sábado, 25 de junho de 2016

1852-Quantas vezes morremos?




A vida é um eterno renascer

A mais recente morte do Brasil



Introdução



É, pois, um absurdo pensar assim, escrever isso, mas a verdade é uma só e na maioria das vezes a verdade dói: procuramos mais a morte do que a vida.

Morrer, como um dos estágios da vida, parece ser algo normal. Todos morreremos ao menos é o que se tem fundamentado. É assim que tem de ser entendido. Mas, a questão é que temos pavor da morte e, ao mesmo tempo, fugimos da vida. Em direção da morte.



Ao ler estas frases tudo parece estranho, muito louco, mas pare e pense: quem você conhece que faz tudo direitinho para que a vida sorria feliz? Nós somos preparados para correr atrás da morte mesmo detestando-a e borrando-se de medo dela. Repare nas ruas por onde você circula: qual é o percentual de pessoas obesas? E o problema das drogas, incluindo o fumo? Quantos se drogam? Quantos fumam? Quantos bebem? Quantos se alimentam erradamente? Quantos se expõem a riscos nas ruas, nas estradas, nas aglomerações, no ar, no mar?



Somos chamados a pensar sobre isso. Mais ainda, saindo do individual e pensando nas urnas, no governo, na lama que sufoca nossas instituições.



Mas, a proposta deste artigo é outra. É chamar a morte para nossa aliada.



Continue lendo e você verá...



Uma morte aparente a cada experiência



Cada um de nós é incapaz de avaliar os reinícios como uma morte do Ser velho e um nascimento do Ser novo. Mas, é isso mesmo que acontece conosco. Este processo é chamado de iniciação, reiniciação, retomada, renascimento. Isso se dá quando nos damos conta que as coisas mudaram, que a fila andou e que nós também temos de mudar, andar, transmutar, transformar, transnascer.



Nascer é uma morte do feto e um nascimento da criança; desmamar idem; ir à escola pela primeira vez também; a descoberta do sexo, com certeza; a primeira menstruação, idem; e aí vamos aduzindo e acrescentando o serviço militar, a faculdade, o casamento, a formatura, a maternidade/ paternidade, etc. etc., não acaba nunca nem mesmo com a morte do corpo, pois aí renasce o espírito outra vez.  



A morte do corpo



Escritos muito antigos dos pré-socráticos e dos gnósticos, estes com algo de essênios e talvez muito próximos de Jesus, falam da noção oculta da palavra “morte”, cuja sabedoria psicológica foi muito respeitada e elogiada por Jung, já no século XX, o mais espiritual dos psicanalistas antigos que conheço.



Entendiam aqueles mestres do saber nascente, ao tempo de Jesus, que para existir um elemento o outro tem de morrer. Biologicamente dá para aceitar quando se pensa que a semente morre para que exista o arbusto, a árvore; as moléculas de glicose precisam morrer para que a energia seja absorvida pelo corpo; o nosso Sol está morrendo para haja luz neste recanto da Galáxia; e assim, vários outros exemplos poderiam ser alinhados através das árvores, dos alimentos, e de tudo que é físico.



E será que o corpo realmente morre ou se transforma? A transformação, com certeza, é uma morte.



E agora? Na troca de dimensão observa-se o mesmo princípio?



Do biológico para o espiritual, sim.



A alma se liberta com a morte do corpo biológico. Mas, a alma, a energia, não morre. Aprimora.



A “morte” do Espírito



E haverá, ao menos, simbolicamente, uma morte simbólica do Espírito enquanto encapsulado no corpo biológico?



Não, literalmente, ao que se ensina.



Temos poucas chances de lembrar de vidas passadas, mas delas recebemos fragmentos quando o processo é bem conduzido. Então, o Espírito não morre ao entrar na cápsula biológica, e sim se transforma. Sua memória de largo prazo é eclipsada, possivelmente por um ato de extraordinário amor do Planejador da Vida. Já temos notícias de perturbações arrasadoras trazidas para a mente biológica quando fazemos acessos inseguros ao arquivo espiritual, uma candente advertência aos “especialistas” em regressão e a outros experimentadores em organização de constelações de espíritos e almas.



Mas, isso aqui não é uma discussão psiquiátrica e então fiquemos na Filosofia.



Os iniciados em espiritismo admitem a existência de vidas passadas, não apenas trazidas às lembranças por conta da memória genética (esse é outro assunto para outra página do blog) e então os comportados cidadãos da atualidade, de ambos os sexos, podem ter passagens por um ou vários daqueles episódios da História, que só nos causam vergonha atualmente.



Mas, aqueles eram outros tempos e naqueles outros tempos, sim, se podia matar em nome de uma “causa”, fosse ela qual fosse. Hoje nós defendemos a vida dos cães, das tartarugas, dos micos ameaçados, mesmo abatendo milhões de bois, frangos, peixes... E mesmo deixando crianças e velhos abandonados à morte.



Homem, a ameaça do homem



Somos nós, também, uma espécie ameaçada e, quanto a isso, pouco considerada. Ainda temos ecologistas pedindo que fique de pé a árvore e que morra o matuto que tira dela o seu sustento.



Erro de planejamento? Erro de concepção?



Então, peguemos aí um gladiador romano reencarnado atualmente num jogador de futebol. E as reencarnações demonstram alguma coerência. E abra, ao craque da atualidade, as lembranças daquelas outras batalhas. Ele, com a índole que hoje tem, fugiria da arena e iria internar-se num sanatório.



Por isso, o Planejador da Vida providenciou o “esquecimento” do passado enquanto a memória atual trabalha os avanços do “gladiador” que, ao invés de matar sua vítima, derrota-a no drible, na astúcia, no placar, ainda, como antes, para delírio da plateia. Não evitada a pancadaria que às vezes começa na arena e vai para a arquibancada e às vezes se inverte e acaba na delegacia de polícia.



Os transtornos mentais podem estar precisando de uma obra recuperadora capaz de cobrir de dignidade a memória que teima em remoer episódios recorrentes que atuam como monstros assustadores, tema para a psicanálise.



A memória velha precisa “morrer” enquanto a memória nova se descobre a si mesma não como adversária do Plano da Vida, mas como sua aliada.



Quem sabe aí morra o homem velho inimigo do homem velho e leve consigo o homem novo inimigo do homem novo para que renasçam ambos em uma nova vida.



É o Espírito que nos tem?



Esta é uma discussão deste blog em alinhamento com o novíssimo pensamento que tomará conta da humanidade. A maioridade espiritual buscada neste espaço, entre outras coisas, passa pela compreensão assumida de que o corpo físico é veículo do Espírito e que tudo quanto produzirmos usando este complexo e maravilhoso veículo, irá para a conta do Espírito, será incorporado ao capital espiritual e formará saldos positivos ou negativos para a evolução humana.


A presença do Espírito no corpo é a maior das aventuras possíveis ao Ser Espiritual. O ato de mergulhar num corpo, aprisionar-se por algum tempo, exercitar experimentações, assumir responsabilidades, efetuar ganhos, perdas ou simplesmente navegar ao sabor do vento, é algo bem maior que a maternidade ou paternidade deste mesmo Ser. Não estamos zerando a responsabilidade espiritual de pai e mãe de ninguém. Só estamos assumindo o risco de afirmar que o próprio Espírito que se encarna tem para consigo maior responsabilidade que têm os seus genitores.
À parte todo o envolvimento amoroso dos pais e além da coautoria do ser gerado, está a própria aventura do Espírito aventureiro. Não podemos, nunca, esquecer que ao encarnar trocamos um mundo de liberdades, verdades, autenticidade, ética, inequívoca hierarquia, absoluta disciplina por um imponderável mundo caótico - esse que temos aqui e agora, aonde a mediocridade não para de imperar. (Quero abrir um parêntesis para salvar minha reputação de escritor: o mundo espiritual no todo não é de liberdades, verdades, autenticidade, ética, como afirmei linhas atrás. Nas camadas mais baixas temos coisas horríveis iguais e piores as que temos entre os encarnados. Mas esses não reencarnam sem primeiro receberem tratamento no além).



Passar a travessia do espiritual para o material, exige-se do Espírito - e veja que ele não dirige, quem dirige é a mente terrena - muita sabedoria e astúcia. Evoluir no mundo espiritual não é diferente do que evoluir no mundo biológico. Cada um de nós pode avaliar o que tiveram de fazer os nossos ancestrais para nos entregar o capital biológico que nos serve? E cada um de nós pode avaliar o que seja a estratégia de evoluir espiritualmente? Está aberta a discussão para que cheguemos à Maioridade Espiritual.



O que mudou de nossos ancestrais para cá



Aqueles heroicos seres que viveram há 300, 150, 100 anos atrás (quem sabe entre eles também nós que lemos estes textos), não tinham obrigatoriamente preocupações espirituais. Sua estratégia era vencer a fome, o frio, as doenças, as invasões e sobreviver. Não havia remédios, vacinas, transplantes, implantes, próteses. Morria-se de febre amarela, tuberculose, sífilis, febre tifoide, escorbuto, gripes. O casal imperial da nossa Independência viveu menos de 35 anos e estavam entre as pessoas mais consideradas e assistidas do seu tempo.



Hoje, com todos os avanços, fazemos dieta para emagrecer, temos mais preocupações com o calor do que com o frio, temos uma paz relativa e a estratégia é crescer intelectual, espiritual e economicamente. Ao você ver alguém chutando um cachorro, sua reação é ligar para o 190 e denunciar o agressor. Nota mil para você. Mas, ali na calçada por onde você passa há um morador de rua embriagado, drogado, deitado sobre papelões e coberto por um pulgueiro. Você faz o que?



Essa é a questão. Talvez faça a mesma coisa que o ecologista que clama para que a árvore fique em pé mesmo que, para isso, morra o matuto que vive da floresta.



São estas mortes e estes renascimentos que ainda teremos pela frente.



Ainda não estou colocando aqui o político que embolsa a verba da saúde, da merenda escolar, da escola, do hospital. Daqui a pouco sim.



O que vai mudar em termos de cidadania



Hoje, talvez você sinta nojo ao acompanhar os noticiários brasileiros, da FIFA, do estado islâmico e outros. Talvez você não tenha se dado conta que os réus dos processos possam estar entre aqueles em quem nós votamos ou pertençam ao partido que apoiamos. Não dá mais para ouvir de ninguém que lá naquela sigla tem quem não se corrompeu e, portanto, temos que deixar como está porque as coisas são assim mesmo.



O modelo está errado e não adianta olhar para a Polícia Federal, para o juiz Sérgio Moro a espera de que eles façam a limpeza. O lugar menos sujo é aquele que menos sujamos. O político limpo é aquele que não se suja. O modelo tem de permitir ao cidadão conhecer o candidato e tem de garantir ao cidadão que o candidato não será um profissional do poder. Os partidos terão de ter programas claros e seus representantes têm de assumir isso sem trocar de sigla para garantir o poder. E sua eleição tem de se dar sem um caminhão de dinheiro.



Por que não somos apaixonados pelos partidos como somos pelos times? Simples, é porque o político não joga para nós, joga para ele. Temos de fazer esses caras jogarem para nós, legislarem para nós, defenderem bandeiras que são nossas.



Esta, então, será a morte do eleitor velho e o nascimento do eleitor novo, assim como o Brasil já morreu em 1889, em 1930, em 1945, em 1964, em 1982 e agora está morrendo novamente. Nascerá um novo Brasil? Sim. Melhor ou pior que este que morre, não se sabe.



A morte desejada é do corrupto



O corrupto que ocupa função pública ou privada onde são tratados interesses coletivos não faz mal apenas para os outros. Faz mal para ele próprio. Levará séculos depurando sua alma.



Mas, nós, eleitores, temos de estar conscientes de que um mau voto, um voto leviano, irresponsável, impensado, por mera simpatia, é um voto tão nocivo quanto o daquele esperto que negocia seu voto embolsando vantagens imediatas ou futuras.



É com essa leviandade eleitoral que os candidatos se fartam.



Temos de pegar pesado contra o modelo eleitoral que aí está. Ele é a porta aberta da corrupção. Ela começa antes do candidato eleger-se. E apenas se consolida depois que ele assume.



A outra providência é minguar a verba federal. A maior fatia tem de ficar com o município e quase nada lá no federal. Assim, o Congresso, o Executivo e o Poder Judiciário terão que trabalhar legislando, propondo e julgando sem tocar no poder do dinheiro.



As obras de interesse intermunicipal seriam executadas por consórcios de municípios com a participação do Estado.



Precisamos discutir isso.

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