sábado, 6 de agosto de 2016

1858-Jesus existiu mesmo




Fora dos escritos sagrados onde encontrar Jesus

Introdução

Existem documentos oficiais da época de Jesus que evidenciam a existência real daquele que hoje as religiões veneram como um líder espiritual a ponto de entregarem a ele o governo espiritual da Terra.

Ainda que negado por boa parte do povo judeu, acusado de impostor, a ponto de ser condenado por dois crimes (sublevação popular e blasfêmia religiosa), documentos do Império Romano cada dia mais permitem unir a história sagrada e a história profana a respeito de Jesus Cristo.

Tudo está a indicar que o personagem acusado e executado na cruz é o mesmo que se anunciava enviado dos céus para promover uma revolução entre os seres humanos. A designação como Cristo não é apenas um conotação bíblico-religiosa, ela pode ser encontrada na definição acadêmico-científica.

Essa busca não é de hoje, mas faltavam documentos.

Sempre houve o interesse da ciência em pesquisar a vida do personagem bíblico citado em vários livros do primeiro século cristão, mas nem sempre a partir de registros ditos históricos, muitas vezes não considerados válidos por alguns críticos.

Uma vez estabelecido que o personagem bíblico pudesse ser objeto de investigação científica, criou-se a nomenclatura a que acima nos reportamos, dado o real interesse em diferenciá-la daquela de cunho religioso. Era necessário separar o que nos vem pela fé daquilo que nos vem pelos fatos registrados. As consequências dessa diferenciação se veem de forma lúcida e transparente, sendo uma delas, o desinteresse científico em tentar validar a doutrina, bem como a natureza divina de Jesus Cristo, haja vista não caber à ciência o dever de “provar” o sobrenatural ou algo do gênero. Desta feita, a ciência ficou limitada a pesquisar e a debater a historicidade e os elementos que envolvem o personagem Jesus Cristo, se, exclusivamente, dito personagem, bem como os tais elementos, estiverem ao alcance da ciência em discussão. Então...



Mãos à obra

Uma volta ao passado. Resgatem-se obras históricas da lavra de escritores contemporâneos ao período em que “supostamente” viveu o aludido personagem bíblico. Não somente de escritores contemporâneos, mas de todos aqueles que, sob a aprovação da ciência, sejam úteis para um pronunciamento acerca do fato em questão. Poderíamos arrolar diversas obras que, segundo nosso entendimento, devem estar inclusas no rol daquelas capazes de ratificar a historicidade de Jesus Cristo, a exemplo da obra literária de Cornélio de Tácito, chamada de Anais (publicada em torno de 115 d.C.), que, embora potencialmente válida para este propósito, não vem sendo considerada e por isso não será objeto de estudo no presente expediente. De igual modo, tantas outras não serão apreciadas. Todavia, opcionalmente, decidimos trabalhar com um único registro histórico, cuja produção ocorreu no século I: “Atos de Pilatos”, que seria um documento público, da lavra do governo secular de Pôncio Pilatos, que governou a Judéia (então Província romana) de 26 a 36 d.C., cuja obra fora citada em Apologia I, por Justino Mártir.

Justino nasceu por volta do ano 103 d.C. e morreu aproximadamente em 162 d.C. Investigou as filosofias estoica, peripatética, pitagórica e platônica, tendo, por fim, abraçado o cristianismo, por volta do ano 130 d.C.

Em meados do referido século, Justino escreveu duas obras, as quais são conhecidas pelos títulos de Apologia I e Apologia II, cujos destinatários eram, respectivamente, Antonino Pio – Imperador Romano que esteve à frente daquele Império no intervalo de 138 a 161 d.C – e o Senado Romano.

Apologia I surgiu a partir de sua pretensão em defender os cristãos, vítimas constantes de perseguições feitas pelos pagãos, fato este que motivou o Imperador Antonino a publicar um édito em prol do perseguido rebanho cristão. Depois de acirrado debate com o filósofo cínico (corrente filosófica grega) Crescêncio (ou Crescente) – que chegou a ser admoestado publicamente –, o referido filósofo empreendeu uma conspiração contra Justino, o que o levou a escrever a sua segunda Apologia, desta vez sem sucesso, haja vista que o Imperador mandou prendê-lo, seguido de execução por decapitação.

Justino Mártir era um homem de vasta cultura universal, tendo sido um respeitado conhecedor da história do seu tempo.



O que desmerece Justino?



Sua fé em Jesus. Não o conheceu. Que relação há entre o Jesus Histórico e Justino Mártir? A fé. Se perguntássemos que relação há entre este e o personagem Jesus Cristo (até aqui não sujeito à investigação científica), não haveria necessidade de esforços no sentido de se convencer de que Justino sustenta piamente o aspecto divino daquele que é, até hoje, considerado por alguns setores cristãos como Deus Verdadeiro. Está muito evidenciado que nas duas citadas obras, Justino pugna pela divindade de Jesus, e o faz considerando um fato inquestionável. Não obstante exaustivo empenho em tentar provar o aspecto divino do messias (tema alheio aos interesses científicos, bem como a este artigo), podemos extrair de Apologia I, evidências históricas (cujo tema, agora, é do interesse da ciência e deste artigo) acerca da existência de Jesus Cristo. O que pretendemos dizer é que, em se tratando de “provas históricas”, para se chegar a essa expressão, as análises a serem feitas deverão se submeter aos critérios científicos, com vistas ao correto pronunciamento sobre o caso em tela.

O testemunho de Justino Mártir em prol da historicidade de Cristo tem sido rejeitado por parte de alguns críticos, principalmente em virtude de três motivos: (1) pelo fato de ele ter escrito Apologias I e II quando já era cristão; (2) pelo fato de o documento oficial em pauta ( Atos de Pilatos) não mais existir, tendo sido pouco mencionado nos primeiros séculos posteriores àquele em que fora escrito (e, quando mencionado, poucos cristãos o fizeram); (3) a existência de citações equivocadas a fatos históricos por parte de Justino Mártir.



O que dá méritos a Justino?



Antes de entrar no mérito, ou seja, antes de tentar mostrar a cientificidade da narrativa deste mártir, transcreveremos suas palavras que, segundo entendemos, contribuem consideravelmente para evidenciar a historicidade de Jesus Cristo:

“Mas estas palavras: ‘Transpassaram-me as mãos e os pés’ são uma descrição dos pregos com que lhe cravaram as mãos e os pés na cruz; e, após crucificado, os que o pregaram na cruz lançaram sorte para determinar quem lhe ficaria com as vestes, e as dividiram entre si; e que estas coisas foram assim, podeis vós verificar do que se contém nos ‘Atos’ que foram compilados sob Pôncio Pilatos”. Que ele realizou estes milagres é coisa que podeis facilmente concluir dos ‘Atos’ de Pôncio Pilatos.

Os dois textos supracitados serão comentados adiante.

E tem mais.  

Chama bastante atenção que Justino é enfático, categórico, seguro e dá evidências claras de que teve acesso ao referido ‘Atos de Pilatos’. Para a pesquisa histórica isso tem um valor importantíssimo, posto que em sua narrativa, Justino menciona a fonte na qual a informação poderia ser averiguada. O grande problema, segundo a crítica, aponta para o fato de o referido documento oficial não mais existir, sendo relatado em tempos remotos (séculos II, IV e V) apenas por poucos escritores, estes, por sua vez, cristãos supostamente compromissados em defender a divindade de Jesus. Em que pesem tais argumentos, eles demonstram, a priori, carecer de prestígio científico, uma vez que não é observado o contexto histórico, bem como a assertiva de que muitos fatos históricos conhecidos e aceitos pela contemporaneidade são provenientes de fontes já desaparecidas, assim como “Atos de Pilatos”.

Tudo isso será melhor explorado adiante.

Outro ponto a ser observado diz respeito à convicção de Justino sobre o que ele defendia, especialmente o que faz alusão à existência do documento oficial romano chamado ‘Atos de Pilatos’, visto que podemos constatar sua intrepidez ao levar o caso ao Imperador, nos termos em que se encontram suas palavras.

Dirigir-se ao Imperador, em plena época em que os Imperadores Romanos ainda arrogavam para si o título de divino – a exemplo de Antonino Pio – destinatário da primeira carta de Justino, na qual há expressa referência ao citado documento oficial (Atos de Pilatos), e principalmente, quando se sabe que, além de outras incompatibilidades com o pensamento romano, o cristianismo pregava contra a crença na divindade dos imperadores, o que fazia com que a neófita religião não tivesse, em termos gerais, o aval do Império (com a ressalva apenas de que Antonino Pio fora, por longos anos, tolerante para com o cristianismo), ou dirigir-se ao Senado, em cuja época a dita Casa compunha um dos poderes constituídos do Império Romano, poderíamos perguntar o que levaria Justino a desafiar o Imperador a averiguar se suas informações são verdadeiras ou falsas ou ainda querer questionar Crescêncio junto ao Senado, e, além disso, tendo sido tão enfático na lida de citar documentos oficiais romanos, sujeitos à inspeção pelo Império e Senado, conforme deixou bem exposto Justino!

Antes, porém, a convicção atribuída a Justino diz respeito ao fato dele ter tido acesso ao documento público do Império Romano chamado Atos de Pilatos, fato este que o qualifica a ser testemunha histórica acerca da historicidade de Jesus Cristo, objeto deste artigo e da ciência.

Um cristão que se posicionava assim, naquela época, dava sinais lúcidos de que sabia o que estava falando. Ao fazer menção aos Atos de Pilatos, nas expressões “podeis vós verificar do que se contém nos ‘Atos’ que foram compilados sob Pôncio Pilatos” e "podeis facilmente concluir", fica fácil deduzir que Justino teve acesso, ou, no mínimo, tinha convicção da existência física do citado documento e de seu conteúdo.

É bem verdade que convicção pessoal não prova nada, conforme ficou registrado antes, mas não podemos descartar o contexto histórico envolvido no caso em discussão. Por ser oportuno, é importante pormenorizarmos outros pontos diretamente ligados ao tema em discussão. Um destes pontos diz respeito à verificação do comportamento de Justino, no que toca à produção de suas cartas, e o consequente envio das mesmas às maiores autoridades do Império, a saber, o Imperador e o Senado romanos. A leitura de “Apologias I e II” não deixa margem para se acreditar que seu autor estivesse de posse de argumentos vazios, mentirosos, haja vista a indiscutível possibilidade de retaliação a que o mesmo estava sujeito. Referimo-nos, neste momento, aos argumentos apoiados em evidências históricas (como é o caso do vastamente falado Atos de Pilatos) sujeitas às consultas imperial e senatorial da época, e não, como é de se esperar, aos argumentos ligados à fé salvadora em Jesus Cristo. Essa condição, por si só, é notória e decisiva no desfecho desse litígio que perdura há séculos. A conclusão que se pode esperar é a de que Justino teve acesso, de algum modo, ao documento oficial do governo de Pilatos.

A bem da verdade, e com a intenção de evidenciar ainda mais a convicção de Justino (acerca do documento histórico) e sua intrepidez junto a Antonino Pio, eis um pouco do que se pode extrair de suas obras: (1) Justino clama por justiça e exige que o Imperador faça uma averiguação precisa se o que ele diz é mentira (aspectos históricos) e pede que aqueles que estiverem errados ou mentindo que sejam punidos; (2) Justino diz ao Imperador que a sua vida e seus ensinos, bem como a vida e o ensino da Igreja sejam inspecionados minuciosamente pelo Império; (3) Justino diz que dispõe de estudos próprios sobre todas as heresias correntes e solicita ao Imperador que o mesmo faça uma análise minuciosa.

Falando de Simão, o mago, de Atos dos Apóstolos 8:9-25, Justino dá claríssimas evidências de que este Simão existiu e ainda assegura, com informações extra-bíblicas, que este mago era da aldeia chamada Gitto e acrescenta, ainda, que Roma mandou erguer, em homenagem ao dito mago, uma estátua entre o rio Tibre e as duas pontes, dando-lhe uma inscrição que diz: “Simoni Deo Sancto”, que quer dizer “Simão, Deus Santo”, informações estas obtidas por meio de recursos históricos, visto não existirem, na Bíblia, as informações pormenorizadas fornecidas por Justino Mártir, nas palavras acima descritas. 

Não sabemos, hoje, o paradeiro dessa estátua, mas, conforme tem sido insistentemente alertado, dirigir-se ao Imperador, naqueles termos, demonstra convicção ilibada do que se afirmava. Outra vez, fazemos lembrar que se Justino não tivesse fontes seguras das informações de cunho histórico, é coerente acreditar que ele não seria tão detalhista quando discorre sobre tais informações. Esse ponto em questão é de incalculável importância.

Destarte o acima destacado só reforça a afirmação de que Justino agiu com intrepidez diante dos destinatários de suas duas missivas, oportunidade em que fazemos questão de destacar que na última alínea notamos que o dito autor levou, ao Imperador, mais informações de cunho histórico, suscetíveis de verificação (assim como Atos de Pilatos) por parte da referida autoridade romana.

Conclusão: Jesus não é uma lenda.

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