sábado, 21 de maio de 2016

1847-A caminho de uma grande Nação



O mais sério desafio e a ameaça mais concreta à sociedade atual (II)

No artigo anterior fizemos questão de colocar o antagonismo cultural em curso mostrando, de um lado, os avanços de um capitalismo financeiro-liberal, de outro, uma contracultura que se intitula defensora dos sem-vozes, sem-emprego, sem-terra, sem-teto, selvícolas, analfabetos, negros, mulheres, meio-ambiente, crianças, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, menores infratores, apenados, com uma afoita e deliberada intenção de mexer na legislação para legalizar o aborto, entre outras bandeiras, já mencionadas no primeiro artigo e por trás das intenções a liberação das drogas.

Ali no primeiro artigo buscávamos refletir, concluir e, se possível, agir, diante da percepção de estarmos envolvidos numa profunda Crise da Civilização, uma crise marcada por um processo que podemos qualificar como a "superhumanização da Humanidade", diante do confronto que se estabelece entre os chamados COM frente aos chamados SEM.

Para exemplificar discrepâncias entre as diferentes doutrinas, no Brasil, os sindicatos filiados à CUT foram implementados para entrar em greve em pleno bojo da crise brasileira em que há desemprego, recessão, déficit público monstruoso, para reclamarem reajustes de proventos em até 37%, num verdadeiro deboche à Nação.

Neste segundo artigo, queremos refletir sobre uma triste realidade: a de que não foram propriamente os humanos que criaram os mecanismos que levaram ao abismo que se abre entre os COM e entre os SEM. Por trás dessa chamada contracultura (por isso não cultura, é um movimento artificial), que nem é dissimulada, atuam poderosas forças, que são responsáveis pela fabricação de paradigmas, dogmas, chavões, jargões, sistemas, esquemas, que se abatem sobre as sociedades através da mídia, das universidades e escolas, dos sindicatos, das agências financiadoras, do mercado, dos discursos oficiais, das religiões, dos partidos e das organizações não governamentais. Mais adiante iremos listar as organizações que atuam em favor da banda COM e em favor da banda SEM, bem como da quase nula possibilidade de trilhar um caminho do meio.

O ser humano como sociedade foi retirado do centro do processo de organização da sociedade e da economia. Em seu lugar atuam entidades muitas vezes abstratas como o "mercado" ou o "meio ambiente", artificialmente dotadas de direito próprio. Até mesmo nos parlamentos, nos tribunais e nas salas onde se decide os destinos da sociedade, forças estranhas fazem acontecer coisas que acabam recebendo o carimbo de legais, mas que, no fundo, são imorais, aéticas, absurdas, mesquinhas, perniciosas. Para ilustrar essa "desumanização" versus “superhumanização”, vejamos alguns exemplos pinçados de manchetes diárias da imprensa:

“Lavrador é preso por descascar uma árvore de uma área de preservação ambiental para fazer chá”;

“Dinheiro vale mais que bom caráter, diz pesquisa entre alunos da PUC/RJ”;

“Mercados comemoram a alta do desemprego nos EUA”;

“13 milhões morrem por ano por falta de investimento em saneamento básico”;

“Com investimento anual de U$ 65 milhões, técnicos asseguram que em dez anos estaria solucionado o problema das doenças infecciosas no mundo”;

“Com investimentos anuais da ordem de U$ 100 bilhões é possível erradicar a pobreza e a miséria do planeta”;

“Mercado de capitais informa que três trilhões de dólares circulam diariamente nos mercados financeiros especulativos”.

De outro lado, existem estudos sérios indicando que em menos de uma geração, seria possível proporcionar a cada habitante do planeta um padrão de vida pelo menos igual ao de um cidadão estadunidense de meados da década de 60 - que era bem superior ao atual. Isto não ocorre, não é pela escassez de recursos naturais, humanos ou financeiros, nem por causa da "fragilidade" do meio ambiente, mas pela escassez de vontade política entre os poderes hegemônicos e as classes dominantes na maioria dos países do planeta não só do bloco capitalista. Recentes estudos mostram o aprofundamento da miséria na China, em Cuba, na Coréia do Norte, na Rússia e na Venezuela.

Um grande avanço?

O susto dado pelo nazi-fascismo deve ter servido para algo. Juntamente com a recuperação econômica pela via da reconstrução do pós-guerra (1945), instalou-se entre as sociedades o que se pode chamar de um grande "otimismo tecnológico e civilizatório", ensejado por conquistas da ciência, da tecnologia e da economia, como a corrida espacial entre os EUA e a URSS, as perspectivas de utilização pacífica da energia nuclear, a "Revolução Verde" e as conquistas da medicina. Este foi também o período influenciado pelas Décadas de Desenvolvimento das Nações Unidas e pela promulgação da Doutrina Social da Igreja Católica, cujo marco foi a encíclica Populorum Progressio.

Por que, então, em tão pouco tempo, estamos de volta numa recessão sem precedentes com enormes reflexos na falta de emprego, na queda do PIB das nações, com a falência de países, aumento da fome e deterioração dos serviços públicos?

A resposta é: por meio de uma gigantesca operação de "engenharia social", que os seus próprios planejadores chamam uma "mudança de paradigma cultural", artificialmente induzida entre as classes educadas da sociedade de quase todo o mundo a partir de meados da década de 60.

O que não se diz é que poderosas organizações agem o tempo todo “mexendo seus pauzinhos” para que as coisas aconteçam segundo querem, melhor dizendo, como querem os grupos que se valem dessas organizações para influir nos acontecimentos. Pode-se citar dentre muitas, a Fundação Rockefeller, a UNCTAD-Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento,  a OCDE-Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a ONUDI-Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, o Diálogo Interamericano, a Casa Windsor, o Instituto Real de Assuntos Internacionais (Londres), o Conselho de Relações Exteriores de Nova York, a Comissão Trilateral (Japão, EUA, Europa), o Instituto Hudson, o Clube de Roma, o Fundo Monetário Internacional, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outro Fundo da ONU para o Meio Ambiente, além das organizações de esquerda como o Fórum de São Paulo, a União das Nações Sul-Americanas, a Internacional Socialista, todas envolvidas com programas destinados a manipular ações segundo seus interesses. Além de outras atividades que se fazem por debaixo dos panos. Até as escolas de formação da CUT e do MST têm participação no que acontece nos gabinetes da Nação Brasileira.

E há, também, instituições que se anunciam como “caminho do meio”. Dentre essas se pode citar o Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), a Organização Internacional do Trabalho, a Aliança Cooperativa Internacional, a OPEP-Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OLP-Organização para a Libertação da Palestina e alguns Partidos, porém muito distantes dos níveis de eficácia dos outros dois grupos.

Essa é parte da essência da chamada "globalização", através da qual a especulação financeira foi transformada num fim em si própria, praticamente desvinculada da economia real à qual o sistema financeiro deveria servir. É o cassino financeiro global, de que fala o Prêmio Nobel de Economia, francês Maurice Allais. É a supremacia deliberada da especulação sobre a produção.

Uma nova Ordem

Para reverter este processo, será preciso a convocação de uma "nova conferência de Brenton Woods" (primeiro acordo internacional negociado sobre economia, em 1944, a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas), como propõe o economista Lyndon La Rouche, apoiado por um número cada vez maior de personalidades internacionais, com a reformulação do atual sistema financeiro e monetário mundial e a sua colocação a serviço de um projeto de reconstrução econômica em escala global, baseado em grandes programas de infraestrutura, como a Ponte Terrestre Eurasiática, encabeçada pelo Governo da China.

A promoção da "sociedade pós-industrial", alterando a falaciosa ideia da supremacia dos serviços sobre a produção física, o mito da "sociedade da informação", da "Terceira Onda" de Alvin Toffler. Atualmente, essa é a essência da chamada "Nova Economia", caracterizada pelas flutuações loucas do índice da "bolsa eletrônica" Nasdaq, que viraram destaque diário dos nossos telejornais.

Há muito tempo a economia apresenta sintomas de que perdeu totalmente o contato com a realidade.

Falácias que mudaram o mundo

A sociedade que trabalha, produz, contribui, consome e acaba pagando as contas de quase tudo, nunca tomou o cuidado de investigar o que há por trás de, por exemplo, os principais “cavalos-de-batalha” da "contracultura". Ela é baseada na disseminação do uso das drogas entorpecentes, como o LSD, a maconha e, depois, a cocaína, a heroína e, mais recentemente, o crack; na popularização internacional do rock, que era uma variedade musical pouco expressiva nos EUA; e na chamada "revolução sexual", na verdade promiscuidade que nos deu a AIDS, todos esses “ganchos” de enriquecimento por conta do ato em si e das suas consequências.

Juntamente com isto, tivemos uma distorção do conceito de família, que passou a significar a união de quaisquer pessoas, independentemente do sexo. Imagine-se o efeito psicológico momentâneo e futuro de uma criança que tenha "dois pais", ou "duas mães". Não vejam nisto nenhuma manifestação de intolerância contra homossexuais, mas admitir que dois deles ou duas delas possam constituir uma família normal é uma violação de algo que anda na contramão das leis naturais.

Tivemos nesse mesmo sentido uma inversão de valores quando se diz que o condenado à prisão tenha mais direitos que a família que perdeu um dos seus membros pelo ato assassino do criminoso que, de dentro das penitenciárias, comanda escancaradamente, sem repressão, as ações de suas gangues nas ruas e gabinetes.

Chegamos ao detalhe da vulgarização da mulher e do homem. Ambos exibem seus corpos nas ruas, shoppings e festas, estimulando a sacanagem e multiplicando os estupros.

Outra vertente da "contracultura" foi a onda de irracionalismo conhecida como "Nova Era", baseada na exploração do misticismo, principalmente envolvendo religiões orientais mediante a criação da autoajuda, na verdade, um clientelismo espiritual.

Um elemento cada vez mais importante desse processo é a politização do malthusianismo e de sua variante mais recente, o ambientalismo, que são talvez os principais responsáveis pela disseminação da percepção equivocada de que os benefícios da civilização industrial não podem ser estendidos a todos os povos e países do planeta, devido à "escassez de recursos naturais" e à "fragilidade" do meio ambiente. O ambientalismo se presta a uma série de propósitos antidesenvolvimentistas, sendo o principal deles incutir nas mentes das pessoas desprevenidas a falsa noção de que o progresso mundial deve subordinar-se a critérios de "proteção da natureza" definidos muito mais com base em fatores políticos do que científicos. Os interesses privados devem, sim, estar sujeitos aos interesses coletivos, porém com critérios legais e com base científica. A grande maioria dos chamados "problemas ambientais" que estão justificando a implementação de uma série de ações antidesenvolvimentistas, inclusive tratados internacionais altamente restritivos dos planos de desenvolvimento da maioria dos países, como o chamado "buraco" na camada de ozônio ou o aquecimento global são, na verdade, fenômenos naturais que ocorrem há milhões de anos sem qualquer interferência humana. E usados para combater a iniciativa privada.

Um exemplo disso é o chamado aquecimento global, que está sendo manipulado para justificar a adoção da chamada Convenção Quadro de Mudanças Climáticas, que prevê a redução das emissões dos gases provenientes da queima de combustíveis fósseis aos níveis vigentes em 1990. Como os combustíveis fósseis representam três quartos da produção mundial de energia, pode-se imaginar o impacto que essa redução causará nos perfis mundiais de consumo energético e de desenvolvimento econômico, que depende fundamentalmente da disponibilidade de energia. Pode-se perceber facilmente que o que se pretende é o que o falecido embaixador João Augusto de Araújo Castro chamava o "congelamento do poder mundial", ou seja, o congelamento dos níveis de desenvolvimento do planeta nos níveis atuais, cuja desigualdade e injustiça social dispensam maiores comentários. Evidentemente, isso não tem nada a ver com a realidade científica, pois já houve muitos períodos do passado geológico da Terra, até recente, dentro da fase de existência da espécie humana, em que a temperatura atmosférica foi mais alta que a atual, sem que a indústria humana tivesse qualquer coisa a ver com isto.

A criação do movimento ambientalista internacional foi um dos mais bem sucedidos resultados desse processo de "engenharia social" das oligarquias transnacionais, que o controla de alto a baixo, por intermédio do aparato internacional das ONGs, que elas próprias financiam e, em muitos casos, criaram.

Hoje, verdadeiras máfias ambientalistas conseguem retardar, impedir e paralisar obras sob os mais pífios argumentos, como é o caso do túnel do Morro dos Cavalos, em Palhoça, SC, porque sua construção ao contrário de beneficiar 50 milhões de brasileiros, vai tirar o mercado de balaios de uma comunidade de 25 índios guarani. A mídia já consegue sensibilizar uma sociedade inteira para a defesa de um cãozinho abandonado num terreno baldio, mas faz vistas grossas para a criança faminta na outra esquina.

Lavagem cerebral escolar

Nenhuma dessas iniciativas teria sido bem-sucedida se não fosse pela instituição de uma série de "reformas educacionais", igualmente planejada por aqueles grupos hegemônicos, que resultou no abandono dos currículos de conteúdo clássico e sua substituição por currículos supostamente "profissionalizantes", principalmente no ensino médio. Mas, a universidade não escapou disso. É raro encontrar, principalmente nas universidades públicas, professores e alunos fora da mentalidade em curso que faz com que as pessoas fiquem dependuradas nos cargos públicos voltadas para a obstrução das ações da iniciativa privada.

Essas "reformas" foram inicialmente planejadas no âmbito da OCDE, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, adotadas nos EUA e daí se espalharam pelo mundo. O resultado final foram sistemas educacionais que nem formam cidadãos com uma visão ampla da sociedade e do mundo e nem preparam profissionais qualificados: o mercado de trabalho que o diga. E este problema só tende a se agravar se não houver uma retomada dos currículos clássicos, pois como se pode imaginar, com as rápidas mudanças da base científico-tecnológica da economia, se pode prever para as próximas décadas uma carência ainda maior que a atual de profissionais capazes de operar a realidade futura do nosso progresso.

Um currículo clássico seria a única maneira de preparar cidadãos aptos a se beneficiar de um processo de educação permanente, que parece ser a tendência do futuro próximo se as universidades federais deixarem.

Apesar de adotado em quase todo o mundo, no Brasil essa adoção acrítica dentro dos chamados acordos MEC-USAID, foi um dos maiores erros dos governos militares, cujas consequências estamos pagando ainda hoje.

Recentemente, o MSIa-Movimento de Solidariedade Ibero-americana publicou um livro chamado “A educação clássica para um novo Renascimento”, no qual propõe um grande debate em torno desses assuntos.

Governo mundial?

Finalmente, devemos considerar que temos o planejamento e a instituição de uma série de estruturas de um "governo mundial", que esses grupos de dominação pretendem colocar no lugar dos Estados nacionais soberanos e suas instituições. Entre essas estruturas, destaca-se a iniciativa de criação de uma legislação internacional em torno de temas de grande impacto psicológico, como o desarmamento e a não-proliferação de armas de destruição em massa, o meio ambiente, a proteção dos "direitos humanos", o combate à corrupção e, mais recentemente, a promoção da "democracia". As funções precípuas de um Estado nacional soberano seriam transferidas a uma entidade supranacional, não-eleita e que não representa minimamente os interesses da cidadania local. Além disto, se formos ver quem está por trás dela, encontraremos a mesma máfia que está por trás do ambientalismo e de outras bandeiras: a Transparência, por exemplo, é ligada às redes do príncipe Philip (Inglaterra) e o seu pessoal foi recrutado entre ex-funcionários do Banco Mundial e do FMI. Isto não é "teoria conspiratória".

Aliás, a introdução das ONGs como agentes políticos, em substituição às instituições do Estado nacional é uma parte fundamental desse processo. Não nos esqueçamos de que o nosso ex-presidente da República costuma chamar as ONGs de "organizações neogovernamentais", em lugar de "não-governamentais". A "convocação" da Transparência se insere neste contexto. O mesmo acontece com a participação ativa do Movimento Viva Rio na elaboração da nova política de segurança do País, a chamada "segurança cidadã", que alegadamente deve substituir a antiga "segurança nacional", considerada um conceito ultrapassado dos governos militares.

Aqui também se insere a falaciosa sugestão de que o fim da Guerra Fria justificaria um processo amplo de "desmilitarização", de redução dos efetivos das Forças Armadas da maioria dos países, principalmente os subdesenvolvidos. Evidentemente, aí não se incluem as forças da OTAN, que cada vez mais vai assumindo o papel de uma "gendarmeria internacional" automobilizável, que não responde nem mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, como temos visto nestas últimas mobilizações de suas forças. Amanhã, talvez, o alvo possamos ser nós, sob o pretexto de que este ou aquele governante vai implantar um governo comunista ou por não estarmos protegendo adequadamente a Floresta Amazônica ou as minorias indígenas.

Fim da História?

Quantos profetas do apocalipse tivemos, além de João Evangelista? O da camada de ozônio e o da elevação dos níveis dos mares já foram desautorizados. Outro deles trouxe um mito particularmente pernicioso, que é o do "fim da História", que, sintomaticamente, foi criado por um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Francis Fukuyama (que, aliás, está ficando rico com ele, pois lhe pagam 20 mil dólares por conferência para propagandear essa idiotice). Trata-se da tese de que a chamada democracia liberal seria o ponto final da evolução histórica da Humanidade. Ora, para que alguém admita isto, é preciso ser um completo ignorante em História. A História jamais acabará enquanto seus agentes, os seres humanos, continuarem lutando pelo direito ao bem-estar e ao progresso, e ainda estamos muito longe de proporcionar estes direitos a pelo menos um significativo terço da Humanidade, nada menos de 3 bilhões de pessoas. Um bilhão delas estão deixando seus países para procurar comida, abrigo, remédio, emprego em outros países, inclusive no Brasil. Portanto, estamos muito distantes de qualquer "fim da História".

Talvez dê para afirmar que como humanos, efetivamente assim qualificados, ainda nem começamos a escrever a nossa História.

Vamos agora para a parte final dessa nossa conversa, que, aliás, é a mais importante, pois trata do que fazer frente a esse quadro tenebroso.

A maioria das pessoas, quando começa a analisar o atual cenário mundial, desanima da possibilidade de se reverter esse quadro de decomposição civilizatória, pois acha que os "donos do mundo" são muito poderosos para serem enfrentados com sucesso. Esta é uma falsa percepção, pois, por mais poderosos que sejam, eles não podem contrariar as leis universais permanentemente em vigor. Isto é, o que queria dizer Abraham Lincoln, quando afirmou que "pode-se enganar todos por algum tempo e alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos pelo tempo todo". Assim, a pergunta relevante não é "se" podemos reverter essa crise, mas "como" fazê-lo, ou seja, como reverter a "mudança de paradigma cultural" imposta pelas oligarquias transnacionais sejam de direita ou de esquerda. Isto, porque a inevitável derrocada dos inimigos do progresso não implica na vitória automática dos defensores da Civilização; será preciso que estes tenham preparado um plano de ação para colocar em prática na hora certa.

A ideia de "crise" combina com "risco", e com "oportunidade", do mesmo modo que uma doença sempre é um chamado para mudarmos de rota. Portanto, o que temos que fazer é transformar o risco de uma nova idade de trevas na oportunidade de um novo Renascimento, que possibilite uma retomada das expectativas que foram abandonadas anteriormente. Um Iluminismo, agora menos ateu que aquele anterior, até porque o Papa Francisco parece ser um aliado nesse sentido.

Para concretizar essa oportunidade será imprescindível a emergência de uma nova elite, consciente e determinada a retomar, promover e implementar aqueles princípios civilizatórios abandonados. E quando se fala de elite, não nos referimos propriamente aos que têm maior poder econômico ou político, ou mesmo influência intelectual. Hoje, uma elite é a que sai às ruas para protestar, reivindicar, participa de abaixo-assinados pelas redes sociais, boicota produtos e estabelecimentos, veta nomes de magistrados, delegados, embaixadores ou quaisquer outros que sejam nomeados para exercer cargos que os nossos impostos sustentam.

Mais do que nunca o cidadão de elite, hoje, não é o coronel do voto a cabresto, é aquele cujas preocupações e ações transcendem o seu universo pessoal e familiar e que se dispõe a atuar em prol da comunidade e até da Humanidade. Ou seja, nós teremos que formar essa nova elite. Cada um de nós deve tornar-se um apóstolo, ou melhor, um guerreiro em defesa daqueles princípios civilizatórios não viciados. Guerreiro para não dizer guerrilheiro, porque os inimigos do progresso dificilmente podem ser enfrentados frente a frente se não for por processos mais inteligentes que os seus; para isso, geralmente, é preciso empregar manobras de flanco e ações de guerrilha.

As redes sociais que nos servem para esta mensagem andam mais rápidas que as reuniões que eles fazem na calada da noite nos subterrâneos sociais. É claro que necessitamos criar a necessária conscientização e, quem sabe, também a determinação. Mas, a dor ensina a gemer. Doendo já está. Falta o gemido.

Talvez, o melhor antídoto para essa derrocada civilizatória que estamos discutindo seja a retomada de um conceito que atualmente anda meio fora de moda, o de um projeto nacional, considerado obsoleto nestes tempos de "globalização". Um projeto nacional é exatamente o que necessitamos para promover e consolidar uma retomada da ideia de progresso e do princípio republicano, e o Brasil é um dos países que tem melhores condições para isto, podendo até mesmo influenciar outros países nesta empreitada. É pena que tenhamos eleito governos que têm projeto de poder e não projeto de Nação.

Um projeto nacional não é uma excrescência ou um exercício acadêmico, como sugerem alguns "globalistas" deslumbrados. Todos os países do mundo que atingiram um nível significativo de desenvolvimento o fizeram com base em projetos nacionais bem definidos e implementados por suas elites dirigentes. Um projeto a favor de todos sem ser contra ninguém. E como se estrutura um projeto nacional? Independentemente dos seus detalhes específicos, um projeto nacional se baseia em três diretrizes fundamentais:

1) Harmonia de interesses entre os setores representativos da sociedade.

2) Igualdade de oportunidades para que todos possam exercer uma verdadeira cidadania.

3) Solidariedade para com os retardatários do processo. Este é um ponto crucial, no qual é fatal qualquer concessão a conceitos falaciosos como o de "excluídos", tão usado ultimamente para justificar a sua falta de compromisso com o real combate à pobreza e à real miséria no nosso País.

Nesse esforço em prol da Civilização, vale lembrar que nenhuma contribuição é desimportante. Cada um de nós pode dar uma contribuição relevante, por menor que possa parecer. O maior erro – segundo Burke – foi cometido por aquele que nada fez, pois achava que apenas podia fazer muito pouco. Ninguém pode saber se um de nós poderá aportar a contribuição que irá deflagrar o efeito de "massa crítica" da conscientização necessária.

BIBLIOGRAFIA

O presente trabalho é um apanhado em mais de 50 fontes, quase todas elas citadas no interior do texto.

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