sábado, 28 de maio de 2016

1848-Um estudo honesto


Quem é o ser humano?

Introdução

Resposta rápida: um terrorista, ganancioso, ladrão, sabotador.

Puxa, cara, assim você me desmonta. São qualidades nada honrosas para um ser que é esperado no final de sua carreira humana para receber uma promoção: será laureado como anjo, enquanto outros e muitos outros continuarão entrando no final da fila, quem sabe, para ser também terrorista, ganancioso, ladrão, sabotador.

Deu tudo errado? Sim, se formos revisar a nossa história com a honestidade de quem não tem nada a esconder. Voltemos os olhos para os hebreus, cuja história se confunde com a nossa por conta de que Roma, ao assumir o cristianismo, buscou estender de dentro do Antigo Testamento toda aquela história dos hebreus para se confundir com a nossa.

Se você tiver paciência para pegar a história de Adão/Eva e seus filhos, Abraão/Sara e seus filhos, só aí dá para compreender que Deus tinha bons motivos para presidir um dilúvio e destruir tudo, como fez com Sodoma e Gomorra logo depois.

É óbvio que a história a gente não pode apagar e nem modificá-la, muito menos levar Adão/Eva, Abraão/Sara e seus descendentes para a cadeira dos réus. Não é isso que se quer. Não eram santos, como não são tantos outros que vieram depois, mesmo que tenham sido santificados pela Igreja.

O que se quer com este artigo é tentar responder quem é o ser humano. Talvez nem seja mais, com tanto rigor, um terrorista, ganancioso, ladrão, sabotador. Talvez tenha melhorado um tantinho. Vamos conferir?

De visita ao planeta  

Se eu estivesse chegado hoje ao planeta, hospedado num hotel desta cidade, vendo o noticiário de tevê, qual é a informação que eu teria? Aquele da resposta rápida: o povo deste planeta é terrorista, ganancioso, ladrão, sabotador. Se não é, delicia-se com este tipo de notícia, a ponto de dar elevados índices de audiência e de encorajar os patrocinadores a investir pesadas somas de patrocínio nesse nicho de mercado.

O terrorismo se tornou uma religião. Aqueles que no seu caráter gostam de matar, encontram guarita em todo tipo de organização extremista, seja religiosa, política ou armada. Mas também há os terroristas isolados, que praticam morticínios de inocentes, explodem bombas e morrem junto por uma causa filosófica ou religiosa e até por causas políticas. Matam-se e levam consigo dezenas de pessoas inocentes, homens e mulheres. Crianças e idosos não são poupados. Estes extremistas não têm uma gota sequer de compaixão ou piedade. Destroem e dizimam famílias inteiras em nome de uma causa, quase sempre é uma crença, um objetivo espúrio. Não há um dia sequer sem essas notícias na mídia.

Gente, há 900 anos a nossa Igreja Romana comandava o terrorismo contra os muçulmanos em disputa do território de Jerusalém. Não se tem o número de mortos de lado a lado, mas foi maior de 10% da população da Terra naquele tempo. Não sabia? Pesquisa Cruzadas no Google.

Ganancioso? Eu?

Toda e qualquer notícia econômica fala de crescimento, sugere crescimento, induz crescimento. Crescer para onde se já atingimos o limite de tudo? Se o Brasil e seu povo fossem tomados como exemplo de consumo, hoje já estaríamos necessitando de 1,7 Terra para acolher nossas barbaridades de consumo e produção de resíduos sólidos, líquidos e gases. Calma. Não esbraveje, no caso dos Estados Unidos é muito pior, talvez fossem necessárias duas ou três Terras se todos os habitantes fossem como eles.

Nunca ou dificilmente veremos uma notícia falando em fazer menos para ter mais qualidade final. Todo o empreendimento quer expandir. Mas o planeta é um só. E já chegou no teto.

Sobre a ganância, recordemos que em 1532 quando foram criadas as capitanias hereditárias, os capitães ganharam fatias do Brasil, tipo assim, 500 quilômetros de costa marítima adentrando o território até onde pudesse ser considerado território pátrio. Não fizeram nada e deixaram as heranças para seus familiares, muitos dos quais nem sequer vieram ver o que era sua herança. Isso já não é latifúndio, é mundifúndio, se a palavra pudesse existir. Vieram os reais ocupantes das terras, nunca se fez uma Reforma Agrária e temos aí um problemão agrário se arrastando e o MST invadindo propriedades. Ganância, pura.

Ladrão? Eu?

Você vota, não vota? Vota em ladrão?

Com honrosas exceções, os políticos não se elegem para agir pela coletividade; querem o poder pelo poder porque o poder lhes dá chances para roubar. Todos os dias tem notícias de políticos nacionais, estaduais e municipais envolvidos com tramoias e roubalheiras. Veja uma continha: conheço uma cidade onde vereador gasta 500 mil para se eleger. Os seus subsídios em 48 meses do mandato não lhe devolvem os 500 mil. Entendeu? E todos ou quase todos fazem o mesmo. Entendeu. Se não entendeu se levanta daí e vai fazer alguma coisa para que a legislação eleitoral seja alterada.

Então, meu camarada, minha camarada, para usar aquela linguagem brega de certos ambientes, nós somos ladrões, nós colocamos ladrões para cuidar de nossas riquezas. Eles esculhambam nosso sistemas educacional, de saúde, de segurança, de transporte e muito mais e nós aqui trabalhando 3 horas por dia pra eles; trabalhando 4 meses por ano pra eles; somos o quê?

Falei de tudo? Não. Faltou o sabotador. Quem é ele? Aquele que sabota o seu próprio destino, seu próprio futuro, fazendo tudo errado para com seu corpo, sua família, sua comunidade, seu país. Sabota a vida, é um adversário de Deus. Sou eu. É você. Somos nós.

A questão moral da Terra

A questão moral da Terra, das pessoas que habitam o planeta, mostra-nos como está o “clima psicológico”. Você talvez discorde e argumente que ainda existem valores, gente macanuda, mas e aí, quem vai vencer?

Antevê-se nas cidades o que se poderia chamar de sala de estar do inferno sendo transplantada para o ambiente material, em todos os recantos do planeta na forma de “doença coletiva” com a banalização do crime de modo geral, com requintes de crueldade, onde se inclui o terrorismo.

Sem querer ser pastor dos crentes e sem fazer discurso alarmante, como ele faz, esse fator é preponderante se quisermos entender as escrituras, as profecias!… Muita gente ri e debocha, mas para prever a ruína não precisa ser profeta. Pega as vinte últimas retrospectivas da rede Globo, aquela que ela faz no dia 31 de dezembro de todos os anos e seleciona de lá aquilo que, na sua opinião, é a marcha inexorável para o caos. De cabelo arrepiado você profetizará: “não tem volta!”

Chega por hoje? Estou muito severo.


sábado, 21 de maio de 2016

1847-A caminho de uma grande Nação



O mais sério desafio e a ameaça mais concreta à sociedade atual (II)

No artigo anterior fizemos questão de colocar o antagonismo cultural em curso mostrando, de um lado, os avanços de um capitalismo financeiro-liberal, de outro, uma contracultura que se intitula defensora dos sem-vozes, sem-emprego, sem-terra, sem-teto, selvícolas, analfabetos, negros, mulheres, meio-ambiente, crianças, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, menores infratores, apenados, com uma afoita e deliberada intenção de mexer na legislação para legalizar o aborto, entre outras bandeiras, já mencionadas no primeiro artigo e por trás das intenções a liberação das drogas.

Ali no primeiro artigo buscávamos refletir, concluir e, se possível, agir, diante da percepção de estarmos envolvidos numa profunda Crise da Civilização, uma crise marcada por um processo que podemos qualificar como a "superhumanização da Humanidade", diante do confronto que se estabelece entre os chamados COM frente aos chamados SEM.

Para exemplificar discrepâncias entre as diferentes doutrinas, no Brasil, os sindicatos filiados à CUT foram implementados para entrar em greve em pleno bojo da crise brasileira em que há desemprego, recessão, déficit público monstruoso, para reclamarem reajustes de proventos em até 37%, num verdadeiro deboche à Nação.

Neste segundo artigo, queremos refletir sobre uma triste realidade: a de que não foram propriamente os humanos que criaram os mecanismos que levaram ao abismo que se abre entre os COM e entre os SEM. Por trás dessa chamada contracultura (por isso não cultura, é um movimento artificial), que nem é dissimulada, atuam poderosas forças, que são responsáveis pela fabricação de paradigmas, dogmas, chavões, jargões, sistemas, esquemas, que se abatem sobre as sociedades através da mídia, das universidades e escolas, dos sindicatos, das agências financiadoras, do mercado, dos discursos oficiais, das religiões, dos partidos e das organizações não governamentais. Mais adiante iremos listar as organizações que atuam em favor da banda COM e em favor da banda SEM, bem como da quase nula possibilidade de trilhar um caminho do meio.

O ser humano como sociedade foi retirado do centro do processo de organização da sociedade e da economia. Em seu lugar atuam entidades muitas vezes abstratas como o "mercado" ou o "meio ambiente", artificialmente dotadas de direito próprio. Até mesmo nos parlamentos, nos tribunais e nas salas onde se decide os destinos da sociedade, forças estranhas fazem acontecer coisas que acabam recebendo o carimbo de legais, mas que, no fundo, são imorais, aéticas, absurdas, mesquinhas, perniciosas. Para ilustrar essa "desumanização" versus “superhumanização”, vejamos alguns exemplos pinçados de manchetes diárias da imprensa:

“Lavrador é preso por descascar uma árvore de uma área de preservação ambiental para fazer chá”;

“Dinheiro vale mais que bom caráter, diz pesquisa entre alunos da PUC/RJ”;

“Mercados comemoram a alta do desemprego nos EUA”;

“13 milhões morrem por ano por falta de investimento em saneamento básico”;

“Com investimento anual de U$ 65 milhões, técnicos asseguram que em dez anos estaria solucionado o problema das doenças infecciosas no mundo”;

“Com investimentos anuais da ordem de U$ 100 bilhões é possível erradicar a pobreza e a miséria do planeta”;

“Mercado de capitais informa que três trilhões de dólares circulam diariamente nos mercados financeiros especulativos”.

De outro lado, existem estudos sérios indicando que em menos de uma geração, seria possível proporcionar a cada habitante do planeta um padrão de vida pelo menos igual ao de um cidadão estadunidense de meados da década de 60 - que era bem superior ao atual. Isto não ocorre, não é pela escassez de recursos naturais, humanos ou financeiros, nem por causa da "fragilidade" do meio ambiente, mas pela escassez de vontade política entre os poderes hegemônicos e as classes dominantes na maioria dos países do planeta não só do bloco capitalista. Recentes estudos mostram o aprofundamento da miséria na China, em Cuba, na Coréia do Norte, na Rússia e na Venezuela.

Um grande avanço?

O susto dado pelo nazi-fascismo deve ter servido para algo. Juntamente com a recuperação econômica pela via da reconstrução do pós-guerra (1945), instalou-se entre as sociedades o que se pode chamar de um grande "otimismo tecnológico e civilizatório", ensejado por conquistas da ciência, da tecnologia e da economia, como a corrida espacial entre os EUA e a URSS, as perspectivas de utilização pacífica da energia nuclear, a "Revolução Verde" e as conquistas da medicina. Este foi também o período influenciado pelas Décadas de Desenvolvimento das Nações Unidas e pela promulgação da Doutrina Social da Igreja Católica, cujo marco foi a encíclica Populorum Progressio.

Por que, então, em tão pouco tempo, estamos de volta numa recessão sem precedentes com enormes reflexos na falta de emprego, na queda do PIB das nações, com a falência de países, aumento da fome e deterioração dos serviços públicos?

A resposta é: por meio de uma gigantesca operação de "engenharia social", que os seus próprios planejadores chamam uma "mudança de paradigma cultural", artificialmente induzida entre as classes educadas da sociedade de quase todo o mundo a partir de meados da década de 60.

O que não se diz é que poderosas organizações agem o tempo todo “mexendo seus pauzinhos” para que as coisas aconteçam segundo querem, melhor dizendo, como querem os grupos que se valem dessas organizações para influir nos acontecimentos. Pode-se citar dentre muitas, a Fundação Rockefeller, a UNCTAD-Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento,  a OCDE-Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a ONUDI-Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, o Diálogo Interamericano, a Casa Windsor, o Instituto Real de Assuntos Internacionais (Londres), o Conselho de Relações Exteriores de Nova York, a Comissão Trilateral (Japão, EUA, Europa), o Instituto Hudson, o Clube de Roma, o Fundo Monetário Internacional, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outro Fundo da ONU para o Meio Ambiente, além das organizações de esquerda como o Fórum de São Paulo, a União das Nações Sul-Americanas, a Internacional Socialista, todas envolvidas com programas destinados a manipular ações segundo seus interesses. Além de outras atividades que se fazem por debaixo dos panos. Até as escolas de formação da CUT e do MST têm participação no que acontece nos gabinetes da Nação Brasileira.

E há, também, instituições que se anunciam como “caminho do meio”. Dentre essas se pode citar o Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), a Organização Internacional do Trabalho, a Aliança Cooperativa Internacional, a OPEP-Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OLP-Organização para a Libertação da Palestina e alguns Partidos, porém muito distantes dos níveis de eficácia dos outros dois grupos.

Essa é parte da essência da chamada "globalização", através da qual a especulação financeira foi transformada num fim em si própria, praticamente desvinculada da economia real à qual o sistema financeiro deveria servir. É o cassino financeiro global, de que fala o Prêmio Nobel de Economia, francês Maurice Allais. É a supremacia deliberada da especulação sobre a produção.

Uma nova Ordem

Para reverter este processo, será preciso a convocação de uma "nova conferência de Brenton Woods" (primeiro acordo internacional negociado sobre economia, em 1944, a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas), como propõe o economista Lyndon La Rouche, apoiado por um número cada vez maior de personalidades internacionais, com a reformulação do atual sistema financeiro e monetário mundial e a sua colocação a serviço de um projeto de reconstrução econômica em escala global, baseado em grandes programas de infraestrutura, como a Ponte Terrestre Eurasiática, encabeçada pelo Governo da China.

A promoção da "sociedade pós-industrial", alterando a falaciosa ideia da supremacia dos serviços sobre a produção física, o mito da "sociedade da informação", da "Terceira Onda" de Alvin Toffler. Atualmente, essa é a essência da chamada "Nova Economia", caracterizada pelas flutuações loucas do índice da "bolsa eletrônica" Nasdaq, que viraram destaque diário dos nossos telejornais.

Há muito tempo a economia apresenta sintomas de que perdeu totalmente o contato com a realidade.

Falácias que mudaram o mundo

A sociedade que trabalha, produz, contribui, consome e acaba pagando as contas de quase tudo, nunca tomou o cuidado de investigar o que há por trás de, por exemplo, os principais “cavalos-de-batalha” da "contracultura". Ela é baseada na disseminação do uso das drogas entorpecentes, como o LSD, a maconha e, depois, a cocaína, a heroína e, mais recentemente, o crack; na popularização internacional do rock, que era uma variedade musical pouco expressiva nos EUA; e na chamada "revolução sexual", na verdade promiscuidade que nos deu a AIDS, todos esses “ganchos” de enriquecimento por conta do ato em si e das suas consequências.

Juntamente com isto, tivemos uma distorção do conceito de família, que passou a significar a união de quaisquer pessoas, independentemente do sexo. Imagine-se o efeito psicológico momentâneo e futuro de uma criança que tenha "dois pais", ou "duas mães". Não vejam nisto nenhuma manifestação de intolerância contra homossexuais, mas admitir que dois deles ou duas delas possam constituir uma família normal é uma violação de algo que anda na contramão das leis naturais.

Tivemos nesse mesmo sentido uma inversão de valores quando se diz que o condenado à prisão tenha mais direitos que a família que perdeu um dos seus membros pelo ato assassino do criminoso que, de dentro das penitenciárias, comanda escancaradamente, sem repressão, as ações de suas gangues nas ruas e gabinetes.

Chegamos ao detalhe da vulgarização da mulher e do homem. Ambos exibem seus corpos nas ruas, shoppings e festas, estimulando a sacanagem e multiplicando os estupros.

Outra vertente da "contracultura" foi a onda de irracionalismo conhecida como "Nova Era", baseada na exploração do misticismo, principalmente envolvendo religiões orientais mediante a criação da autoajuda, na verdade, um clientelismo espiritual.

Um elemento cada vez mais importante desse processo é a politização do malthusianismo e de sua variante mais recente, o ambientalismo, que são talvez os principais responsáveis pela disseminação da percepção equivocada de que os benefícios da civilização industrial não podem ser estendidos a todos os povos e países do planeta, devido à "escassez de recursos naturais" e à "fragilidade" do meio ambiente. O ambientalismo se presta a uma série de propósitos antidesenvolvimentistas, sendo o principal deles incutir nas mentes das pessoas desprevenidas a falsa noção de que o progresso mundial deve subordinar-se a critérios de "proteção da natureza" definidos muito mais com base em fatores políticos do que científicos. Os interesses privados devem, sim, estar sujeitos aos interesses coletivos, porém com critérios legais e com base científica. A grande maioria dos chamados "problemas ambientais" que estão justificando a implementação de uma série de ações antidesenvolvimentistas, inclusive tratados internacionais altamente restritivos dos planos de desenvolvimento da maioria dos países, como o chamado "buraco" na camada de ozônio ou o aquecimento global são, na verdade, fenômenos naturais que ocorrem há milhões de anos sem qualquer interferência humana. E usados para combater a iniciativa privada.

Um exemplo disso é o chamado aquecimento global, que está sendo manipulado para justificar a adoção da chamada Convenção Quadro de Mudanças Climáticas, que prevê a redução das emissões dos gases provenientes da queima de combustíveis fósseis aos níveis vigentes em 1990. Como os combustíveis fósseis representam três quartos da produção mundial de energia, pode-se imaginar o impacto que essa redução causará nos perfis mundiais de consumo energético e de desenvolvimento econômico, que depende fundamentalmente da disponibilidade de energia. Pode-se perceber facilmente que o que se pretende é o que o falecido embaixador João Augusto de Araújo Castro chamava o "congelamento do poder mundial", ou seja, o congelamento dos níveis de desenvolvimento do planeta nos níveis atuais, cuja desigualdade e injustiça social dispensam maiores comentários. Evidentemente, isso não tem nada a ver com a realidade científica, pois já houve muitos períodos do passado geológico da Terra, até recente, dentro da fase de existência da espécie humana, em que a temperatura atmosférica foi mais alta que a atual, sem que a indústria humana tivesse qualquer coisa a ver com isto.

A criação do movimento ambientalista internacional foi um dos mais bem sucedidos resultados desse processo de "engenharia social" das oligarquias transnacionais, que o controla de alto a baixo, por intermédio do aparato internacional das ONGs, que elas próprias financiam e, em muitos casos, criaram.

Hoje, verdadeiras máfias ambientalistas conseguem retardar, impedir e paralisar obras sob os mais pífios argumentos, como é o caso do túnel do Morro dos Cavalos, em Palhoça, SC, porque sua construção ao contrário de beneficiar 50 milhões de brasileiros, vai tirar o mercado de balaios de uma comunidade de 25 índios guarani. A mídia já consegue sensibilizar uma sociedade inteira para a defesa de um cãozinho abandonado num terreno baldio, mas faz vistas grossas para a criança faminta na outra esquina.

Lavagem cerebral escolar

Nenhuma dessas iniciativas teria sido bem-sucedida se não fosse pela instituição de uma série de "reformas educacionais", igualmente planejada por aqueles grupos hegemônicos, que resultou no abandono dos currículos de conteúdo clássico e sua substituição por currículos supostamente "profissionalizantes", principalmente no ensino médio. Mas, a universidade não escapou disso. É raro encontrar, principalmente nas universidades públicas, professores e alunos fora da mentalidade em curso que faz com que as pessoas fiquem dependuradas nos cargos públicos voltadas para a obstrução das ações da iniciativa privada.

Essas "reformas" foram inicialmente planejadas no âmbito da OCDE, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, adotadas nos EUA e daí se espalharam pelo mundo. O resultado final foram sistemas educacionais que nem formam cidadãos com uma visão ampla da sociedade e do mundo e nem preparam profissionais qualificados: o mercado de trabalho que o diga. E este problema só tende a se agravar se não houver uma retomada dos currículos clássicos, pois como se pode imaginar, com as rápidas mudanças da base científico-tecnológica da economia, se pode prever para as próximas décadas uma carência ainda maior que a atual de profissionais capazes de operar a realidade futura do nosso progresso.

Um currículo clássico seria a única maneira de preparar cidadãos aptos a se beneficiar de um processo de educação permanente, que parece ser a tendência do futuro próximo se as universidades federais deixarem.

Apesar de adotado em quase todo o mundo, no Brasil essa adoção acrítica dentro dos chamados acordos MEC-USAID, foi um dos maiores erros dos governos militares, cujas consequências estamos pagando ainda hoje.

Recentemente, o MSIa-Movimento de Solidariedade Ibero-americana publicou um livro chamado “A educação clássica para um novo Renascimento”, no qual propõe um grande debate em torno desses assuntos.

Governo mundial?

Finalmente, devemos considerar que temos o planejamento e a instituição de uma série de estruturas de um "governo mundial", que esses grupos de dominação pretendem colocar no lugar dos Estados nacionais soberanos e suas instituições. Entre essas estruturas, destaca-se a iniciativa de criação de uma legislação internacional em torno de temas de grande impacto psicológico, como o desarmamento e a não-proliferação de armas de destruição em massa, o meio ambiente, a proteção dos "direitos humanos", o combate à corrupção e, mais recentemente, a promoção da "democracia". As funções precípuas de um Estado nacional soberano seriam transferidas a uma entidade supranacional, não-eleita e que não representa minimamente os interesses da cidadania local. Além disto, se formos ver quem está por trás dela, encontraremos a mesma máfia que está por trás do ambientalismo e de outras bandeiras: a Transparência, por exemplo, é ligada às redes do príncipe Philip (Inglaterra) e o seu pessoal foi recrutado entre ex-funcionários do Banco Mundial e do FMI. Isto não é "teoria conspiratória".

Aliás, a introdução das ONGs como agentes políticos, em substituição às instituições do Estado nacional é uma parte fundamental desse processo. Não nos esqueçamos de que o nosso ex-presidente da República costuma chamar as ONGs de "organizações neogovernamentais", em lugar de "não-governamentais". A "convocação" da Transparência se insere neste contexto. O mesmo acontece com a participação ativa do Movimento Viva Rio na elaboração da nova política de segurança do País, a chamada "segurança cidadã", que alegadamente deve substituir a antiga "segurança nacional", considerada um conceito ultrapassado dos governos militares.

Aqui também se insere a falaciosa sugestão de que o fim da Guerra Fria justificaria um processo amplo de "desmilitarização", de redução dos efetivos das Forças Armadas da maioria dos países, principalmente os subdesenvolvidos. Evidentemente, aí não se incluem as forças da OTAN, que cada vez mais vai assumindo o papel de uma "gendarmeria internacional" automobilizável, que não responde nem mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, como temos visto nestas últimas mobilizações de suas forças. Amanhã, talvez, o alvo possamos ser nós, sob o pretexto de que este ou aquele governante vai implantar um governo comunista ou por não estarmos protegendo adequadamente a Floresta Amazônica ou as minorias indígenas.

Fim da História?

Quantos profetas do apocalipse tivemos, além de João Evangelista? O da camada de ozônio e o da elevação dos níveis dos mares já foram desautorizados. Outro deles trouxe um mito particularmente pernicioso, que é o do "fim da História", que, sintomaticamente, foi criado por um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Francis Fukuyama (que, aliás, está ficando rico com ele, pois lhe pagam 20 mil dólares por conferência para propagandear essa idiotice). Trata-se da tese de que a chamada democracia liberal seria o ponto final da evolução histórica da Humanidade. Ora, para que alguém admita isto, é preciso ser um completo ignorante em História. A História jamais acabará enquanto seus agentes, os seres humanos, continuarem lutando pelo direito ao bem-estar e ao progresso, e ainda estamos muito longe de proporcionar estes direitos a pelo menos um significativo terço da Humanidade, nada menos de 3 bilhões de pessoas. Um bilhão delas estão deixando seus países para procurar comida, abrigo, remédio, emprego em outros países, inclusive no Brasil. Portanto, estamos muito distantes de qualquer "fim da História".

Talvez dê para afirmar que como humanos, efetivamente assim qualificados, ainda nem começamos a escrever a nossa História.

Vamos agora para a parte final dessa nossa conversa, que, aliás, é a mais importante, pois trata do que fazer frente a esse quadro tenebroso.

A maioria das pessoas, quando começa a analisar o atual cenário mundial, desanima da possibilidade de se reverter esse quadro de decomposição civilizatória, pois acha que os "donos do mundo" são muito poderosos para serem enfrentados com sucesso. Esta é uma falsa percepção, pois, por mais poderosos que sejam, eles não podem contrariar as leis universais permanentemente em vigor. Isto é, o que queria dizer Abraham Lincoln, quando afirmou que "pode-se enganar todos por algum tempo e alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos pelo tempo todo". Assim, a pergunta relevante não é "se" podemos reverter essa crise, mas "como" fazê-lo, ou seja, como reverter a "mudança de paradigma cultural" imposta pelas oligarquias transnacionais sejam de direita ou de esquerda. Isto, porque a inevitável derrocada dos inimigos do progresso não implica na vitória automática dos defensores da Civilização; será preciso que estes tenham preparado um plano de ação para colocar em prática na hora certa.

A ideia de "crise" combina com "risco", e com "oportunidade", do mesmo modo que uma doença sempre é um chamado para mudarmos de rota. Portanto, o que temos que fazer é transformar o risco de uma nova idade de trevas na oportunidade de um novo Renascimento, que possibilite uma retomada das expectativas que foram abandonadas anteriormente. Um Iluminismo, agora menos ateu que aquele anterior, até porque o Papa Francisco parece ser um aliado nesse sentido.

Para concretizar essa oportunidade será imprescindível a emergência de uma nova elite, consciente e determinada a retomar, promover e implementar aqueles princípios civilizatórios abandonados. E quando se fala de elite, não nos referimos propriamente aos que têm maior poder econômico ou político, ou mesmo influência intelectual. Hoje, uma elite é a que sai às ruas para protestar, reivindicar, participa de abaixo-assinados pelas redes sociais, boicota produtos e estabelecimentos, veta nomes de magistrados, delegados, embaixadores ou quaisquer outros que sejam nomeados para exercer cargos que os nossos impostos sustentam.

Mais do que nunca o cidadão de elite, hoje, não é o coronel do voto a cabresto, é aquele cujas preocupações e ações transcendem o seu universo pessoal e familiar e que se dispõe a atuar em prol da comunidade e até da Humanidade. Ou seja, nós teremos que formar essa nova elite. Cada um de nós deve tornar-se um apóstolo, ou melhor, um guerreiro em defesa daqueles princípios civilizatórios não viciados. Guerreiro para não dizer guerrilheiro, porque os inimigos do progresso dificilmente podem ser enfrentados frente a frente se não for por processos mais inteligentes que os seus; para isso, geralmente, é preciso empregar manobras de flanco e ações de guerrilha.

As redes sociais que nos servem para esta mensagem andam mais rápidas que as reuniões que eles fazem na calada da noite nos subterrâneos sociais. É claro que necessitamos criar a necessária conscientização e, quem sabe, também a determinação. Mas, a dor ensina a gemer. Doendo já está. Falta o gemido.

Talvez, o melhor antídoto para essa derrocada civilizatória que estamos discutindo seja a retomada de um conceito que atualmente anda meio fora de moda, o de um projeto nacional, considerado obsoleto nestes tempos de "globalização". Um projeto nacional é exatamente o que necessitamos para promover e consolidar uma retomada da ideia de progresso e do princípio republicano, e o Brasil é um dos países que tem melhores condições para isto, podendo até mesmo influenciar outros países nesta empreitada. É pena que tenhamos eleito governos que têm projeto de poder e não projeto de Nação.

Um projeto nacional não é uma excrescência ou um exercício acadêmico, como sugerem alguns "globalistas" deslumbrados. Todos os países do mundo que atingiram um nível significativo de desenvolvimento o fizeram com base em projetos nacionais bem definidos e implementados por suas elites dirigentes. Um projeto a favor de todos sem ser contra ninguém. E como se estrutura um projeto nacional? Independentemente dos seus detalhes específicos, um projeto nacional se baseia em três diretrizes fundamentais:

1) Harmonia de interesses entre os setores representativos da sociedade.

2) Igualdade de oportunidades para que todos possam exercer uma verdadeira cidadania.

3) Solidariedade para com os retardatários do processo. Este é um ponto crucial, no qual é fatal qualquer concessão a conceitos falaciosos como o de "excluídos", tão usado ultimamente para justificar a sua falta de compromisso com o real combate à pobreza e à real miséria no nosso País.

Nesse esforço em prol da Civilização, vale lembrar que nenhuma contribuição é desimportante. Cada um de nós pode dar uma contribuição relevante, por menor que possa parecer. O maior erro – segundo Burke – foi cometido por aquele que nada fez, pois achava que apenas podia fazer muito pouco. Ninguém pode saber se um de nós poderá aportar a contribuição que irá deflagrar o efeito de "massa crítica" da conscientização necessária.

BIBLIOGRAFIA

O presente trabalho é um apanhado em mais de 50 fontes, quase todas elas citadas no interior do texto.

sábado, 14 de maio de 2016

1846-Os caminhos para uma grande Nação




O mais sério desafio e a ameaça mais concreta à sociedade atual (I)

Introdução

Longe de querer transformar o blog Maioridade Espiritual em uma coluna semanal de política e economia, tenho dedicado generosos espaços à análise do momento atual de nossa Pátria, envolvida que está num torvelinho de interesses, maior parte deles não devidamente claros.

Se isso é uma tendência planetária, ainda não estou convencido, mas se somos o resultado de séculos da cultura europeia com pinceladas asiáticas e africanas, sem desmerecer a própria cultura dos nativos da América, é bem possível que o que escrevo sirva também para definir o mundo.

E o farei em dois artigos, um hoje e outro na semana que vem.

Acompanhe, por favor.

E agora, brasileiro?

Todos os homens e mulheres do Brasil e quiçá do planeta são chamados a participar da reconstrução humana de nosso século, das últimas décadas, de nossa década, nem que para isso levemos um milênio.

Caminhamos por demais em direções opostas e damos a volta ao globo para, de repente, nos encontrarmos frente a frente ricos e pobres, escuros e claros, civilizados e adeptos da contracultura, batizados e pagãos, héteros e homos, obesos e esquálidos, saciados e famélicos, capitalistas e anticapitalistas, nós e eles (e olha não incluí islâmicos e cristãos).

O principal problema nisso tudo é que a disparidade se deu por caminhos violentos, colonização, invasão, dominação, guerras, escravidão, espoliação e, hoje, os que atravessaram a ponte estão assustados com as levas que correm na sua direção, por bem e por mal, cobrando soluções para problemas com cinco mil anos de idade ou mais.

Parece ter tido início nas cidadelas que viraram guetos, que viraram muros, que viraram condomínios, que são clubes, organizações, instituições, grupos, sempre separando, sempre excluindo, sem incluir, até chegarmos a uma sociedade onde a diversidade de costumes, culturas e ideologias coloca-nos em conflitos, luta armada, sabotagem, terrorismo, extermínio, genocídio, ódio racial e social, segregação ideológica.

No campo da antropologia o posicionamento, a visão das atitudes e valores de determinada coletividade são definidas como Etnocentrismo e Relativismo. No primeiro, suas referências são tidas como padrão, ou seja, como alguém diferente e superior ao outro, enquanto que no Relativismo, leva-se em consideração vários tipos de análises, mesmo divergentes, em que a sua verdade não é absoluta. Mas, isto está ficando para trás quando a conjuntura sai do plano teórico e chega aos níveis das migrações incontroláveis como as que ocorrem desde a África e da Ásia em direção à Europa e desde os países menos ricos da América em direção aos países mais ricos deste mesmo continente, como é o caso México x EUA, Haiti x Brasil e já ocorreu e ocorre dentro mesmo do Brasil quando milhões de nordestinos se evadiram em direção de Brasília e São Paulo, mais numerosamente.

Parece não ser apenas uma questão caridosa. A solidariedade se faz nanica diante do imenso desafio. A sociedade que atravessou a ponte sempre desejou barrar a chegada dos diferentes. Isso se reflete nos bairros das cidades e até mesmo nos condomínios onde algumas torres são para a classe A, enquanto outras são para as classes B ou C; se reflete nas casas de espetáculo, onde, nos camarotes existem classificações distinguindo quem é mais-mais de quem é um pouco menos-menos e de quem é quase nada; se reflete nas torcidas de futebol, no interior dos aviões, nas salas VIP e até nas cadeias.

Veja aí se existe defesa para a prisão especial para o bandido com curso superior. Aquele que mais deveria respeitar a lei porque não é um ignorante, acaba premiado ao ser condenado.

Hoje a classe que se julga A já não pode comportar-se como benevolente, mecenas, doadora. Os pedintes, os mendigos, os refugiados, os expatriados, os sem-terra, os sem-teto, os excluídos têm ideologia, tem cultura, tem métodos, tem poder, tem organização.

Lá atrás, quando as questões filosóficas e ideológicas tratavam da desconstrução do modelo elitista-capitalista-liberal-aristocrático, imaginava-se muito menos do que aconteceu, inclusive, nas asas do marxismo e de outros movimentos antagônicos da época. Quando o islamismo entrou em cena e vieram as batalhas africanas e sul-americanas por questões de poder, o que se vê é avassalador. Há uma reação ideológica orquestrada nas três regiões do planeta que foram mais brutalmente exploradas pelos colonizadores/dominadores.

A questão deixou de ser retórica, apanha as nações despreparadas para lidar com as consequências do modelo: violência generalizada, invasões, ocupações, migrações, choques linguísticos, choques religiosos, questões de habitação, urbanismo, esgoto, alimentação, trabalho, saúde, educação, segurança, mobilidade. Do lado de cá da ponte (se é que a atravessamos), estávamos acostumados a agirmos mais da forma etnocêntrica que da forma relativista, sejam em aspectos religiosos, políticos, morais, econômicos, etc., haja visto noticiários de vários conflitos tais como: briga de torcidas organizadas, pratica de racismo e intolerância religiosa, violência contra gays e no lar contra a mulher. As pessoas têm o costume de valorizar o seu modo de agir e viver como se fosse o correto e verdadeiro. Não se trata de olhar o etnocentrismo como aspecto cultural, pois o etnocentrismo é ferramenta importante para preservação da história local. O problema que se criou está do lado de fora do muro, da fronteira étnica.

Essa prática em discriminar as pessoas que não são iguais a mim, pode ser encontrada no campo das desigualdades sociais. É um comportamento, através do qual, o resultado é gerador de violência dentro de uma sociedade e agora se amplia. Dos comportamentos etnocêntricos resultam o ódio e o inconformismo e fazem com que alguns venham a ter atitudes contrárias àquelas comuns a todos da comunidade, que são em grande parte práticas de crimes e contravenções penais. A índole coletiva se irradia para os indivíduos e volta a ser novamente coletiva. Se tornou global quando já não está mais dentro de uma mesma etnia, nem dentro de uma mesma nação.

Há que pensar

No nível interno das nações, as influências, autoridade, conflitos, comportamentos divergentes, hierarquias e as questões de poder são temas de estudo das relações interpessoais. Especialistas declinam como fato gerador que podem em algum momento transformar-se em violência doméstica contra o idoso, a mulher, a criança, o negro, o gay, etc. Os fatores psicológicos da vida social: liderança, status social, estereótipos, tem por consequência um processo de transformação pelo qual o indivíduo excluído ou separado socialmente perde a referência de valores éticos e se volta contra o próximo. Em grande parte, a família deixou de educar seus membros e nos entrega levas e mais levas de bandidinhos em potencial.

No outro nível, maior, quando se vê o Estado Islâmico executando cristãos, ricos, capitalistas como um ato para vingar-se das atrocidades que relata contra sua etnia, o problema deixa de ser nacional, ganha foros mundiais.

Não é só, mais, um desafio deste ou daquele governo local, estadual ou nacional para melhorar a condição de vida de moradores em favelas ou bairros desassistidos. Nem de proporcionar acesso à internet, creches para que as mães possam trabalhar tranquilas e aumentem a renda familiar, nem de postos de saúde, farmácias populares, praças de esporte, medidas outras e outras para evitar de serem tragados pelo submundo social.

Para que isto se rompa e passe pelas modificações necessárias é preciso que cada indivíduo pense e olhe um para o outro grupo com humanidade e boa vontade para contribuir com soluções efetivas. É preciso encarar que o outro está vindo para a mesma rua, para o mesmo bar, para o mesmo supermercado, para o mesmo show, amanhã será meu empregado, meu genro, pai dos meus netos. Quem cederá? Qual será a religião comum? Em quem votaremos? Para quem o governo governará?

Abaixo o Otimismo Civilizatório

Dá uma atenção para o que se escreve. O otimismo civilizatório é um estilo de vida, um ranço ao progresso irrefreável pelo bem da humanidade alcançado pelas sociedades capitalistas, neoliberais e que, conforme esse pensar, desgraçam o nosso mundo, de todos.  É uma ideologia que derruba tudo o que se conquistou no mundo civilizado, uma desconstrução não filosófica, na porrada.

Condena a especulação imobiliária, a iniciativa privada, o empreendedorismo.

Condena as bolsas de valores e as aplicações financeiras.

Condena os ideais de beleza e comportamento e as expectativas de gênero.

Condena a limpeza, a organização, a lei e a ordem.

Condena as redomas divisionais que excluem e separam os mais-mais dos menos-menos.  

Condena o sujeito bom civil, pagador de seus impostos e eleitor de seus candidatos e a obrigatoriedade do serviço militar.

Condena frequentar uma igreja e, ao sair dela, e virar as costas para ela, voltar a ser covarde, hipócrita, falso, traidor.

Condena não se exaltar durante uma discussão, ser um bom perdedor-fujão.

Condena aparentar uma pessoa boa, mas ser extremamente vil.

Condena o desrespeito total por culturas alheias à sua, por religiões alheias à sua, por línguas alheias à sua, por pessoas que pareçam diferentes.

Questiona o homem branco chegado às costas da América em 1492, e ter praticado o genocídio de índios e negros. Condena reproduzir o racismo cotidiano praticado pela Europa e pelas nações civilizadas à sombra da Europa.

Condena a violência contra mulheres, crianças, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais.

Pede que venham os gritos da resistência contra narrativas homogeneizantes que renovam as justificativas para as dinâmicas de submissão e opressão.

Enaltece o que está em curso entre as culturas dominadas, depois de séculos de dominação. Fala do Estado Islâmico e do Ideal Comunista como instrumentos de reação.

Declara-se não membro deste mundo elitista dominador, explorador, cliente das benesses dos governantes, beneficiários e donatários de capitanias hereditárias e de imensas sesmarias de terras, invasores de santuários ecológicos, subornadores de juízes e fiscais, contumazes aplicadores de carteiraços quando são pegos em desvantagem.

Os declara inimigos da humanidade, que terão de recuar por bem ou por mal, no Estado de Direito ou no Estado de Exceção, na Legalidade ou no Ilegalidade que, aliás, eles muito bem conhecem. Haverá o recuo consentido ou o recuo forçado.

E agora, cidadão, contribuinte, eleitor, consumidor?

E agora? Agora só nos resta ter consciência de que nenhuma das duas bandas interessa a quem faz a produção, o consumo, a prosperidade, a harmonia social, a responsabilidade, o direito, a justiça, que são coisas mínimas para que sejamos seres de uma sociedade que se expande para chegar a ser uma humanidade.

É preciso abrir fóruns imediatos nos quais se fale abertamente desses problemas e que tenhamos líderes, governantes, legisladores, empresários, magistrados capazes de transformar as conclusões em ações práticas.

Sabemos que levaremos séculos procurando consertar os descaminhos. O pior rumo é o confronto.

Semana que vem continuamos.

sábado, 7 de maio de 2016

1845-Um dia o Brasil será uma grande Nação



A escolha será nossa quando for sua

Introdução

Quem de nós, em qualquer idade, não tenhamos sonhado com o Brasil de um sonho intenso e vívido, como uma grande Nação? Vimos isso, em parte, na postagem anterior, resgatando para muitos dos jovens do século passado e deste os sonhos pintados com os nomes de socialismo, comunismo, fraternidade, igualdade, liberdade e por aí a fora.

Os chavões e jargões são inventados, muitas vezes, como peças de marketing. A única que funcionou a contento foi a da Copa 70: o Brasil inteiro vibrou nos sons da campanha do tri, mas não se pode esquecer que havia bons jogadores escalados. Nas demais sempre amargamos fracasso. Nos preparamos pra muito e choramos por menos. Agora, mesmo, estamos fogueteando a saída da Dilma e podemos amargar a chegada de Temer.

O que saiu errado? Errado, mesmo, foi a eleição do Collor e, na sequência a de Lula-Dilma. O melhor governo de todos esses anos foi o do Itamar.

Todo jovem em todos os tempos, com raríssimas e honrosas exceções, foi e é um revolucionário. E ser revolucionário significa libertar, desacorrentar, modificar. O ímpeto jovem, muitas vezes, se volta contra a autoridade paterna/materna e se estende para outros setores da vida como a polícia, os governos, os mandões, os chamados dominadores. Leituras apetitosas à idade sugerem corrigir as distorções que acabam por tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Modelos que dão mais poder a quem tem o poder. E por conta desse axioma nasceu entre nós o modelo político que promete resolver os problemas dos pobres, não com soluções de raiz, mas sim através de favores, jeitinhos, espertezas.

Ocorre que a vida não trabalha desta forma, como veremos.

Quem deve ir adiante?

Não há milagre, há lógica.

Dentro da estrutura vital, segundo as leis da biologia, quem deve ir adiante são os competentes. Competentes geneticamente para vencer as endemias, as enfermidades, a fome, o frio, o calor, a sede, tudo quanto depuser contra a continuidade da vida. Vida só é vida quando houver equilíbrio. Essa é a mais dura e cruel das realidades, olhada com altivez por quem tenha a paciência de examiná-la no contexto macro e micro, mineral, vegetal, animal... Por que teria de ser diferente com os humanos?

Bem, ainda com vistas ao que se disse (favores, jeitinhos, espertezas), o modelo de política e de mercado avançou tirando proveito de um axioma cruel e perverso: capacitando menos aqueles que não devem emergir, os empreendedores teriam mão-de-obra mais barata e com isso ganhariam mais. Com soluções protecionistas, os industriais da química, em conluio com a universidade, venderiam seus produtos destinados a tornar defesos bilhões de homens e mulheres que não teriam a menor chance de sobreviver às endemias e enfermidades. Os donos da indústria ganhariam muito dinheiro com isso.

Estava montado o tripé (cruel e perverso): mais gente (altíssimas taxas de natalidade) para disputar o mercado de trabalho (derrubando a remuneração); aberto um mercado imensurável quanto ao consumo com lucros sem limites aos empreendedores de serviços, comércio e principalmente indústria; criada a carreira do político profissional, da promessa sem solução e que, de forma muito sofisticada, enche os bolsos desses profissionais das urnas (e às vezes das ditaduras), nem sempre, quase nunca, de forma honesta.

O Brasil em seus 516 anos de história é um perfeito laboratório para a aplicação dessas fórmulas que se valem do tripé referido. Empreende-se menos para que a concorrência não seja vigorosa; tem-se muita gente (pouco qualificada) disputando as vagas de emprego; e o poder se torna restrito àqueles que o usam em seu próprio benefício sem mudar nada (os partidos permitem a oligarquia).

A Nação sonhada é uma utopia cantada no Hino Nacional, mas nunca praticada. Os capazes mercadologicamente falando são poucos. É como se numa floresta o menor número de árvores sobressaísse a ponto de “afogar” as demais, que tornar-se-iam nanicas por regra; ou como se numa fauna 95% dos animais estivessem a mercê de tornar mais gordos e mais capazes os 5% restantes.

Vê-se, com clareza, onde está o “buraco”. O equilíbrio, do ponto de vista natural e, portanto, humano, não é buscado e não é conseguido.

Um processo cruel e perverso

Nosso país caminhou quase 400 dos seus 516 anos de história praticando a escravidão, em que o escravo não ia à escola, comia mal, dormia mal, trabalhava sob condições precárias e enriquecia o seu senhor, um modelo que com algumas sofisticações veio para dentro das universidades (o vestibular escolhe os capazes), fábricas (os capazes ocupam os postos chaves), comércios (os capazes vendem mais) e serviços (os capazes permanecem no mercado)... A própria Igreja ajudou nesta configuração quando criou os seus colégios católicos frequentados por filhos e filhas dos abastados mantenedores da Mitra. Os seus alunos deveriam ser os advogados, os médicos, os professores (para replicar o modelo), os juízes, os legisladores, etc. As alunas mulheres deveriam ser esposas capazes de cuidar dos filhos, netos e bisnetos das sucessões.

Note, em contrapartida, a mulher pobre saiu de casa para trabalhar e assim perdeu o comando na educação de seus filhos.

A sociedade perfeita funcionava apenas em favor da elite.  

A escola pública era para quem não podia pagar pela educação de primeiro mundo. E se a escola (pública) não dava pessoas competentes para ocupar os postos chaves da vida socioeconômica, a vida socioeconômica em seu comando e desfrute deveria caber, mesmo, de fato, aos “competentes”, segundo essas regras. Os “incompetentes” iriam, foram, amargar os piores empregos e a pior remuneração.

A pobreza da mentalidade, mesmo daquela mentalidade juvenil, que sonhava com as fórmulas marxistas (não aplicadas com sucesso nem na Rússia, nem na China, nem em Cuba) e mantida a mesma pobreza sonhadora que deu origem aos partidos comunistas e socialistas do lado de cá, em nenhum momento os seus projetistas pensaram na erradicação do modelo cruel e perverso. Pensaram em chegar ao poder em substituição aos que estavam no poder. Só. Mais nada. Os terroristas que lutaram contra os militares, no Brasil, não queriam a democracia (como hoje mentem por conveniência), queriam tomar o poder das pessoas que lá estavam.

O trabalhador brasileiro, com raras exceções, é um pobre (in)conformado com o que ganha, em geral adversário do patrão, que não enxerga um palmo adiante do nariz e não deseja nada melhor do que essa mesma realidade para seus filhos, guardadas honrosas exceções.

É isso que dá origem ao Bolsa Família, ao Fies, ao Pronatec, ao Prouni, ao Minha Casa minha Vida, às quotas universitárias, aos baixos salários que se paga aos professores, ao desaparelhamento da universidade, ao caos da saúde, ao MST, à CUT inimiga dos patrões.

Quem de sã consciência pode afirmar que os fatores de produção (capital, trabalho, conhecimento e natureza) são adversários entre si? O capitalismo e o comunismo inventaram essa monstruosidade.

O Brasil será uma Grande Nação

Um dia, sim, seremos uma grande Nação. Quando nossas escolas, inclusive a universidade, pararem de formar pessoas para serem empregadas, assalariadas, e passarem a formar mentalidades empreendedoras, inclusive para serem parceiras de quem lhes proporcione o emprego. O capital nunca foi adversário do trabalho. A dicotomia é ideológica e proposital, cavalo de batalha sindical.

Assim, um dia, nascerá também o modelo de eleitor, aquele que nada espera (em troca fisiológica) do político, além de leis capazes de mudar a realidade das massas eleitoras.

O pobre não precisa de esmola. A esmola o descredencia, o desvaloriza e o desmotiva. O pobre precisa ser desenvolvido e quem pode desenvolvê-lo é a escola, a boa escola, aquela escola onde os ricos estudam e se formam.

A maioridade espiritual, proposta por este blog, caminha nesse rumo.

Até semana que vem.