sábado, 30 de abril de 2016

1844-Passando o Brasil a limpo





As verdades que a mentira não conta

Introdução

Começo a postagem de hoje perguntando aos meus leitores de todas as idades: qual o jovem de qualquer tempo não desejou transformar o futuro de seu tempo?

Todos, com raríssimas exceções, nas escolas, nos clubes ou associações, nas ruas e encontros entregaram seus sonhos a um Che Guevara qualquer, alguns tendo lido Marx e outros apenas movidos pelo arroubo de sua efervescência juvenil?

Se assim não foi, a realidade terá ficado muito distante de sua verdade. Esses, talvez, nem tenham a oportunidade de ler o que se escreve.

Mas, você, como eu e muitos dos que nos leem, frequentamos um bom primário, um bom ginásio (essas as nomenclaturas da época), um bom segundo grau, enfrentamos um vestibular e alguns de nós se formou num curso de licenciatura curta ou plena e poucos nós chegamos aos mestrados e doutorados.

Se não estou errado, enfrentamos a dureza do mercado, aquela que determina: quem não tem competência não se estabelece. É a lei da vida, também. Se não fossem as vacinas, os transplantes, os implantes, os antibióticos e até a transfusão de sangue, metade da humanidade não teria chegado à vida adulta. A vida chamada mercado não segue outra regra. Há as exceções: digamos que você não disputa o jogo mercadológico da concorrência, mas exerce função pública. Para chegar ao vestibular, para passar no concurso, foi e é necessário mostrar competência. Digamos que você nem é concursado e nem está na iniciativa privada. Se seu partido não for competente, o eleitor mandará você embora na primeira oportunidade que tiver. Competência não se dispensa. É a regra da vida.

Se você não vê a vida com esta visão, bem, aí nós estaremos diante de um quadro fundamentalista, radical, doentio, a caminho de juntar-se com os militantes do estado islâmico. Ali não tem democracia, não tem o direito, a justiça não funciona e as relações de mercado não são livres. Vale a barbárie.

Querer transformar o mundo para melhor usando as piores armas, não era a escolha que faziam e fazem os jovens de ontem e de hoje. Pode perguntar a qualquer um deles. A seletividade evolutiva da vida não se realiza nestes planos. Se você tem olhos para ver, há de ver que mesmo entre os jovens contemporâneos seus, aqueles que melhor se prepararam para o mercado são os que melhor se encontram na atualidade, em se tratando de inserção no mercado, renda, habitação, saúde, educação, posição social, liderança democrática.

A vida é uma floresta. Os sábios a atravessam. Os estoicos nunca saem do carrascal.

Se tentamos atravessar a floresta sem uma boa dose de vontade, persistência e determinação, e acima de tudo, sabedoria, todo obstáculo nos derrotará e a tentação de desistir será, sempre, a vitória do mal.

A maioridade espiritual exige do homem romper com a criança indecisa e carente, cobra a revelação do adulto, a emancipação do ser que sabe que se não for buscar o pão não haverá pão, que se não tiver coragem (fé, convicção em si mesmo), o medo o derrotará no meio do caminho, as tentações o tirarão da rota e não haverá travessia.

É assim que o ser humano se torna mendigo diante do pior emprego, mendigo de uma minguada bolsa família, mendigo à frente do pior serviço, sempre de mãos vazias esperando que haja um milagre. Na maior das vezes o milagreiro é o líder político ou seu pastor religioso.

Ao demonstrar capacidade para vencer os obstáculos, cada vencedor chamará para si a dignidade dos capazes, dos hábeis, dos competentes. Isso é autoestima com reflexos na alma.

Às simbologias do bem e do mal temos de acrescentar: o bem é a vitória, o mal é a derrota. Segundo a metáfora da travessia da floresta, a vitória é atravessá-la, é sair do outro lado onde haverá outro desafio carregado de luz (do bem) e, talvez, de trevas (do mal) a nossa espera. O estágio humano não é o último de nossas almas.

A derrota é deixar-se vencer pela escuridão, entregar os pontos, pedir socorro, ser carregado e admitir o fracasso, sobreviver da bolsa família, depender do emprego de favor à sombra de um partido. E ficar no aguardo de uma nova oportunidade para fazer uma nova tentativa.

Maioridade espiritual é fazer a travessia, exigir que o país faça a travessia, é ser chamado para outros desafios mais qualificados. Nós, brasileiros, em regra, afundamos sempre mais, nos desviamos sempre mais da saída.

Não se faz um país com este procedimento.

O exemplo é oportuno: o desenvolvimento do ser humano no corpo compreende o nascer, crescer até chegar ao máximo das compreensões que suas experiências proporcionarem depois de muitas décadas de caminhada pela vida. Aí este ciclo se encerra. Abre-se um outro.

As mentiras que o Brasil cultiva

Por uma série de razões que nem sempre a razão conhece, os governos populistas e paternalistas foram retirando emancipação e concedendo favores, benefícios, privilégios, esmolas. Não investimos naquilo que desenvolve. Cortamos o caminho da evolução criando comodidade, eclipsando criatividade.

Esse governo que está por se acabar, mais notadamente, pretendeu atravessar o caminho da floresta distribuindo a esmola com determinação. A inclusão universitária, através das quotas está criando o monstro da frustração: os formandos não terão como disputar o mercado – os jornalistas não saberão escrever; os engenheiros não saberão calcular; os dentistas não saberão operar; etc, etc. Não tiveram um bom ensino básico e nem um bom segundo grau, não conseguem acompanhar o ritmo e a profundidade das aulas do terceiro grau. Jamais passariam num vestibular ou num concurso. Não estão prontos para o mercado. O Brasil os castrou no passado e continua a castrar no presente.

O Brasil mata os sonhos de seus filhos ao negar saneamento básico, escola de qualidade e saúde preventiva.

Os milhões de empregos que o governo Lula diz ter criado, foi através da carteira de trabalho das domésticas. Nada mudou. Apenas elas continuaram no mesmo emprego (antes clandestino) agora com carteira assinada. Os milhões de brasileiros levados para a classe média, na verdade, sobrevivem com a esmola das bolsas e não pelo mérito de sua emancipação econômica. O boom do mercado do governo Dilma se deu com a redução de impostos para algumas mercadorias e as facilidades de crédito. Hoje as fábricas estão fechando, demitindo, o governo não tem arrecadação e os seus gastos se tornaram estratosféricos, inclusive, pela prática do superfaturamento que sustentou a corrupção.

Vamos a mais um exemplo gritante. Este diz respeito ao MST e à arrogância dos seus líderes: os quase dois mil assentamentos da Reforma Agrária, hoje, ocupam uma área de terra maior que a área ocupada pelo chamado agronegócio e produz 1% do que produz a chamada agricultura empresarial. Motivo? Os assentados não são agricultores e o governo não lhes dá assistência técnica para que se tornem produtores. Boa parcela dos assentados lá comparece para ganhar um pedaço de terra e depois vende-la e ir para outro assentamento repetir a operação. Faz isso nas barbas do governo e nada disso é controlado porque a bandidagem não deixa.

Vivemos o Brasil da mentira

O eleitor faz de conta que vota, o político faz de conta que governa, e a vaca já está no brejo. Cada um de nós tenta se safar achando que a desgraça não nos alcançará. Já nos alcançou. O mercado de trabalho tem vagas sobrando e não encontra trabalhadores qualificados para ocupá-las. Pasmem os leitores. Os haitianos que estão entre nós irregularmente porque não se naturalizaram e gozam de todos os direitos como se “brasileiros” fossem, são trabalhadores de melhor qualidade que os nossos. É a mais pura das verdades. Estão aqui sabendo que se não lutarem para vencer sucumbirão e terão de voltar, enquanto os nossos patrícios ficam à espera de uma oportunidade para se dar bem. E dar-se bem, muitas vezes, é trabalhar pouco e ganhar muito e até mesmo roubar.

“Quando o homem esqueceu que comunidade significa igualdade, deformando-a com suas leis, nesse dia nasceu o ladrão”, ensinava Carpócrates há 20 séculos, quase que ao mesmo tempo em que Jesus ensinava, ao vivo, sobre a montanha, seu evangelho libertador.

“O homem que é interiormente grande saberá que o tão esperado amigo de sua alma, o imortal, chegou de fato, para tornar o cativo cativeiro” (Jung). A ele, o homem e a mulher dirão sim. A rendição dos propósitos limitados do ego aos objetivos muito mais amplos da alma é o que dá sentido à vida. Tudo mais passará. Pode demorar, mas passará. A alma não passará. Um dia o Brasil será uma Grande Nação.  

Até semana que vem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário