendo feito.

Do ponto de vista evolutivo, o fato de a homossexualidade ser algo bastante comum na sociedade humana, ocorrendo em cerca de 5% da população mundial (há quem afirme que chega a 20%), é intrigante. Como homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais, uma possível variação genética relacionada à homossexualidade dificilmente seria mantida ao longo das gerações. A muito longo prazo faltaria gente no mundo. "Isso é muito enigmático a partir de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em uma frequência tão alta a despeito do processo de seleção natural?", pode-se ler nas palavras de Urban Friberg, do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia. Friberg, ao lado de William Rice, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, ambas nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma resposta: o fator biológico ligado à homossexualidade não estaria na genética propriamente dita, e sim em um conceito conhecido por epigenética. Os resultados foram publicados no periódico científico The Quarterly Review of Biology.

A epigenética trata de modificações no DNA que sinalizam aos genes se eles devem se expressar ou não. Esses marcadores não chegam a alterar nossa genética, mas deixam uma marca permanente ao ditar o destino do gene: se um gene não se expressa, é como se ele não existisse.

Cuidado papai e mamãe, vocês participam

O artigo estudou um possível componente hereditário para, a partir de um ponto de vista evolutivo, explicar a homossexualidade. Os três autores montaram um modelo segundo o qual uma marca epigenética (epimarca), que regula a sensibilidade à testosterona em fetos, pode ser transmitida de mãe para filho e de pai para filha e influenciar na orientação sexual.

Essa nova teoria vai ao encontro de outra tese mais antiga, a de que a homossexualidade é definida, ao menos em parte, por um componente hereditário. Pelo menos quatro grandes estudos, publicados em 2000, 2010 e 2011, nos periódicos Behavior Genetics, Archives of Sexual Behavior e PLoS ONE, apontam para esse fator na origem da orientação sexual, a partir de estudos com gêmeos monozigóticos (também chamados de idênticos ou univitelinos, produtos da fertilização de um único óvulo) e dizigóticos (também chamados de fraternos ou bivitelinos, produtos da fertilização de dois óvulos diferentes).

O que é Epigenética? Imagine o material genético humano como um manual de instruções. Os genes formariam o conteúdo do livro, enquanto as epimarcas ditariam como esse texto deveria ser lido. "A epigenética altera e regula a forma como os genes se expressam", explica a geneticista Mayana Zatz, do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). É por meio dos comandos epigenéticos, por exemplo, que o pâncreas fabrica apenas insulina, apesar de as células nesse órgão terem genes para a produção de muitos outros hormônios.

Acreditava-se que os traços da epigenética não eram hereditários, sendo apagados e recriados a cada passagem de geração. Como pesquisas nas últimas décadas mostraram que uma fração de epimarcas é, sim, passada de pais para filhos, Friberg, Rice e Gavrilets julgaram ter encontrado a peça que faltava para montar o quebra-cabeça.

A Sensibilidade - Os três criaram um modelo segundo o qual uma dessas epimarcas transmitidas hereditariamente é o marcador responsável por regular a sensibilidade à testosterona de fetos no útero materno. Ao longo da gestação, tanto fetos masculinos quanto femininos são expostos a quantidades variadas do hormônio, sendo que o fator epigenético estudado no artigo torna o cérebro dos meninos mais sensíveis à testosterona quando os níveis estão abaixo do normal. Isso acontece para preservar características masculinas, podendo inclusive influir na orientação sexual. O mesmo ocorre, mas inversamente, com as meninas. Quando a testosterona está acima do normal, a epimarca funciona como uma barreira, diminuindo sua sensibilidade ao hormônio.

A partir desse modelo, a homossexualidade poderia ser explicada pela transmissão de epimarcas sexualmente antagônicas. Ou seja: quando o pai transmite seus marcadores, que tiveram a função de torná-lo mais sensível à testosterona, para uma filha. De igual maneira, esse material hereditário pode ser passado de uma mãe para um filho, tornando-o menos sensível à testosterona.

"Quando os efeitos desses mecanismos (que regulam a sensibilidade à testosterona) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo", explica Friberg, da Universidade de Uppsala. "O que fizemos foi colocar pela primeira vez o conceito da transmissibilidade epigenética no contexto de desenvolvimento sexual."

O pesquisador faz questão de ressaltar que ainda não se pode provar que a epimarca específica da sensibilidade à testosterona é hereditária. Para tanto, testes específicos precisarão ser realizados. "Uma grande solidez do nosso estudo é que o modelo epigenético para a homossexualidade faz predições que são testáveis com tecnologia já existente. Se o nosso modelo estiver errado, pode ser rapidamente descartado", escrevem os autores no artigo do The Quarterly Review of Biology.

Outro pesquisador envolvido, Sergey Gavrilets, da Universidade do Tennessee, afirma que mesmo que a teoria da hereditariedade seja respaldada por futuros estudos, o debate está longe de acabar. "A hereditariedade explica apenas parte da variação na preferência sexual. As razões, que podem ser sociais, culturais e do ambiente, permanecerão como um tópico de intensa discussão."

"Estudo positivo" - Carmita Abdo é coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela destaca que a nova pesquisa é positiva, uma vez que contribui para a melhor compreensão dos fatores biológicos envolvidos na ocorrência da homossexualidade. "O trabalho é importante porque reforça uma ideia cada vez mais prevalente: a de que a genética - no caso a epigenética - tem influência sobre a orientação sexual."

Uma luz ainda que tênue

Essa compreensão científica tem sido importante, segundo Carmita, no combate a mitos que envolveram o tema e que alimentaram interpretações preconceituosas. Nem todas as pessoas e mais ainda as preconceituosas têm a informação de que o êxtase sexual faz parte das necessidades humanas de realização e que para obtê-lo as pessoas precisam usar das suas zonas eróticas preferenciais. Com as manifestações preconceituosas seja a nível de família, seja a nível de sociedade, muitos homens e mulheres (assim tomados segundo seus registros civis) deixaram ou deixarão de buscar sua expressão sexual, o que equivale uma prisão.

"Até pouco tempo atrás, achava-se que a orientação sexual era proveniente de uma escolha, como se deliberadamente o indivíduo optasse por ser homossexual. Muito do preconceito contra os homossexuais advém daí", afirma Carmita Abdo, lembrando que até o início dos anos 90 a homossexualidade era tratada como um transtorno de preferência, e não como uma característica. Logo, ela poderia ser revertida com castigo ou tratamento médico. "Observar um fenômeno pelas lentes da ciência muda a compreensão e ajuda a deixar de lado certas discriminações. Nesse caso em particular, você remove da equação a ideia de que o homossexual é responsável por uma opção que muitos veem como negativa, pejorativa."

Ela ressalva, entretanto, que ainda existe muita incerteza no campo e que a orientação sexual precisa ser encarada como produto de vários fatores, como vimos anteriormente onde a mídia tem um peso enorme. "O estudo reforça a ideia segundo a qual existe uma predisposição que vai ser confirmada ou não a partir de uma série de influências que vão ocorrer ao longo da vida, algumas delas de ordem cultural, educacional e social. Ele não consagra uma interpretação determinista, nem diz que tudo depende dos genes".

"Nosso objetivo é entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem", conclui Carmita.

Uma palavra conclusiva

Nunca, por enquanto, ter-se-á uma palavra final sobre tão palpitante assunto que envolve a realização humana, a sua multiplicação, o modelo de sociedade, mas os cientistas estão decididos a continuar investigando. Um grande serviço a ser por eles prestados é poder dizer aos preconceituosos que a escolha sexual de uma mulher ou de um homem não é um ato que se explique e se resolva na dimensão do comportamento. Não é um desvio de conduta como poderia ser o ato de roubar, a cleptomania, que a psicologia anuncia que resolve.

Urban Friberg, professor do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Uppsala, na Suécia, presta informações sobre a pesquisa, seu principal objetivo e faz comentários interessantes.

Assume-se que indivíduos homossexuais produzem menos prole do que heterossexuais. Qualquer codificação genética para homossexuais deveria, portanto, ser rapidamente removida no processo de seleção natural. Apesar disso, a homossexualidade é relativamente comum entre humanos (cerca de 5%). Além do mais, os melhores estudos disponíveis mostram que há um componente hereditário na homossexualidade. Isso tudo é muito intrigante de uma perspectiva evolucionária: como a homossexualidade pode existir em frequências tão significativas apesar da seleção contra ela? O objetivo da nossa pesquisa foi simplesmente tentar resolver esse enigma, o que nos ajuda a entender como as preferências sexuais se desenvolvem e evoluem.

Nossa principal contribuição é trazer uma explicação lógica para o porquê de a homossexualidade ser algo tão frequente - e para tanto nós mudamos o foco, como causa da homossexualidade, de genes para epimarcas. Nossa teoria sugere que a homossexualidade é resultado de um mecanismo que ajuda as pessoas a desenvolver a preferência por indivíduos do sexo oposto. Quando os efeitos desses mecanismos (epimarcas) não são apagados entre as gerações, eles se expressam na prole do sexo oposto. Isso pode resultar em indivíduos que desenvolvem preferências sexuais pelo mesmo sexo.

Houve diversos estudos nos quais os pesquisadores tentaram encontrar genes associados com a homossexualidade. Tais estudos falharam e nenhum gene foi identificado. O resultado disso tudo é intrigante, uma vez que a homossexualidade tem um componente hereditário. Nossa teoria, porém, é capaz de explicar por que a homossexualidade é tão comum e tem um componente hereditário, sem nenhuma codificação genética para esse traço.

Atualmente, algumas pessoas acreditam que a homossexualidade é uma escolha pessoal e que indivíduos homossexuais podem ser ensinados a escolher de forma diferente a sua orientação sexual. Eu acredito que encontrar as raízes da preferência sexual mina tais mitos e ajuda as pessoas a melhor entender e aceitar a homossexualidade.

Não se pode excluir e é preciso estudar, também, a questão espiritual como determinante da sexualidade das pessoas.

Até semana que vem.