sábado, 7 de maio de 2016

1845-Um dia o Brasil será uma grande Nação



A escolha será nossa quando for sua

Introdução

Quem de nós, em qualquer idade, não tenhamos sonhado com o Brasil de um sonho intenso e vívido, como uma grande Nação? Vimos isso, em parte, na postagem anterior, resgatando para muitos dos jovens do século passado e deste os sonhos pintados com os nomes de socialismo, comunismo, fraternidade, igualdade, liberdade e por aí a fora.

Os chavões e jargões são inventados, muitas vezes, como peças de marketing. A única que funcionou a contento foi a da Copa 70: o Brasil inteiro vibrou nos sons da campanha do tri, mas não se pode esquecer que havia bons jogadores escalados. Nas demais sempre amargamos fracasso. Nos preparamos pra muito e choramos por menos. Agora, mesmo, estamos fogueteando a saída da Dilma e podemos amargar a chegada de Temer.

O que saiu errado? Errado, mesmo, foi a eleição do Collor e, na sequência a de Lula-Dilma. O melhor governo de todos esses anos foi o do Itamar.

Todo jovem em todos os tempos, com raríssimas e honrosas exceções, foi e é um revolucionário. E ser revolucionário significa libertar, desacorrentar, modificar. O ímpeto jovem, muitas vezes, se volta contra a autoridade paterna/materna e se estende para outros setores da vida como a polícia, os governos, os mandões, os chamados dominadores. Leituras apetitosas à idade sugerem corrigir as distorções que acabam por tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Modelos que dão mais poder a quem tem o poder. E por conta desse axioma nasceu entre nós o modelo político que promete resolver os problemas dos pobres, não com soluções de raiz, mas sim através de favores, jeitinhos, espertezas.

Ocorre que a vida não trabalha desta forma, como veremos.

Quem deve ir adiante?

Não há milagre, há lógica.

Dentro da estrutura vital, segundo as leis da biologia, quem deve ir adiante são os competentes. Competentes geneticamente para vencer as endemias, as enfermidades, a fome, o frio, o calor, a sede, tudo quanto depuser contra a continuidade da vida. Vida só é vida quando houver equilíbrio. Essa é a mais dura e cruel das realidades, olhada com altivez por quem tenha a paciência de examiná-la no contexto macro e micro, mineral, vegetal, animal... Por que teria de ser diferente com os humanos?

Bem, ainda com vistas ao que se disse (favores, jeitinhos, espertezas), o modelo de política e de mercado avançou tirando proveito de um axioma cruel e perverso: capacitando menos aqueles que não devem emergir, os empreendedores teriam mão-de-obra mais barata e com isso ganhariam mais. Com soluções protecionistas, os industriais da química, em conluio com a universidade, venderiam seus produtos destinados a tornar defesos bilhões de homens e mulheres que não teriam a menor chance de sobreviver às endemias e enfermidades. Os donos da indústria ganhariam muito dinheiro com isso.

Estava montado o tripé (cruel e perverso): mais gente (altíssimas taxas de natalidade) para disputar o mercado de trabalho (derrubando a remuneração); aberto um mercado imensurável quanto ao consumo com lucros sem limites aos empreendedores de serviços, comércio e principalmente indústria; criada a carreira do político profissional, da promessa sem solução e que, de forma muito sofisticada, enche os bolsos desses profissionais das urnas (e às vezes das ditaduras), nem sempre, quase nunca, de forma honesta.

O Brasil em seus 516 anos de história é um perfeito laboratório para a aplicação dessas fórmulas que se valem do tripé referido. Empreende-se menos para que a concorrência não seja vigorosa; tem-se muita gente (pouco qualificada) disputando as vagas de emprego; e o poder se torna restrito àqueles que o usam em seu próprio benefício sem mudar nada (os partidos permitem a oligarquia).

A Nação sonhada é uma utopia cantada no Hino Nacional, mas nunca praticada. Os capazes mercadologicamente falando são poucos. É como se numa floresta o menor número de árvores sobressaísse a ponto de “afogar” as demais, que tornar-se-iam nanicas por regra; ou como se numa fauna 95% dos animais estivessem a mercê de tornar mais gordos e mais capazes os 5% restantes.

Vê-se, com clareza, onde está o “buraco”. O equilíbrio, do ponto de vista natural e, portanto, humano, não é buscado e não é conseguido.

Um processo cruel e perverso

Nosso país caminhou quase 400 dos seus 516 anos de história praticando a escravidão, em que o escravo não ia à escola, comia mal, dormia mal, trabalhava sob condições precárias e enriquecia o seu senhor, um modelo que com algumas sofisticações veio para dentro das universidades (o vestibular escolhe os capazes), fábricas (os capazes ocupam os postos chaves), comércios (os capazes vendem mais) e serviços (os capazes permanecem no mercado)... A própria Igreja ajudou nesta configuração quando criou os seus colégios católicos frequentados por filhos e filhas dos abastados mantenedores da Mitra. Os seus alunos deveriam ser os advogados, os médicos, os professores (para replicar o modelo), os juízes, os legisladores, etc. As alunas mulheres deveriam ser esposas capazes de cuidar dos filhos, netos e bisnetos das sucessões.

Note, em contrapartida, a mulher pobre saiu de casa para trabalhar e assim perdeu o comando na educação de seus filhos.

A sociedade perfeita funcionava apenas em favor da elite.  

A escola pública era para quem não podia pagar pela educação de primeiro mundo. E se a escola (pública) não dava pessoas competentes para ocupar os postos chaves da vida socioeconômica, a vida socioeconômica em seu comando e desfrute deveria caber, mesmo, de fato, aos “competentes”, segundo essas regras. Os “incompetentes” iriam, foram, amargar os piores empregos e a pior remuneração.

A pobreza da mentalidade, mesmo daquela mentalidade juvenil, que sonhava com as fórmulas marxistas (não aplicadas com sucesso nem na Rússia, nem na China, nem em Cuba) e mantida a mesma pobreza sonhadora que deu origem aos partidos comunistas e socialistas do lado de cá, em nenhum momento os seus projetistas pensaram na erradicação do modelo cruel e perverso. Pensaram em chegar ao poder em substituição aos que estavam no poder. Só. Mais nada. Os terroristas que lutaram contra os militares, no Brasil, não queriam a democracia (como hoje mentem por conveniência), queriam tomar o poder das pessoas que lá estavam.

O trabalhador brasileiro, com raras exceções, é um pobre (in)conformado com o que ganha, em geral adversário do patrão, que não enxerga um palmo adiante do nariz e não deseja nada melhor do que essa mesma realidade para seus filhos, guardadas honrosas exceções.

É isso que dá origem ao Bolsa Família, ao Fies, ao Pronatec, ao Prouni, ao Minha Casa minha Vida, às quotas universitárias, aos baixos salários que se paga aos professores, ao desaparelhamento da universidade, ao caos da saúde, ao MST, à CUT inimiga dos patrões.

Quem de sã consciência pode afirmar que os fatores de produção (capital, trabalho, conhecimento e natureza) são adversários entre si? O capitalismo e o comunismo inventaram essa monstruosidade.

O Brasil será uma Grande Nação

Um dia, sim, seremos uma grande Nação. Quando nossas escolas, inclusive a universidade, pararem de formar pessoas para serem empregadas, assalariadas, e passarem a formar mentalidades empreendedoras, inclusive para serem parceiras de quem lhes proporcione o emprego. O capital nunca foi adversário do trabalho. A dicotomia é ideológica e proposital, cavalo de batalha sindical.

Assim, um dia, nascerá também o modelo de eleitor, aquele que nada espera (em troca fisiológica) do político, além de leis capazes de mudar a realidade das massas eleitoras.

O pobre não precisa de esmola. A esmola o descredencia, o desvaloriza e o desmotiva. O pobre precisa ser desenvolvido e quem pode desenvolvê-lo é a escola, a boa escola, aquela escola onde os ricos estudam e se formam.

A maioridade espiritual, proposta por este blog, caminha nesse rumo.

Até semana que vem.

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